Na Biblioteca Nacional de Brasília, a exposição Sertões segue no segundo andar até 31 de julho. A semana também terá visitas guiadas, contação de histórias, oficinas, cursos, clubes de leitura, sessão de psicodrama, patinação urbana e projeção mapeada na fachada.
Cultura
Roteiro cultural no DF tem teatro, percussão, exposições e atividades de férias
Agenda de 23 a 29 de julho reúne opções em biblioteca, museus, espaços culturais e áreas abertas
Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader
Teatro em Arniqueira, percussão em Ceilândia, exposições em museus e atividades de férias em biblioteca compõem a agenda cultural do Distrito Federal entre esta quinta-feira (23) e a próxima quarta-feira (29). O roteiro também inclui oficinas, clubes de leitura, aulas abertas, cinema universitário, apresentações musicais e a abertura de uma mostra dedicada a artistas de diferentes territórios da Amazônia.
Em Arniqueira, o espetáculo Estranhoíntimo será apresentado de quinta-feira (23) a domingo (26), com entrada gratuita. A montagem parte da fusão das dramaturgias Amores Surdos, de Grace Passô, e Leão no Aquário, de Vinícius de Souza, para abordar relações familiares marcadas por afeto, conflito, convivência e distanciamento.
As apresentações serão na administração regional da cidade (ADE Conjunto 02, lotes 33/34). Na quinta e na sexta-feira (24), as sessões ocorrerão às 20h. No sábado (25) e no domingo (26), haverá apresentações às 18h e às 20h.

Em Ceilândia, a Praça da Feira Central recebe, no sábado, o evento Batukenjé Orquestrado: Percussão Itinerante no DF. A atividade é gratuita e tem classificação livre. A agenda combina apresentações da Orquestra Percussiva Batukenjé e oficinas de iniciação à percussão afro-brasileira, ministradas pelo mestre Celin du Batuk, com apoio de monitores.
A programação em Ceilândia será dividida em dois períodos:
Manhã
- Das 10h30 às 11h: apresentação da Orquestra Percussiva Batukenjé
- Das 11h às 12h: oficina gratuita de iniciação à percussão
Tarde
- Das 14h às 14h30: apresentação da Orquestra Percussiva Batukenjé
- Das 14h30 às 15h30: oficina gratuita de iniciação à percussão
No Espaço Cultural Renato Russo, as atividades desta quinta-feira se distribuem pela Galeria Rubens Valentim, pelo Galpão das Artes, pela Sala de Atividades, pela Sala Multiúso, pelo Galpão Hugo Rodas e pelo Teatro de Bolso. A agenda do dia inclui exposição de estudantes das oficinas em artes plásticas e visuais, oficina de cenografia do Festival Inclusivo, aulas de dança com Ricardo Lira e aulas de teatro 60+ do Grupo Viva a Vida, além do espetáculo Meduza, do Grupo Âmago.
Na sexta-feira, o espaço terá exposição na Galeria Rubens Valentim, oficina de pintura com Roberta Camargo, oficina de pandeiro e espetáculo Maurice, no Galpão Hugo Rodas.
No fim de semana, a agenda inclui o Festival Carona de Cinema Universitário, o projeto Em Cantos, com Célia Porto, o Sarau 8 ou 80 e novas sessões do espetáculo Maurice. A relação completa de atividades, salas e horários está disponível no site do espaço.
No Museu Nacional da República, parte das salas passa por troca de exposições ao longo da semana. Permanecem disponíveis ao público a mostra Dípticos, Arte e Curadoria, na Galeria 2, até 9 de agosto; Muído em Aleijo ou Aleijo em Miúdos, na Galeria 3, até 30 de agosto; e O Thyssen Está de Visita, na área externa, até domingo.
No Museu de Arte de Brasília (MAB), entre domingo (20) e segunda-feira (27), seguem a mostra de longa duração do acervo do MAB, na galeria principal; Marés e Respiro, de Ingrid Haubrich, na Sala da Contemplação; e Rejuntes Afetivos, de Isabel Becker, na Sala Multiúso. A galeria temporária e o hall estão em período de montagem para a exposição Poéticas Paranaenses — MAC-PR.
O Museu Vivo da Memória Candanga mantém, até 31 de julho, exposições como Poeira, Lona e Concreto; A Importância da Mulher na Construção da Nova Capital; Candangos e Pioneiros: Ernesto Silva e Edson Porto; A Construção de Brasília — Fotografias de Jankiel Gonczarowska (1956–1970); Cerrado de Pau de Pedro; e Brasília Memória Viva — Fotografias de Joaquim Paiva.
No Museu Vivo, as Oficinas Saber Fazer ensinam corte e costura, bordado, crochê, tricô e reciclagem de jeans
Também no Museu Vivo, as Oficinas Saber Fazer funcionam de segunda a sexta-feira, com atividades de corte e costura, bordado, crochê, tricô, reciclagem de jeans, cursos, exposições e palestras. O projeto Poéticas da Meia-Noite — Fechaduras Abertas ocorre de segunda a sábado, das 9h às 13h. Aos sábados e domingos, há curso de capacitação em Técnicas de Resgate da Autoestima, das 8h às 17h. A atividade Aventura de Educação Ambiental, do Grupo de Escoteiros Hokma Guará — 35º DF, está prevista das 9h às 12h. O Museu Vivo da Memória Candanga fica na Via Epia Sul, Setor Juscelino Kubitschek, Lote D, Núcleo Bandeirante.
O pessoal do Baque Dandalunda comanda atividades como o projeto Sonhos em Movimento, na Casa do Cantador
Na Casa do Cantador, a semana terá ensaio e ações formativas do Baque Dandalunda na segunda-feira; aulas de balé do projeto Sonhos em Movimento na quarta, quinta e sexta-feira; e ensaio de canto do Coral Levando a Vida na quinta-feira. No domingo, o espaço recebe confraternização com feijoada e samba, das 8h às 18h. A Casa do Cantador fica na QNN Quadra 32, Área Especial G, Ceilândia Sul.
O Memorial dos Povos Indígenas ficará fechado para visitação até terça-feira (28), por causa da troca de exposições. A abertura da Exposição dos Povos da Floresta está marcada para terça, das 19h às 21h. A visitação começa na quarta-feira (29) e segue até 27 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada gratuita.
A mostra reúne fotografias, pinturas, esculturas, instalações, curtas-metragens, registros audiovisuais e experiências em realidade virtual de artistas indígenas, povos tradicionais e criadores de diferentes territórios da Amazônia. Entre os nomes presentes estão Gustavo Caboco, Paula Sampaio, Will Arehj Gavião, Graciano Wauto Am, Marcela Bonfim, Alexis Bastos, Fred Bastos, Alexandre Rotuno, Saulo de Souza, Rafael Prado, Evandro Câmara, Bototo, Avener Prado, Isaías Miliano, Pedro Macuxi, Kaiwino Wiz, Vinícius Kenede, Caripoune Yermollay, Ya Juarez, Keyla Palikur, Thay Ptit, Hugo Figueiredo e Gilson Tupinambá.
Além das obras expostas, a agenda da Exposição dos Povos da Floresta inclui curtas-metragens de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará e quatro experiências em realidade virtual. A mostra também terá recursos de acessibilidade, como intérpretes de Libras e audiodescrição das obras por QR Code.
Cultura
Ponto de Cultura Vovó Maria Conga fortalece formação cultural em Planaltina
Benzimentos, capoeira para a primeira infância, dança charme e comunicação digital integram ações gratuitas que aproximam gerações, preservam tradições e criam possibilidades de autonomia no Vale do Amanhecer
Há conhecimentos que sobrevivem porque passam de geração em geração. E há novas ferramentas que podem abrir caminhos para o presente e o futuro. No Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria, no Vale do Amanhecer, em Planaltina (DF), essas duas dimensões se encontraram em um projeto que reuniu benzimentos e plantas medicinais, capoeira para crianças, dança charme e formação em social media, fotografia e produção de vídeos pelo celular.
Realizadas por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), as ações fortaleceram um trabalho que o Ponto de Cultura já desenvolve no território, voltado à preservação de conhecimentos tradicionais, formação cultural, convivência comunitária e criação de oportunidades de autonomia e geração de renda. O projeto destinou 82 vagas a quatro frentes de formação: 20 para benzimentos, 20 para comunicação digital, 30 para dança charme e 12 para crianças de 2 a 7 anos, na capoeira.
Segundo Mestra Mãe Maria do Cerrado, que está à frente do espaço e também atua como documentarista de patrimônio material e imaterial, registrando histórias ligadas à construção de Brasília, um dos efeitos mais perceptíveis foi a aproximação da comunidade. Pessoas que já conheciam o trabalho passaram a participar mais, enquanto novos públicos chegaram e encontraram no local um espaço de convivência, aprendizado e valorização cultural.
“A cultura é, realmente, viva, quando é compartilhada, praticada e reconhecida pelas pessoas”, afirma. Para ela, o projeto também ampliou o reconhecimento do Ponto de Cultura como um espaço coletivo, onde a cultura se manifesta não apenas em apresentações, mas na oralidade, na música, na dança, na culinária, nos saberes do Cerrado e nas tradições de terreiro.
Saberes Sagrados
Na oficina Sagradas Mulheres Bentas, conduzida pelas mestras benzedeiras e raizeiras Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, a oralidade foi o principal meio de transmissão de conhecimentos sobre benzimentos, plantas medicinais e práticas herdadas entre gerações. Um dos desdobramentos previstos é a incorporação de novos benzedores e benzedeiras à Roda de Benzimentos do Cerrado, iniciativa que o Ponto de Cultura já realiza de forma itinerante em diferentes espaços do Distrito Federal.
A transmissão da cultura afro-brasileira também chegou à primeira infância. Com o Mestre Ferrugem, crianças de 2 a 7 anos tiveram contato com movimentos, musicalidade, instrumentos, cantigas e a roda de capoeira por meio de atividades lúdicas.
Já a oficina de dança charme, conduzida por Luciana Mota Ferreira, trabalhou musicalidade, expressão corporal e construção coletiva de coreografias, além de estimular a formação de grupos que possam continuar vinculados ao Ponto de Cultura.
No outro extremo dessa ponte entre tradição e contemporaneidade, Vanessa Neres conduziu a formação em social media, fotografia e filmagem pelo celular. Os participantes aprenderam produção de conteúdo, planejamento de redes sociais, fotografia e vídeo, com perspectiva de utilização desses conhecimentos no mercado de trabalho, no empreendedorismo e na construção de portfólios próprios.
Durante o projeto, oficinas, encontros e momentos de troca ampliaram a rede de participação e pertencimento em torno da instituição. “Para nós, o resultado mais bonito é ver o Ponto de Cultura pulsando. É ver as pessoas chegando, participando, trazendo seus saberes, seus talentos e suas histórias”, manifesta Maria do Cerrado.
Público
Aberto a todos, a iniciativa se esforçou para alcançar, sobretudo, mulheres em situação de vulnerabilidade social, pessoas trans, negras e com deficiência, estudantes da rede pública, jovens desempregados, pessoas com 60 anos ou mais, pessoas em situação de rua, imigrantes, integrantes da comunidade LGBTQIA+, povos de terreiro e povo cigano. A acessibilidade também é um dos princípios e esteve incorporada desde a realização das oficinas até a comunicação do projeto, com espaços acessíveis, materiais em braile e recursos de Libras. Pessoas com deficiência também integram a equipe em funções de coordenação e execução.
Do Ponto de Cultura para o território
O projeto também levou o que foi produzido nas formações para momentos de compartilhamento com a comunidade. A programação incluiu a Roda de Benzimentos do Cerrado, com mestres e mestras da região; a Batalha Charmosa, dedicada às performances e coreografias de dança charme; e os Festejos Sagrados da Vovó Maria Conga, reunindo diferentes expressões trabalhadas durante o projeto.
As ações dialogam com uma região onde, segundo o diagnóstico apresentado pelo próprio Ponto de Cultura, a população convive com vulnerabilidades sociais e carência de espaços culturais e formativos. Nesse contexto, a instituição busca aproximar cultura, formação e participação comunitária.
De acordo com Maria do Cerrado, a experiência também revelou a demanda existente por espaços de formação e convivência e fortaleceu a capacidade de mobilização da instituição. Como elabora, o recurso público ganha significado justamente quando seus efeitos chegam à vida cotidiana: “O investimento na cultura chegou até o território e se transformou em encontro, participação, aprendizado, autoestima, memória e fortalecimento comunitário.”
O encerramento do projeto, portanto, não representa o fim desse movimento. O próprio plano de trabalho prevê estratégias para a continuidade das oficinas, a ampliação da Roda de Benzimentos e a manutenção dos vínculos e parcerias construídos durante as atividades.
Sobre o Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria
Localizado no Vale do Amanhecer, em Planaltina (DF), e certificado como Ponto de Cultura desde 2025, o espaço, fundado em 1970, desenvolve ações ligadas à preservação e transmissão de saberes ancestrais, formação cultural, inclusão e fortalecimento comunitário. Sua trajetória reúne iniciativas de medicina tradicional, benzimentos, alimentação de terreiro, memória, audiovisual, sustentabilidade e formação de diferentes públicos. Entre as ações já realizadas estão projetos apoiados pelo FAC e pela Lei Paulo Gustavo, além de iniciativas desenvolvidas pela própria entidade e por meio de parcerias.
Serviço:
Para conhecer e participar das atividades gratuitas:
Ponto de Cultura Terreiro da Vovó Maria Conga – Santuário de Maria
Endereço: Sítio Agrovale, Fazenda Santa Fé, Gleba 02, Área Rural de Planaltina
Site: pontodeculturavovoconga.com.br
Facebook: Terreiro da Vovó Maria Conga – Casa de Benzimento
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