Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Mulheres incriveis

Conheça a astrofísica brasileira que descobriu estrelas fora da galáxia

Publicado em

Duilia de Mello foi listada pela revista Forbes Brasil como uma das 50 pessoas com mais de 50 anos capazes de se reinventar – (crédito: Arquivo Pessoal)

A cientista Duília de Mello coleciona um universo de conquistas: é uma das mais renomadas astrônomas do mundo e administra a maior biblioteca sobre o Brasil fora do país

Fabíola Góis, especial para o Correio — Como quase toda criança, Duília de Mello, aos 11 anos, se encantou pelo espaço. Curiosa, vivia fazendo perguntas à mãe sobre as estrelas, a lua, o sol e os planetas. Queria saber sempre mais sobre o universo. Com o tempo, a paixão virou algo sério, que ela transformou em muito estudo e trabalho. Em 14 de janeiro de 1997, foi a primeira cientista a ver o nascimento da estrela SN1997D, que explodiu em uma outra galáxia, a mais de 50 milhões de anos-luz de distância.

Neste dia, ela conferia o mapa do céu em um observatório no Chile, quando avistou uma supernova. A descoberta movimentou outros observatórios no mundo todo, que também começaram a mapear a estrela.

E ela não parou mais. A curiosa menina, nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, e criada no Rio de Janeiro, mais tarde, também descobriu as bolhas azuis, estrelas que nascem fora das galáxias, o que lhe rendeu o apelido de “mulher das estrelas”. Astrofísica, astrônoma, escritora e uma das mais renomadas autoridades brasileiras no estudo de galáxias em colisão, explosões estelares e galáxias distantes, Duília tem, hoje, 60 anos.

Advertisement
A cientista em um dos laboratórios que trabalhou na Universidade Federal de Juiz de Fora
Duíla de Mello no laboratório da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde realizou uma de suas palestras(foto: Arquivo Pessoal)

Mais conhecida no exterior do que no Brasil, além de ganhar destaque como pesquisadora associada do Goddard Space Flight Center da NASA, foi reconhecida por várias premiações. Em 2014, ganhou o I Prêmio de Profissional do Ano, concedido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em 2022, foi listada pela revista Forbes Brasil como uma das 50 pessoas com mais de 50 anos capazes de se reinventar.

Leia Também:  Conheça as técnicas de sobrancelhas queridinhas das sisters do BBB24

Sua influência chegou à Casa Branca. Este ano, a pesquisadora foi convidada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para um brunch, em que estavam presentes líderes do mundo todo, além de autoridades americanas.

Para garantir que outras meninas também possam sonhar com um futuro assim, brilhante, Duília criou e coordena, desde 2016, o projeto Mulher das Estrelas, que promove a divulgação científica e incentiva meninas a seguirem carreiras na área e assumir cargos de poder. “O mundo precisa de mais mulheres fazendo ciência. E cabe à sociedade lembrar disso sempre”, afirma Duília.

Duilia também se dedica à divulgação da astronomia e em promover, em especial, o interesse de meninas pela ciência
Duilia também se dedica à divulgação da astronomia e em promover, em especial, o interesse de meninas pela ciência(foto: Arquivo Pessoal)

Casa brasileira

A maior parte da formação da astrofísica foi feita no Brasil. Graduou-se em astronomia pela Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), fez mestrado em radioastronomia no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), outro mestrado em astronomia na Universidade do Alabama (EUA), e o doutorado em astrofísica na Universidade de São Paulo (USP).

O pós-doutorado foi no Observatório Interamericano Cerro Tololo, no Chile, onde também conheceu seu marido, o astrônomo sueco Tommy Wiklind. De lá, ela passou pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, antes de ir trabalhar com o famoso Hubble, no instituto do telescópio espacial, nos Estados Unidos. Atualmente, é professora e vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington, uma das mais renomadas da capital americana.

Advertisement
Leia Também:  Começa primeira pós-graduação inédita ofertada exclusivamente pela Escola de Governo

Mas a dedicação ao Brasil segue guiando sua trajetória. A mulher das estrelas dedica parte de seu dia movimentado para dirigir a Biblioteca Oliveira Lima, uma relíquia dentro da universidade que guarda o maior acervo de publicações, documentos e materiais de estudo sobre o Brasil fora do país.

Doada por Manoel de Oliveira Lima, embaixador e jornalista pernambucano, em 1916, em maio deste ano, o acervo celebra seus 100 anos na mesma data em que é comemorado o bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Para Duília, o espaço é “a casa do Brasil em Washington”. Na biblioteca, a astrofísica deixa de lado as galáxias para ser uma verdadeira guardiã da literatura e da história brasileira.

Sala nobre da Biblioteca Oliveira Lima, onde é possível encontrar relíquias como um busto original de Dom Pedro I
Sala nobre da Biblioteca Oliveira Lima, em Washington, nos EUA(foto: Fabíola Góis)

Nos arquivos da biblioteca, que têm mais de 50 mil itens, é possível consultar 16 exemplares dos sermões de Padre Antônio Vieira, o primeiro livro publicado sobre a Revolução Pernambucana de 1817, cartas entre Oliveira Lima, Machado de Assis e Gilberto Freyre, um busto original de Dom Pedro I, entre outras relíquias.

Assim como Duília, o embaixador brasileiro lecionou na Universidade Católica da América, o que motivou sua doação. Quando morreu, sua esposa Flora Oliveira Lima se encarregou de cuidar da biblioteca.

Advertisement

Duília faz questão de ressaltar a importância de Flora para a conservação da memória nacional por meio do acervo que administra. Por isso, se encarregou de produzir no Brasil uma foto ampliada da benfeitora para ser colocada em uma moldura especial e a pendurou em uma das salas mais nobres da biblioteca.

“Dizem que Flora era muito culta e teve papel fundamental para Oliveira Lima brilhar no mundo acadêmico e no serviço exterior”, diz a cientista. “Mas, como acontecia com a maior parte das mulheres da época que tinham projeção intelectual, Flora não é citada nos livros de história.”

Recentemente, a astrofísica esteve no palco da Campus Party e falou sobre as diferenças dos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

Advertisement

Tags

Fonte: EU ESTUDANTA / Correio Brasiliense

COMENTE ABAIXO:

Mulheres incriveis

Documentário registra a potência das vozes e da organização das Mulheres do Cerrado a partir do projeto Gênero e Biodiversidade

Published

on

Contra a violência do latifúndio e do patriarcado, as mulheres cerradeiras plantam a vida e o esperançar em seus quintais

 

Há uma sabedoria popular que corre os rios e rega com abundância a terra do Cerrado: “Mulheres são como as águas: crescem quando se juntam”. No último ano, mulheres cerradeiras do Piauí, Tocantins e Goiás se juntaram em suas resistências em defesa de seus corpos e de seus territórios, a partir do projeto ‘Gênero e Biodiversidade: Falas das Mulheres do Cerrado’. Os registros, repletos do esperançar que confronta realidades violentas, resultaram em um potente curta-documentário, que a CPT lança hoje, ao final de março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher.

Advertisement

 

O vídeo-final rememora as atividades formativas comunitárias do projeto, uma realização conjunta entre a Articulação das CPTs do Cerrado e as regionais da CPT no Piauí, Tocantins e Goiás, em que a troca de conhecimentos e experiências entre as camponesas se mostrou como a essência da formação popular. As oficinas se aprofundaram em questões de gênero, segurança, sociobiodiversidade e agroecologia, além de promover a valorização de quintais produtivos e a geração de renda para autonomia das mulheres, também pelo acesso à políticas públicas.

 

Advertisement

“A gente tem aprendido muito, mas muito mesmo, pra poder levar adiante. A nossa vida de mulher, de camponesa, muitas vezes não é fácil, mas esse projeto só veio agregar valores pra gente, tanto como mulher, quanto também na vida financeira. Pra gente andar mais com as nossas próprias pernas, mas sempre no coletivo, na unidade, sempre ajudando umas às outras” – Maria Aparecida Alves, Assentamento Che Guevara (Piranhas/GO)

Leia Também:  Começa primeira pós-graduação inédita ofertada exclusivamente pela Escola de Governo

 

As oficinas foram realizadas no interior dos territórios, onde as violências do latifúndio e do patriarcado se entrelaçam mais profundamente pela dominação e subjugação, tanto da terra quanto das mulheres. É como muito ensinou Anacleta Pires, hoje encantada e uma força ancestral do Cerrado, que quando via a terra sendo vendida – e invadida -, sentia seu corpo sendo negociado.

Advertisement

 

Com a ameaça à porta, as mulheres camponesas colocam seus corpos à frente da terra e da família, enfrentando cara a cara a violência de fazendeiros grileiros, como relatou Maria de Jesus Maciel, do P.A Boa Esperança (Palmeirante/TO), durante oficina sobre gênero e construção de protocolos de segurança:

 

Advertisement

“Tem vezes lá na roça que eu escuto as caminhonetes e vou correndo pra casa… Já chega falando que comprou a terra do fazendeiro e que vai tirar a gente de lá de qualquer jeito. Tem dias lá em casa que eu fico com a cabeça perturbada, porque na verdade quem palestra com essa pessoa sou eu, mando meu esposo se esconder e fico em casa só com as crianças, porque quando eles pegam o marido da gente, eles humilham demais, sabe? Os grileiros e até a polícia”, narrou.

 

A partir das formações durante o projeto, foram construídos, coletivamente, protocolos de segurança para atender cada comunidade, com atenção voltada contra violência de gênero e em defesa dos territórios.

Advertisement
Leia Também:  Sesp-MT entrega Medalha Mérito das Comunicações nesta quarta-feira (05)

 

Em todo esse processo formativo, as mulheres reconheceram que suas resistências também estão plantadas em seus quintais, nos quais brotam não só a esperança e o sonho da terra para viver e trabalhar, como também frutos que representam a autonomia, a geração de renda e a sustentabilidade das mulheres camponesas.

 

Advertisement

“O que mais me chamou atenção foi a importância dos nossos quintais produtivos e como a gente pode trabalhar com os frutos do Cerrado, porque a gente mora numa terra rica e só falta mesmo a disponibilidade de levar em frente, isso foi uma motivação muito grande pra mim” – Domingas de Sousa Borges, Assentamento Flores (Uruçuí/PI).

 

Nos três estados, foram realizadas feiras para comercialização e fortalecimento da renda das mulheres do Cerrado, que como Adaylzes Rodrigues, do P.A. Santo Antônio (Palmeirante/TO), levaram, venderam e trocaram seus produtos, cheias de orgulho e certas de sua indispensável contribuição na luta pela terra, pela alimentação saudável e pelo cuidado com a biodiversidade: “Eu trouxe doce de leite, doce de coco com abóbora, trouxe banana, macaxeira, abacaxi… tudo plantado no meu quintal, tá? Tudo eu que planto, tudo eu que cuido!”.

Advertisement

 

O documentário está disponível no canal do youtube da Comissão Pastoral da Terra.

 

Advertisement

 

 

 

Advertisement

 

 

 

Advertisement

 

 

 

Advertisement

 

 

 

Advertisement

CRÉDITOS:

Texto publicado originalmente na edição 270 do Jornal Pastoral da Terra.

COMENTE ABAIXO:
Advertisement
Continuar lendo

MULHER NA POLÍTICA

MULHER NA SAÚDE

MULHER SOCIAL

MULHER NO ESPORTE

MULHER CELEBRIDADE

MAIS LIDAS DA SEMANA