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Epreendedorismo

Luiza Brunet: uma voz ativa em defesa da mulher e contra a violência

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10/08/2023 Cr..dito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Bras..lia, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da viol..ncia contra a mulher. – (crédito: Carlos Vieira)

Em entrevista à Revista, Luiza Brunet fala sobre sua luta contra a violência doméstica, explica como se tornou uma ativista da causa feminina e conta sobre os projetos futuros

Foto de perfil do autor(a) Sibele Negromonte
Sibele Negromonte

Quando denunciou a agressão sofrida pelo então marido, em 2016, em um apartamento de luxo em Nova York, Luiza Brunet não imaginava que a trajetória dela, a partir daquele momento, mudaria completamente de curso. Não que a violência fosse exatamente uma novidade em sua vida. Como contou em uma longa entrevista que deu à Revista, passou a infância vendo o pai ser agressivo com a mãe. Ela mesma, aos 12 anos, foi vítima de abuso sexual quando trabalhava como babá em uma casa de família.

O tráfico humano é mais uma bandeira defendida por essa mulher que foi sex symbol nos anos 1980 e 1990, quando se tornou uma das primeiras brasileiras a entrar no mercado internacional de modelos, e que hoje atua como uma ativista de gênero. “A violência contra as mulheres é a mais democrática do mundo. Ela está (presente) no mundo inteiro, independentemente da situação econômica, independentemente da religiosidade ou do tanto do quanto você é e estuda”, resume.

 10/08/2023  Cr..dito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Bras..lia, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da viol..ncia contra a mulher.
10/08/2023 Cr..dito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Bras..lia, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da viol..ncia contra a mulher.(foto: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Luiza esteve em Brasília, na semana passada, para cumprir uma extensa agenda em celebração aos 17 anos da Lei Maria da Penha. Deu palestras no Ministério Público Federal, no Senado, circulou entre políticos e autoridades para fazer o que mais gosta: defender os direitos das mulheres. “Eu acho que é muito bom salvar pessoas. Acho que é nosso papel, como ser humano, poder ouvir as pessoas, poder ver as pessoas e poder ajudar. Isso já é um legado que a gente deixa”, diz.

Recentemente, ao lado de outras quatro mulheres, Luiza Brunet lançou o Instituto Nós Por Elas, que, entre outras iniciativas, criou um selo de certificação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para empresas que protegem as mulheres. “A empresa tem que cumprir um protocolo de 14 itens, que é super possível, e tem que promover um ambiente favorável para as mulheres, como criar uma ouvidoria da mulher, porque ela pode estar sob violência dentro do trabalho e dentro de casa. Muitas vezes, ela não vai trabalhar porque está machucada e o patrão fala: ‘não veio hoje, não veio ontem, manda embora’. Não é assim que funciona, a gente tem que ter essa responsabilização de procurar saber o que essa funcionária tem, o que ela está passando e dar a ela um atendimento adequado.”

Aos 61 anos, linda e elegante, Luiza é contra procedimentos estéticos que transformam o rosto da pessoa. Vê o estilo de vida saudável como o maior aliado da beleza. “Eu sou super criteriosa com tudo na minha vida. Sou super disciplinada, não sou uma pessoa que bebo, que que me droguei. Acho que o melhor caminho é esse”, conta. E acrescenta: “A gente fala que é o que a gente come, né? A comida pode matar ou deixar você vivo, saudável, assim como outras coisas que você escolhe. Então, eu escolhi sempre o melhor lado da moeda. Acho que isso me deu também a possibilidade de estar com 61 anos e me achar maravilhosa.”

Durante a mais de uma hora de conversa, Luiza abordou ainda a questão do etarismo e como tem sido envelhecer diante do olhar crítico da sociedade, que sempre a viu como um símbolo sensual. “Tem pessoas que dizem assim: nossa, ‘você parece a Luiza Brunet’. Aí eu falo: ‘mas sou eu mesma, você não me reconheceu porque, evidentemente, você tem a lembrança de quando eu era garota. Hoje, eu sou uma mulher de 61 anos de idade’. Eu preciso explicar isso porque tem pessoas que acham que a gente vai permanecer com a mesma jovialidade.”

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 10/08/2023  Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.
10/08/2023 Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.(foto: Carlos Vieira)

Atualmente solteira, a ativista conta que curte a própria companhia. “Eu amo ficar em casa, gosto de cozinhar para mim, de escutar música, de ler, de estudar.. é o meu momento. Eu estou o tempo inteiro com gente, então, no final de semana, eu fico em casa tranquila e me sinto muito confortável.”

Em setembro, a ativista segue para uma longa viagem de 50 dias ao exterior, onde fará palestras, visitará abrigos, embaixadas e conhecerá as políticas públicas voltadas para as mulheres em países como Portugal, Itália, Inglaterra, Irlanda, Suíça, Alemanha e Japão. Em Zurique, na Suíça, será palestrante no Museu da Fifa — ironicamente, um local dominado por homens — e falará para autoridades locais e o embaixador brasileiro. Confira os principais trechos da entrevista.

A infância

Eu sempre falo que fui vítima de violência doméstica quando era menina, na primeira infância. Meu pai é pai de cinco mulheres e três meninos, mas ele não conseguiu cuidar da família como deveria ser um modelo normal. Ele se tornou alcoólatra, tinha problemas mentais, que a gente reconhece hoje, tinha crise e chegou a ficar internado em hospitais psiquiátricos. Era extremamente agressivo e ciumento com a minha mãe. Regularmente, eu vi a violência doméstica dentro de casa. Com o agravante de que ele usava arma, porque a gente morava no interior do Mato Grosso do Sul. Dos 6 aos 12 anos, foi muito difícil para todas nós, meninas, mas, enquanto as outras se escondiam debaixo da cama, eu estava sempre me prontificando para ficar do lado da minha mãe, pedindo: “para com isso pai; por favor, não faz isso”.

Normalização da violência

A gente não sabia que era violência doméstica. Era um procedimento normal, naturalizado. Os vizinhos também brigavam, ou seja, não era uma coisa isolada da minha casa. As mulheres da comunidade onde a gente morava se chamavam de comadres e falavam sobre suas dores. De vez em quando, eu via que uma se suicidava, geralmente por enforcamento. Hoje, eu vejo que elas passavam por um processo de sofrimento no casamento, de falta de tudo, inclusive de compreensão. Eu acredito que muitas mulheres se suicidam por conta disso ainda hoje, porque não têm informação de que isso é uma violência.

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Violência sexual

Minha mãe decidiu pegar todos os filhos, colocar num ônibus, no Mato Grosso do Sul, e ir para o Rio de Janeiro. Eu tinha 12 anos na época, e a gente foi morar, por um tempo, na casa de um parente do meu pai. Mas começou a ficar difícil, porque eles também tinham necessidades, era uma casa pequena, também tinham filhos… A minha mãe acabou destinando eu e uma outra irmã para trabalhar numa casa de família, como doméstica. Eu tinha 12 anos de idade e fui, na verdade, para brincar com dois meninos. Mas eu sofri um abuso sexual nessa casa. Acabei voltando para a casa dos meus pais sem falar nada, porque era uma coisa constrangedora. Eu não achava normal, mas não sabia dizer o que era, pois não existia um discurso dentro de casa sobre isso. Não tinha a menor possibilidade de dizer: ‘mãe, o cara passou a mão aqui, pegou ali’.

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SAIBA MAIS

Assédio

Eu comecei a trabalhar em lojas de rua. Era muito fácil arrumar emprego porque eu era alta, era madura, a vida me amadureceu. Em todos os empregos, passava pelo o que a gente chama hoje de me too, ou seja, assédio moral e sexual, que é o patrão pagar menos, querer aliciar, querer convidar para jantar, querer passar a mão… era muito desagradável. Eu acabei sendo emancipada para casar com 16 anos de idade. Fiquei quatro anos casada e me tornei modelo por acaso, porque queria mesmo era ser cabeleireira.

A carreira de modelo

Eu era fã de uma modelo da época, a Rose Brito. Fui visitá-la no estúdio, e o fotógrafo falou: “vamos fazer um book?” Eu não queria fazer de jeito nenhum, queria ser empreendedora, ter um salão de cabeleireiro… Mas ele acabou levando duas fotos na Editora Bloch. Um dia, o telefone tocou e o diretor das revistas femininas falou que queria me ver porque tinha gostado da minha foto. Eu nunca pensei em ser modelo. Mas aí, rapidamente, comecei a trabalhar, a ganhar dinheiro, e era um dinheiro muito diferente do que eu ganhava no passado. Eu esqueci a carreira de cabeleireira, e a minha carreira de modelo deslanchou. Tinha 17 anos. Naquela época, as modelos eram padrão internacional: altíssimas, magérrimas e loiras. E chegou aquela mulher brasileira, com curvas, morena, que tomava muito sol. E veio a Xuxa junto, na mesma época. Então, acho que a gente quebrou paradigmas já ali.

O ciclo da violência

Eu comecei a revisitar a minha história e ver que tinha uma série de fatores de violência agregados, que culminaram com essa violência que eu sofri, com 54 anos, nesse relacionamento de cinco anos. Na vida adulta, eu não tinha consciência do ciclo da violência. E muitas mulheres não têm hoje em dia, embora o jornalista já tenha trazido a pauta para os jornais, as novelas também, ou seja, tem como a gente saber, mas muita gente não entende. Ontem, em um evento, uma mulher falou exatamente isso: “ele bate na minha funcionária, tira o dinheiro dela, mas ela o ama, separa e volta’. O ciclo da violência é isso, você não percebe que vai entrando nessa vertiginosa decadência humana. Você toma um soco, um tapa um dia; você fica; ele pede perdão; você continua; dá mais uma chance. Isso se estende, às vezes, por vários anos. A minha mãe ficou 24 anos casada sofrendo, até ela conseguir pedir a carta de alforria e a independência. Eu também passei por esse ciclo. Em cinco anos de relacionamento, não foi a primeira vez que sofri violência doméstica. Foram várias vezes, vários tipos de violência, e eu já era uma pessoa que trabalhava com essa pauta. A violência doméstica é a mais democrática do mundo. Ela está (presente) no mundo inteiro, independentemente da situação econômica, independentemente da religiosidade ou do tanto quanto você é e estuda. Quando a mulher está num relacionamento abusivo, ela não consegue entender o ciclo. E é difícil dizer para ela assim: ‘sai o mais rápido possível’, porque cada um tem um tempo.

 10/08/2023  Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.
10/08/2023 Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.(foto: Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Dificuldade de denunciar

Quando não se tem esclarecimento, é muito difícil (sair do ciclo), porque geralmente as mulheres que mais sofrem violência não têm muitas possibilidades de fazer denúncia. A Lei Maria da Penha só tem 17 anos; delegacia da mulher também é coisa nova. Imagina as que sofreram antes disso, quando não tinha nenhum aparato. Tudo que a gente tem hoje é muito novo. Eu fico imaginando no passado como deveria ser triste essa falta de informação e de reconhecimento de que elas são vítimas. No meu caso, eu permaneci durante muito tempo nesse relacionamento abusivo, sofrendo vários tipos de abuso, o que culminou foi esse último episódio, que me assustou muito, da forma que foi. Eu estava nos Estados Unidos e, quando voltei para o Brasil, busquei pessoas que pudessem me dizer qual o melhor órgão para fazer a denúncia. Eu tinha um pouco de receio de ficar exposta. E, de fato, fiquei. Fui ao Ministério Público de São Paulo e fui muito bem atendida por um promotor de Justiça homem. É horrível você fazer o corpo de delito. Você tem que ficar nua, marcada. Depois, você vai para o Ministério Público contar a história e ele pergunta de trás pra frente, de frente pra trás, para saber se realmente você está falando a verdade. Mas eu tive a sorte de ter sido bem acolhida, e esse acolhimento é fundamental para a mulher seguir o processo ou voltar para casa. Porque, se ela vai na Delegacia da Mulher ou no Ministério Público e é questionada, ela fica desestimulada e volta para casa. Agora, se ela é acolhida e o promotor ou quem toma a denúncia reconhece que ela é vítima, ela se sente amparada pela Justiça, que é o que a gente precisa. Acho que cada mulher tem o seu momento em que ela vai perceber que precisa tomar uma atitude, porque senão vai terminar no feminicídio.

O trabalho como ativista

O meu trabalho como ativista nasceu organicamente. A partir do momento que eu fiz minha denúncia, ela foi muito amplificada nos jornais. Nessa época, eu recebi números que mostravam que muitas mulheres foram fazer denúncias motivadas pela minha denúncia. Eu me senti muito responsável por isso.Comecei a estudar mais, a frequentar ambientes de mulheres que já estavam nessa pauta para entender um pouco mais sobre o assunto, como eu poderia ajudar. Então, eu me coloquei à disposição da mídia, da sociedade, das mulheres e, agora, do governo também. Eu sou uma ativista apartidária, porque o importante, para mim, é falar para todas as mulheres.

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Acolhimento à vítima

Eu vim a Brasília para falar sobre o Estatuto da Vítima (do Conselho Nacional de Justiça), que, na época, eu ajudei a criar, justamente falando como vítima. Ele completou um ano agora. É importante para o Ministério Público compreender a vítima e dar o apoio jurídico que ela precisa. Eu converso com muitas vítimas, e elas ficam desesperançosas pela lentidão da Justiça. A violência contra a mulher cresceu demais no Brasil, e a gente tem que parar com isso. A gente tem filho, tem filha; nosso filho pode ser o agressor e nossa filha pode ser a vítima de feminicídio.

Filhos de violência doméstica

No calor da emoção, briga entre um casal é normal. Mas é preciso evitar que isso seja uma coisa que agrida os filhos, porque o filho de violência doméstica sofre muito também. Ele pode criar um ódio pelo pai. Fica uma relação muito muito deturpada. Eu acho que a educação seria o caminho perfeito. A escola tem que inserir no currículo escolar o que a gente tá vivendo hoje em dia.

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Mulheres migrantes

Eu ajudo mulheres no mundo inteiro porque eu viajo muito para fora do Brasil para falar para as mulheres migrantes. A gente tem mais de 4 milhões de migrantes fora do Brasil, a maioria são mulheres mulheres de baixa renda que vão para lá aliciadas para trabalhar em lugares que não são realidade que pensavam. Elas chegam lá e são colocadas em trabalho que consideramos plataforma de tráfico humano ou sexual. Muitas delas me tem como um exemplo. Mas é difícil porque o ativismo tem um limite, tem que colocar essa mulher que precisa de ajuda com quem pode ajudar. Então, eu faço essa ponte, seja com o consulado brasileiro, seja com a embaixada. Eu falo no ministério, com as amigas promotoras, ou seja, quem pode ajudar. Dessa forma, tenho ajudado muitas mulheres. Eu tenho sido muito convidada para falar nas embaixadas do Brasil em todos os lugares. Eu entrei em um coletivo novo que fica na Suíça e a gente propôs fazer um evento na Fifa. É a primeira vez que o Museu da Fifa abre para a gente fazer um evento sobre sobre violência de gênero. Isso é muito bom porque quebra um paradigma. A gente precisa dizer para esses jogadores de futebol que os nossos meninos, do Brasil e do mundo, são apaixonados por futebol, e eles têm que dar bons exemplos, não ir a uma boate estuprar uma mulher, dizer que não foi e depois ficar configurado que foi.

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Instituto Mais por elas

O Instituto Mais por elas fez uma parceria com a ABNT para certificar a empresa com selo de responsabilidade social. Ela tem que cumprir um protocolo de 14 itens, que é super possível, e tem que promover um ambiente favorável para as mulheres, como criar uma ouvidoria da mulher, porque ela pode estar sob violência dentro do trabalho e dentro de casa. Muitas vezes, ela não vai trabalhar porque está machucada e o patrão fala: ‘não veio hoje, não veio ontem, manda embora’. Não é assim que funciona, a gente tem que ter essa responsabilização de procurar saber o que essa funcionária tem, o que ela está passando e dar para ela um atendimento adequado. Se a mulher estiver em um relacionamento abusivo, ela só vai sair se tiver autonomia financeira.

Trabalho internacional

A primeira vez que eu fiz uma palestra grande para falar sobre violência de gênero no Brasil foi, em 2017, na Índia. Tinha acabado de acontecer um estupro coletivo dentro de um ônibus, uma menina foi estuprada com um cano de aço, ela estava de uniforme. Houve um evento de mulheres numa faculdade em Nova Déli e eu achei aquele ambiente maravilhoso, poder estar interagindo com mulheres de outras etnias. Eu comecei a aceitar todos os convites que me foram feitos nesse sentido. Eu tenho me colocado bastante à disposição da sociedade, das mulheres, da mídia.

Aborto

Eu falei (que fez um aborto) e fui muito criticada na época. Eu não acho que o aborto tem que ser feito porque você engravidou e se descuidou, mas, às vezes, você tem que tomar uma decisão, que é muito pessoal, e isso tem que ser compreendido também. O que eu vejo são muitas meninas que fazem aborto em clínicas clandestinas e são mortas no procedimento, porque fazem escondido. Tem meninas de 12 anos que ficam grávidas e não têm condições de ter um filho.Tem coisas que precisam ser repensadas, e a sociedade precisa entender isso como uma coisa natural. Uma criança pode engravidar com 12 anos de idade, e eu não acho normal uma criança levar uma gravidez adiante com 12 anos de idade.

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Planos

A minha carreira de modelo foi muito bem-sucedida, foi muito longa, fiz muitas coisas no Brasil e fora do Brasil também. Fiz parceria comercial com algumas empresas e continuo fazendo as minhas coisas com muita tranquilidade. Mas, agora, eu me encontro no meu melhor momento, como mulher, como mãe e como ativista, pois eu acho que estou contribuindo para a sociedade no entendimento da violência, porque muitas mulheres não entendem que estão vivendo nesse ciclo. O que eu mais tenho feito é isso, que não dá dinheiro, mas eu me sinto muito realizada e feliz. Eu estou no meu melhor momento, de verdade! Eu acho que é muito bom salvar pessoas, acho que é nosso papel, como ser humano, poder ouvir as pessoas, poder ver as pessoas e poder ajudar. Isso já é um legado que a gente deixa.

 10/08/2023  Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.
10/08/2023 Crédito: Carlos Vieira/CB/DA Press. Brasília, DF. Entrvista com Luiza Brunet, ex modelo e ativista da causa que trata da violência contra a mulher.(foto: Carlos Vieira)

Etarismo

Sinto (preconceito de idade), sim. “Tem pessoas que dizem assim: ‘nossa, você parece a Luiza Brunet’. Aí eu falo: ‘mas sou eu mesma, você não me reconheceu porque, evidentemente, você tem a lembrança de quando eu era garota. Hoje, eu sou uma mulher de 61 anos de idade’. Eu preciso explicar isso porque tem pessoas que acham que a gente vai permanecer com a mesma jovialidade. As mulheres são as piores críticas de outras mulheres. Existe uma falta de sonoridade incrível. Mas eu não ligo muito não, eu lido muito bem com a questão do etarismo. Eu acho que a idade é uma coisa maravilhosa. Ela traz tantos benefícios, como a maturidade, a compreensão. Você fica mais inteligente, mais altivo, você fica muito melhor, porque a juventude rapidinho vai embora. A gente tem que ter uma qualidade de vida boa para que esse processo seja um pouco menos doloroso, mas vamos todos chegar à velhice. Tem mulheres que não conseguem lidar com isso (o envelhecimento). Também não precisa ficar escondendo a idade. Eu tô com 61 e falo que estou com 62 (risos). Eu sou grata pelos dias de vida que tenho e quero ter mais, para poder fazer mais.

Cuidados com a saúde e a beleza

Como eu fui inserida na moda muito jovem, aprendi a ter cuidados com o corpo e com a saúde. Eu fazia muitas campanhas de maiô ou de biquíni, ou seja, fui uma mulher de corpo livre, então, eu o mantinha saudável. Eu sou super criteriosa com tudo na minha vida. Sou super disciplinada, não sou uma pessoa que bebo, que me droguei. Acho que o melhor caminho é esse. Você conserva o seu corpo bem quando tem qualidade de vida. A gente fala que é o que a gente come, né? A comida pode matar ou deixar você vivo, saudável, assim como outras coisas que você escolhe. Então, eu escolhi sempre o melhor lado da moeda. Acho que isso me deu também a possibilidade de estar com 61 anos e me achar maravilhosa.

Vida pessoal

Eu estou solteira, mas ontem mesmo me atribuíram um namorado (risos). Eu amo ficar em casa, gosto de cozinhar para mim, de escutar música, de ler, de estudar.. é o meu momento. Eu estou o tempo inteiro com gente, então, no final de semana, fico em casa tranquila e me sinto muito confortável. Sozinha, você faz muitas reflexões, coloca a sua agenda mental em dia.

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Rotina de beleza

Faço pilates, caminhada, apesar de que tenho feito muito pouco ultimamente por causa dessa agenda maluca. Quando eu viajo, não consigo ser disciplinada. Com o passar da idade, você faz escolhas. Entre ficar uma hora na academia e poder ter uma hora conversando com uma mulher sobre violência doméstica, para mim, é muito mais agradável conhecer a história dessa mulher.

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Fonte: Correio Brasiliense

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Epreendedorismo

Com população mais velha, franquias surgem como opção para aposentados que desejam empreender

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Com modelos de negócio estruturados e marcas consolidadas, o franchising oferece previsibilidade, know-how e suporte para empreendedores iniciantes

 

São Paulo (SP), abril de 2026: Segundo os dados inéditos divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira envelheceu e o número de idosos atingiu um recorde histórico. O levantamento da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizado em 2025, mostra que pessoas com 60 anos ou mais já representam 16,6% do total de brasileiros, o equivalente a 212,7 milhões de residentes no ano passado. Enquanto parte desse perfil populacional opta por usufruir do período de descanso, há também quem enxergue a aposentadoria como um novo ciclo de oportunidades, mantendo-se ativo por meio do empreendedorismo.

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Nesse contexto, o mercado franchising desponta como uma escolha estratégica, ao oferecer operações validadas, suporte contínuo e menor exposição a riscos, sendo atrativa para empresários em sua primeira experiência do outro lado do balcão. Segundo dados divulgados pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), o setor registrou crescimento de 13,5% em 2025, ultrapassando faturamento de R$ 301 bilhões no período, reforçando sua relevância e atratividade no cenário econômico atual.

 

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Para inspirar pessoas que têm o mesmo perfil e desejam se tornar empresários, conheça histórias de aposentados que decidiram se manter ativos no mercado empresarial e conquistaram o sucesso investindo no próprio negócio em diferentes marcas de franquias.

 

Água Doce Sabores do Brasil

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Para realizar um dos seus sonhos antigos, Sueli Fragoso trabalhou por mais de 30 anos como bancária. A chegada da tão sonhada aposentadoria permitiu o investimento em um negócio de alimentação que proporcionava a realização de um objetivo antigo. “Era moradora de Bauru, no interior de São Paulo, e frequentava assiduamente a Água Doce da cidade. A estrutura, os pratos e as bebidas de qualidade sempre me chamaram a atenção. Quando me aposentei, estudei algumas alternativas e vi que era em uma franquia da rede que iria realizar um dos meus sonhos. Como atuei por cinco anos em um banco na cidade de Lençóis Paulista, notei que muitos moradores se deslocavam até Bauru para frequentar a unidade da Água Doce. Não pensei duas vezes em investir em um restaurante da franquia na cidade, para oferecer o que há de melhor na culinária brasileira”, comenta Fragoso, que junto com o marido José Eduardo, administram a operação desde 2007.

 

Divino Fogão

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Aposentado desde 1997, Nilton Vidigal trabalhou por anos em uma confecção, atividade em que encerrou sua trajetória profissional dentro do ambiente corporativo. Para complementar a renda e não ficar ocioso, Nilton decidiu investir no segmento de franquias, abrindo seu primeiro negócio próprio no setor de sorvetes, no mesmo ano da sua aposentadoria. Após ingressar neste mercado, o empresário não saiu mais do franchising. Já em 2013, ele se tornou franqueado do Divino Fogão, uma rede de Food Service especializada em culinária da fazenda. Junto ao seu filho, Ricardo Vidigal, Nilton administra 80% do negócio localizado no Shopping Atrium, em Santo André, no ABC paulista. Além disso, os dois também são sócios de outro restaurante da marca, no Santana Parque Shopping, na zona norte da capital paulista. Para Nilton, se manter em atividade é essencial para o corpo e a mente, mesmo após a aposentadoria. “Estou no dia a dia do negócio, sempre atento às demandas que a operação necessita. Com isso, me mantenho ativo e em constante aprendizado mesmo tendo mais de 75 anos”, revela.

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LavPop by 5àsec

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Aposentado desde 2013, Rinaldo Henrique, de 58 anos, buscou no mercado de franquias uma alternativa para complementar a renda e deixar um patrimônio para sua família no futuro. A procura demandou alguns anos, pois foi necessário avaliar o mercado e negócios que proporcionassem segurança e confiança ao funcionário público. A chance de empreender veio em 2024 ao conhecer o Grupo 5àsec. “Ao pesquisar, vimos que o setor de lavanderias, principalmente de autosserviço, estava em crescimento no Brasil. Decidimos apostar na LavPop, que está em franca expansão por todo o Brasil e conta com o know-how de 30 anos da 5àsec no Brasil”, comenta Rinaldo, que possui como sócia sua esposa Kátia Henrique. A unidade foi aberta em maio do ano passado em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. De acordo com o empresário, mês a mês, a operação prospera, tanto que estão investindo na terceira máquina de lavar para ampliar o fluxo de clientes na loja localizada em um posto de gasolina da cidade. “É um desejo investir em mais unidades da rede. Neste primeiro momento, estamos colhendo os frutos do investimento da primeira operação, mas não descartamos crescer no futuro”, finaliza Rinaldo.

 

Microlins

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Com 72 anos, o aposentado Jose Carlos Lucentini já tinha vivido o empreendedorismo antes mesmo de pendurar as chuteiras em 2016, após atuar em uma consultoria de alimentação. Mas sua história como empresário do franchising começou em 2025 ao se tornar franqueado da Microlins, rede de cursos profissionalizantes parte do Grupo MoveEdu. O primeiro contato com a marca ocorreu muitos anos antes, quando apadrinhou dois jovens que fizeram cursos na escola. “A recepção, a qualidade dos cursos e a didática dos livros me impactou bastante na época. Fiquei com esta lembrança na memória”, relembra José. Mas a virada de chave só ocorreu após ver um conteúdo da Microlins quando visitou sua filha na Austrália. “Relembrei de todo meu contato com a marca e, ao voltar para o Brasil, decidi procurar para entender mais sobre o processo de franquia”, comenta. Junto com sua filha Beatriz Lucentini, ele investiu na primeira escola em Valinhos, interior de São Paulo, e alguns meses depois na unidade de Louveira, também no estado paulista. “Depois de me aposentar, não quis me tornar inativo, pois tenho uma mente pulsante e busco me movimentar sempre. Para ser empreendedor após determinada idade é preciso ter vontade de trabalhar. Mesmo após minha experiência no mercado corporativo e no setor de educação, onde já publiquei sete livros e dei aulas no ensino superior, dentro das franquias ainda estou aprendendo e descobrindo outro universo. Quero sempre ter novas experiências”, finaliza Lucentini.

 

Milon

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A trajetória de Katia Maria Cisne Fernandes, de 66 anos, no empreendedorismo começou antes mesmo da aposentadoria e teve início a partir da parceria construída ao lado do marido, Ricardo Fernandes, com quem compartilhou quase 48 anos de vida. Desde os anos 2000, o casal atuava como representante comercial no estado do Ceará no Grupo Kyly, detentor da marca Milon. Em 2016, ela decidiu investir no modelo de franquias da rede, e inaugurou uma unidade em Fortaleza (CE). Ela se tornou a primeira franqueada da Milon no Brasil. Após o falecimento do marido, ela deu continuidade ao trabalho iniciado em conjunto e afirma que, mesmo após a aposentadoria, segue com o mesmo foco, visando obter um crescimento contínuo. “Os desafios existem, como em qualquer outro negócio. Mas todos são possíveis de serem superados com dedicação e foco. Para isso, é fundamental ter o desejo de aprender mais a cada dia. Hoje, já aposentada, com meus filhos criados e com a loja completando 10 anos, não enxergo meu negócio apenas como uma fonte de renda, mas como uma realização pessoal, algo que me dá prazer. Sinto uma satisfação gigante em cuidar da minha franquia Milon”, comenta.

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Peça Rara Brechó

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O casal Luiz Henrique Ribeiro Barbosa e Elisabete Lourenço da Silva decidiram empreender após a aposentadoria dele, com a aquisição de uma loja Peça Rara Brechó, no formato pocket, com pouco mais de 100m² e setor feminino. Segundo o franqueado não houve uma preparação para a pós-aposentadoria. Primeiramente, compraram um salão de beleza para a esposa, que trabalhava no segmento há mais de 30 anos, enquanto ele prestava consultoria. O salão foi vendido em 2022, mas logo investiram em uma pequena loja de lingerie. No final de 2023, já clientes do Peça Rara Brechó, foram visitar uma loja da marca em outro bairro – até então não sabiam que era franquia – e perceberam que era exatamente igual a anterior. Em conversa com a proprietária marcaram uma reunião para saber os detalhes da franquia e a possibilidade de abrir uma versão pocket em alguma cidade do interior paulista. Em relação ao futuro, Luiz pretende seguir à frente da operação por pelo menos 5 anos.

 

Rockfeller

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Iara Dietrich, 62 anos, é uma avó, aposentada, inspiradora que equilibra a vida profissional e pessoal com maestria. Com três filhos e cinco netos, ela sempre manteve sua carreira ativa, inicialmente como professora de espanhol. Empreendedora por natureza, Iara realizou o sonho de ter seu próprio negócio ao abrir uma franquia da Rockfeller, uma rede de escolas de idiomas. Ao lado de sua filha mais velha, Maria Clara, que é sua sócia e diretora comercial, Iara consolidou a escola com uma identidade de qualidade e seriedade. Além do trabalho, ela valoriza os momentos com os netos, especialmente cozinhando e tocando piano juntos.

 

Royal Face

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Aos 66 anos, Antônio dos Reis Almeida encontrou uma oportunidade de empreender após a aposentadoria. A inspiração veio de um amigo cuja esposa trabalhava na operação da Royal Face em Goiânia, capital de Goiás, e apresentou o modelo de negócios da franquia. A Royal Face, maior rede de harmonização facial e corporal, possui mais de 270 unidades em todo país, tendo como sócios a atriz Flávia Alessandra e o comunicador Otaviano Costa, além da rede de fazer parte do Grupo SMZTO. Buscando a solidez e o potencial da marca, Antônio decidiu investir no setor de estética, adquirindo sua primeira unidade em Maceió, no estado de Alagoas. O sucesso da empreitada o levou a expandir seus horizontes, abrindo novas operações em Lauro de Freitas, na Bahia; em Campina Grande, na Paraíba, e em Manaus, no Amazonas, consolidando sua trajetória como franqueado de destaque na rede.

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