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“Queremos que empresa honre contrato que firmou”, diz secretária de Saúde

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Segundo a secretária, Hospital do Gama colocou servidores a disposição do Hospital de Santa Maria durante a greve – (crédito: Kayo Magalhães/CB/D.A Press)

Ao CB.Poder, a chefe da pasta disse que está remanejando profissionais para cobrir serviços durante a greve de cozinheiros na Saúde. Repasses para empresa terceirizada foram efetuados, inclusive com adiantamentos. “Não há passivos”, ressaltou

Carlos Silva*

A greve dos profissionais responsáveis pela produção de alimentos para o Hospital de Base de Brasília e o Hospital de Santa Maria (copeiras e cozinheiras) foi tema do CB.Poder — parceria entre Correio Braziliense e TV Brasília — de ontem. À jornalista Ana Maria Campos, a secretária de Saúde do DF, médica Lucilene Florêncio, falou sobre as medidas que estão sendo adotadas para lidar com a crise, como  redistribuição de servidores, principalmente da área de nutrição, para auxiliar unidades com falta de mão de obra.

A titular da pasta afirmou que os repasses de recursos para a empresa terceirizada responsável pelos trabalhadores que estão em greve são feitos regularmente (eles pararam as atividades por atraso no pagamento dos salários). E deixou claro: o Governo do Distrito Federal (GDF) busca o diálogo, mas quer o cumprimento de todas as cláusulas do contrato firmado pela empresa e vai usar os meios jurídicos cabíveis para isso.

Uma questão que está em discussão hoje é a greve das cozinheiras do Hospital de Base. Esse problema está resolvido?

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Nós da Secretaria de Saúde e o pessoal do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) temos acompanhado juntos essa situação. Temos uma empresa que está no segundo ano de contrato (que dura 24 meses e finda agora no dia 30 de julho). Desde o início, tivemos algumas intercorrências, mas o que temos a dizer é que o Iges-DF e a Secretaria de Saúde têm feito os repasses e não temos passivos com a empresa. Esse repasse tem sido feito regularmente, inclusive algumas antecipações. Esperamos que haja o pagamento das copeiras e dos cozinheiros para que eles retornem.

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Está faltando alimentação no hospital?

Não. Hoje pela manhã, tivemos realmente uma ausência de colaboradores da empresa, tanto no Hospital de Base quanto no Hospital de Santa Maria. No Hospital de Base o quantitativo de colaboradores foi em torno de 40%; no Hospital de Santa Maria, cerca de 20%. O Hospital do Gama disponibilizou servidores do setor de nutrição (nutricionistas, técnicos e cozinheiros) ao Hospital de Santa Maria para fazer todo esse preparo e a entrega do alimento para as nossas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que também são ligadas ao Iges-DF. São 13 UPAs.

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Como está sendo executada essa operação?

As unidades de saúde da região Central e Norte do DF são abastecidas pelo Hospital de Base. E as da região Sul, por alimentos preparados e distribuídos pelo Hospital de Santa Maria, com a ajuda do Hospital do Gama. Mas a Secretaria de Saúde tem uma rede robusta e solidificada. Temos várias empresas que prestam serviço nos outros hospitais da Saúde do DF. Estamos prontos para prestar apoio para que em nenhum momento nosso cidadão fique sem atendimento.

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Quem faz esse serviço de fornecimento de alimentação aos hospitais?

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Temos quatro empresas da parte da Secretaria de Saúde, e uma empresa que atende a rede do Iges-DF. Estamos com chamamento aberto e no próximo dia 22 teremos a abertura para propostas. Vamos aguardar quais serão as empresas que prestarão esse serviço. Obviamente, até o dia 30 de julho a empresa tem um compromisso conosco. Estamos buscando o diálogo e os meios jurídicos para o cumprimento de todas as cláusulas contratuais.

A questão de pessoal é sempre um problema na Saúde, certo? Como estão os concursos públicos?

Temos um concurso que está na fase de inscrição, para técnicos em enfermagem. Existem algumas categorias com cadastro reserva, como médicos, odontólogos, enfermeiros, generalistas, farmacêuticos e administradores. Também há uma série de categorias que têm um concurso vigente, para o qual podemos chamar, caso haja necessidade. Temos ainda um processo em fase final na Secretaria de Planejamento, para chamar os servidores tornados sem efeito (aqueles que nós convocamos e não tomaram posse).

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Uma portaria permite que servidores da Saúde lotados no Iges-DF possam escolher onde ficar. Quando termina?

No final de agosto. Isto permitirá que os servidores decidam se querem voltar para a Secretaria.

*Estagiário sob a supervisão de Hylda Cavalcanti

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Fonte: Correio Brasiliense

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Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita

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Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.

Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.

O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.

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Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.

Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.

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A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.

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Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).

Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.

Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.

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Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.

O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.

Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.

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FONTE:

sul21.com.br

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Por Pedro Stahnke

As sete deputadas estaduais eleitas pelo PL: à esquerda, Adri Cherini; no topo, Kelly Moraes, Adriana Lara e Vanice de Matos; abaixo, Comandante Nádia, Daiane Mello e Ali Klemt | Fotos: Facebook Adri Cherini/Reprodução; Facebook Kelly Moraes/Reprodução; Facebook Adriana Lara/Reprodução; Facebook Vanice de Matos/ Reprodução; Lucas Orso/CMPA; Facebook Daiane Mello/Reprodução; e PL/Reprodução.
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