Os medicamentos para emagrecimento têm se tornado importantes aliados no tratamento da obesidade, mas a perda de peso nem sempre significa apenas redução da gordura corporal. Em alguns casos, o emagrecimento também pode estar associado à diminuição da massa muscular, especialmente quando o uso desses medicamentos não é acompanhado por mudanças no estilo de vida e orientação profissional. Diante da crescente procura por essas medicações, especialistas reforçam que orientar a população sobre o uso correto desses medicamentos é uma importante ação de saúde pública.
Segundo a endocrinologista do Hospital de Base (HBDF), Tatiana Wanderley, isso acontece porque esses medicamentos reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico, diminuindo a ingestão de calorias.
“O organismo pode utilizar proteínas musculares para suprir a demanda energética, principalmente em idosos, pessoas sedentárias ou pacientes que perderam peso rapidamente. Esse processo pode comprometer funções importantes do corpo, já que a massa muscular desempenha um papel fundamental na regulação do metabolismo, no fortalecimento do sistema imunológico, na manutenção da autonomia e na prevenção de doenças crônicas e de quedas. Por isso, durante o emagrecimento, é essencial adotar estratégias que ajudem a preservar os músculos e garantir a saúde e a qualidade de vida do paciente”, explica.
A nutricionista do Hospital de Base, Giovanna Menezes, destaca que a perda de massa muscular pode ocorrer em qualquer processo de emagrecimento, mas o risco aumenta quando a redução de peso acontece de forma rápida.
“Quanto mais rápida for a perda de peso e menor o consumo de proteínas e a prática de exercícios, maior tende a ser esse risco”, pontua.
Alimentação e exercício fazem a diferença
Para reduzir a perda de massa muscular, as especialistas reforçam que o medicamento deve ser apenas uma das ferramentas do tratamento. Tatiana Wanderley explica que o acompanhamento multiprofissional, com médico, nutricionista e educador físico, é essencial durante todo o processo.
Já Giovanna Menezes ressalta que uma alimentação adequada exerce papel fundamental na preservação da musculatura.
“É importante manter um consumo adequado de proteínas, distribuir essa ingestão ao longo do dia e garantir uma alimentação rica em vitaminas e minerais. Um plano alimentar individualizado permite promover o emagrecimento sem comprometer a composição corporal”, explica.
Além da alimentação, a prática de exercícios de força, como a musculação, é apontada como uma das principais estratégias para preservar a massa muscular durante o tratamento. Dormir bem, manter uma boa hidratação e evitar perdas de peso muito aceleradas também contribuem para melhores resultados.
Medicamento não faz o trabalho sozinho
Outro ponto destacado pelas especialistas é que o uso da medicação, por si só, não garante resultados duradouros.
Segundo a endocrinologista, a obesidade é uma doença crônica e o organismo tende a retornar ao maior peso já alcançado quando o tratamento é interrompido sem uma mudança consistente dos hábitos.
“Por isso, muitas vezes é necessário manter uma estratégia de tratamento e promover uma verdadeira mudança no estilo de vida antes de suspender a medicação”, afirma.
Giovanna Menezes acrescenta que um dos erros mais frequentes é acreditar que apenas o medicamento será suficiente para manter os resultados.
“Também é comum reduzir excessivamente a alimentação, deixar de consumir proteínas, abandonar os exercícios de força e utilizar a medicação sem acompanhamento profissional”, alerta.
Mudança de hábitos é o caminho
Para as especialistas, o uso de medicamentos para emagrecimento deve ocorrer apenas com prescrição médica e acompanhamento profissional. O sucesso do tratamento depende da combinação entre alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e monitoramento da saúde.
“O medicamento é uma ferramenta, e não a solução completa. O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas melhorar a composição corporal, preservar a massa muscular e construir hábitos que permitam manter os resultados a longo prazo”, conclui Giovanna.
Em caso de dúvidas ou da necessidade de acompanhamento especializado, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
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