O paradesporto brasiliense ganhou destaque internacional com a conquista de duas medalhas de ouro pela paratleta Priscila Pontual Lobato da Cruz, de 15 anos, no Campeonato Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down, em Albufeira, Portugal. A jovem contou com passagens concedidas pelo programa Compete Brasília, da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF), para participar da competição.
Saúde
A organização que está mudando a história da saúde pediátrica no Brasil
Após investir mais de R$ 440 milhões e impactar milhões de famílias, o Instituto Ronald McDonald completa 27 anos e se prepara para um novo ciclo de atuação no país
Quando uma criança recebe o diagnóstico de uma doença, como o câncer, a vida de toda a família muda junto. Não é apenas o início de um tratamento médico, mas de uma jornada marcada por deslocamentos, incertezas, afastamento do trabalho, da escola, da casa e da rotina. Foi olhando para essa realidade que nasceu, há 27 anos, o Instituto Ronald McDonald, organização que se tornou uma das principais referências no apoio à saúde de crianças e adolescentes e no acolhimento de suas famílias ao longo da jornada de tratamento.
O que começou como uma iniciativa de apoio e acolhimento às famílias de crianças em tratamento se transformou, ao longo dos anos, em uma atuação nacional que envolve diagnóstico precoce, treinamento de profissionais de saúde, apoio a hospitais e acolhimento de famílias durante o tratamento.
Hoje, após quase três décadas de atuação, a instituição soma mais de R$ 440 milhões investidos em projetos na área da saúde infantojuvenil no Brasil e mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes beneficiados diretamente por suas iniciativas em todo o país.
Muito além do tratamento
Ao longo dos anos, o trabalho do Instituto ajudou a reforçar uma visão que hoje ganha cada vez mais força na área da saúde: o tratamento não envolve apenas o paciente, mas toda a família. Distância do hospital, custos com alimentação e transporte, falta de informação e a necessidade de interromper a rotina são fatores que impactam diretamente as chances de sucesso do tratamento.
Mais do que falar sobre câncer, a organização passou a falar sobre cuidado, apoio e sobre famílias que possuem crianças e adolescentes que precisam de assistência médica e enfrentam, além da doença, desafios sociais, emocionais e financeiros ao longo dessa jornada. Mais do que falar sobre a doença, a organização passou a falar sobre cuidado, apoio e sobre famílias que possuem crianças que precisam de assistência médica e enfrentam, além da doença, desafios sociais, emocionais e financeiros ao longo do tratamento.
“Quando uma criança adoece, a família inteira adoece junto, emocionalmente, financeiramente e socialmente. Por isso, sempre acreditamos que cuidar da família também é parte do tratamento. Esse olhar para a família é o que orienta o nosso trabalho desde o início. Muitas famílias precisam sair de suas cidades, abandonar temporariamente suas rotinas e enfrentar uma jornada longa e difícil. Se essa família não tiver apoio, o tratamento fica ainda mais difícil. Cuidar da família também é parte do tratamento”, afirma Bianca Provedel, CEO do Instituto Ronald McDonald.
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Quatro frentes que sustentam a atuação no país
Para conseguir atuar em uma jornada tão complexa como o câncer infantojuvenil, o Instituto estruturou sua atuação em quatro grandes programas, que hoje sustentam o trabalho da organização em todo o Brasil.
O primeiro deles é o Programa Diagnóstico Precoce, que atua na capacitação de profissionais e estudantes da área da saúde para identificar sinais e sintomas do câncer infantojuvenil o mais cedo possível. O diagnóstico precoce é considerado um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura.
Outra frente é o Programa Atenção Integral, que apoia hospitais e instituições de saúde com projetos que contribuem para a melhoria do atendimento, infraestrutura hospitalar, aquisição de equipamentos e qualificação do cuidado oferecido a crianças e adolescentes em tratamento oncológico.
Durante o tratamento, muitas famílias precisam se deslocar de suas cidades para buscar atendimento em centros de referência. É nesse momento que entra o Programa Casa Ronald McDonald, que oferece hospedagem, alimentação e apoio para famílias que precisam permanecer por longos períodos longe de casa para acompanhar o tratamento dos filhos.
Complementando esse cuidado, os Espaços da Família Ronald McDonald funcionam dentro de hospitais e oferecem um local de acolhimento, descanso, alimentação e apoio emocional para familiares durante o período de internação ou tratamento das crianças.
Juntos, esses programas permitem que o Instituto atue em toda a jornada da doença, desde o diagnóstico até o período de tratamento e recuperação, olhando não apenas para o paciente, mas para toda a família.
Impacto que se mede em números e em histórias
Ao longo de 27 anos, a atuação do Instituto Ronald McDonald também pode ser medida em números. Mais de 50 mil profissionais e estudantes da área da saúde já foram treinados para identificar sinais e sintomas do câncer infantojuvenil precocemente.
Mais de 2 mil projetos, em 111 instituições de norte a sul do Brasil, já receberam apoio ao longo dessa trajetória. Apenas em 2025, mais de 9 mil pessoas passaram pelos Espaços da Família Ronald McDonald, mais de 7 mil profissionais de saúde foram treinados e 1.201 famílias foram hospedadas pelo Programa Casa Ronald McDonald durante o tratamento de seus filhos.
Mas, segundo Bianca, o impacto vai muito além dos números.
“Os números mostram o tamanho do trabalho, mas o que realmente importa são as histórias. Cada criança atendida, cada família acolhida, cada profissional treinado representa uma chance a mais de diagnóstico precoce, de tratamento adequado e de cura. Nosso trabalho sempre foi sobre dar mais chances para essas crianças”, diz.
Um novo ciclo depois de 27 anos
Se os últimos anos foram de consolidação e expansão da atuação, os próximos devem marcar um novo ciclo para o Instituto Ronald McDonald. O momento é de fortalecimento institucional, ampliação do impacto social e evolução da forma como a organização se posiciona e se comunica, cada vez mais com as famílias no centro do cuidado.
“Chegar aos 27 anos não é apenas olhar para o que fizemos até aqui, mas principalmente para o que ainda precisamos fazer. O Brasil ainda é um país com muitas desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, e nosso papel é justamente ajudar a reduzir essas diferenças. Estamos nos preparando para um novo momento do Instituto, com expansão da nossa atuação e do nosso impacto no país”, afirma Bianca.
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Mais do que uma história, um futuro pela frente
Ao completar 27 anos, o Instituto Ronald McDonald não fala apenas de sua trajetória, mas principalmente do futuro. O desafio agora é ampliar o impacto, fortalecer programas e expandir o apoio às famílias, garantindo que o lugar onde a criança nasce não determine suas chances de acesso ao cuidado e ao tratamento.
Entre os próximos passos da instituição está a ampliação de sua estrutura de acolhimento no país, com projetos que reforçam o compromisso com inovação, sustentabilidade e cuidado integral. Nesse contexto, a futura unidade de Goiânia surge como um dos marcos desse novo momento, reunindo conceitos avançados de estrutura, acolhimento e suporte às famílias em tratamento.
Com capacidade ampliada e integração entre hospedagem, apoio e convivência, a iniciativa reforça o papel do Programa Casa Ronald McDonald e dos Espaços da Família como pilares fundamentais na jornada de crianças e adolescentes em tratamento, contribuindo para um ambiente mais seguro, estruturado e humanizado.
Os próximos anos serão guiados por uma visão de longo prazo, com foco na ampliação do acesso, na qualificação do cuidado e no fortalecimento do apoio às famílias em todo o país.
Porque, ao longo desses 27 anos, uma certeza se consolidou: quando a família é acolhida, o tratamento se torna mais possível. E é esse olhar que seguirá orientando a atuação do Instituto nos próximos ciclos.
CRÉDITOS:
FOTO: Divulgação
Celebridades
Com apoio do Compete Brasília, paratleta de 15 anos conquista dois ouros em campeonato internacional
Priscila da Cruz venceu as provas dos 100 metros livre e dos 25 metros livre no Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down, em Portugal
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
No caso de Priscila, o programa garantiu as passagens para Portugal, contribuindo para que a jovem pudesse representar o Brasil no campeonato mundial. Uma decisão favorável da Justiça do Distrito Federal também determinou à Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais (CBDI) sua inscrição no Mundial.
Com duas medalhas de ouro, Priscila se destacou entre os participantes do Mundial de Natação para Pessoas com Síndrome de Down. A jovem venceu os 100 metros livre, conquistando o título mundial júnior, e também os 25 metros livre, prova em que registrou o tempo de 17s99.
Nos 25 metros borboleta, a paratleta chegou à final e terminou na quarta posição. Ao todo, Priscila está inscrita em oito provas no campeonato, que segue até sexta-feira (6), nas modalidades livre, borboleta e costas.
As conquistas de Priscila reforçam o potencial do paradesporto brasiliense e a importância de políticas públicas que contribuam para transformar dedicação e talento em oportunidades de participação no cenário esportivo internacional.
*Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer
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