Social
Da tradição à produção audiovisual, Muvida mantém cultura viva na Vila Planalto
Reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, Muvida mantém atividades gratuitas que aproximam saberes tradicionais, capoeira, audiovisual e novas tecnologias
Ao longo de 2026, o Ponto de Cultura Muvida, na Vila Planalto, em Brasília, ampliou sua programação gratuita com atividades voltadas para os saberes tradicionais, cultura popular e empreendedorismo digital. Realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), as ações reuniram crianças, jovens, adultos e idosos em três frentes de formação: Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, Fotografia e Filmagens com Celular, e Capoeira Infantil. A iniciativa reforça a relevância do Ponto de Cultura que se mantém, permanentemente, em atividade, fazendo da cultura um instrumento de formação, convivência, preservação de saberes e criação de oportunidades no território.
Somadas, as três formações ofereceram 85 vagas gratuitas, sendo 20 para cada uma das oficinas e 45 para as aulas de capoeira. Inicialmente acessado, principalmente, pela comunidade da Vila Planalto, o Muvida, cada vez mais, tem sido acessado por cidadãos de todo o DF.
Embora os números ajudem a dimensionar as ações, uma das marcas do trabalho do Muvida está no encontro entre diferentes conhecimentos, gerações e públicos. Além de gratuitas, as formações priorizaram pessoas que historicamente enfrentam mais barreiras de acesso à cultura e à qualificação, como estudantes da rede pública, pessoas com deficiência, população negra, comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de vulnerabilidade social, jovens desempregados, pessoas com mais de 60 anos, imigrantes e pessoas em situação de rua. Com medidas de acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, o Ponto de Cultura reforça seu papel como espaço de inclusão, preservação e compartilhamento de saberes e criação de novas possibilidades para a comunidade.
Saberes que passam de geração em geração
Na oficina Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, conduzida por Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, benzedeiras e erveiras compartilharam práticas transmitidas entre gerações, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. Os participantes conheceram práticas de benzimento, o uso de ervas e a produção do Asé Dudu, sabonete ligado às culturas de matriz africana. Foram produzidas 200 unidades, distribuídas aos participantes, que também puderam encontrar na prática uma possibilidade de geração de renda. A atividade reforça uma das vocações dos Pontos de Cultura: manter vivos e em circulação os conhecimentos preservados pelas próprias comunidades.
Formação que cabe na palma da mão
Aprender a transformar uma tecnologia cotidiana em ferramenta de criação, comunicação e trabalho foi a proposta da oficina Fotografia e Filmagens com Celular, ministrada por Vanessa Neres. A formação incluiu conteúdos de fotografia, filmagem, composição, iluminação, narrativa audiovisual e edição. Voltada especialmente a públicos com menor acesso a cursos e equipamentos profissionais, a atividade aproximou o aprendizado das possibilidades da economia criativa e da geração de renda.
Capoeira desde a infância
Para as crianças, a escolha foi por uma manifestação que reúne corpo, música, história e identidade: a capoeira. A atividade, além de ensinar os movimentos, trabalhou musicalidade, coordenação, disciplina, cooperação e a história da capoeira como expressão ligada à resistência afro-brasileira. A proposta incluiu ainda rodas abertas, permitindo que o aprendizado das crianças ultrapassasse a sala de aula e fosse compartilhado com famílias e comunidade.
Sobre o Ponto de Cultura Muvida
Mais do que espaços onde acontecem oficinas e eventos, os Pontos de Cultura são iniciativas de base comunitária que reconhecem e fortalecem a cultura produzida nos próprios territórios, articulando moradores, artistas, mestres e coletivos em ações continuadas. É nessa perspectiva que atua o tradicional ponto de encontro da Vila Planalto que nasceu, em 1999, a partir da casa de uma família de pioneiros e da atuação de seus filhos e netos. Certificado como Ponto de Cultura desde 2017, com reconhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Ministério da Cultura, o Muvida é também reconhecido pelo Iphan como Ponto de Memória. As ações apoiadas pela PNAB encerram agora um ciclo, mas o espaço mantém-se em intensa atividade, com programação permanente voltado para formação, preservação de saberes e participação da comunidade.
Serviço:
Para conhecer e participar das atividades gratuitas:
Muvida Ponto de Cultura
Endereço: Rua Brasília, Lote 06, Acampamento Rabelo, Vila Planalto
Site: pontodeculturamuvida.com.br
Instagram: @ponto_de_cultura_muvida/
Cultura
Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun
A Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) defende a suspensão ou a anulação da licença de exploração de ouro da Belo Sun na Volta Grande do Xingu, no Pará. O órgão afirma que as comunidades indígenas ainda não tiveram os possíveis impactos da mina analisados e que faltam informações sobre pontos centrais do projeto, como o uso da água, o processamento do minério e a barragem de rejeitos.
A posição consiste em um ofício enviado em 7 de agosto pela Digat à Procuradoria Federal Especializada junto à Funai. O documento foi produzido no âmbito da tentativa de conciliação conduzida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que, em fevereiro deste ano, em decisão monocrática do Desembargador Flávio Jardim, restabeleceu a licença de instalação da Belo Sun.
Para a Digat, ainda existem “informações essenciais não suficientemente esclarecidas” para avaliar os impactos da mina e garantir que os povos indígenas sejam consultados conhecendo as possíveis consequências do empreendimento. Por isso, a diretoria sustenta que a licença concedida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), sem anuência da Funai, “deve ser suspensa ou anulada” até que as pendências sejam resolvidas.
Para Diogo Cabral, advogado do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o licenciamento não deveria ter avançado enquanto essas pendências permanecessem sem solução. Ele lembra que o projeto prevê uma barragem de rejeitos com capacidade de 35 milhões de metros cúbicos e processamento de minério com cianeto próximo ao rio Xingu. Nesse cenário, afirma, cabe à empresa demonstrar a segurança e a viabilidade socioambiental da atividade, “e não ao órgão técnico justificar sua cautela”.
O advogado também contesta a possibilidade de pendências do licenciamento serem resolvidas posteriormente por meio de condicionantes. “Deixar essas exigências para ‘condicionantes futuras’ inverte a lógica preventiva do licenciamento: permite que questões que deveriam ser resolvidas antes da autorização fiquem para depois”, afirmou o advogado.
Ausência de informações
A Funai aponta indefinições no próprio desenho do Projeto Volta Grande. Segundo a Digat, há divergências quanto à captação de água e falta uma definição consolidada da estrutura de beneficiamento, na qual o minério será processado. A licença restabelecida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) também não contempla a barragem de rejeitos nem a implantação da Cava Ouro Verde, uma das áreas previstas para a extração do ouro.
Outra questão é a relação da mina com Belo Monte. A própria Norte Energia, responsável pela hidrelétrica, já apontou incompatibilidades entre os dois empreendimentos, com riscos à qualidade e à vazão da água e aos peixes, além da possibilidade de contaminação no trecho de vazão reduzida do Xingu. A empresa chegou a pedir a reavaliação do licenciamento da mina diante do “conflito entre as atividades”.
Agora, a Funai cobra da Semas uma manifestação sobre essas preocupações e exige que a Belo Sun faça uma Avaliação de Impactos Cumulativos, considerando como os efeitos dos empreendimentos podem se somar aos dos povos indígenas da Volta Grande.
fonte: Publica 15 anos
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