Politica
No RS, Tebet comemora reforma tributária: “Dinheiro entrando nos cofres”
Hugo Barreto/Metrópoles
Tebet e outros quatro ministros do governo Lula foram ao estado, neste sábado, para ouvir demandas e incluí-las no Plano Plurianual
Dois dias depois da reforma tributária ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comemorou a decisão. A emedebista declarou que a medida renderá diversos impactos positivos no Produto Interno Bruto (PIB) ainda em 2023, além de aumentar a receita dos cofres federais.
“Esperamos que este primeiro momento gere um aumento de 0,5% [no PIB]. Isso é muito dinheiro entrando nos cofres federais sem aumento de imposto”, pontuou a ministra.
A declaração foi proferida neste sábado (8/4), durante uma visita a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Tebet e outros quatro ministros do governo Lula compareceram à cidade para ouvir demandas e incluí-las no Plano Plurianual, que determinará diretrizes para a União entre 2024 e 2027.
Para Tebet, a partir de 2024, caso a reforma seja aprovada no Senado ainda neste ano, “investidores já poderão buscar crédito e se organizar”, apesar de a unificação dos tributos estar prevista apenas para 2026.
Márcio Macêdo, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, também comemorou a decisão da Câmara dos Deputados e ressaltou a importância de não terem sido incluídos os itens da cesta básica na reforma: “Isentamos a cesta básica e incluímos a taxação de jetski, iates e aviões”.
O Rio Grande do Sul é o 22º estado visitado pelos ministros. Após completarem a lista de unidades federativas e ouvirem as demandas da população, serão criadas as diretrizes que ganham formato de lei e devem nortear a ação estatal nos próximos 4 anos.
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Fonte: Metropoles
Politica
O tempo da vítima e a justiça: ampliação do prazo para denúncia de violência doméstica reforça proteção às mulheres
Amaury Andrade, advogado criminalista, analisa a Lei nº 15.438/2026, que amplia o prazo para representação em casos de violência doméstica e busca adequar o sistema penal à realidade das vítimas
A sanção da Lei nº 15.438/2026 ampliou de seis para doze meses o prazo para que vítimas de violência doméstica possam apresentar representação criminal contra o agressor, alterando também o marco inicial da contagem para o momento em que a vítima identifica a autoria do crime.
A mudança é vista como um avanço no enfrentamento à violência de gênero ao reconhecer que a denúncia nem sempre ocorre de forma imediata, especialmente em contextos marcados por dependência emocional, financeira e vínculos com o agressor.
Segundo o advogado criminalista Amaury Andrade, a legislação corrige uma distorção histórica do sistema penal
“A vítima nem sempre consegue denunciar de imediato. Muitas estão presas em ciclos de medo, dependência e tentativa de reconciliação”, afirma.
Dados do Ministério das Mulheres mostram a dimensão do problema: em 2025, o Ligue 180 registrou mais de 155 mil denúncias de violência contra mulheres, com cerca de 70% dos casos ocorrendo dentro do ambiente doméstico. O país também registrou aproximadamente 1.568 casos de feminicídio no mesmo período.
Para o especialista, o novo prazo reforça a ideia de que o tempo da vítima não é o mesmo do processo penal.
“Muitas mulheres só conseguem buscar ajuda depois de apoio psicológico ou acolhimento familiar. O sistema precisa considerar essa realidade”, diz Amaury.
A nova lei não altera garantias do acusado nem o devido processo legal, segundo o especialista, mas apenas amplia o prazo para exercício do direito de representação.
“O Estado não está enfraquecendo o sistema penal, está tornando-o mais compatível com a realidade da violência doméstica”, concluiu.
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