O Distrito Federal enfrenta um período de estiagem e está há 54 dias consecutivos sem precipitações. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a última chuva na capital federal ocorreu em 25 de junho, decorrente de uma massa de ar seco que atua sobre a região Centro-Oeste e inibe a formação de nuvens. Diante do cenário, típico desta época do ano, frentes de trabalho atuam para mitigar os riscos de incêndios florestais por meio de prevenção, monitoramento e combate.
Social
Rede de proteção social do DF é voltada principalmente para mães
Aline de Oliveira Ribeiro é das uma das 481.755 mulheres inscritas no Cadastro Único no Distrito Federal | Fotos: Renato Raphael/Sedes
Esses três programas beneficiam 230.872 pessoas, sendo que 209.362 são mulheres, o que representa 90,68% do total
As mulheres são maioria entre os beneficiários de programas sociais no Distrito Federal. São mães, avós, muitas delas chefes de família, que utilizam os recursos de programas como Prato Cheio, DF Social e Cartão Gás para sustentar os filhos. Esses três programas beneficiam 230.872 pessoas, sendo que 209.362 são mulheres, o que representa 90,68% do total.
“É um grande apoio. Com esse recurso, posso ajudar nas contas da casa, pago água, luz, compro um alimento que precisa”, afirma Mirlei dos Reis Almeida, de 32 anos, moradora da Estrutural, mãe do Moisés, de um aninho.
Mirlei é das uma das 481.755 mulheres inscritas no Cadastro Único no Distrito Federal, que, hoje, é a principal forma de acesso da população em vulnerabilidade social a benefícios sociais federais e distritais. No total, o DF tem 814.876 pessoas inscritas. Ou seja, mais da metade dos cidadãos que têm Cadastro Único no DF são mulheres.
Mirlei dos Reis é mãe solo e mora na casa de parentes na Estrutural. Além Bolsa Família, do governo federal, ela é beneficiária do DF Social e o Cartão Prato Cheio. “Com o crédito do Prato Cheio, posso comprar frutas, verduras, uma carne para garantir a alimentação do Moisés, fazer uma sopinha pra ele”, relata.
No programa Cartão Prato Cheio, um dos critérios de prioridade é justamente ser uma família monoparental chefiada por mulheres com crianças de até 6 anos. De 99.781 famílias ativas recebendo o Cartão Prato Cheio, 85.960 tem a mulher como responsável familiar, totalizando 86% do programa.
“A nossa rede de proteção social aqui no DF, hoje, é voltada principalmente para as mulheres, para as mães. Para uma mãe, é gratificante poder colocar comida em casa, poder proporcionar à família uma alimentação com frutas, verduras, com os produtos que os filhos gostam, como ocorre com o Prato Cheio”, destaca a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra.
As famílias beneficiárias do Cartão Prato Cheio recebem um crédito de R$ 250 por nove meses para a compra de alimentos no comércio local.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), gestora dos programas, no caso do DF Social, as mulheres representam mais de 93% dos beneficiários. Das 61.091 famílias contempladas, 57.258 tem uma mulher responsável familiar. O DF Social concede benefício mensal no valor de R$ 150 para as famílias com renda per capita de até meio salário mínimo inscritas no Cadastro Único.
Já no Cartão Gás, das 70 mil famílias contempladas, 66.144 são beneficiárias do sexo feminino, ou seja, mães, chefes de família. Isso representa mais de 94%. O benefício de R$ 100 é pago em parcelas bimestrais para a compra de botijão de 13 kg de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).
Moradora do Varjão, Aline de Oliveira Ribeiro, mãe do pequeno Alexandre, de um ano, conta que o Cartão Prato Cheio teve papel fundamental para a família num momento de dificuldade. “Fui contemplada quando Alexandre nasceu. Meu marido teve que ficar comigo alguns dias no hospital, sem poder trabalhar. Estávamos sem dinheiro e o Prato Cheio foi excelente”.
“São mulheres em risco social, mães de famílias, a maioria que cuida dos filhos sozinha, que precisam desse suporte. A nossa equipe sabe a necessidade de planejar cada vez mais políticas públicas voltadas para a população feminina. Para essas mulheres, nossas beneficiárias, que são atendidas nas unidades socioassistenciais, e para as nossas servidoras que fazem com que esses benefícios cheguem às casas das famílias em vulnerabilidade social. É para vocês que desejo um feliz Dia das Mães”, finaliza a secretária Ana Paula Marra.
Saúde
Sem chuva há mais de 50 dias, DF acende alerta para incêndios florestais
Com a persistência das condições e sem previsão de precipitações para as próximas semanas, equipes de prevenção e combate se mobilizam para proteger unidades de conservação
Ana Isabel Mansur, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
As condições climáticas atuais, marcadas por baixa umidade relativa do ar, temperaturas elevadas nas tardes e ventos de fracos a moderados, reduzem a umidade disponível no solo e na vegetação do Cerrado. Essa combinação aumenta o risco de ignição e acelera a propagação do fogo, o que demanda atenção redobrada.
Temperatura tende a ser amena de manhã, com calor intenso à tarde
Segundo o Inmet, nos próximos dias, a previsão aponta para a persistência das condições dos baixos índices de umidade relativa do ar, com possibilidade de atingir níveis críticos no período da tarde, o que pode motivar a emissão de avisos meteorológicos. Em relação às temperaturas, as tendências apontam para uma estabilidade, com manhãs amenas e tardes de calor intenso, o que mantém elevada a amplitude térmica.
No Plano Piloto, as mínimas oscilam entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas variam de 30°C a 31°C. Nas demais regiões do DF, especialmente no Paranoá, as temperaturas mínimas devem ficar, em média, 1°C abaixo das previstas para Brasília, e as máximas tendem a ser, também em média, 1°C acima, com destaque para a região do Gama. Os ventos, de modo geral, sopram com intensidade fraca a moderada em todo o território, com possibilidade de rajadas pontuais.
Ações de prevenção
Para conter o avanço do fogo nas áreas protegidas, ações contínuas buscam a redução de material combustível. Somente em 2026, equipes técnicas executaram cerca de 300 hectares de queima prescrita e estabeleceram 50 quilômetros de aceiros que funcionam como barreiras de proteção dentro das unidades de conservação (UCs).
A estruturação do planejamento envolve 150 brigadistas com contratos de dois anos para a manutenção dos trabalhos preventivos ao longo de todo o ano, permitindo que as equipes ajam com antecedência ao período crítico de seca para mitigar o risco de incêndios.
Para manter atualizados os registros das áreas das UCs afetadas pelas chamas, o monitoramento utiliza o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas (Promaq), que gera mapas e relatórios periódicos. Entre 2020 e 2024, as áreas que apresentaram maior recorrência de queimadas foram os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Arie Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo, além de unidades federais como o Parque Nacional de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem.
Operação Verde Vivo
3.786
A operação Verde Vivo 2026, iniciada em abril com previsão de término em novembro, é estruturada de forma gradual conforme o avanço da estiagem. O foco principal é o monitoramento, a prevenção e o combate aos incêndios. Na fase mais crítica, o planejamento prevê o emprego diário de até 169 combatentes e 35 viaturas, além de equipamentos especializados, aeronaves e drones.
Em situações de grandes proporções que demandem reforço de pessoal, estima-se a mobilização de um contingente adicional de até mil profissionais dedicados ao combate de incêndios florestais. No monitoramento de áreas vulneráveis, empregam-se recursos tecnológicos como câmeras, imagens de satélite, aeronaves tripuladas e drones.
Até o dia 16 deste mês, o DF contabilizou 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 3.270 chamados ocorreram durante o período da operação Verde Vivo, com picos em julho (1.096 ocorrências) e agosto (1.012 ocorrências até o dia 16). Os números atuais mostram-se inferiores aos do mesmo período de 2025, quando o DF registrou 4.346 ocorrências até 16 de agosto, sendo 3.512 no decorrer da operação daquele ano.
Impacto ambiental e legislação
Os incêndios descontrolados provocam danos ambientais. O fogo causa a perda de biomassa e a degradação do solo pela queima de matéria orgânica superficial — o que estimula a erosão e o assoreamento de cursos d’água, além de alterar a estrutura da vegetação lenhosa e reduzir a fauna nativa.
Multa por provocar queimadas irregulares pode passar de R$ 50 mil
A fumaça gerada também compromete a qualidade do ar, provocando desconforto respiratório para a população urbana. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio no Parque Nacional de Brasília em 2024 registrou alteração na qualidade do ar e na rotina dos moradores da capital.
A legislação estabelece sanções para quem provocar queimadas irregulares. O uso do fogo para fins agropastoris sem autorização legal sujeita o responsável a multas de R$ 1.000 por hectare ou fração, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008. Caso o fogo atinja áreas sob proteção legal, como unidades de conservação e áreas de preservação permanente (APPs), a conduta é classificada como infração grave, com penalidades que superam R$ 50 mil, além de embargo da área e a obrigação de recuperação ambiental.
Orientações
A colaboração dos cidadãos é fundamental para conter incidentes. Veja abaixo as principais orientações de utilidade pública.
► Evitar o uso do fogo
Não utilizar chamas para limpeza de terrenos rurais e não queimar lixo, restos de poda ou folhas secas.
► Descarte seguro
Não atirar bitucas de cigarro em áreas de vegetação ou margens de rodovias.
► Cuidados com faíscas
Evitar fogueiras e fogos de artifício próximos a áreas verdes.
► Cuidados de saúde
Beber água para manter a hidratação, umidificar ambientes internos, evitar desperdícios no uso da água e reduzir a exposição direta ao sol nos períodos mais quentes do dia, entre as 10h e as 16h.
► Ao avistar um foco de incêndio ativo, a orientação é manter distância da área de risco e acionar o telefone de emergência 193, informando o endereço exato ou pontos de referência. Denúncias sobre infrações ambientais e queimadas irregulares podem ser feitas pelos canais telefônicos como o 162.
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