Saúde
Goiás Social: Casa do Interior acolhe simultaneamente três casos de gêmeas siamesas
Unidade tem sido um porto seguro para famílias em busca de tratamento especializado na capital. Sob o comando da coordenadora do Goiás Social e presidente de honra da OVG, primeira-dama Gracinha Caiado, instituição oferece apoio integral e humanizado
Quando descobriu que estava grávida de gêmeas siamesas, Liliane Silva dos Santos, de Piraí do Norte (BA), enfrentou uma jornada repleta de incertezas. Após o nascimento de Laura e Laís em agosto de 2019, unidas pela bacia, a família foi acolhida na Casa do Interior de Goiás (Cigo), unidade do Governo do Estado, mantida pelo Goiás Social e pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).
O local, que conta com 120 leitos e já realizou quase 23 mil atendimentos desde 2019, oferece hospedagem, alimentação e suporte integral para pacientes do interior goiano e de outras regiões do país que vêm a Goiânia para tratamentos médicos, tudo sem custo. A unidade já recebeu 13 casos de siameses e, atualmente, acolhe três casos simultaneamente: Laura e Lais, de cinco anos; Kiraz e Aruna, de 1 ano e 10 meses, e Nathaly e Rhadassa, que nasceram no último dia 13 de fevereiro.
“A Casa do Interior de Goiás é mais do que um espaço de acolhimento, é um lugar de esperança, cuidado e dedicação. Aqui, acompanhamos histórias de superação todos os dias, e o atendimento contínuo às gêmeas siamesas é um exemplo do nosso compromisso com a vida e com as famílias que mais precisam. Desde o primeiro momento, as equipes do Goiás Social e da OVG têm se empenhado para oferecer suporte humanizado, garantindo conforto e toda a assistência necessária durante todo o tratamento”, enfatiza a coordenadora do Goiás Social e presidente de honra da OVG, primeira-dama Gracinha Caiado.
Hóspedes recorrentes da Cigo desde o nascimento, Laura e Laís, acompanhadas da mãe, Liliane, e da tia, Lina, recebem suporte contínuo desde agosto de 2019, incluindo hospedagem, alimentação e assistência médica. A cirurgia de separação ocorreu quando as meninas tinham 1 ano e 5 meses, marcando um novo capítulo em suas vidas. “A OVG nos deu todo o apoio necessário, desde a doação de fórmula infantil até roupas personalizadas feitas pelas voluntárias, enxoval e até um quarto exclusivo, com lactário, na época da pandemia”, relata Liliane Silva dos Santos, mãe das meninas. Atualmente, a família retorna anualmente para avaliações médicas, sempre contando com o suporte o Goiás Social e da OVG.
Ambiente acolhedor
Já em dezembro de 2023 foi a vez de Liliane Cristina da Silva e Alessandro Rodrigues, de Igaraçu do Tietê (SP), chegarem à Cigo com as filhas Kiraz e Aruna, de 1 ano e 10 meses, unidas pelo tórax. Buscando a experiência do cirurgião pediátrico Dr. Zacharias Calil, referência em casos de siameses, a família encontrou na iniciativa do Governo de Goiás um ambiente acolhedor. Além da hospedagem, receberam fraldas e fórmula infantil, essenciais para o desenvolvimento das meninas. “O apoio da equipe multidisciplinar da Cigo tem sido fundamental para nós, realmente é um atendimento que faz toda a diferença, especialmente com as psicólogas e as assistentes socais, que muito nos ajudam”, afirma Liliane Cristina. As gêmeas estão em preparação para a cirurgia de separação, com expansores de pele já implantados para facilitar o procedimento.
Mais recentemente, em novembro de 2024, Valdineia Satil Camargo Buiarski, de Buritis (RO), grávida de gêmeas siamesas unidas pelo tronco e abdômen, foi acolhida na Cigo com 33 semanas de gestação. Acompanhada por sua mãe, Rosiane da Paixão Satil Camargo, Valdineia recebeu cuidados especializados e participou de campanhas para arrecadação de enxoval, em parceria com o projeto Meninas de Luz da OVG. Hospedada na unidade à espera do parto, ela deu à luz Nathaly e Rhadassa no último dia 13 de fevereiro, em Goiânia.
Gracinha Caiado, que acompanha de perto cada um dos casos, destaca a importância do serviço oferecido pela Cigo. “Estamos aqui para acolher, amparar e proporcionar um ambiente onde cada paciente e sua família sintam-se em casa. Essa é a missão da Cigo: ser um elo de apoio para quem mais precisa”.
Referência
Goiás tem se destacado como referência nacional no atendimento e cirurgia de separação de gêmeos siameses. O estado já realizou procedimentos complexos de separação, sendo um dos poucos no país com especialistas nesse tipo de cirurgia. O médico responsável pelos atendimentos, Dr. Zacharias Calil, acompanha de perto os casos, incluindo as três gêmeas siamesas que estão atualmente na Casa do Interior de Goiás, onde recebem suporte médico e acompanhamento contínuo.
“Aqui em Goiás, a sobrevida de bebês siameses está acima da média mundial, graças aos investimentos do Estado na criação de uma estrutura de alto nível, referência nacional. Como a maioria dos casos vem de outros estados, a humanização oferecida pela OVG, por meio da Casa do Interior, é fundamental. A unidade facilita o acesso ao hospital e garante conforto, alimentação de qualidade e atendimento multiprofissional, incluindo de psicólogos, durante todo o tratamento. Nenhum outro estado oferece esse suporte tão importante”, destaca o médico.
Casa do Interior de Goiás
Desde 2019, a Cigo já realizou quase 23 mil atendimentos, oferecendo 120 leitos de hospedagem, alimentação e suporte integral para pacientes do interior do estado e de outras regiões que vêm a Goiânia para tratamentos médicos. A unidade, administrada pela OVG e pelo Goiás Social, atende gratuitamente pacientes e acompanhantes encaminhados por hospitais e órgãos de saúde.
Para ser acolhido na Cigo, é necessário que o paciente esteja em tratamento médico na capital e seja encaminhado por meio de um hospital público, unidade de saúde ou Secretaria Municipal de Saúde. Além da hospedagem, os beneficiados recebem assistência social, psicológica, nutricional e enfermagem, além de participarem de atividades socioeducativas que promovem bem-estar e fortalecimento emocional.
Fotos: Diego Canedo
Legenda 1: Liliane e Alessandro Rodrigues, com as filhas Kiraz e Aruna, de 1 ano e 10 meses, de Igaraçu do Tietê (SP); e Liliane Silva dos Santos, com as filhas Laura e Laís, de 5 anos, de Piraí do Norte (BA)
Legenda 2: Liliane Silva dos Santos, com as filhas Laura e Laís, de 5 anos: “OVG nos deu todo o apoio”, diz a mãe
Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) – Goiás Social
Saúde
Mulheres que constroem: maternidade, desafios e superação na construção civil
Mesmo diante de um setor historicamente masculino, mulheres seguem conquistando espaço na construção civil e transformando realidades dentro e fora dos canteiros de obras. Entre elas, mães que conciliam jornadas intensas de trabalho com os cuidados da família, enfrentando diariamente desafios que vão além da profissão.
A presença feminina na construção civil tem crescido de forma consistente nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, entre 2007 e 2018, houve um aumento de 120% da participação das mulheres no setor. Hoje, elas ocupam funções que vão desde atividades operacionais até cargos técnicos e estratégicos, mostrando competência, resiliência e capacidade de adaptação.
Mas, por trás dos capacetes, projetos e rotinas aceleradas, existem histórias marcadas por dedicação, cuidado e superação. Para muitas trabalhadoras, ser mãe e atuar na construção civil significa viver uma rotina de equilíbrio constante. Entre prazos, responsabilidades profissionais e a criação dos filhos, essas mulheres aprendem diariamente a administrar o tempo, lidar com a culpa da ausência e encontrar forças para continuar.
Mãe de dois filhos, Denise Duarte, engenheira de Segurança do Trabalho da Soltec Engenharia, afirma que a maternidade transformou completamente sua vida e sua forma de trabalhar. “A maternidade faz a vida da mulher dar uma volta de 360º e, independentemente da área de atuação, a rotina e a carreira profissional são afetadas. Mas, para mim, não tive impacto negativo”, relata.
Ela lembra que trabalhou até a última semana de gestação e que, na época, costumavam brincar que os filhos “iriam nascer no canteiro de obras”. Segundo Denise, os desafios da maternidade trouxeram aprendizados importantes para sua carreira. “Aprendi a delegar melhor e a confiar mais na minha equipe, garantindo que os processos continuassem funcionando com excelência, mesmo quando eu precisava me ausentar por questões familiares. A maternidade me fez uma profissional mais focada no essencial”, destaca.
A rotina intensa também faz parte da vida de Veronica Barbosa de Souza, mãe de três filhos e servente/rejuntadeira na Base Incorporações há quatro anos. Provedora do lar, ela define sua trajetória como uma história diária de superação. “Minha rotina exige madrugadas, planejamento rigoroso, rede de apoio para cuidar das crianças e muita resiliência para conciliar o desgaste físico da obra com a atenção e os cuidados que meus filhos precisam”, conta.
Mesmo diante das dificuldades, Veronica afirma encontrar motivação na própria família. “Minha maior força vem primeiramente de Deus e depois dos meus filhos. Tento dar o meu melhor. Tudo o que faço é por eles”, afirma.
Ela conta que sente orgulho ao perceber que seu trabalho ajuda a transformar sonhos em realidade. “É gratificante saber que meu trabalho ajuda a realizar sonhos. Existe uma grande satisfação em entregar um empreendimento com qualidade e ver que, no final, deu tudo certo e que você contribuiu para aquela realização”, diz. “Tenho muito orgulho de saber que fiz parte e ajudei na conclusão de uma obra”, completa.
Mesmo após anos de experiência, Veronica segue sonhando mais alto. Entre os objetivos profissionais está a vontade de aprender novas funções e conquistar novos espaços dentro da construção civil. Já no campo pessoal, o maior desejo é conquistar a casa própria. “Meu maior sonho é ter minha casa, porque hoje moro de aluguel”, revela.
Além de Veronica, outras mulheres também carregam histórias de dedicação e resistência dentro dos canteiros de obras. Rita Vicente, rejuntadeira da Construtora Vega, de 56 anos, atua na construção civil há cerca de 30 anos e encontrou no setor uma oportunidade de valorização profissional. “Eu escolhi a construção por ser um setor que valoriza o nosso trabalho. A gente que trabalha direitinho podia até ganhar uma gratificação para fidelizar”, comenta.
Mãe de nove filhos, Rita relembra os desafios de conciliar a maternidade com a rotina intensa de trabalho. “Cuidar dos filhos foi corrido. Sem uma rede de apoio, eu pagava para cuidarem dos meus filhos, mas não cuidavam direito, então tive que recorrer à creche”, conta. Mesmo diante das dificuldades, ela se orgulha da trajetória construída ao longo dos anos na construção civil. “Eu formei meus filhos com meu trabalho dentro da construção”, afirma.
Já a copeira de obras Telma Pereira Silva, de 45 anos, conta que pensou em desistir no início da experiência na construção civil. “Era um ambiente com muitos homens e eu nunca tinha trabalhado em obra antes. Mas não desisti e foi, sem dúvida, a minha melhor escolha. Lugar de mulher é onde ela quiser. Sou muito respeitada nas obras”, afirma.
Além da maternidade e da rotina intensa, os desafios enfrentados por essas mulheres incluem a necessidade constante de provar sua capacidade profissional em um ambiente predominantemente masculino. Ainda assim, histórias de acolhimento, respeito e crescimento vêm fortalecendo a presença feminina no setor.
Apoio e acolhimento fortalecem a trajetória das trabalhadoras
Por trás da força dessas trabalhadoras, existe também uma rede de apoio fundamental. Família, colegas de trabalho, lideranças compreensivas e profissionais de apoio fazem diferença na rotina de mães que precisam conciliar múltiplas responsabilidades. Um ambiente de trabalho mais humano, acolhedor e atento às necessidades femininas impacta diretamente a qualidade de vida, o bem-estar emocional e a permanência dessas mulheres no setor.
Nesse contexto, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) desempenha um papel importante no acolhimento e cuidado das trabalhadoras da construção civil. A instituição oferece suporte voltado à saúde física, emocional e social das mulheres, especialmente das mães que enfrentam rotinas intensas.
Por meio de parcerias com empresas do setor, as trabalhadoras têm acesso gratuito a atendimentos médicos, odontológicos e acompanhamento psicossocial, fortalecendo o cuidado integral e incentivando o autocuidado.
Segundo Roseane dos Santos, assistente social do Seconci-DF, o acolhimento vai além da assistência básica. “O acolhimento emocional e social é especialmente relevante para mulheres que acumulam múltiplas responsabilidades, contribuindo para um melhor equilíbrio entre vida profissional e familiar”, explica.
Rita também destaca a importância do atendimento oferecido pelo Seconci-DF em sua vida e na de sua família. “Eu acho muito bom, pois, às vezes, a gente não pode pagar por exames. Já utilizei vários serviços, como dentista e outros atendimentos médicos”.
Para Verônica, esse suporte faz diferença na vida dos profissionais da área. “Eu acredito que o Seconci faz a diferença para os trabalhadores da construção civil”, afirma.
As ações desenvolvidas pelo Seconci-DF reforçam a importância de construir ambientes mais inclusivos, saudáveis e respeitosos para as mulheres que ajudam, diariamente, a erguer não apenas prédios e estruturas, mas também suas próprias histórias de superação.
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