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Saúde

Colaboradores do Hospital de Base reforçam campanha de doação de sangue

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Ação do IgesDF apoia o Junho Vermelho e ajuda a repor estoques críticos do Hemocentro
Por Luciane Paz
Fotos: Divulgação IgesDF 
 
Na manhã desta segunda-feira (16), a van da Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) estacionou em frente ao Pronto-Socorro do Hospital de Base e logo ficou cheia. Dezesseis colaboradores do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), junto a membros da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (Cipa), participaram da ação em apoio à campanha Junho Vermelho — mês dedicado à conscientização sobre a doação de sangue. A iniciativa veio em um momento em que os estoques do Hemocentro estão em níveis críticos.
“Se cada bolsa pode beneficiar até quatro pacientes, essa nossa primeira leva já garante assistência potencial a 68 vidas”, destaca Márcio Pascoal, presidente da Cipa do HBDF, que deu o exemplo e foi um dos primeiros a estender o braço. Do tipo A negativo, fator RH raro em emergências, ele teve prioridade no atendimento.
Antes de doar, todos passaram pelo protocolo padrão: cadastro, aferição da pressão arterial, teste de hemoglobina e entrevista clínica. Todos receberam camisetas exclusivas com a frase “Sou doador de sangue. Compartilhe saúde”, um gesto de incentivo e reconhecimento à atitude solidária.
Ao receber o grupo, o presidente da Fundação Hemocentro, Osnei Okumoto, agradeceu pela solidariedade. “A presença de vocês aqui hoje representa um reforço essencial para os nossos estoques e, principalmente, para os nossos pacientes”.
Para a chefe do Almoxarifado do HBDF, Michele Gonçalves, essa foi a primeira experiência como doadora. “Foi tranquilo, seguro e rápido. Venham! Doar é literalmente salvar vidas”, convida.
Hermínia Silva, vice-presidente da Cipa, é doadora experiente há 20 anos, e não pretende parar. Ela relembra, com emoção, um episódio marcante em sua trajetória. “Um colega de trabalho precisava de bolsas de sangue para o filho de cinco anos, diagnosticado com leucemia. Aquele momento me marcou profundamente e mostrou o poder de uma doação”. Orgulhosa, Hermínia exibia o certificado de doadora, com data desde 2005.
A ação desta segunda-feira foi só o começo. A Cipa do HBDF já articula novas mobilizações e convida outros setores e unidades do IgesDF a se engajarem na campanha.
Doadores com Rh negativo têm prioridade
Entre os dias 11 e 30 de junho, doadores com fator Rh negativo podem doar sem agendamento prévio no Hemocentro de Brasília, com direito a senha preferencial. A medida emergencial foi criada para reforçar os estoques, que estão em níveis muito baixos neste período.
Como os tipos O-, A-, B- e AB- são mais difíceis de encontrar, a ação busca facilitar o acesso daqueles que podem contribuir com esse tipo raro.
Atenciosamente,
Assessoria de Comunicação

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Saúde

Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres

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Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença

 

A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A imagem mostra uma mulher adulta de pele clara, cabelo levemente avermelhado e blusa amarela. Ela está posicionada no centro e olha diretamente para a câmera com um sorriso aberto, mostrando os dentes.
Paula Andrea Navarro – Foto: Arquivo Pessoal

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.

“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”

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Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.

Histórico familiar e diagnóstico 

A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

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A imagem mostra um homem adulto de pele clara, roupa formal na tonalidade rosa e possui cabelos levemente grisalhos. Ele está posicionado no centro e sorri amplamente em direção à câmera, mostrando os dentes.
Julio Cesar Rosa e Silva – Foto: Arquivo Pessoal

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia.  “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”

A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.

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Fertilidade e conscientização 

A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.

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Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.

Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares

Fonte matéria: Jornal da USP

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