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‘Símbolo de resistência e uma semente’, diz mãe de Marielle

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A inauguração da estátua abrirá uma série de eventos na cidade em memória de Marielle

Bruna Fantti
Rio de Janeiro, RJ

Marinete Silva, 71, lembra com carinho do chá de hibisco e tangerina que provou em seu último encontro com a filha, Marielle Franco, na véspera da sua morte. “Tomei no gabinete dela, que eu visitava pela primeira vez”, disse.

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Menos de 24 horas depois, Mari, que se apresentava como negra, socióloga e cria do Complexo da Maré, eleita com 46.502 votos para a Câmara do Rio de Janeiro, foi assassinada com cinco tiros.

“Ficamos juntas das 17h30 às 22h30. Ela me mostrou a sala onde recebia as pessoas, lanchamos. Acompanhei as sessões no plenário com ela. Entre uma sessão e outra fomos na rua, procurar colírio para a filha dela que estava com conjuntivite. Foi algo preparado por Deus essas horas. Uma despedida.”

Marinete acompanhou, nesta segunda (13), a montagem de uma estátua de 11 metros da filha que será inaugurada nesta terça (14), quando se completam cinco anos do crime, que também vitimou o motorista Anderson Gomes.

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A inauguração da estátua abrirá uma série de eventos na cidade em memória de Marielle.

A escultura “Corte Seco – Marielle” foi doada pelo artista Paulo Nazareth para o Instituto Marielle Franco e ficará nos pilotis do Museu de Arte do Rio, na praça Mauá.

Sobre a federalização do caso, ela continua a ser contra. “O crime foi no Rio de Janeiro, é das autoridades do Rio de Janeiro que a resposta tem que ser dada aos eleitores da Marielle, para a sociedade. Nunca perdi as esperanças, mas sigo contrária à federalização”, afirmou.

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Nesta segunda, ela foi a uma reunião com a força-tarefa federal montada para auxiliar nas investigações.

O atual diretor da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Leandro Almada, foi o responsável por apontar uma trama envolvendo policiais, milicianos e até um ex-conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) como mandante do crime. A partir disso, ocorreu o primeiro pedido de federalização do caso, negado pela Justiça, em 2020.

Investigadores não quiseram dar entrevistas, mas alguns comentaram que uma das vantagens da federalização seria a possibilidade de saber se a arma utilizada pelo crime foi extraviada do próprio acervo da PF.

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Isso porque os investigadores concluíram que uma metralhadora HK MP5, utilizada tanto pelas forças especiais quanto pela PF, foi utilizada no crime. Já se sabe que uma arma da Polícia Federal, do mesmo modelo, foi extraviada do arsenal e nunca encontrada. Na época, os investigadores da Polícia Civil chegaram a cogitar ter sido essa arma a utilizada, mas nada foi provado.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou em fevereiro deste ano o auxílio da PF nas investigações.

Vera Araújo, autora com Chico Otávio do livro “Mataram Marielle”, da editora Intrínseca, afirma que Dino encontrou uma forma de burlar a burocracia.

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“Ele (Flávio Dino) sabia que federalizar dá muito trabalho porque o assunto já foi analisado pelo pelo STJ (Supremo Tribunal de Justiça) e ele teria que conseguir provar, de forma mais detalhada, que tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público não atuaram da forma que era necessário. Então, ele propôs uma forma de parceria”, apontou.

A socióloga Sílvia Ramos, que também era amiga de Marielle, lembra-se da campanha de difamação que se seguiu após a morte da vereadora. “A difamação das vítimas é um movimento que acontece em uma tentativa de justificar a morte por um suposto envolvimento com o crime. Foi uma tentativa de tirar o foco da atrocidade que essa execução representa como crime político”, disse.

Rafael Borges, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB/RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), afirma que a memória de Marielle foi atacada por grupos avessos ao Estado democrático.

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“Marielle tinha uma pauta política de firme compromisso com grupos minorizados e direitos sociais. Essa pauta se contrapunha ao recrudescimento do estado policial”, disse.

As difamações ocorreram principalmente por grupos bolsonaristas, que criticavam a atuação da vereadora em casos de investigação de supostas arbitrariedades de policiais. Antes de ser vereadora, Marielle participou da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

“Quem convivia com a Mari de perto sabia que ela era uma força da natureza. Tinha uma esperança contagiante de que seria possível mudar a vida, além de bom humor e criatividade. Depois de seu assassinato, a lembrança dela é de beleza e coragem. Por isso se diz que Mari é semente”, afirmou a amiga Sílvia.

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Se nos detalhes a saudade aperta, é no legado de Marielle que sua mãe encontra forças.

“Tenho consciência do que a minha filha se tornou: um símbolo de resistência, de mudança, uma semente que inspira. Minha filha sempre foi determinada, desde pequena. Quando brincava, gostava de ser ou professora ou mãe. E sempre inspirou, até no turbante, no modo de falar, vejo muitas meninas que ela influenciou. Hoje, mais mulheres negras ocupam lugares que antes não imaginavam por causa dela”, disse Marinete.

Até o momento, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz estão presos, aguardando julgamento. Eles negam as acusações.

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CRONOLOGIA

  • Assassinato
    Em 14 de março de 2018, Marielle e Anderson são mortos a tiros ao saírem de evento no centro do Rio; a assessora Fernanda Chaves sofre ferimentos, mas sobrevive
  • Investigação federal
    Em novembro de 2018, a Polícia Federal abre “investigação da investigação”, para apurar denúncias de irregularidades e interferências no trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público estadual
  • Batalha judicial
    Em agosto de 2018, é expedida a primeira decisão judicial determinando que o Google forneça dados que possam ajudar a solucionar o caso
  • Prisão dos acusados
    Em 12 de março de 2019, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz são presos e acusados pelo Ministério Público estadual pela execução do crime
  • 1ª troca de delegado
    Dias depois, a delegacia responsável pela apuração do caso troca de comando: Giniton Lages é substituído por Daniel Rosa na condução da segunda fase, para investigar os mandantes
  • Federalização
    Em setembro de 2019, com base na investigação da PF, a então procuradora-geral Raquel Dodge pede a federalização das investigações e denuncia cinco suspeitos por terem tentado fraudá-las com depoimentos falsos –incluindo Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ
  • Citação a Bolsonaro
    Em 29 de outubro de 2019, o Jornal Nacional, da Globo, divulga que um porteiro do condomínio Vivendas da Barra disse à polícia que foi Bolsonaro quem liberou a entrada de Élcio no local no dia do crime. Bolsonaro, porém, estava em Brasília e o Ministério Público apurou que essa versão era falsa
  • Não federalização
    Em maio de 2020, STJ decide que caso não seria federalizado por unanimidade (oito votos a zero). A relatora Laurita Vaz não viu “inércia ou inação” das autoridades do RJ
  • Briga com o Google
    Em agosto de 2020, STJ nega recurso do Google e confirma que a empresa deve compartilhar geolocalização de usuários a pedido da promotoria, o que até agora não foi feito. O caso subiu para o STF, ainda sem data marcada para o julgamento
  • 2ª troca de delegado
    Em setembro de 2020, depois que o governador Wilson Witzel (PSC) é afastado e o vice Cláudio Castro assume, um terceiro delegado é colocado no cargo: Moysés Santana
  • Criação de força-tarefa no MP-RJ
    Em março de 2021, o Ministério Público do Rio de Janeiro cria uma força-tarefa para investigar o caso. O grupo foi estruturado com três promotores, sendo um deles Simone Sibilio, que acompanhou a apuração desde 2018
  • Lessa é condenado por destruição de provas
    Em julho de 2021, Ronnie Lessa é condenado a quatro anos e seis meses de reclusão por ocultação e destruição de provas no caso
  • 3ª troca de delegado
    Em julho de 2021, o delegado Henrique Damasceno deixa a 16ª DP (Barra da Tijuca) e assume a chefia da Delegacia de Homicídios da Capital, incluindo o caso Marielle
  • Promotora deixa as investigações
    Em julho de 2021, a promotora Simone Sibilio deixa o caso em meio a divergências causadas pelo acordo de colaboração premiada fechado com Júlia Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega. MP-RJ anuncia nova força-tarefa com oito promotores
  • 4ª troca de delegado
    Em fevereiro de 2022, a investigação do assassinato de Marielle passa para as mãos do delegado Alexandre Herdy, o quinto a assumir o caso
  • Julgamento
    O tribunal do júri contra Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz ainda não tem data para acontecer, já que a defesa entrou com recurso no STJ. Os mandantes do crime ainda não foram identificados
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Fonte: Jornal de Brasilia

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Fernanda Machiaveli aborda políticas de crédito rural e reforma agrária no “Bom Dia, Ministra”

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No programa desta quarta-feira (15/4), titular do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar destaca ações de expansão de linhas de crédito voltadas à inclusão produtiva, políticas para mulheres rurais e ações de acesso à terra

 

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, é a convidada do programa “Bom Dia, Ministra” desta quarta-feira, 15 de abril. Durante a entrevista com rádios e portais de notícias de todo o país, a partir das 8h, ela abordará a ampliação do crédito rural da agricultura familiar, com destaque para iniciativas como o Plano Safra da Agricultura Familiar e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

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A ministra também vai detalhar ações voltadas à destinação de terras e ao reconhecimento de territórios tradicionais, incluindo o avanço na assinatura de decretos para consolidação e regularização dos territórios quilombolas. A pasta instituiu ainda a Câmara Técnica de Destinação para deliberar sobre o uso de terras públicas federais, com foco na reforma agrária e na conservação.

CRÉDITO RURAL — Entre os resultados que serão apresentados pela ministra, destaca-se a comparação entre a safra passada e a atual. As linhas de crédito voltadas à inclusão produtiva e à transição agroecológica, por meio do Pronaf A e A/C, destinado a famílias assentadas da reforma agrária, registraram crescimento no número de operações, resultando em mais contratos e alcançando maior volume financiado em comparação a safras anteriores.

Também houve crescimento no Pronaf B, voltado a agricultores familiares de menor renda, com ampliação do número de contratos e maior volume financiado. Medidas como a elevação do limite de enquadramento de renda bruta anual familiar, conectada ao salto no valor de financiamento e ao prazo de pagamento estendido, são parte de outros assuntos do “Bom Dia, Ministra” desta quarta-feira.

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Outro destaque previsto para a participação da ministra Fernanda Machiaveli é o financiamento de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, com aumento no número de contratos. Houve ainda incentivo à produção de alimentos básicos, como arroz, feijão e mandioca, com juros reduzidos, além de apoio à aquisição de tratores e outros equipamentos.

MULHERES RURAIS — A ministra também vai comentar sobre políticas do MDA que exemplificam o esforço em ampliar o protagonismo econômico, produtivo e financeiro das mulheres no campo. Entre as medidas há destaque para o programa Da Terra à Mesa, que destinou recursos para projetos de transição agroecológica e que celebrou maior participação feminina, parte da meta de alcançar e beneficiar mais mulheres e reconhecer o protagonismo delas na preservação e no manejo sustentável.

Mais uma ação neste sentido é o lançamento de edital de chamamento público exclusivamente para fortalecer organizações produtivas e econômicas — associações e cooperativas — de mulheres rurais. Os projetos selecionados consideram como prioridade assentadas da reforma agrária, quilombolas, indígenas e jovens rurais.

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Houve ainda a criação e melhoria de linhas exclusivas, como o aumento do limite do Pronaf B Mulher e melhores condições no “Fomento Mulher”. O MDA também estabeleceu que a cota afirmativa de que 50% do público atendido nas chamadas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) deve ser composta por mulheres, além da retomada dos Mutirões de Documentação da Trabalhadora Rural.

REFORMA AGRÁRIA E QUILOMBOS — Outro tema no rol de assuntos comentados no programa será a retomada da destinação de terras e o reconhecimento de territórios tradicionais. O Brasil já registrou avanço histórico com a assinatura de decretos para consolidação e regularização de territórios quilombolas em todo o país. Também foi instituída a Câmara Técnica de Destinação para discussões sobre o uso de terras públicas federais, focando na reforma agrária e conservação.

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Paralelamente, também foi desenvolvida a plataforma Terras do Brasil para transparência fundiária e estruturado o Comitê Gestor do Plano Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ), selecionando organizações quilombolas para participarem ativamente da formulação das políticas públicas.

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AO VIVO — O “Bom Dia, Ministra” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O programa, transmitido ao vivo a partir das 8h em formato de entrevista coletiva, pode ser acompanhado pela TV (aberta ou via satélite) e pela internet, no YouTube, Facebook, TikTok e Instagram do @CanalGov. Para as rádios, o sinal de transmissão é oferecido pela Rádio Gov, no mesmo canal de “A Voz do Brasil”.

PARTICIPE — Emissoras e jornalistas de todo o país interessados em participar do “Bom Dia, Ministra” podem encaminhar mensagens para o telefone (61) 99222-1282 (WhatsApp) e informar o nome da emissora, do veículo, do município e estado de origem, para serem incluídos na lista de veículos interessados em participar do programa.

 

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CRÉDITOS:

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Foto: Divulgação / Presidência da República

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