Epreendedorismo
No Marajó, cozinha agroextrativista organiza produção de alimentos e amplia renda de mulheres
Nova unidade em Breves se soma a outras três cozinhas no arquipélago e fortalece a produção coletiva
Breves (PA) — O trabalho que antes acontecia espalhado pelas casas agora tem endereço certo. Em uma comunidade de Breves, no Marajó (PA), mulheres passaram a se reunir em uma cozinha comunitária agroextrativista para preparar, juntas, alimentos que vêm dos quintais, das roças e da floresta.
“Antes de existir a cozinha a gente produzia e vendia alimentos, mas tudo in natura, como o frango, açaí, e a parte de hortaliças”, conta Edineide Araújo, uma das mulheres que compõe a cozinha Raízes Marajoara, localizada no km 11 da PA 159, em Breves.
Com a nova cozinha, o trabalho deixou de ser improvisado e passou a atender diferentes demandas. “Hoje, a gente já consegue pegar encomendas, de pequenos a grandes eventos”, diz Nazaré Oliveira, que também atua na cozinha.
Mais do que um espaço físico, a cozinha funciona como uma tecnologia social que reorganiza a produção local. Com estrutura adequada, o grupo passou a agregar valor a produtos como açaí, pescado, mandioca e frutas, antes vendidos in natura e com menor retorno financeiro.
Com a operação já iniciada, essa mudança se traduz em trabalho e renda: a comunidade passou a produzir cerca de 1.250 marmitas por mês, em um contrato de oito meses firmado com uma organização da sociedade civil.
“Depois da cozinha, as coisas melhoraram muito, a gente começou a vender o nosso produto já preparado para ser servido, conseguiu ter acesso a projetos e estamos visando outras possibilidades dentro do próprio município”, afirma Edineide.
A estrutura também abriu caminho para a participação das produtoras em políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ampliando o acesso a mercados institucionais e garantindo mais estabilidade à produção.
A iniciativa integra o projeto Sanear, realizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), em parceria com o Fundo Amazônia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Fundação Banco do Brasil. O projeto apoia outras três cozinhas agroextrativistas em Portel, formando uma rede que reúne cerca de 60 mulheres e amplia a capacidade de beneficiamento da produção local.
Para o IEB, as cozinhas são mais do que espaços de preparo de alimentos. “Elas se afirmam como centros de produção e de conhecimento, contribuindo para o fortalecimento da economia local e para a autonomia das mulheres”, afirma Waldileia Rendeiro, analista socioambiental da organização.
Serviço
O quê: Inauguração de cozinha agroextrativista Raízes Marajoara Onde: Sede da Cafar, PA-159, km 19, Breves, Marajó (PA) Quando: 16/04/2026, às 9h Realização: Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e Cozinha Agroextrativista Raízes Marajoara.
Epreendedorismo
Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro que será lançado em Brasília amanhã (20)

A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentável. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.
A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.
“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.
“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha
Sete filhos criados a partir da reciclagem – Uma das histórias do livro é a de Aparecida Ferreira de Maria, de Brasília. Filha de catadores, ao enfrentar a maternidade precoce, aos 18 anos, encontrou na catação uma alternativa viável de renda. Hoje, aos 41 anos, e com sete filhos criados com a reciclagem, atua na defesa da valorização dos catadores. “Aqui a gente conversa muito, cada uma conta a sua história, e eu vejo que são mulheres muito guerreiras. Elas chegam com histórias parecidas, de dificuldade, e encontram acolhimento. É um lugar onde a gente se escuta, se apoia e vai seguindo em frente”, destaca.
Já Dulce Vale, de Goiânia, iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.
De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.
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