Policiais
“Era luz da minha vida”, diz namorado de jornalista morta após cair de skate no DF
Arquivo pessoal
Rafael Bertasso disse que ao perceber a demora da jornalista começou a ligar. “Era para ser uma volta rápida, mas ela não voltou”
“Era só para ela dar uma volta rápida, mas ela não voltou mais”, destacou o empresário. Ele contou que ao perceber a demora de Camila começou a telefonar. “Liguei algumas vezes no celular e ninguém atendia até que o Corpo de Bombeiros atendeu”, detalhou.
Naquele momento começou a agonia, enquanto andava pelas pistas do parque. Camila havia atingido um bolsão de areia, que fez com que o skate travasse as rodinhas e ela acabasse caindo de cabeça no chão. A jovem foi encaminhada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), que é referência em traumas.
“Nosso primeiro encontro foi numa cachoeira. Fiz uma proposta pra ela: um date clichê em um sushi ou se ela não queria ir na cachoeira comigo, já que estava precisando desestressar. Levei ela pra cachoeira e pra comer pamonha”.
O passeio foi na cachoeira Indaiá, em Formosa (GO). Recentemente, os dois haviam viajado para a Chapada dos Veadeiros (GO) e, para que Rafael “lembrasse da viagem”, Camila teria dado de presente um par de meias estampadas com imagens de alienígenas.
Programas ao ar livre eram praticados com frequência pelo casal. Os dois andavam de skate juntos, segundo o namorado. “Vivia pedindo pra trazer os longboard”, relembra. “Ela era muito talentosa com esportes de equilíbrio”.
Camila tinha dois animais de estimação, uma cachorra e uma gata. A cadela Dhara está sob os cuidados de Rafael na casa em que mora no Jardim Botânico. Já a gata, Ziva, está neste momento com os pais de Camila.
Internada
Camila ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base por uma semana. Neste período, amigos próximos foram atualizados com boletins diários sobre o estado de saúde, transmitido pelos médicos aos pais.
Segundo relato dos familiares, os técnicos faziam tranças e penteavam o cabelo de Camila enquanto esteve em coma na unidade. “Ficamos encantados, ela era cuidada com carinho”.
Amigos relataram que havia esperanças na melhora do quadro de Camila. “Ela seguiu estável e apresentando melhoras durante a semana”, destacou o jornalista Flávio Macedo, amigo e colega de trabalho da jovem.
Segundo ele, só no domingo (9/7) à noite houve conhecimento da gravidade da situação. “A mãe dela não enviou o boletim como estava fazendo aí fui perguntar se ela tinha notícias. Foi aí que ela enviou um áudio e informou da piora e que o quadro era irreversível”. A morte cerebral foi constatada na segunda-feira (10/7), após dois testes.
Camila era moradora do Sudoeste e concursada na Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Ela estava na assessoria de comunicação da pasta e era responsável pelo cerimonial em eventos. A jornalista foi nomeada em abril de 2021, em meio à pandemia de Covid-19. Durante esse período, lia as perguntas de jornalistas para as coletivas de imprensa que a SES fazia.
Em nota, a pasta lamentou o ocorrido. “Prestamos nossos sentimentos e solidariedade a todos os familiares e amigos de Camila neste momento tão difícil”, diz um trecho do comunicado.
Cearense
A jornalista nasceu em Fortaleza (CE), era graduada e mestre pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela foi do Secretariado de Imprensa Programa Simulação da Organização das Nações Unidas (Sonu), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC). O programa publicou nota de pesar para a jornalista. “Desejamos nossas condolências e forças à família e amigos de Camila neste momento difícil.”
Familiares destacaram a inteligência e dedicação da jovem, que alcançou o segundo lugar em colocações tanto no vestibular para a universidade federal quanto no concurso para a Secretaria de Saúde.
Nordestina com orgulho, Camila não tirava do vocabulário frases como “tá frescando?” para dizer que alguém estava fazendo brincadeira com o outro e “tá toda assanhada” para se referir a cabelos despenteados. A veia cearense também era presente no dia a dia da jornalista.
Em Brasília, ela também trabalhou como consultora de relacionamento do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Camila tinha uma tatuagem de um pássaro virando árvore na costela. A imagem tinha o objetivo de simbolizar que estava pronta para voar, mas que também tinha raízes. Declarações de amigos e familiares destacam a imagem da menina brincalhona com “asas” e que criou raízes entre os amigos.
O corpo da jornalista será enterrado na manhã desta quarta-feira (12/7), no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. O velório está marcado para a partir das 8h, na Capela 5.
Policiais
No Distrito Federal, operações do Governo do Brasil prendem 448 suspeitos de crimes contra mulheres e reforçam ações do Pacto contra o Feminicídio
Operações Mulher Segura e Alerta Lilás mobilizaram forças de segurança federais e estaduais entre fevereiro e março, resultando em prisões em flagrante e cumprimento de mandados contra agressores em todo o país
Durante 15 dias, a operação Mulher Segura mobilizou 38.564 agentes de segurança, com apoio de 14.796 viaturas, em 2.050 municípios brasileiros. Foto: Divulgação/Polícia Civil do Rio Grande do Sul
No Distrito Federal, 448 pessoas foram presas durante operações coordenadas pelo Governo do Brasil nas últimas semanas para combater a violência contra mulheres e meninas. As detenções ocorreram no âmbito da Operação Mulher Segura, em parceria com as Secretarias de Segurança Pública estaduais, e da Operação Alerta Lilás II, conduzida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No DF, 439 pessoas foram presas na Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março. Já a Operação Alerta Lilás, conduzida pela PRF entre 9 de fevereiro e 5 de março, resultou em 9 prisões em cumprimento de mandados relacionados a crimes de violência contra mulheres.
As duas iniciativas fazem parte das ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, que articula Executivo, Legislativo e Judiciário para ampliar a prevenção da violência, fortalecer a proteção às vítimas e garantir a responsabilização de agressores.
NACIONAL – Em todo o país, as duas operações coordenadas pelo Governo do Brasil resultaram na prisão de 5.238 suspeitos de crimes relacionados à violência de gênero. Na Operação Mulher Segura, foram registradas 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados de prisão. Na Alerta Lilás, foram presas 302 em flagrante ou com mandados de prisão relacionados a crimes de violência contra mulheres.
MILHARES DE AGENTES – Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Operação Mulher Segura contou com a participação das forças de segurança de 26 unidades da Federação, com exceção do Paraná, que já realizava operação semelhante no mesmo período.
Durante 15 dias, a operação mobilizou 38.564 agentes de segurança, com apoio de 14.796 viaturas, em 2.050 municípios brasileiros. Foram realizadas 42.339 diligências, com 18.002 medidas protetivas de urgência acompanhadas e 24.337 vítimas atendidas.
No campo da prevenção, foram promovidas 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram 2,2 milhões de pessoas, reforçando ações educativas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Para ampliar a capacidade operacional dos estados, o Ministério da Justiça destinou cerca de R$ 2,6 milhões para pagamento de diárias de policiais, ampliando o efetivo empregado nas ações. A operação integra o Projeto VIPS – Vulnerabilizados Institucionalmente Protegidos e Seguros, iniciativa estratégica voltada à proteção de grupos vulnerabilizados.
MAIOR DA HISTÓRIA – Paralelamente à mobilização nos estados, a Polícia Rodoviária Federal realizou a Operação Alerta Lilás, considerada a maior ação da história da instituição voltada à proteção de mulheres.
Entre 9 de fevereiro e 5 de março, a PRF intensificou ações de inteligência e fiscalização para localizar e prender agressores procurados pela Justiça nas 27 unidades da Federação. O resultado foi a prisão de 302 pessoas em flagrante ou em cumprimento de mandados relacionados a crimes de violência contra mulheres, reforçando o enfrentamento qualificado à violência de gênero em âmbito nacional.
Do total das ocorrências, 119 (39,4%) contaram com participação da atividade de inteligência da PRF. As demais 183 prisões (60,6%) decorreram de flagrantes realizados pelo efetivo operacional.
PLANO DE TRABALHO – As operações Mulher Segura e Alerta Lilás II integram o plano de trabalho apresentado na última quarta-feira (4) pelo Comitê Interinstitucional de Gestão do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. O plano tem a finalidade de organizar, integrar e consolidar as ações prioritárias, previstas no compromisso firmado em 4 de fevereiro de 2026 pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para o enfrentamento ao feminicídio.
Entre as medidas previstas está a realização de mutirões nacionais para cumprimento de mandados de prisão de agressores, além do fortalecimento da rede de acolhimento e atendimento às vítimas.
O plano também prevê ações para acelerar a concessão e o monitoramento de medidas protetivas de urgência, ampliar a integração entre órgãos de segurança e justiça e promover iniciativas educativas voltadas à prevenção da violência de gênero.
Também estão previstas a criação de um Centro Integrado Mulher Segura para monitoramento de dados, a implantação de unidades móveis de atendimento a mulheres em situação de violência e a ampliação da rede de acolhimento.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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