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Social

Desigualdade mantém 708 milhões de mulheres fora do mercado de trabalho

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Para especialistas, desigualdade estrutural também atravessa educação, inovação e espaços de decisão
No mercado de trabalho, cerca de 708 milhões de mulheres permanecem fora da atividade econômica em razão da sobrecarga com o cuidado não remunerado e da escassez de tempo disponível. O dado integra o Panorama de Gênero 2025, elaborado pela ONU Mulheres em parceria com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas. A especialista em oratória Fabiana Bertotti, observa que a sub-representação feminina não é casual. “Se as mulheres são metade da população do planeta, por que no dia primeiro de janeiro de 2025 elas ocupavam 27,2% das cadeiras nos parlamentos nacionais?”, questiona com base na ONU Mulheres. Para ela, os dados revelam um padrão estrutural que restringe presença e influência. “Isso não é coincidência, mas estrutura”, pontua.
Fabiana afirma que o custo de se posicionar ainda recai de forma desproporcional sobre as mulheres. Ao citar estudos sobre o chamado “backlash”, resume as diferenças. “A liderança exige firmeza, só que a firmeza feminina gera a penalização social”, explica. O efeito, segundo ela, molda comportamentos ao longo da vida profissional. “O silenciamento tem custo financeiro. Treinar a nossa voz é um ativo”, complementa.
O relatório aponta ainda que, mesmo quando conseguem ingressar no mercado, elas se concentram em ocupações de menor remuneração e com barreiras mais rígidas à progressão profissional. A desigualdade se aprofunda no setor de tecnologia, uma vez que as mulheres correspondem a apenas 29% da força de trabalho global e ocupam 14% dos postos de liderança. O estudo também alerta para os impactos da inteligência artificial, que ameaça 28% dos empregos femininos, uma proporção superior à registrada entre os homens, de 21%. Para Clara Cecchini, especialista em aprendizagem e inovação, graduada pela UNICAMP, com MBA pela FGV e formação complementar na Kaospilot e na Schumacher College, na Inglaterra, o avanço tecnológico não pode ser analisado isoladamente das assimetrias já existentes. “No Dia Internacional das Mulheres, a celebração de direitos e conquistas precisa dividir espaço com uma pergunta incômoda: que preço elas estão pagando pelo jeito que a Inteligência Artificial está sendo usada hoje”, afirma.
Clara cita o artigo “AI Doesn’t Reduce Work – It Intensifies It”, da Harvard Business Review, que sustenta que a tecnologia não diminui a carga, mas intensifica o ritmo e o volume de demandas. Em um cenário em que mulheres acumulam jornadas e enfrentam maior incidência de condições que afetam o cérebro, a expectativa de adaptação irrestrita aprofunda a pressão. “Justiça de gênero, na era da IA, significa impedir que a eficiência digital se sustente à custa de exaustão invisível”, diz.
Nas empresas
No ambiente corporativo, Vivian Rio Stella, pós-doutora em Linguística, idealizadora da VRS Academy e participante do TEDxJundiaí, avalia que o reconhecimento simbólico já não responde às tensões estruturais. “Durante muito tempo, o Dia da Mulher foi tratado nas empresas como uma pausa simbólica, com flores, frases inspiradoras, elogios genéricos”, observa. O problema, segundo ela, é a ideia de que o mundo do trabalho não foi pensado para elas.
Para Vivian, avançar exige deslocar a conversa do gesto para a cultura. “Talvez seja hora de nomear o óbvio que é evitado, que as mulheres se realizam no trabalho, não apesar de serem mulheres, não quando conseguem agir como homens, mas porque trazem outras formas de pensar”, diz. Ela defende experiências que promovam linguagem, escuta e reflexão. “Conversa, no ambiente de trabalho, é matéria-prima de cultura”, conclui.
Na escola 
Para Vitor Azambuja, CEO e um dos idealizadores do projeto De Criança Para Criança (DCPC), enfrentar o fato de que 122 milhões de meninas estão fora da escola, conforme a ONU, exige compreender os dados, e isso pode integrar narrativas e produções em que as próprias crianças são os autores, como propõe o DCPC. “São produções criadas por crianças e que precisam ser estimuladas para circular no cotidiano da família, da comunidade e da sociedade”, afirma sobre as animações desenvolvidas por alunos.
Ao tratar de histórias como a de Malala Yousafzai, o projeto busca transformar referência em reflexão. “A construção de uma sociedade mais justa começa com uma educação sólida desde a infância”, diz Vitor. Para ele, oferecer ferramentas narrativas às crianças amplia a consciência sobre direitos e igualdade.
Reportagem de Lucas Machado, da Betini Comunicação
Sobre Clara Cecchini
Graduada em Artes Cênicas pela UNICAMP, com MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão pela Fundação Getúlio Vargas e formação complementada por cursos como Working with Complexity, na Schumacher College (Inglaterra), e Master in Learning Arches Design, realizado no Brasil pela escola dinamarquesa Kaospilot. Experiência de 20 anos em iniciativas de inovação e design ligadas às dinâmicas do conhecimento e especializada em educação corporativa e aprendizagem organizacional. Com passagens por lugares tão diversos quanto Ministério da Cultura, Banco Santander, Istituto Europeo di Design e consultorias e palestras para organizações como Supremo Tribunal Federal, Banco Central do Brasil, Votorantim, Petrobrás, Porto, entre muitos outros.
Sobre Fabiana Bertotti 
Maior especialista de oratória no Brasil atualmente, referência na capacitação de líderes e profissionais que buscam comunicação clara, estratégica e de alto impacto. Reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo só no Instagram 2.8 milhões. E alcance mensal superior a 25 milhões de pessoas. Jornalista formada pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), escritora best-seller e especialista em Comunicação Estratégica, Oratória e Posicionamento. Direcionou sua carreira para a formação de comunicadores, com especialização em Cinema e Audiovisual pela PUC-PR e cursos de escrita no Brasil e na Inglaterra. São mais de 20 anos de experiência em palco, mais de 12 livros publicados e atuação em palestras e conferências no Brasil e no exterior.
Sobre Vitor Azambuja
Especialista em educação e criação, formado em publicidade, CEO e um dos criadores do programa De Criança Para Criança, sócio e diretor criativo da empresa.
Sobre Vivian Rio Stella 
Vivian Rio Stella é doutora em Linguística pela Unicamp, pós-doutora pela PUC-SP e idealizadora da VRS Academy. Colunista da revista Você RH e professora da Fundação Dom Cabral, Escola Aberje e de curso de comunicação na Audible/Casa do Saber, Vivian é reconhecida por sua abordagem humanista, crítica e contextual, que foca na comunicação para promover colaboração, respeito e diálogo nas organizações. Ao longo dessa jornada, já realizou palestras, workshops e consultorias para mais de 300 empresas de diferentes portes e setores.
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Curiosidades

Exercícios reforçam preparação do DF para grandes eventos com simulados de emergência

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Atividades com múltiplas vítimas reuniram bombeiros de quatro estados e testaram protocolos de resposta a ocorrências com produtos perigosos e incêndios florestais

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Agência Brasília* | Edição: Plácido Fernandes

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O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) realizou, nesta quinta-feira (29), dois simulados operacionais para aperfeiçoar a resposta a emergências com múltiplas vítimas. As atividades, que envolveram cenários de contaminação por produtos perigosos e de incêndios florestais, integraram a Jornada Respad Centro-Oeste 2026 e reuniram bombeiros do Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de instituições parceiras.

A iniciativa, conduzida pelo CBMDF, teve como objetivo fortalecer a integração entre as equipes, testar protocolos e aprimorar a capacidade de resposta conjunta diante de ocorrências complexas. Os exercícios também contribuem para a preparação de Brasília para receber grandes eventos, como a Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027, que terá a capital federal entre as cidades-sede.

 

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Pela manhã, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha recebeu um simulado que reproduziu uma situação de emergência durante um evento com grande concentração de público. O cenário envolveu a dispersão de um produto desconhecido por meio de um drone, com diversas pessoas potencialmente contaminadas. Mais de 200 militares participaram do treinamento, que incluiu isolamento da área, resgate e triagem de vítimas, descontaminação e atendimento pré-hospitalar.

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À tarde, o foco foi o combate a incêndios florestais. As equipes atuaram em cenários distribuídos por diferentes regiões do Distrito Federal, com exercícios de combate ao fogo em vegetação, emprego de recursos aéreos, busca e salvamento de vítimas, resgate de animais e sobrevivência em ambiente florestal.

O comandante-geral do CBMDF, coronel Moisés Alves Barcelos, destacou a importância do exercício para a preparação da capital federal e para o intercâmbio de conhecimentos entre as corporações. “Estamos realizando uma simulação de atentado terrorista no Estádio Nacional Mané Garrincha, com foco na preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027. A Jornada Respad promove a integração entre os Corpos de Bombeiros de diferentes estados, com o compartilhamento de protocolos, técnicas e táticas para aprimorar a resposta a situações de desastre”, afirmou. O comandante também agradeceu o apoio da Secretaria de Segurança Pública e da Arena BRB à realização do exercício.

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“Estamos realizando uma simulação de atentado terrorista no Estádio Nacional Mané Garrincha, com foco na preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027″

Coronel Moisés Alves Barcelos, comandante-geral
do CMBDF

 

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A integração entre as corporações também foi ressaltada pelo coronel  Washington Luiz Vaz Júnior, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO). “As 27 corporações de bombeiros militares do Brasil estão cada vez mais integradas, trabalhando para uniformizar protocolos, técnicas, equipamentos e procedimentos. Quando trabalhamos com uma linguagem comum e procedimentos alinhados, fortalecemos a capacidade de resposta e contribuímos para tornar o Brasil mais seguro”, destacou.

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“As 27 corporações de bombeiros militares do Brasil estão cada vez mais integradas. Quando trabalhamos com uma linguagem comum e procedimentos alinhados, fortalecemos a capacidade de resposta e contribuímos para tornar o Brasil mais seguro”

Coronel Washington Luiz Vaz Júnior, comandante-geral
do CMBGO

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Para o secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, a preparação conjunta é fundamental para enfrentar ocorrências que ultrapassam limites territoriais e exigem atuação coordenada. “Desastres não respeitam fronteiras. Por isso, precisamos trabalhar de forma integrada, compartilhar protocolos e preparar nossas equipes para atuar em conjunto. Esse treinamento é especialmente importante diante da Copa do Mundo Feminina de 2027, quando Brasília receberá um evento de grande porte”, afirmou.

 

Os exercícios fazem parte das ações de capacitação previstas na Jornada Respad Centro-Oeste 2026, vinculada ao Programa de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública. A mobilização reforça o trabalho integrado das instituições na prevenção, no planejamento e na proteção da população do Distrito Federal.

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*Com informações do CBMDF

 

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