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Mulheres incriveis

Documentário registra a potência das vozes e da organização das Mulheres do Cerrado a partir do projeto Gênero e Biodiversidade

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Contra a violência do latifúndio e do patriarcado, as mulheres cerradeiras plantam a vida e o esperançar em seus quintais

 

Há uma sabedoria popular que corre os rios e rega com abundância a terra do Cerrado: “Mulheres são como as águas: crescem quando se juntam”. No último ano, mulheres cerradeiras do Piauí, Tocantins e Goiás se juntaram em suas resistências em defesa de seus corpos e de seus territórios, a partir do projeto ‘Gênero e Biodiversidade: Falas das Mulheres do Cerrado’. Os registros, repletos do esperançar que confronta realidades violentas, resultaram em um potente curta-documentário, que a CPT lança hoje, ao final de março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher.

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O vídeo-final rememora as atividades formativas comunitárias do projeto, uma realização conjunta entre a Articulação das CPTs do Cerrado e as regionais da CPT no Piauí, Tocantins e Goiás, em que a troca de conhecimentos e experiências entre as camponesas se mostrou como a essência da formação popular. As oficinas se aprofundaram em questões de gênero, segurança, sociobiodiversidade e agroecologia, além de promover a valorização de quintais produtivos e a geração de renda para autonomia das mulheres, também pelo acesso à políticas públicas.

 

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“A gente tem aprendido muito, mas muito mesmo, pra poder levar adiante. A nossa vida de mulher, de camponesa, muitas vezes não é fácil, mas esse projeto só veio agregar valores pra gente, tanto como mulher, quanto também na vida financeira. Pra gente andar mais com as nossas próprias pernas, mas sempre no coletivo, na unidade, sempre ajudando umas às outras” – Maria Aparecida Alves, Assentamento Che Guevara (Piranhas/GO)

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As oficinas foram realizadas no interior dos territórios, onde as violências do latifúndio e do patriarcado se entrelaçam mais profundamente pela dominação e subjugação, tanto da terra quanto das mulheres. É como muito ensinou Anacleta Pires, hoje encantada e uma força ancestral do Cerrado, que quando via a terra sendo vendida – e invadida -, sentia seu corpo sendo negociado.

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Com a ameaça à porta, as mulheres camponesas colocam seus corpos à frente da terra e da família, enfrentando cara a cara a violência de fazendeiros grileiros, como relatou Maria de Jesus Maciel, do P.A Boa Esperança (Palmeirante/TO), durante oficina sobre gênero e construção de protocolos de segurança:

 

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“Tem vezes lá na roça que eu escuto as caminhonetes e vou correndo pra casa… Já chega falando que comprou a terra do fazendeiro e que vai tirar a gente de lá de qualquer jeito. Tem dias lá em casa que eu fico com a cabeça perturbada, porque na verdade quem palestra com essa pessoa sou eu, mando meu esposo se esconder e fico em casa só com as crianças, porque quando eles pegam o marido da gente, eles humilham demais, sabe? Os grileiros e até a polícia”, narrou.

 

A partir das formações durante o projeto, foram construídos, coletivamente, protocolos de segurança para atender cada comunidade, com atenção voltada contra violência de gênero e em defesa dos territórios.

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Em todo esse processo formativo, as mulheres reconheceram que suas resistências também estão plantadas em seus quintais, nos quais brotam não só a esperança e o sonho da terra para viver e trabalhar, como também frutos que representam a autonomia, a geração de renda e a sustentabilidade das mulheres camponesas.

 

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“O que mais me chamou atenção foi a importância dos nossos quintais produtivos e como a gente pode trabalhar com os frutos do Cerrado, porque a gente mora numa terra rica e só falta mesmo a disponibilidade de levar em frente, isso foi uma motivação muito grande pra mim” – Domingas de Sousa Borges, Assentamento Flores (Uruçuí/PI).

 

Nos três estados, foram realizadas feiras para comercialização e fortalecimento da renda das mulheres do Cerrado, que como Adaylzes Rodrigues, do P.A. Santo Antônio (Palmeirante/TO), levaram, venderam e trocaram seus produtos, cheias de orgulho e certas de sua indispensável contribuição na luta pela terra, pela alimentação saudável e pelo cuidado com a biodiversidade: “Eu trouxe doce de leite, doce de coco com abóbora, trouxe banana, macaxeira, abacaxi… tudo plantado no meu quintal, tá? Tudo eu que planto, tudo eu que cuido!”.

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O documentário está disponível no canal do youtube da Comissão Pastoral da Terra.

 

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CRÉDITOS:

Texto publicado originalmente na edição 270 do Jornal Pastoral da Terra.

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Mulheres incriveis

QR Code em banheiros do DF conecta vítimas de violência ao programa Direito Delas

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Adesivos instalados em órgãos públicos, estabelecimentos privados e eventos reúnem informações sobre atendimentos gratuitos e os endereços dos 12 núcleos do programa​

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Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

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A população feminina do Distrito Federal conta com mais uma ferramenta de informação e proteção. Quem utilizar os banheiros de órgãos públicos, estabelecimentos privados e eventos no DF poderá encontrar, fixado nos espelhos, um adesivo com o QR Code do programa Direito Delas.

Ao apontar a câmera do celular para o código, a pessoa é direcionada para um material que explica o que é o programa, quem pode receber atendimento, como ingressar, quais serviços são oferecidos e onde estão localizados os 12 núcleos Direito Delas. O conteúdo também reúne os telefones de contato de todas as unidades.

A estratégia busca ampliar o acesso à informação em locais de circulação diária e oferecer uma alternativa discreta para que pessoas em situação de violência conheçam os serviços disponíveis. O acesso ao material pode ser feito de forma rápida e reservada, utilizando apenas o celular.

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Desde o início das ações de adesivação, equipes do programa já instalaram os materiais em dezenas de espaços do Distrito Federal.

Como funciona o Direito Delas

 

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O programa Direito Delas oferece atendimento social, psicológico e jurídico gratuito, sem necessidade de comprovação de renda.

Podem ser atendidas mulheres em situação de violência doméstica e familiar, crianças e adolescentes vítimas de estupro de vulnerável, vítimas de crimes contra a pessoa idosa e seus familiares, vítimas indiretas de feminicídio, além de pessoas vítimas de estupro, sequestro, cárcere privado, roubo com restrição de liberdade, desaparecimento de pessoas e vítimas indiretas de homicídio, latrocínio e crimes de trânsito com resultado morte.

O acesso ao programa pode ocorrer por procura espontânea, encaminhamento de órgãos parceiros ou por meio da busca ativa realizada pelas equipes do Direito Delas.

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Os atendimentos são realizados por equipes multiprofissionais, compostas por psicólogos, assistentes sociais, especialistas em direito e legislação e profissionais da área administrativa, nos 12 núcleos distribuídos pelo Distrito Federal.

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O programa Direito Delas tem 12 núcleos de atendimento localizados em Águas Claras, Brasília, Ceilândia, Estrutural, Gama, Guará, Itapoã, Paranoá, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia e São Sebastião. Os atendimentos são gratuitos. Informações também podem ser obtidas pelo telefone (61) 98382-0130 ou diretamente em qualquer um dos núcleos do programa.

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