Mulheres incriveis
Cresce presença de mulheres em cargos de liderança no país
No mês de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data visa celebrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, além de reforçar o debate sobre a presença feminina em posições de liderança no mercado de trabalho brasileiro. Dados da 3ª edição do estudo “Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil”, divulgada em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que apenas 39,3% dos cargos gerenciais (diretor ou gerente) no país são ocupados por mulheres. O cenário evidencia avanços, mas também aponta para desafios persistentes na ampliação da participação feminina em posições estratégicas nas organizações.
Diante desse cenário, empresas em todo o país vêm buscando uma maior participação delas em diversos cargos. Em Brasília, o Grupo Bancorbrás se destaca com um número significativo de mulheres em posição de liderança. Em 2025, 64% do quadro de colaboradores da empresa era composto por mulheres. Dentro desse número, 52% delas ocupavam a supervisão, coordenação, gerência ou diretoria.
Entre as lideranças está Alessandra Monteiro, Diretora Técnica da Corretora de Seguros Bancorbrás, que coordena uma equipe formada por 85% de mulheres. A executiva iniciou sua trajetória na empresa como colaboradora temporária e, ao longo dos anos, assumiu diferentes funções até chegar à diretoria. Segundo ela, o percurso foi marcado por desafios que exigiram adaptação e desenvolvimento de novas competências. “No início, precisei provar meu valor em um ambiente que ainda não me conhecia. Com o tempo, fui conquistando espaço, passando por diversas funções e acumulando experiências que me prepararam para cargos de liderança”, afirma. Entre os momentos mais desafiadores, ela destaca a transição para a gestão de equipes e a condução de mudanças em áreas com processos consolidados. “As novas funções exigiam não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades de negociação, comunicação e resiliência”.
Alessandra também observa mudanças na participação de mulheres na liderança da empresa ao longo dos anos. “Hoje vejo um cenário mais equilibrado, onde elas ocupam espaços importantes e têm voz ativa nas decisões da empresa”, diz. Ao assumir a diretoria técnica, posição historicamente ocupada por homens, ela afirma ter encarado o desafio como uma oportunidade de ampliar referências para outras profissionais. “Minha presença na diretoria ajudou a reforçar a ideia de que competência e liderança não têm gênero”.
Outra líder que tem uma trajetória semelhante é Roberta Abreu, Gerente Executiva do Instituto Bancorbrás (IB), que iniciou sua carreira no Grupo Bancorbrás como assistente social e hoje lidera uma equipe 100% feminina. Para ela, a evolução profissional esteve associada à ampliação de responsabilidades e ao desenvolvimento de uma visão estratégica. “O Grupo Bancorbrás foi uma verdadeira escola, onde aprendi a liderar e desenvolver uma visão estratégica. Como mulher em posição de liderança, o maior desafio foi demonstrar que minhas capacidades estão além das expectativas tradicionais”, afirma.
Segundo Roberta, a diversidade geracional e de experiências dentro da equipe contribui diretamente para o trabalho do Instituto. “A troca de experiências entre profissionais com diferentes trajetórias, origens e perspectivas nos permite inovar, encontrar soluções mais abrangentes e fortalecer o impacto social do IB. A combinação de diferentes vivências enriquece a tomada de decisões e torna nosso trabalho mais dinâmico e inclusivo”, explica. Para ela, ainda existem desafios para mulheres que buscam posições de liderança no mercado de trabalho, como a necessidade de conciliar múltiplas responsabilidades e superar vieses inconscientes.
Alessandra e Roberta apontam que o caminho para a liderança exige coragem, resiliência e disposição para aprender constantemente. “É preciso investir no próprio desenvolvimento, tanto técnico quanto comportamental, e não ter medo de assumir desafios que pareçam grandes demais no momento”, afirma Alessandra. “E lembrar de que o nosso crescimento profissional não é apenas uma conquista pessoal, mas também uma porta aberta para que outras mulheres sigam o mesmo caminho”, completa Roberta.
Mulheres incriveis
Erika Hilton se torna a mulher mais votada da história para a Câmara
Deputada do PSOL teve 1,59 milhão de votos, segunda maior votação do país, no mesmo dia em que recebeu ameaça de morte
Erika Hilton (Psol) foi reeleita deputada federal por São Paulo neste domingo (4) com 1.596.383 votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Com 99,99% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela teve a segunda maior votação do país, ficando atrás apenas de Lucas Pavanato (PL), também de São Paulo, que somou 3.038.271 votos.
A marca supera a de Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1.078.666 votos. Hilton também multiplicou por mais de seis o resultado que teve em 2022, quando recebeu 256.903 votos.
Entre as mulheres, a nível nacional, aparecem em seguida Sâmia Bomfim (Psol-SP), com 583.048 votos, e Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223.
Em discurso a apoiadores após o resultado, publicado em seu perfil no Instagram, a deputada afirmou que a eleição representa a ruptura de barreiras impostas a pessoas trans e travestis. “O Brasil, de maneira muito triste, ainda segue sendo o primeiro país do mundo que mais mata mulheres como nós”, disse. “Essa vitória não é minha, é coletiva.”
Hilton foi eleita vereadora de São Paulo em 2020, como a mulher mais votada do país naquela disputa municipal. Dois anos depois, tornou-se uma das duas primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara dos Deputados, ao lado de Duda Salabert (PDT-MG).
Ameaça de morte no dia da votação
A deputada registrou boletim de ocorrência neste domingo após receber, por e-mail, uma ameaça de morte acompanhada de ofensas transfóbicas. A mensagem chegou às 10h26, quando ela se preparava para sair de casa para votar. Nela, o autor dizia conhecer os dados pessoais e o endereço da parlamentar.
Segundo o boletim, Hilton adiou a ida à seção eleitoral até que sua segurança pessoal fosse reforçada. O e-mail foi enviado pelo Onion Mail, serviço que dificulta o rastreamento de mensagens. A deputada pediu às autoridades a abertura de investigação para identificar e responsabilizar o autor.
No discurso, ela minimizou o episódio diante do histórico de ataques que sofre. “Perto das ameaças recorrentes que eu e minha família recebemos, essa é só mais uma bobeira no meio do caminho de algum idiota desocupado que não suporta ver o nosso brilho”, afirmou.
‘Madrinha política’
Hilton também comemorou a eleição de Sofia Favero (407.749) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), candidatura que apresentou e apoiou durante a campanha. A parlamentar destacou que construiu sua trajetória sem apoio de lideranças tradicionais.
“Nós não tivemos padrinhos, mas eu tenho muito orgulho de ter me tornado uma madrinha política”, afirmou. Favero foi a terceira deputada estadual paulista mais votada, atrás de Eduarda Campopiano (PL) e Eduardo Suplicy (PT).
Segundo turno
Hilton afirmou que a campanha continua até o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ela citou o envolvimento de Flávio com o Banco Master entre as críticas ao adversário.
“A nossa vitória só será completa com a reeleição do presidente Lula”, disse. “A gente vai ter que continuar em campanha. Eu queria dar essa notícia triste para vocês: a campanha não acabou.”
FONTE:
iclnoticias.com.br
Por Brasil de Fato
FOTO: Câmara dos Deputados
Divulgação
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