Saúde
Secretaria de Saúde orienta sobre recolhimento de animais mortos
O gato Geleia precisou ser vacinado contra a raiva novamente, após ter contato com um morcego morto (Na foto: Geleia e a filha de Daniela, Valentina Salim). Foto: Arquivo pessoal
Comunicação imediata é fundamental para prevenção de doenças como raiva e febre amarela. Vigilância Ambiental recolhe apenas macacos, micos e morcegos
Encontrou um morcego em casa? Viu um macaco morto no jardim? A Secretaria de Saúde (SES-DF) alerta sobre a importância de comunicar imediatamente ocorrências desse tipo à Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (Gvaz) – parte da Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival). Os avisos ajudam a pasta a adotar medidas preventivas contra doenças, como a raiva e a febre amarela, pois subsidiam ações dos Programas Nacionais de Vigilância.
Há uma semana, Daniela Salim, 46, recebeu um presente inusitado do Geleia, seu gato de estimação. Aos seus pés, um morcego morto. Na época, Daniela lembrou de uma reportagem sobre uma família que enfrentou situação semelhante e agiu depressa: pesquisou o contato da Vigilância Ambiental pela internet e telefonou para o órgão.
“Eles me explicaram sobre os procedimentos que seriam adotados, como a coleta do morcego para exames e testagem, bem como a necessidade de vacinar [contra raiva] novamente o Geleia, mesmo já imunizado”, disse.
Após o contato, a equipe da Zoonose foi à residência de Daniela e recolheu o animal morto. “Imunizaram tanto o meu gatinho como os meus cachorros, que são inseparáveis. Agora, estamos aguardando pelo resultado da testagem”, relata a dona do Geleia.
Quando animais domésticos entram em contato com morcegos, é aplicado o protocolo de pós-exposição para raiva. Isto é, o bichano é vacinado outra vez contra a doença e segue em observação. Na rede pública, a vacina é gratuita e está disponível em diversos pontos do DF. [Link: https://www.saude.df.gov.br/pt/web/guest/vacinacao]
Aumento na coleta
Em 2024, foram recolhidos 288 morcegos no Distrito Federal e realizados 475 atendimentos para orientar a população sobre como lidar com esses e outros animais mortos. Em janeiro do ano passado, 15 morcegos foram coletados. Já no mesmo período de 2025, o número aumentou para 28, representando um crescimento de aproximadamente 87%.
A bióloga da SES-DF Gabriela Toledo explica que é importante recolher os animais assim que encontrados: “As amostras são coletadas e encaminhadas ao laboratório de diagnóstico correspondente. Analisamos os resultados e, se necessário desencadeamos ações para minimizar os riscos à saúde humana”, detalha.
Em 2024, foram recolhidos 288 morcegos e realizados 475 atendimentos de orientação sobre encontros com animais do tipo. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
Nesse sentido, ao encontrar, por exemplo, um morcego morto, caído ou pendurado em local baixo e exposto à claridade, recomenda-se colocar uma caixa ou balde sobre o animal e isolar o local, a fim de evitar o contato com crianças e pets.
Mesmo que o animal esteja morto, não se deve pegá-lo com as mãos desprotegidas. A dica é utilizar uma pá de lixo. Em seguida, é fundamental entrar em contato com o setor de Zoonoses, por meio dos números (61) 3449-4434 ou (61) 3449-4432.
A Vigilância Ambiental de Zoonoses é responsável somente pelo recolhimento de macacos, micos e morcegos. Em regra, a coleta de outros animais é realizada pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU). Capivaras só são recolhidas pelo órgão da SES-DF se apresentarem vínculo epidemiológico – em outras situações, como atropelamentos, o SLU continua sendo o responsável.
Doenças
Toledo esclarece que a raiva e a febre amarela são doenças transmitidas por animais ainda vivos. “Os sintomas de raiva incluem dor de cabeça, febre, náusea, dor de garganta e alterações de sensibilidade no local da ferida, podendo evoluir para paralisia e espasmos dos músculos de deglutição. Já a febre amarela a apresenta febre, dor de cabeça, icterícia [condição que deixa a pele e os olhos amarelos], dores musculares, náusea, vômitos e fadiga”, descreve.
Ambas as doenças são imunopreveníveis, com imunizantes disponíveis de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A de febre amarela está, inclusive, no calendário de rotina. Em caso de dúvidas, o usuário pode buscar orientações nas 176 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). [link: https://www.saude.df.gov.br/unidades-basicas]
No que diz respeito à raiva, o esquema vacinal é diferente: pré-exposição – para os profissionais que lidam com situações de risco – e pós-exposição, indicado quando há mordeduras ou arranhaduras. Nestes últimos casos, a pessoa deve lavar o local com água e sabão imediatamente e procurar assistência médica. Somente o SUS oferece a vacina e soro antirrábicos.
Para mais informações, contate-nos pelo e-mail: entrevista.saudedf@saude.df.gov.br
Secretaria de Saúde do Distrito Federal | Assessoria de Comunicação
Saúde
Cuidados paliativos precoces podem aumentar a sobrevida do paciente oncológico
Estudo publicado no JAMA aponta sobrevida superior a dois anos em pacientes que receberam esses cuidados, em comparação àqueles não beneficiados com essa prática.
A médica Isabela Schiffino, da Oncologia D’Or, afirma que a prática deve começar com o diagnóstico de uma doença grave.
A Organização Mundial de Saúde define o cuidado paliativo como uma abordagem multidisciplinar que busca a qualidade de vida do paciente e seus familiares diante de doenças ameaçadoras da vida. Visa prevenir e aliviar todas as esferas do sofrimento humano, por meio da identificação precoce, avaliação e tratamento de sintomas físicos, psicossociais e espirituais1. Estudos recentes mostram que essa prática é capaz de promover a percepção de bem-estar e aumentar a sobrevida dos pacientes, quando aplicada logo após o diagnóstico da enfermidade.
“O paciente com efetivo controle dos sintomas físicos, emocionais, psicológicos, sociais e espirituais vive mais. Cuidado paliativo não é falar sobre morte. É falar sobre a vida, sobre aquilo que ainda faz sentido, que importa, que conecta e que dignifica cada dia vivido”, afirma a médica intensivista Isabela Schiffino, especialista em Cuidados Paliativos da Oncologia D’Or.
Apesar de sua importância, a Medicina Paliativa é desconhecida por parte da população, por ser relativamente recente — há 15 anos foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como área de atuação médica. Só em 2022 foi incluída na grade curricular do curso de Medicina a fim de formar profissionais para integrar equipes multidisciplinares capacitadas para elaborar planos de cuidados em conjunto e sempre calcados nos princípios da bioética enfatizados no Código de Ética Médica.
Com o passar do tempo, os cuidados paliativos ganharam relevância e viraram objeto de estudos científicos. Um deles2, publicado no prestigiado Journal of American Medical Association (JAMA), envolveu 144 pacientes com câncer avançado, que não estavam em fase terminal e não eram suscetíveis à quimioterapia. De acordo com os resultados, os indivíduos que receberam pelo menos dez intervenções de cuidados paliativos tiveram sobrevida superior a dois anos em comparação àqueles que não foram beneficiados com essa prática.
“Os cuidados paliativos são como um guarda-chuva numa tempestade, que se forma a partir dos desafios da doença, do tratamento e das incertezas do futuro”, descreve Isabela Schiffino. Para ajudar no enfrentamento da tormenta — que é vivenciada de forma única por cada paciente — é necessária uma equipe formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais e capelania. Cada um deles, na sua especialidade, fomenta medidas de enfrentamento para cada paciente e seus familiares.
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Um estudo norte-americano3 avaliou 151 pacientes com câncer metastático de pulmão de não pequenas células. Deste total, 16% dos indivíduos submetidos aos cuidados paliativos tiveram depressão, menos da metade dos 38% do grupo controle. A qualidade de vida também foi maior no primeiro grupo, que apresentou 98 pontos na Escala de Avaliação Funcional da Terapia do Câncer de Pulmão. No segundo, a média foi de 91 pontos. Desta forma, a pesquisa demonstrou a melhoria nos indicadores quantitativos de qualidade de vida e aumento da sobrevida.
Cuidados paliativos e o câncer
O câncer é uma das principais causas de mortalidade no Brasil, ficando apenas atrás das doenças cardíacas e circulatórias. Em 2024, foram 266.692 óbitos4. Não por acaso, a Medicina Paliativa é muito empregada na Oncologia. “A precocidade dos cuidados paliativos impacta diretamente na qualidade do tratamento oncológico. Reduz a sobrecarga de acionamentos do especialista, por exemplo, para controle de sintomas físicos, emocionais e sociais “, declara a médica.
Isabela Schiffino afirma que às vezes, o paciente recepciona sua equipe acreditando que os médicos desistiram dele, por causa da interrupção do tratamento curativo. “Mas com uma comunicação técnica, sutil e empática, esclarecemos que estamos apoiando e torcendo pela sua recuperação. Ao mesmo tempo, se ela não vier, mostramos que ele e seus familiares estarão acolhidos e assistidos independentemente do desfecho”, observa.
Um estudo belga5 com 186 indivíduos com câncer avançado e expectativa de vida estimada em um ano evidenciou como os cuidados paliativos podem fazer a diferença para os pacientes. Os pesquisados foram divididos em dois grupos: 92 receberam cuidados paliativos precoces e sistemáticos, e os demais, apenas os cuidados oncológicos padrão.
Em 12 semanas, todos foram submetidos ao questionário que mensura a qualidade de vida adotado pela Organização Europeia para a Pesquisa e Tratamento de Câncer (EORTC, em inglês). Os resultados revelaram que o primeiro grupo apresentou 61,98 pontos, superando os 54,39 pontos registrados pelo segundo.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Disponível em https://iris.who.int/items/
803bf528-2d21-4435-8ba1- d2c483df4d62 - Kang EK, et al. Early integrated palliative care in advanced cancer. JAMA Net Open. 2024.
- Temel JS, et al. Early palliative care for metastatic non-small-cell lung cancer. N Engl J Med. 2010; 363:733-742
- Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Disponível em Link
- Vanbutsele G, et al. Effect of early and systematic integration of palliative care. Lancet Oncol. 2018;19(3)
Oncologia D’Or
A Oncologia D’Or opera uma rede com mais de 60 clínicas em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal. Seu corpo clínico é formado por mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, que, junto às equipes multiprofissionais, entregam um cuidado integral, personalizado e de excelência ao paciente.
Em estreita integração com grande parte dos mais de 79 hospitais da Rede D’Or, a instituição proporciona uma experiência assistencial abrangente, combinando terapias avançadas e os modelos mais modernos de medicina integrada, assegurando agilidade, eficiência e segurança em todas as etapas do tratamento oncológico, desde o diagnóstico até a recuperação.
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