Saúde
Especialistas em sono revelam 5 alimentos a evitar para uma boa noite de sono
DIEGO SOUSAi
Você está lutando para dormir? Seu lanche noturno pode ser o problema. Um relatório da Benenden Health revelou recentemente os cinco principais alimentos que podem mantê-lo acordado à noite.
“Se você já tentou todos os remédios para dormir que existem e está cansado de lutar para dormir a noite toda, pode ser porque você está comendo os alimentos errados antes de dormir”, disse Cheryl Lythgoe, enfermeira da Benenden Health, ao Huffington Post.
“Você pode adorar lanches noturnos, como chocolate, sorvete ou batatas fritas, mas eles podem ser exatamente o que o impede de passar aquelas tão importantes oito horas”, disse ela.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças relatam que todo adulto deveria dormir pelo menos sete horas por noite, mas muitos não o fazem e isso pode ser devido a esses alimentos:
Chocolate
O doce provavelmente não contribuirá para bons sonhos porque contém altos níveis de cafeína.
Queijo
Certos queijos e carnes em conserva, incluindo bacon, presunto e calabresa, contêm altos níveis de tiramina.
“A tiramina faz com que a glândula adrenal libere o hormônio ‘lutar ou fugir’, o que aumenta o estado de alerta por várias horas”, explicaram os especialistas.
Curry
Não coma esse curry se estiver com pressa para pegar o feno, pois o curry e outros alimentos picantes contêm altos níveis de capsaicina.
“Este produto químico eleva a temperatura corporal ao interferir no processo de termorregulação do corpo, o que, por sua vez, perturba o sono. Adicione isso aos altos níveis de energia necessários para digerir os temperos e você poderá dar adeus a um sono profundo”, disse o relatório.
Sorvete
Muitas pessoas gostam de saborear uma bola de sorvete no final da refeição. Apenas certifique-se de que não esteja muito perto da hora de dormir.
“Alimentos açucarados, como sorvetes e doces, inicialmente fazem os níveis de açúcar no sangue dispararem, mas depois caem enquanto você dorme”, escreveram os pesquisadores.
“Uma queda no nível de açúcar no sangue alerta as glândulas supra-renais de que há uma emergência, o que, por sua vez, aumenta os níveis de cortisol e desperta o corpo do sono.”
Salgadinhos
Sabe-se que o consumo excessivo de sal desidrata o corpo e aumenta a retenção de água, o que pode causar cansaço e fadiga.
Embora isto possa parecer útil para uma boa noite de sono, um estudo conduzido pela Sociedade Europeia de Endocrinologia descobriu que lanches salgados provocam perturbações no sono.
Em vez disso, os especialistas alertaram que alimentos salgados, incluindo batatas fritas, deveriam ser evitados duas a três horas antes de serem aconchegados debaixo dos lençóis.
Junto com a lista de alimentos proibidos, os pesquisadores da Benenden Health explicaram que cerejas, mel cru, banana, peru e amêndoas são ótimos alimentos que promovem a melatonina e podem ajudar a melhorar o sono.
Em todo o país, 70% dos adultos relatam que dormem insuficientemente pelo menos uma noite por mês, enquanto 11% relatam sono sem brilho todas as noites, de acordo com a American Sleep Apnea Association .
As dificuldades para dormir podem ter efeitos prejudiciais à saúde física e mental. Felizmente, os pesquisadores da Califórnia acreditam ter desenvolvido uma fórmula de três etapas para transformar sua lentidão em uma sensação matinal revigorada.
Fonte: IstoÉ
Saúde
Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres
Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença
A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.
“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”
Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.
Histórico familiar e diagnóstico
A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia. “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”
A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.
Fertilidade e conscientização
A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.
Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.
Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares
Fonte matéria: Jornal da USP
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