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Mulheres incriveis

Ana Lídia: 50 anos do assassinato da menina que “virou santa”

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Cinquenta anos depois do assassinato de Ana Lídia Braga, quando tinha apenas 7 anos de idade, as misteriosas circunstâncias que envolvem o bárbaro crime permanecem intactas na memória dos brasilienses. A história da garotinha loira, de cabelos até os ombros e olhos azuis, raptada na porta do Colégio Madre Carmen Sallés, em 11 de setembro de 1973, na 604 Norte, e encontrada morta no dia seguinte, nunca foi desvendada. Os autores do crime não foram punidos.

Mesmo cinco décadas após a brutal execução, o túmulo da garota ainda é um dos mais visitados do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. A lápide, sempre limpa, está quase sempre coberta por coroas de flores, fotos e cartas com pedidos de milagres. O local tornou-se sagrado para muitas pessoas que acreditam na santidade de Ana Lídia.

As falhas na investigação da polícia, a suspeita contra filhos de políticos importantes da cidade na época dos anos de chumbo, o período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, a censura implacável à imprensa, a falta de empenho da família da vítima e outros mistérios e especulações acerca dos fatos foram alguns dos elementos que resultaram em impunidade. Em cinco décadas, ocorreram muitas perguntas, apurações, julgamentos e nenhuma condenação.

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Às vésperas do cinquentenário do caso, o Metrópoles revisitou os lugares frequentados pela criança à época do crime e refez o percurso dos últimos passos de Ana Lídia, que foi sequestrada, torturada, morta, estuprada e enterrada em uma cova rasa no matagal próximo ao Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB).

Quem vivia na capital da República à época do crime e ainda está vivo, até hoje se pergunta o que, de fato, aconteceu naquele fatídico dia. “Uma geração inteira nunca mais pôde esquecer que uma menina de 7 anos teve a vida interrompida tão dolorosamente. Convivi com ela e lamento por nunca termos tido uma resposta. Esperamos uma vida inteira pela elucidação. Trazemos na memória somente a interrogação”, pontua Claudia Stocker, 56 anos. As duas estudaram juntas na mesma escola.

Dia das Mães - 1973 (1º série) Turma de Ana Lídia Braga - Claudia Stocker (personagem da reportagem) aparece ao lado da menina
Claudia e Ana Lídia aparecem uma ao lado da outra

Ana Lídia foi encontrada nua, de bruços e com o rosto comprimido contra a terra. Os cabelos haviam sido cortados de forma irregular. Os cílios foram arrancados.

A perícia constatou que, antes de ser assassinada, Ana Lídia foi torturada. Próximo ao local em que ela foi enterrada havia duas camisinhas usadas e papel higiênico com esperma. O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) atestou que a morte se deu por asfixia, provavelmente provocada por sufocação, entre 4h e 6h de 12 de setembro de 1973. Havia ainda manchas roxas e escoriações em várias partes do corpo. O exame comprovou também o estupro da criança depois de morta.

Local onde o corpo de Ana Lídia Braga foi encontrado na mata próxima à UnB
Local onde o corpo de Ana Lídia Braga foi encontrado

Reconstituição da história


No dia 11 de setembro de 1973, a família Braga não viveria só mais um dia comum. Por volta das 13h50 de uma terça-feira, os pais de Ana Lídia Braga, Eloyza Rossi Braga e Álvaro Braga, funcionários do Departamento de Serviço de Pessoal (Dasp), saíram de casa na 405 Norte e deixaram a filha caçula na porta da escola particular, na L2 Norte, para as aulas de reforço. A menina estava na 1ª série do ensino fundamental e tinha dois irmãos mais velhos: Álvaro Henrique Braga, à época com 18 anos, e Cristina Elizabeth Braga, então com 20.

Ana Lídia não chegou a entrar no colégio naquela tarde. Segundo uma testemunha, um homem alto e loiro que vestia blusa branca e calça verde militar abordou a garotinha, e os dois deixaram a escola juntos.

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Nesse dia, Ana Lídia usava vestido xadrez azul e branco e sandálias vermelhas. Carregava uma pasta preta, em que guardava o material escolar: quatro cadernos encapados com plástico amarelo, uma caixa de lápis de cor e a inseparável boneca Susi.

Às 16h30, quando a empregada doméstica da família, Rosa da Conceição Santana, apareceu na escola para buscar Ana Lídia, a diretora da instituição católica, irmã Celina, informou que ela não havia assistido às aulas naquela tarde e ligou para Eloyza.

Os pais iniciaram uma busca nas proximidades do colégio e, sem sucesso, acionaram a polícia. Na mesma noite, o delegado da 2ª DP (Asa Norte) recebeu uma ligação. Um homem dizia que estava com Ana Lídia e pediu Cr$ 2 milhões (cruzeiros) para liberá-la. A criança foi colocada ao telefone, chorou e chamou pela mãe.

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Uma carta, com texto escrito à máquina, foi colocada em um envelope endereçado ao pai da menina e deixada sobre uma pilha de sacos de arroz em um supermercado que funcionava próximo ao endereço da família de Ana Lídia. Os supostos sequestradores pediram resgate de Cr$ 500 (cruzeiros), até a próxima sexta-feira, dia 14 de setembro. Os valores não foram pagos.

Com a ajuda de um fuzileiro naval, a polícia encontrou os cadernos, o estojo de lápis e a boneca Susi da menina jogados às margens da pista que passa pelo Grupamento de Fuzileiros Navais. A mochila e as roupas nunca apareceram.

Vinte e duas horas depois do início do pesadelo, por volta das 12h de 12 de setembro de 1973, o corpo da menina foi encontrado no matagal próximo ao Centro Olímpico da UnB. No terreno em que o corpo estava, havia marcas de pneus de motocicleta, mas não houve perícia nos vestígios. Álvaro Henrique, irmão da menina, tinha uma Yamaha 100 cilindradas.

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Velório de Ana Lídia Braga
Velório de Ana Lídia Braga no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul

Infografia Ana Lídia

Desdobramentos


Dias depois da morte, a polícia apontou Álvaro Henrique, irmão de 18 anos e padrinho de Ana Lídia, como o principal suspeito de ter buscado a menina na escola. Pesavam sobre ele acusações de envolvimento com drogas e a suspeita de que teria dívidas com traficantes. Em depoimento, ele confessou ter consumido maconha apenas três vezes e revelou que pediu dinheiro emprestado ao pai e a amigos para pagar o aborto da namorada, que estava grávida de um mês.

Bloco O da 405 Norte no dia da morte da criança
Bloco O da 405 Norte no dia da morte da criança

Jardineiro da escola em que Ana Lídia estudava, Benedito Duarte da Cunha afirmou ter visto os pais deixarem a menina e, também, quando ela saiu com um homem loiro, magro e alto, sem parecer assustada. Na delegacia, Benedito sustentou, inclusive, que Álvaro era o rapaz que havia retirado a menina da escola.

Os pais de Ana Lídia sempre sustentaram que Álvaro Henrique estava com eles no momento em que deixaram a menina no colégio. Pontuaram, ainda, que ele iria à Rodoviária do Plano Piloto para tirar a primeira habilitação. A família nunca colaborou com o desfecho do inquérito e sempre foi incisiva ao negar o envolvimento do irmão da garotinha.

Eloyza Rossi Braga
Eloyza Rossi Braga, mãe de Ana Lídia Braga, no dia em que o corpo da filha foi localizado

Para a polícia, Álvaro, então principal suspeito, não teria agido sozinho. Ele tinha um suposto parceiro: Raimundo Lacerda Duque, 30. O homem trabalhava no mesmo local que a mãe de Ana Lídia. Viciado em drogas, ele confessou à polícia ser pedófilo. Em seu depoimento, garantiu que apenas soube do desaparecimento de Ana Lídia pelo rádio. Depois de saber que era procurado pelo assassinato da menina, Duque passou cinco meses foragido.

Além de Álvaro e Duque – os únicos que responderam na Justiça pelo sequestro e pela morte da menina –, as suspeitas recaíram sobre Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, o Rezendinho, filho do então senador Eurico Rezende. As denúncias ocorreram porque ambos estudavam no mesmo colégio de Álvaro Henrique e também seriam usuários de drogas. As investigações da polícia não conseguiram estabelecer a ligação de Alfredo e Eduardo com o caso.

Em 1974, a Polícia Federal (PF) proibiu a divulgação do caso na imprensa. Os dois principais acusados ficaram presos por mais de um ano à espera do julgamento. Em 16 de junho de 1975, acabaram absolvidos por falta de provas. O Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT) recorreu e, em 2 de dezembro de 1977, a 1ª Turma do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) confirmou a decisão.

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Em 1985, o processo do caso Ana Lídia chegou a ser reaberto após surgirem novas informações sobre o assassinato, mas, por falta de provas, foi encerrado. O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993.

Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas com alcoolismo. A mãe de Ana Lídia, que sempre afirmou não acreditar no envolvimento do filho, morreu em março de 2005. O pai, Álvaro Braga, se mudou com a família para o Rio de Janeiro após o filho ser absolvido do crime. Ele morreu na capital carioca, em 2011, sem nunca ter dado entrevista sobre o caso. Alfredo Buzaid Júnior morreu em 1975, em um acidente de carro. Em 1990, Rezendinho se suicidou, aos 40 anos, em Vitória (ES).

Álvaro Henrique, irmão de Ana Lídia, é médico angiologista e mora no Rio de Janeiro. O Metrópoles tentou contato pelo telefone do consultório, mas ele não retornou as ligações. Advogado que o defendeu à época, Safe Carneiro, hoje com 89 anos, ainda mantém escritório de advocacia no DF, mas não quis dar entrevista.

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Infografia Ana Lídia

Em 2009, o MPDFT publicou a Revista Memória nº 2, com o relato do promotor José Jeronymo Bezerra de Souza. Aos 37 anos, com apenas um ano de carreira no Ministério Público, ele foi designado pelo então procurador-geral Guimarães Lima para investigar o assassinato. Trata-se, provavelmente, da primeira vez que o Ministério Público conduziu um inquérito.

A linha de investigação foi definida em três frentes e levou em consideração: se filhos de autoridades participaram do crime; se traficantes de drogas estariam envolvidos no assassinato; e se a família e os amigos seriam investigados.

Veja o relato no fac-símile do MPDFT.

José Jeronymo conta que o contato com a Polícia Civil do Distrito Federal foi estreito. Ele lembrou que não encontrou nada que pudesse incriminar Buzaid ou Rezendinho. Partiu, então, para uma nova linha de investigação: o tráfico de drogas. O promotor de Justiça buscou ajuda na Polícia Federal, e a resposta foi a mesma da Polícia Civil: não havia elementos para provar que o crime estivesse ligado a traficantes.

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O promotor não teve alternativa senão passar a investigar os familiares de Ana Lídia. Ele lembra que o irmão da menina, Álvaro Henrique, manteve-se frio e distante durante toda a apuração. Jeronymo não tem dúvidas de que ele retirou a garota da escola e a entregou a Duque. E acredita que Álvaro não participou da barbárie contra a irmã, mas foi copartícipe. A conclusão, segundo o promotor, ficou clara em função do comportamento da família, que “nunca quis colaborar com as investigações”. Jeronymo lembra que o pai de Ana Lídia, Álvaro Braga, mostrava-se irritado com as suspeitas sobre o filho.

“O senhor, como pai de família, tomou uma difícil decisão. O senhor perdeu uma filha em circunstâncias trágicas e quer salvar o outro filho. O senhor não quer colaborar com a investigação porque sabe que seu filho participou desse crime. Ele não matou a irmã, mas é coautor porque tirou a menina do colégio e a entregou para esse celerado, esse Raimundo Lacerda Duque”, afirmou José Jeronymo no último depoimento de Álvaro ao Ministério Público. A resposta, segundo o promotor, foi silêncio.

Por onde passou Ana Lídia


Atualmente, o prédio 40 da 405 Norte, onde a família Braga morava, virou o Bloco O. No apartamento 108, antes ocupado por personagens da tragédia, reside hoje uma senhora que já vivia na quadra à época dos fatos.

O síndico do edifício, Jorge do Carmo, 68, falou que, até hoje, o cruel assassinato consterna a sociedade brasiliense. “Trata-se de um crime muito triste. Marcou a história da Brasília pacata, que nunca mais foi a mesma depois daquele dia. Precisou amadurecer da noite para o dia”, relembra.

Jorge mora no Bloco O da 405 Norte. De acordo com ele, a vizinhança ainda comenta sobre a família Braga nas rodas de conversa entre os moradores da quadra. “Lamento muito pela evolução humana, que, mesmo no século 21, continua registrando monstruosidades semelhantes ou piores à da menina Ana Lídia”, desabafa.

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Brasília (DF) 23/08/2023 - Especial - 50 anos do Caso Ana Lídia
O síndico do Bloco O da 405 Norte, Jorge do Carmo, 68 anos, falou que, até hoje, o crime é comentado na quadra

O Colégio Madre Carmen Sallés ainda funciona no mesmo endereço, e o lugar em que a polícia localizou o corpo de Ana Lídia virou “ponto de cura”. Uma placa fixa, com os dizeres “Nas proximidades deste local foi enterrada, em cova rasa, a menina Ana Lídia, assassinada por desconhecidos, em 12 de setembro de 1973”, marca a área da tragédia. A chapa metálica é datada de 5 de dezembro de 2014.

Brasília (DF) 23/08/2023 -Especial - 50 anos do Caso Ana Lídia
“Ponto de Cura” na UnB

Amiga da turma de Ana Lídia, Claudia Stocker guarda fotografias da 1ª série de 1973, no Colégio Madre Carmen Sallés. Na fotografia de comemoração do Dia das Mães daquele ano, as duas aparecem lado a lado.

“Éramos muito pequenas, e me lembro que sempre estávamos próximas nas fotografias, pela ordem alfabética. Ana Lídia era a primeira da chamada. Me lembro que ela chamava a atenção de todos pela beleza e pelos olhos azuis. Ela era uma criança retraída e tímida. Não teria deixado a escola se não fosse com alguém que já conhecesse”, opina Claudia.

No Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, a principal área de lazer infantil leva o nome da garotinha. No ano em que o crime prescreveu, o local foi batizado em homenagem a ela. O Parque Ana Lídia fica no Estacionamento 12 e recebe crianças diariamente. Cravado no coração de Brasília, o espaço é garantia de diversão para diferentes gerações de brasilienses há quase 60 anos. O foguete espacial é o xodó dos frequentadores.

Peregrinação no túmulo

O túmulo de Ana Lídia é um dos mais visitados no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. Muitas pessoas acreditam que ela é santa. Um casal de jardineiros cuida da sepultura. Os funcionários informaram que flores, velas, fotografias, pelúcias, bonecas, balas, refrigerante e água são deixados constantemente no jazigo, bem como terços e placas de agradecimento por graças alcançadas. A última recebida expressa gratidão pela aprovação em mestrado, neste ano.

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Responsável pelo local há anos, o casal disse que os valores recebidos pelos cuidados de jardinagem e limpeza executados na área vêm de um idoso que obteve uma graça após pedir a intercessão da menina.

“Muitos acreditam que Ana Lídia é santa e atribuem milagres a ela. No feriado de Finados, o túmulo dela é um dos mais visitados. Não há um dia em que não venha ninguém para depositar algo. Diariamente, a criança recebe visitas e agrados. Nunca recebemos informações de parentes ou familiares que a visitam nos dias atuais”, contou um deles.

Ditadura


Os documentos secretos liberados pelo Arquivo Público do DF (ArPDF) jogaram luzes sobre a atuação dos militares em Brasília no período da ditadura. No entanto, muitas histórias continuarão nas sombras. É o caso de episódios emblemáticos ocorridos na capital, como o brutal assassinato de Ana Lídia Braga.

Não há informações no acervo dos órgãos oficiais no ArPDF. Documentos que poderiam ajudar a explicar a tragédia simplesmente não existem.

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Um dos historiadores que trabalhou como gerente de acervo permanente no Arquivo Público, o pesquisador e formador na Escola de Aperfeiçoamento de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) Marcelo José Domingos, com PhD em América Latina pela Universidade do Texas, contou à reportagem que existe a possibilidade de parte do material ter sido destruída.

“O arquivo foi esvaziado. O crime da Ana Lídia teve desdobramentos políticos. Pela lógica, deveria ter informações sobre o caso, mas não tem. Crimes que tinham participação direta ou indireta de figuras da política não estão lá. Possivelmente, porque esses documentos foram subtraídos”, explica o especialista.

Marcelo José Domingos também afirma ter ficado impressionado com a capacidade e o alcance do excesso de monitoramento à época da ditadura. Tudo o que se fazia era vigiado pelo Estado. “É no mínimo estranho que se tenha um arquivo tão abrangente e não exista nenhuma menção desse caso. Às vezes, aquilo que não é dito diz muito. Assim, infelizmente, alguns dos mistérios da ditadura seguem sem esclarecimento”, destaca o historiador.

O professor e especialista em direito penal Rodrigo Pardal diz que, atualmente, no âmbito penal, não há mais nada que possa ser feito. “Além de uma sucessão de erros sobre a investigação criminal, existia um poder autoritário que não dava autonomia a outros órgãos para que pudessem trabalhar nos esclarecimentos. Era um regime militar e passou-se a censurar o assunto para que a imprensa não pudesse divulgar o caso”, salienta.

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Segundo o especialista, durante cinco décadas, trabalhou-se com a hipótese de “falhas” nas investigações, mas, na verdade, existe a possibilidade de tudo ter sido proposital. “Para que nunca se encontrasse a autoria e os responsáveis não fossem responsabilizados, assim como nunca foram. O crime já prescreveu. Não há mais nada que possa ser feito no âmbito penal”, conclui o professor.

Silêncio na Cidade


O assassinato de Ana Lídia virou romance policial. O jornalista, professor e escritor Roberto Seabra escreveu a obra Silêncio na Cidade, lançada em 2017 pela Editora Camará. Neste ano, o livro ganhou adaptações e terá nova versão feita por uma editora de literatura infantojuvenil de São Paulo, a Saíra Editorial, para alunos do ensino médio.

Quando o crime aconteceu, o jornalista tinha 9 anos. Ele é filho de um dos investigadores do emblemático caso, o perito criminal Manoel Esperidião Pereira, que morreu em 2003, aos 63 anos.

Na narrativa, o autor trata de pessoas reais por meio de personagens fictícios. Ele conta a história de Amantino Torres, um agente policial aposentado que foi impedido de continuar nas investigações do caso de uma menina encontrada morta.

A ficção pode ser lida como uma crônica, na qual o personagem principal procura fazer com que o crime não caia no esquecimento. O romance está diretamente ligado a retratos do regime militar, que, na época, fez muito para abafar as investigações.

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Capa do livro Silêncio na Cidade
Capa do livro Silêncio na Cidade, de Roberto Seabra

“Como jornalista, sempre gostei de trabalhar com fatos e informações que pudesse comprovar. Fui juntando informações sobre o caso em uma pasta por acreditar que esse caso daria um bom livro. Quando comecei a escrever, percebi como o caso apresentava buracos e não havia um desfecho. Por isso criei um livro fictício. Por acreditar que a ficção tem todo o direito de preencher o espaço deixado pela realidade”, destaca.

Além de recorrer às memórias do pai e da convivência com colegas da polícia que frequentavam sua casa, o autor da obra mergulhou em arquivos públicos e reportagens para retratar a história.

“Eu sempre busquei pela Justiça. Respeito a fé das pessoas que acreditam que Ana Lídia é santa e pedem suas graças. Mas o que sempre me interessou de verdade foi saber por que nunca deixaram investigar esse caso e, mesmo 50 anos depois, a gente ainda não tem a verdade. Se tivesse sido um crime punido exemplarmente, ele teria entrado na lista de crimes solucionados. Como isso não ocorreu, ficaremos sempre com essa mancha na história da cidade ”, conclui o jornalista.

Fonte: Metropoles
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Mulheres incriveis

Dia das mães: Quando mães e filhos crescem juntos nos negócios com franquias

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Empreendedorismo em conjunto no setor tem espaço com a união de experiência,

recursos e “mão na massa”

 

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São Paulo, maio de 2026 – O empreendedorismo materno avança no Brasil ao refletir uma realidade em que mães constroem suas trajetórias profissionais ao lado dos filhos, seja como inspiração, apoio ou até sociedade. Mais do que uma alternativa de renda, o modelo evidencia uma mudança de comportamento: negócios estruturados para buscar integrar rotina familiar e operação, com mais flexibilidade e eficiência.

 

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Mais de 41 milhões de lares brasileiros são chefiados por mulheres, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que impulsiona diretamente o empreendedorismo feminino no país. Hoje, mais de 10 milhões de brasileiras comandam seus próprios negócios, representando cerca de 34% do total de empreendedores, com forte presença nos setores de serviços e comércio, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

 

O setor de franchising dá suporte a esse laço entre maternidade e gestão, com estrutura padronizada e suporte operacional. A participação feminina alcançou 57% em 2024, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). A presença de mulheres em cargos de liderança também avançou, chegando a 30% no mesmo período.

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Na prática, essa transformação ganha forma em histórias de franqueadas de redes como 5àsec, Água Doce, Café Cultura, Carflix, Divino Fogão, Ensina Mais Turma da Mônica, iGUi, LavPop by 5àsec, Microlins, Milon, Peça Rara, Royal Face, Rockfeller e Yázigi, em que empresa e rotina familiar deixam de ocupar espaços separados e passam a evoluir de forma integrada. Os exemplos podem ser vistos abaixo:

 

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5àsec

Franqueada da 5àsec em Teresópolis, no Rio de Janeiro, Camila Cristina Cunha Araújo, de 41 anos, é mestra em radioproteção e dosimetria, com atuação como professora universitária e servidora pública federal antes decidir mudar de carreira para empreender. Junto com seu marido, buscou no segmento de franquias uma forma de estar mais próximo dos filhos, Lara Cristina e Murilo Miguel, de 11 e 7 anos, respectivamente. “A maternidade foi um impulsionador para que eu entrasse no mundo do empreendedorismo. O pedido veio da minha filha mais velha, que queria que ficássemos mais perto dela, acompanhando em sua rotina e atividades. A partir disso, meu marido e eu pesquisamos sobre mercados em expansão no Brasil e na região serrana do Rio de Janeiro. A 5àsec foi a escolhida por toda a história e reconhecimento no segmento de lavanderias no Brasil e no mundo”, revela a franqueada.

 

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Com a rotina atribulada, resultando em falta de flexibilidade, e a vontade de ter mais tempo para aproveitar em família foi primordial para dar o primeiro passo no empreendedorismo. A loja da 5àsec foi aberta em 2021. “Sem dúvidas, agora podemos participar mais ativamente do dia a dia dos nossos filhos. Além disso, o sucesso e a identificação com a marca foram essenciais para fortalecer nosso propósito. É gratificante empreender em algo que tem tanto significado para nós”, conta. Para mães que almejam seguir como donas de seu próprio negócio, Camila revela que maternar e empreender é, basicamente, buscar evolução o tempo todo, já que o caminho não é fácil. “Não precisa ser e ter tudo perfeito para começar. O primeiro passo é o fundamental para iniciar no empreendedorismo, mesmo com algumas inseguranças. Ao longo da trajetória, aprendemos, nos adaptamos e crescemos. E, por nossos filhos, encontramos coragem para não desistir”, finaliza a empresária.

 

Água Doce Sabores do Brasil

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Raquel Machado Bartol Barbeiro, de 46 anos, é franqueada da Água Doce Sabores do Brasil de Matão, no interior de São Paulo, há 21 anos. Advogada de formação e mãe de Manuela, de 18 anos, e João Pedro, de 15, seu caminho empreendedor começou antes mesmo de ter filhos, ao decidir investir em uma operação da rede de gastronomia brasileira após deixar Monte Azul Paulista, sua cidade natal, em busca de novas oportunidades.

Com a chegada dos pequenos, precisou adaptar sua rotina, especialmente por se tratar de uma operação noturna, passando a focar mais na parte administrativa enquanto contava com o apoio do marido na gestão. Ao longo dos anos, enfrentou o desafio de equilibrar o tempo entre a família e o restaurante, chegando a se afastar temporariamente da operação. “Para organizarmos nossos horários, o apoio do meu marido foi fundamental. Assim dividimos as funções para que eu pudesse me dedicar aos filhos enquanto cresciam e dependiam mais de mim, sem deixar o negócio de lado. Tive que dar uma pausa, pois conciliar as duas demandas não foi fácil. Olhando para trás, agora com minha filha já na faculdade e o outro na adolescência, vejo que o esforço e dedicação valeram a pena”, comenta.

 

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Hoje, com uma rotina organizada, Raquel encontra realização em conseguir dar conta dos dois papéis e destaca que a maternidade também contribuiu para uma gestão mais sensível e atenta às necessidades do negócio e das pessoas, incentivando outras mães a empreenderem e valorizarem a flexibilidade que o próprio negócio pode proporcionar. “Para quem almeja dar um outro rumo em sua vida, o conselho que dou é para se arriscarem. É difícil ter que se adaptar no começo, pois haverá alguns desafios, mas o resultado é muito gratificante”, finaliza.

 

Café Cultura

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Flexibilidade de horário que possibilidade maior disponibilidade para se dedicar à família. Estes são os principais motivos que levaram Caroline Dalago Cruz a empreender. Radicada na capital paulista, aos 40 anos, ela é formada em engenharia sanitária e ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com passagens por instituições financeiras como os bancos Itaú e Safra, além do Fundo Pátria Investimentos, foi na Petz – empresa onde atuou por nove anos nas áreas de planejamento estratégico e financeiro – que sua vida deu a guinada. Ali, ela conheceu aquele que seria seu marido e pai de seus três filhos, Rodrigo. Com o nascimento do caçula, que demandava cuidados especiais, decidiu deixar o emprego de carteira assinada, mas o “ser apenas mãe” a incomodava já que a ideia era “se manter ativa”. Apaixonada pelo varejo, setor no qual segundo ela mesma “consegue enxergar o todo, do micro ao macro”, abrir um negócio foi uma ideia que amadureceu aos poucos. A opção por empreender com uma franquia do Café Cultura se deu por conta do conhecimento de longa data da Marca, já que ambas nasceram na capital catarinense. Hoje, ela é franqueada da recém-inaugurada flagship da Rede na capital paulista, localizada no bairro de Moema.

 

Carflix

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À frente da unidade da Carflix na Vila Mariana, em São Paulo, Ricardo Mendonça Gomes José, de 54 anos, decidiu empreender após os 50 anos como forma de se recolocar no mercado de trabalho. Engenheiro de formação, ele buscava abrir o próprio negócio e encontrou no modelo de franquia da Carflix uma alternativa alinhada ao que procurava. “Achei incrível não precisar de estoque para vender automóveis”, conta. Com o crescimento da operação, o negócio ganhou um novo significado ao se transformar também em um projeto em família. Primeiro, o pai se juntou à equipe, trazendo experiência no ramo de automóveis. Depois, veio o convite para a mãe, Cleide Mendonça José, de 75 anos, que passou a atuar na recepção e no atendimento aos clientes. “Hoje tenho os dois melhores funcionários e amigos trabalhando comigo”, afirma Ricardo.

 

No dia a dia, a parceria com a mãe se reflete dentro e fora do trabalho. “Não dou um passo na parte financeira sem consultar minha mãe, e o mais incrível é ver a torcida deles pelo crescimento da franquia”, diz. Para ele, o maior benefício é o ambiente leve. “É sempre ter com quem dividir os problemas.”Para Cleide, a experiência também trouxe uma nova fase de vida. “Trabalhar ao lado do meu filho é um prazer. Eu ficava muito tempo sozinha em casa e hoje sou outra mulher, muito mais feliz. Gosto de receber as pessoas, conversar enquanto ele faz as vendas. Isso me faz muito bem”, finaliza.

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Divino Fogão

A trajetória de Tabata Paixão de Oliveira Fontes, 40 anos, ilustra como a maternidade pode caminhar lado a lado com o empreendedorismo. Formada em Publicidade e mãe de duas crianças, de 8 anos e 1 ano e meio, ela ingressou no sistema de franquias em 2012 e, desde 2014, atua como franqueada do Divino Fogão, onde atualmente administra duas unidades e participa da sociedade em outros dois restaurantes da marca. A empresária conta que a maternidade trouxe novos aprendizados à sua gestão, a tornando uma líder mais humana e atenta às necessidades da equipe.

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Entre a rotina intensa, que começa cedo, dividida entre os cuidados com os filhos e a operação das lojas, Tabata conta que é possível encontrar o equilíbrio. “É muito importante ter uma rede de apoio e organizar o tempo para dar conta das demandas. Mesmo diante dos desafios diários, a realização de ver tanto o crescimento dos filhos quanto os resultados do negócio é recompensador”, revela. A empresária conta que desde o primeiro mês de nascimento da filha Larissa já retomou o trabalho na gestão do negócio mesmo à distância e, que aos sete meses da pequena, a levava para o escritório para acompanhar a rotina empresarial.

 

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Já com os hábitos programados, veio a surpresa: a gravidez do Lorenzo em 2024. “Tinha acabado de assumir a segunda operação do Divino Fogão quando descobri que esperava meu segundo filho. Depois que a vida já estava toda regrada, o pequeno nasceu com algumas questões de saúde que tornaram a maternidade mais desafiadora. Mas, novamente, com uma base de apoio sólida e buscando o equilíbrio entre as duas funções, consegui me reorganizar para me dedicar aos dois com todo meu empenho”, relembra. Para outras mães que desejam seguir no caminho do empreendedorismo, Tabata revela que como mãe sempre existe o medo, seja de perder uma fase importante dos pequenos ou um momento especial. “Quero que meus filhos cresçam e vejam em mim uma mãe forte e batalhadora. Este é o exemplo que eu quero que eles tenham. Para as mulheres que querem ter seu próprio negócio, acreditem no seu potencial, enfrentem os medos e empreendam sem abrir mão de construir sua própria história”, finaliza a franqueada.

 

Ensina Mais Turma da Mônica

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Com 47 anos, Ozaka Almeida Sousa Santos mostra como a maternidade pode caminhar junto com o empreendedorismo, especialmente quando há propósito e apoio familiar. Pedagoga e especialista em orientação educacional e psicopedagogia, ela é mãe de Dara, de 27 anos, e Dâmiris, de 21, e encontrou na franquia Ensina Mais Turma da Mônica uma oportunidade de empreender na área em que sempre atuou. “Era meu desejo seguir na minha profissão e ser dona do meu próprio negócio. Após pesquisas, me encantei com a proposta da rede de apoio escolar com ênfase em tecnologia. Percebi ali que poderia ser um negócio de família. Com ajuda do meu marido e das minhas filhas, administro a unidade em Imperatriz, no Maranhão, há dois anos”, comenta.

 

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Com uma rotina dinâmica voltada ao público infantojuvenil, a empresária revela que o equilíbrio entre trabalho e família, organizando as responsabilidades de cada um para garantir produtividade e tempo de qualidade em casa, é primordial. Apesar das filhas já serem adultas, Ozaka conta que a maternidade fortaleceu sua atuação como líder, ampliando a sensibilidade na gestão educacional. Além disso, segundo a franqueada, a maior realização está em conduzir o próprio negócio. “Como conselho para outras mães que enxergam um caminho no seu próprio negócio, não tenham medo de empreender. A constância e determinação são fundamentais para alcançar seus objetivos”, finaliza.

iGUi

Um ano após a reinauguração da loja iGUi de Porto Alegre, a trajetória da franqueada Rochele Bernardes segue como um exemplo de resiliência e reinvenção. A unidade, que ficou quase um ano fora de operação após as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul no começo de 2024, retomou suas atividades. Desde então, o que antes era um cenário de incertezas deu lugar a um novo ciclo de crescimento.

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À frente da franquia há quatro anos, Rochele e seu marido e sócio, Rafael Cardoso, enfrentaram meses desafiadores, sem estrutura física e com o negócio ativo mesmo diante das dificuldades. Mais do que a reconstrução da loja, o período marcou uma transformação pessoal: ela se tornou mãe e conciliou a retomada da operação com a maternidade recente.

 

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“Naquele período em que ficamos sem estrutura física, de maio até março do ano passado, a nossa operação nunca parou. Faturamos todos os meses, tivemos excelentes vendas, boas negociações e executamos várias obras. Conseguimos manter essa estabilidade porque consolidamos muito bem a relação com os clientes. Muitos abriram as portas das suas casas para apresentarmos nossas obras a outros clientes, e isso trazia ainda mais credibilidade, porque mostrava a confiança que eles tinham na gente, tanto no pós-venda quanto na execução”, conta Rochele, e completa: “Graças a Deus, mesmo grávida, barrigudinha, segui trabalhando até a véspera do nascimento do Théo. Fizemos uma pausa de uns 15 dias depois e logo retomamos”.

 

Hoje, a unidade já opera em ritmo estável e simboliza não apenas a recuperação de um negócio, mas a força de uma mulher que atravessou adversidades e que junto com seu marido transformou um momento crítico em recomeço. A história reforça o papel da iGUi, líder global em piscinas pré-fabricadas, no suporte aos franqueados e na retomada do desenvolvimento regional. (Foto: iGUi/Divulgação)

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LavPop by 5àsec

 

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Carolina Bruno, de 33 anos, apostou na mudança de carreira para ter mais tempo para suas filhas, de 5 e 3 anos. Formada em Direito, ela decidiu mudar de carreira após perceber que a rotina intensa no negócio da família limitava o tempo com as suas meninas. Foi nesse contexto que encontrou na franquia LavPop by 5àsec a oportunidade de conciliar trabalho e vida pessoal, se tornando empreendedora. Ela está há um ano e meio à frente da unidade em Itapoá, em Santa Catarina. “A LavPop nasceu com a proposta do autosserviço, sendo um negócio autônomo, em que a gestão pode ser feita à distância, com flexibilidade operacional. Ao pesquisar opções no mercado, vi que era isso que precisava na minha vida, para que pudesse me dedicar ainda mais a maternidade”, comenta.

 

 

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O sucesso foi tanto que a empresária já se prepara para inaugurar a segunda unidade da marca. “A flexibilidade e o uso de tecnologia, como aplicativos de gestão e monitoramento remoto, são os meus principais aliados na organização do dia a dia. Com isso, consigo sempre ter as minhas filhas por perto, acompanhando o desenvolvimento de cada uma”, revela Carolina. A franqueada afirma que a maternidade transformou sua forma de enxergar a vida e os negócios, tornando o desafio mais leve e significativo. “Meu conselho para outras mães é buscar caminhos que permitam equilibrar carreira e família, sem abrir mão de estar presente nos momentos mais importantes do âmbito familiar”, finaliza.

Microlins

 

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Marina Fernandes, de 45 anos, é um exemplo de como a educação, a maternidade e o empreendedorismo podem caminhar juntos. Mãe de Isabella, de 28 anos, e Henrique, de 25, ela iniciou sua história na Microlins como aluna, quando os filhos ainda eram pequenos, em busca de qualificação profissional para ingressar no mercado de trabalho. “Foi dentro de uma escola da Microlins que recebi a oportunidade de fazer meu primeiro estágio, dando início a uma carreira que foi construída dentro da rede. Após anos atuando como colaboradora de uma unidade, fui convidada a mudar de lado do balcão e me tornar uma franqueada”, relembra.

 

Há uma década como empresária da Microlins, Marina lidera atualmente 10 unidades e consolidou o maior grupo da rede em São Paulo, o “Semear”, com o propósito de transformar vidas por meio da educação. Ao longo da jornada, envolveu os filhos no negócio desde cedo, os incentivando a se apaixonarem pela área e se tornarem seus sucessores, e não apenas herdeiros, sendo esse um dos objetivos que considera uma de suas maiores conquistas. Para dar conta das escolas, a franqueada revela que separa sua agenda em blocos e níveis de prioridade. Dessa forma, consegue manter uma rotina organizada e com equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. “Ser mãe me influenciou na gestão do negócio, já que pude criar uma liderança participativa e entender que, assim como meus filhos, as pessoas têm o seu período de evolução”, comenta. Para Marina, o seu maior legado é ter sido exemplo para a família e mostrar, na prática, que o empreendedorismo aliado à educação pode transformar não apenas a própria história, mas também a de muitas outras pessoas.

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Milon

 

A administradora de empresas Maria Virginia Bilibio Minozzo, de 35 anos, é a responsável pela operação da Milon localizada no Shopping Moinhos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Apaixonada pelo universo do empreendedorismo desde a infância, ela traz consigo uma bagagem oriunda do agronegócio familiar, somada à vivência no ambiente corporativo, onde atuou por vários anos antes de optar por empreender com propósito. “Já era cliente da Milon e, como mãe de uma menina de cinco anos, conhecia de perto a qualidade, o design e o posicionamento da empresa. Quando decidi investir em uma franquia, enxerguei na marca uma oportunidade única dentro de um nicho com pouca concorrência e alta recorrência de consumo”, afirma.

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Aliando a maternidade com a proposta da Milon, a empresária revela que, prestes a completar um ano de operação, a expectativa é continuar com o crescimento mês a mês. “Atribuo o sucesso a sinergia entre minha vida pessoal e a profissional. Por estar imersa dentro deste universo infantil, consigo compreender melhor as necessidades dos clientes, trazer um olhar mais sensível para a curadoria dos produtos e oferecer uma experiência mais próxima e acolhedora, o que se reflete diretamente nos resultados do negócio”, revela. Como conselho para as mães que desejam apostar no franchising, Maria Virginia diz que, com certeza, será um desafio conciliar essa jornada dupla, mas que ambas são compensadoras. “Acredito muito que somos espelhos para nossos filhos e uma de nossas missões é mostrar para eles o quanto é maravilhoso servir e nos sentirmos útil”, finaliza.

Peça Rara Brechó

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Sônia Araújo Eleutério, de 49 anos, franqueada da unidade Peça Rara Brechó Morumbi, encontrou no empreendedorismo uma extensão natural da maternidade. À frente do negócio ao lado dos filhos Gabriel de 30 anos e Lívia de 22, além da nora, Isabel, ela construiu uma operação pautada pela gestão compartilhada e pelo diálogo constante. A sociedade, segundo Sônia, já fazia parte do plano desde o início, com decisões tomadas em conjunto e uma dinâmica familiar que se traduz diretamente na condução da empresa. Formado em Ciências Contábeis, Gabriel atua de forma estratégica na gestão e aplica, no dia a dia, o conhecimento técnico ao crescimento das três empresas da família.

 

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Para Sônia, acompanhar o desenvolvimento do filho como gestor é motivo de orgulho e realização. “A gente vem aprendendo junto. Não é simples, mas juntos tudo fica mais leve”, resume. A trajetória reforça como o modelo de negócio pode se integrar à vida familiar, ao criar uma rotina mais colaborativa, afetiva e alinhada às demandas do empreendedorismo atual.

Royal Face

A maternidade tem provocado uma reconfiguração estratégica na carreira de muitas mulheres, e o case de Iara Rodrigues, 40 anos, multifranqueada da Royal Face, traduz bem esse movimento. Com formação em Administração e pós-graduação em Finanças Corporativas, ela construiu uma trajetória sólida na indústria farmacêutica em São Paulo, com perfil analítico e foco em performance. A virada aconteceu com a descoberta de uma gestação gemelar, que trouxe uma reflexão direta: fazia sentido manter o modelo corporativo ou era hora de assumir o controle da própria agenda?

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A resposta virou ação. Ainda durante a gestação, Iara mergulhou no estudo do franchising em busca de um modelo que equilibrasse gestão, escalabilidade e autonomia. Escolheu a Royal Face, liderou a implantação da primeira unidade e estruturou a operação com disciplina de executiva. “A gravidez gemelar me fez repensar prioridades e entender que eu queria estar presente, sem abrir mão de crescer profissionalmente. O empreendedorismo me deu essa possibilidade”, afirma Iara. Hoje, soma cinco unidades em operação, três em Campinas (SP), uma em Jundiaí (SP) e uma em Campos dos Goytacazes (RJ), consolidando um posicionamento cada vez mais comum no mercado: mães que transformam a maternidade em motor de crescimento e protagonismo empresarial.

 

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Rockfeller Language Center

À frente da unidade da Rockfeller Language Center de Boa Vista (RO), Francisca Sousa, de 49 anos, encontrou na maternidade a motivação para empreender. Pedagoga por formação, decidiu buscar independência financeira sem abrir mão de ser uma mãe presente, transformando o desejo de acompanhar de perto a vida da filha em impulso para abrir o próprio negócio. “Acreditar no próprio potencial e não esperar o momento perfeito para começar”, afirma.

 

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Ao seu lado está a filha e sócia, Weidelamares de Sousa, de 27 anos, formada em Biomedicina, que viu na mãe sua maior inspiração. “Minha mãe sempre foi meu maior exemplo”, conta. Juntas, construíram uma parceria baseada em confiança e troca no dia a dia. “Empreender com a minha filha é muito especial, a gente cresce juntas em todos os sentidos”, diz Francisca.

 

Recentemente, mãe e filha enfrentaram a mudança de ponto comercial, um dos maiores desafios da trajetória. A transição exigiu um bom planejamento, mas trouxe resultados rápidos, em pouco tempo, a unidade bateu recorde de matrículas, com mais de 30 novos alunos. “Empreender juntas é um aprendizado constante, a gente se apoia e segue em frente”, finaliza Francisca.

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Yázigi

 

Aos 49 anos, Thaís Soares Guimarães e sua mãe, Maria Emília Soares Guimarães, de 80, são exemplos de continuidade e parceria familiar no empreendedorismo educacional. A história da família com o Yázigi começou há 50 anos por iniciativa da matriarca. Atualmente, mãe e filha administram os negócios em conjunto na cidade de Cabo Frio (RJ), sendo uma escola da franquia e outro modelo destinado às escolas de ensino regular, conhecido como Yázigi For School, que juntos atendem aproximadamente 700 alunos. Advogada de formação, Thaís chegou a morar na capital fluminense, onde fez intercâmbio pelo Yázigi Travel e trabalhou em uma unidade da rede no exterior, antes de retornar à cidade natal para assumir o negócio da família. “O Yázigi faz parte da minha identidade. Quando nasci, minha mãe já tinha a franquia e, ao longo da minha trajetória, sempre me vi envolvida em atividades da marca”, relembra.

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Hoje, ela lidera a área administrativa e financeira dos negócios, enquanto a mãe, que é professora de formação, segue à frente da parte pedagógica. Juntas, as duas formam uma parceria complementar e alinhada. A convivência profissional, segundo Thais, é harmoniosa, com papéis bem definidos e foco em um objetivo comum. “Nosso trabalho em conjunto é de muito sucesso. Com as expertises de cada uma, conseguimos investir em diversas iniciativas que resultaram em crescimento. Ao longo dos anos, implementei uma visão mais moderna, especialmente em marketing e tecnologia, enquanto a experiência e os ensinamentos da minha mãe em liderança e gestão de pessoas seguem como base do nosso negócio, fortalecendo a equipe e garantindo a qualidade do ensino”, afirma. Juntas, mãe e filha construíram uma trajetória marcada por confiança, credibilidade e momentos importantes, como a inauguração da nova sede da escola. Como conselho, Thais reforça que saber separar bem a parte familiar da profissional é o segredo para empreender em família.

 

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CRÉDITOS:

Fotos: Divulgação

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