Social
ESTUDO APONTA CAMINHOS PARA O JORNALISMO NO BRASIL
A convite da jornalista Kátia Cubel, a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras apresentou, em Brasília, o estudo “Futuros do Jornalismo – Cenários e Implicações para o Jornalismo Íntegro e de Confiança para os Próximos 10 Anos”. A iniciativa reuniu 35 jornalistas e profissionais de comunicação, de importantes organizações brasileiras, entre elas os veículos de comunicação Agência Senado, Blog do Eldo Gomes, Metrópoles, Correio Braziliense, Platô BR, Poder 360, , SBT, GPS, Nova Brasil, Jovem Pan, assessores de comunicação e instituições como Unesco, Sesi, OCB, Sistema Cofeci-Creci, Senac-DF e Ministério da Defesa, e as universidades UnB, IESB, UDF, Universidade Católica de Brasília e Uniceub. A apresentação foi feita pela jornalista Bia Barbosa, coordenadora da Repórteres Sem Fronteira, e especialista em direitos humanos, liberdade de expressão e regulação de plataformas digitais.
A metodologia adotada na pesquisa envolveu desde o estudo preliminar das condições atuais, elaboração de cenários futuros até a proposição de uma síntese de estratégias para impulsionar o Jornalismo no país. São elas:
– Tornar o método jornalístico transparente e amplamente conhecido;
– Enfrentamento à desinformação;
– Fortalecer redes de cooperação;
– Diversificar modelos de sustentabilidade financeira;
– Investir em educação midiática;
– Advocacy para fortalecimento do ambiente regulatório do Jornalismo.
“É necessário que o próprio segmento conheça e reconheça os gargalos para melhor enfrentar os desafios”, disse a anfitriã, Kátia Cubel. “Precisamos reverter o quadro atual e valorizar o Jornalismo íntegro e seus profissionais. O Jornalismo é uma ferramenta de fomento à cidadania, de desenvolvimento de pensamento crítico e de promoção de avanços na sociedade, além de combater a desinformação e registrar, a cada dia, a História viva”, complementou Kátia Cubel.
Ativista das causas do Jornalismo, da equidade de gênero e da cidadania, Kátia Cubel é a criadora do Prêmio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia, que já está na 22ª edição, do Prêmio Engenho Mulher e do Festival de Jornalismo para Estudantes – O Futuro do Jornalismo. O estudo apresentado em Brasília foi realizado pela Unicamp, com a chancela de um Comitê Consultivo formado por Abraji, Ajor, Artigo 19 Brasil e América do Sul, Fenaj, Instituto Valdimir Herzog e Momentun. Os recursos financeiros foram aportados pela Embaixada do Reino Unido no Brasil. A íntegra do estudo está disponível para download gratuito em https://rsf.org/sites/default/files/medias/file/2026/03/Futuros%20do%20jornalismo%20DIGITAL.pdf
Social
Da tradição à produção audiovisual, Muvida mantém cultura viva na Vila Planalto
Reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, Muvida mantém atividades gratuitas que aproximam saberes tradicionais, capoeira, audiovisual e novas tecnologias
Ao longo de 2026, o Ponto de Cultura Muvida, na Vila Planalto, em Brasília, ampliou sua programação gratuita com atividades voltadas para os saberes tradicionais, cultura popular e empreendedorismo digital. Realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), as ações reuniram crianças, jovens, adultos e idosos em três frentes de formação: Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, Fotografia e Filmagens com Celular, e Capoeira Infantil. A iniciativa reforça a relevância do Ponto de Cultura que se mantém, permanentemente, em atividade, fazendo da cultura um instrumento de formação, convivência, preservação de saberes e criação de oportunidades no território.
Somadas, as três formações ofereceram 85 vagas gratuitas, sendo 20 para cada uma das oficinas e 45 para as aulas de capoeira. Inicialmente acessado, principalmente, pela comunidade da Vila Planalto, o Muvida, cada vez mais, tem sido acessado por cidadãos de todo o DF.
Embora os números ajudem a dimensionar as ações, uma das marcas do trabalho do Muvida está no encontro entre diferentes conhecimentos, gerações e públicos. Além de gratuitas, as formações priorizaram pessoas que historicamente enfrentam mais barreiras de acesso à cultura e à qualificação, como estudantes da rede pública, pessoas com deficiência, população negra, comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de vulnerabilidade social, jovens desempregados, pessoas com mais de 60 anos, imigrantes e pessoas em situação de rua. Com medidas de acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, o Ponto de Cultura reforça seu papel como espaço de inclusão, preservação e compartilhamento de saberes e criação de novas possibilidades para a comunidade.
Saberes que passam de geração em geração
Na oficina Benzimentos e Sabonete da Costa – Asé Dudu, conduzida por Josefa Francisco Gomes Ataides e Mãe Maria do Cerrado, benzedeiras e erveiras compartilharam práticas transmitidas entre gerações, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. Os participantes conheceram práticas de benzimento, o uso de ervas e a produção do Asé Dudu, sabonete ligado às culturas de matriz africana. Foram produzidas 200 unidades, distribuídas aos participantes, que também puderam encontrar na prática uma possibilidade de geração de renda. A atividade reforça uma das vocações dos Pontos de Cultura: manter vivos e em circulação os conhecimentos preservados pelas próprias comunidades.
Formação que cabe na palma da mão
Aprender a transformar uma tecnologia cotidiana em ferramenta de criação, comunicação e trabalho foi a proposta da oficina Fotografia e Filmagens com Celular, ministrada por Vanessa Neres. A formação incluiu conteúdos de fotografia, filmagem, composição, iluminação, narrativa audiovisual e edição. Voltada especialmente a públicos com menor acesso a cursos e equipamentos profissionais, a atividade aproximou o aprendizado das possibilidades da economia criativa e da geração de renda.
Capoeira desde a infância
Para as crianças, a escolha foi por uma manifestação que reúne corpo, música, história e identidade: a capoeira. A atividade, além de ensinar os movimentos, trabalhou musicalidade, coordenação, disciplina, cooperação e a história da capoeira como expressão ligada à resistência afro-brasileira. A proposta incluiu ainda rodas abertas, permitindo que o aprendizado das crianças ultrapassasse a sala de aula e fosse compartilhado com famílias e comunidade.
Sobre o Ponto de Cultura Muvida
Mais do que espaços onde acontecem oficinas e eventos, os Pontos de Cultura são iniciativas de base comunitária que reconhecem e fortalecem a cultura produzida nos próprios territórios, articulando moradores, artistas, mestres e coletivos em ações continuadas. É nessa perspectiva que atua o tradicional ponto de encontro da Vila Planalto que nasceu, em 1999, a partir da casa de uma família de pioneiros e da atuação de seus filhos e netos. Certificado como Ponto de Cultura desde 2017, com reconhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Ministério da Cultura, o Muvida é também reconhecido pelo Iphan como Ponto de Memória. As ações apoiadas pela PNAB encerram agora um ciclo, mas o espaço mantém-se em intensa atividade, com programação permanente voltado para formação, preservação de saberes e participação da comunidade.
Serviço:
Para conhecer e participar das atividades gratuitas:
Muvida Ponto de Cultura
Endereço: Rua Brasília, Lote 06, Acampamento Rabelo, Vila Planalto
Site: pontodeculturamuvida.com.br
Instagram: @ponto_de_cultura_muvida/
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