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Epreendedorismo

Nova Iorque do Maranhão, a pequena cidade em que mulheres empreendedoras fortalecem o turismo

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Leila Maria Macedo da Silva, 51, lavradora e Lusa Saraiva, 43, que faz parte do grupo Mulher Empreendedora de Nova Iorque. Foto: Divulgação

Nova Iorque do Maranhão é cheia de empreendimentos locais, principalmente de mulheres autônomas, que fazem a economia girar

VITÓRIA MACEDO
NOVA IORQUE, MA (FOLHAPRESS)

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Quando se pensa em Nova York, a imagem que surge à cabeça são táxis amarelos, ruas abarrotadas de gente andando para lá e para cá e arranha-céus.

Mas no sul do Maranhão existe uma cidade homônima com a escrita aportuguesada, “Iorque” mas contrária a todos esses aspectos, pois é a menor do estado brasileiro, com apenas 4.682 mil habitantes.
Se a capital financeira dos Estados Unidos é conhecida como um polo comercial potente, Nova Iorque do Maranhão é cheia de empreendimentos locais, principalmente de mulheres autônomas, que fazem a economia girar junto ao turismo local.

Uma dessas mulheres é Ana Júlia Santos, 54. Nascida e criada na pequena cidade maranhense, ela é pescadora, mas se viu desafiada a aumentar a renda quando passou a cuidar dos dois netos, de 4 e 6, que viviam no Pará antes de serem abandonados pelos pais. “Duas crianças pequenas, na minha idade, só com o Bolsa Família, é difícil demais”, diz a autônoma, se referindo ao valor de R$ 600.

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A saída é vender sabão caseiro, feito sem soda, para não dar alergia. Após o preparo, Santos coloca em latinhas e sai vendendo na rua ou em casa mesmo. A pesca fica por conta do companheiro.

Santos também é cozinheira e já trabalhou em bares e restaurantes na cozinha, mas não quer mais fazer isso em locais onde vendem bebidas alcoólicas. “Eu sou muito boa na panelada, eu me garanto”, diz.

O sonho dela agora é ter o próprio carrinho “daqueles que tem um guarda-chuva”, onde pretende armazenar comida e vender na praça, área que concentra os principais eventos da cidade, ou levar para a Praia do Caju, ponto turístico de Nova Iorque à beira do rio (já que a cidade fica cerca de 563 km distante de São Luís, na costa).

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A veia empreendedora de Santos surgiu não por ser totalmente obstinada aos negócios, mas por pura necessidade, devido ao sofrimento que já passou na vida. Ela conta que já perdeu o irmão, a mãe e o filho está preso. “Eu tô lutando e eu vou chegar lá”.

Se por um lado Santos não se sente envergonhada para se lançar na venda, muitas mulheres autônomas que possuem seus negócios em Nova Iorque não são assim, como Ana Claudia Brito Sousa, 47.

Funcionária pública, ela trouxe o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para o município em 2013, quando começou a reunir os empreendedores da região. Foram oferecidos diversos cursos, entre eles de educação financeira e sobre como vender melhor.

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Com o passar do tempo, alguns desses empreendedores foram se afastando e ela decidiu criar o grupo de Mulher Empreendedora, em 2019, para agregar mulheres que antes não tinham renda e desejavam avançar com seus negócios. “Elas começaram a ter uma nova visão em relação ao empreendedorismo.”

As mulheres ocupam feiras na praça e também na Praia do Caju, que antes acontecia de 15 em 15 dias, onde obtêm sua renda vendendo cosméticos, trabalhos artesanais, como laços e sandálias, e paneladas.

Lusa Saraiva, 43, vende cosméticos, como cremes e perfumes, mas também alimentos, como geladinhos (preparados à base de água e sucos) gourmet na praia, com o seu Gelados Lu Zero Graus. “Eu sou uma pessoa dos turistas”, afirma. Isso quando tem bastante sol para atraí-los.

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Para Saraiva, a união das empreendedoras é importante, principalmente durante as feiras, em que uma vai ajudando a outra nas vendas.

Thamyres da Silva Santos, 32, também trabalha na praia do Caju, no espaço que se chama Barraca da Rosa, herdado de sua mãe que morreu antes da pandemia. “Eu, como filha, tomei a iniciativa de cuidardos negócios”, diz. Tudo o que sabe hoje aprendeu com a mãe, tendo praticamente nascido naquele lugar.

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Ela depende da movimentação da praia para ganhar dinheiro, que é maior de junho a novembro, quando a maré não está tão alta e tem mais areia para os turistas ficarem. O prato principal de sua barraca é o pescado, servido frito ou ao molho. “Tem que trabalhar muito no verão, fazer uma poupança para a gente poder se manter durante o inverno”, diz. Ela quer aumentar o negócio e busca sempre melhorar.

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Professora aposentada, Marta Helena Ferreira Coelho, 67, vende artesanato que aprendeu com sua mãe, e adorava costurar e bordar paralelamente aos estudos. Dentre suas produções estão colcha de cama em crochê, pano de prato e até enxoval, que leva para vender nas feiras do grupo Mulher Empreendedora.
Surania Carvalho da Silva Lopes, 44, tem seu estabelecimento de bebidas junto com seu companheiro há 23 anos. “Hoje eu considero uma grande vitória para nós”, diz.

Mulheres autônomas de Nova Iorque, no Maranhão – Divulgação

O negócio começou como um bar, mas foi crescendo até se tornar uma distribuidora de bebidas com um depósito amplo. “A gente não tinha de onde tirar [o dinheiro], então começamos nos empréstimos, indo nos bancos”, diz ela. Quando um carnê acabava, já iam em busca de outro.

O fluxo de clientes do bar vem, além dos turistas, de eventos, como serestas e festas de aniversário que o local promove. Lopes acredita que ainda há muito o que melhorar em relação ao empreendimento, o engajamento da cidade e incentivo para fazer seus trabalhos.

Lopes, ao lado de Marta, Coelho, e Santos tiveram uma visibilidade maior de seus negócios no mês de abril. Elas apareceram no telão de uma “Taimes Isquere” –inspirado na Times Square— construída pelo banco digital will bank, no intuito de dar mais visibilidade a esses autônomos. Elas tiveram seus negócios divulgados ao lado de outros empreendedores da cidade.

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“Não é só a união dos empreendedores, é preciso de um apoio maior, financeiro ou cultural”, diz Lopes.

Fonte: Jornal de Brasilia

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Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro que será lançado em Brasília amanhã (20)

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Foto por Magali Moraes – Divulgação
“Mulheres que Reciclam o Futuro” reúne relatos de catadoras de várias regiões do país e será lançado na Câmara dos Deputados
Histórias de mulheres que encontraram na reciclagem uma forma de sustento, acolhimento e transformação social ganham destaque no livro Mulheres que Reciclam o Futuro, que será lançado amanhã (20), em Brasília. A obra reúne relatos de 25 catadoras de diferentes estados brasileiros, com trajetórias marcadas por coragem, superação e trabalho coletivo em torno do cuidado com o meio ambiente e da preservação.
Lançado no mês em que é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem, comemorado em 17 de maio, o livro aborda os desafios enfrentados por essas mulheres, que representam 70% da força de trabalho dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor no Brasil, segundo o Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Recicláveis (MNCR), reforçando o papel da reciclagem como motor essencial para a economia e o meio ambiente. Realizada pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis via Lei de Incentivo à Cultura, a obra poderá ser baixada gratuitamente no site www.redeeducare.com.br ou adquirida em versão física.

A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentável. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.

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A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.

“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.

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“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha

Sete filhos criados a partir da reciclagem –  Uma das histórias do livro é a de Aparecida Ferreira de Maria, de Brasília. Filha de catadores, ao enfrentar a maternidade precoce, aos 18 anos, encontrou na catação uma alternativa viável de renda. Hoje, aos 41 anos, e com sete filhos criados com a reciclagem, atua na defesa da valorização dos catadores. “Aqui a gente conversa muito, cada uma conta a sua história, e eu vejo que são mulheres muito guerreiras. Elas chegam com histórias parecidas, de dificuldade, e encontram acolhimento. É um lugar onde a gente se escuta, se apoia e vai seguindo em frente”, destaca.

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Já Dulce Vale, de Goiânia, iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.

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De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.

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