Capacitação do IgesDF prepara profissionais para atuação mais precoce, humanizada e integrada no cuidado a pacientes com doenças graves
Ainda cercados por dúvidas e interpretações equivocadas, os cuidados paliativos começam a ganhar espaço com uma abordagem mais ampla dentro dos serviços de saúde.
Para consolidar essa mudança na prática, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), iniciou, nesta terça-feira (31), uma série de cursos voltados à qualificação de profissionais, com aulas previstas até agosto.
Ao todo, serão 14 encontros. A iniciativa dá continuidade a um projeto iniciado no ano passado e pretende ampliar a compreensão sobre a especialidade, que pode ser aplicada desde o diagnóstico de doenças graves.
Segundo o chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos do IgesDF, Arthur Amaral, o desconhecimento ainda é um dos principais entraves para a oferta adequada desse tipo de cuidado.
“Quanto mais pessoas souberem um pouco mais sobre os cuidados paliativos, sem estigmas, mais pessoas serão bem cuidadas. Isso vale tanto para os leigos quanto para os próprios profissionais de saúde”, explica.
Indicada para pacientes com doenças graves que ameaçam a vida e provocam sofrimento físico, emocional ou social, a abordagem envolve uma equipe multiprofissional e acompanha todo o percurso do paciente, desde o diagnóstico até o luto.
O médico pontua que ainda há receio por parte de pacientes em iniciar esse tipo de acompanhamento, frequentemente associado a uma “preparação para a morte”, mas essa interpretação não está correta.
“Esses cuidados são, acima de tudo, para aliviar sofrimento e dor. É importante entender que nem todas as pessoas que recebem uma abordagem de cuidados paliativos vai falecer. Alguns vão se reabilitar e outros podem sobreviver”, ressalta.
Durante a aula introdutória, Amaral também destacou que o cuidado inclui o acolhimento da família e deve começar o quanto antes.
“Existe todo um processo de acolhimento, onde é preciso adequar a fala para não tirar a esperança das pessoas, mas ao mesmo tempo, trazer a ideia de que a morte não é um inimigo a ser vencido, mas sim uma fase que todos vamos passar um dia”, conclui.
Para a médica residente de Oncologia do HBDF, Mariana de Castro, o conteúdo contribui para rever práticas consolidadas na formação.
“Eu fui ensinada que devia acionar os cuidados paliativos quando tivesse chegado ao limite da terapia curativa, mas hoje aprendi que essa especialidade é importante em todos os passos do tratamento”, comenta.
O curso foi organizado pelo Serviço de Oncologia Clínica e pelo Serviço de Cuidados Paliativos do HBDF, com apoio do Núcleo de Educação Permanente (Nudep) e do Núcleo de Tecnologias Educacionais (Nuted). As aulas ocorrem sempre das 15h às 16h, no auditório do 12º andar do HBDF. As inscrições podem ser feitas por meio de link
deste link.
Cronograma do curso
31/03 – Apresentação e pré-teste; conceitos, definições e princípios
14/04 – Técnicas de comunicação e notícias difíceis
28/04 – Conferência familiar e mediação de conflitos
19/05 – Controle da dor I: analgésicos não opioides e adjuvantes
26/05 – Dor total e trabalho multidisciplinar
09/06 – Bioética e diretivas antecipadas de vontade
16/06 – Controle da dor II: opioides
23/06 – Controle de sintomas I: urgências e emergências oncopaliativas
30/06 – Controle de sintomas II: fadiga, dispneia, tosse e broncorreia
07/07 – Controle de sintomas III: náuseas, vômitos, constipação, diarreia e prurido
14/07 – Controle de sintomas IV: ansiedade, tristeza, sofrimento existencial e delirium
21/07 – Abordagem do luto, burnout e espiritualidade
28/07 – Indicações e uso de hipodermóclise
04/08 – Cuidados de fim de vida: processo ativo de morte, sintomas refratários (sedação paliativa), pós-teste e encerramento
Créditos: Divulgação/IgesDF