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Economia circular é regenerativa e restaurativa

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Com o avanço da sustentabilidade ao redor do mundo, o conceito de economia circular ganha cada vez mais corpo e sinais de que não haverá retrocesso. Basta olhar a sua evolução, que deixou de lado a associação com o simples processo de reciclagem para dar espaço a algo mais vasto e transformador, com a criação de novos modelos de negócios e promovendo alterações significativas nas cadeias de abastecimento mundial.

Esse olhar já faz parte da realidade de algumas empresas, como é o caso da JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, que, há mais de uma década, deu início a uma caminhada de investimentos em ações socioambientais concretas, incluindo a economia circular, O foco é voltado para o uso de coprodutos da cadeia e que transformam a matéria-prima em novos produtos por meio de uma economia regenerativa e restaurativa.
Claudia Yamana é diretora da Genu-in, empresa do grupo que coloca a JBS no segmento de saúde. A companhia utiliza pele de bovinos para a produção de peptídeos de colágeno bioativos e gelatina que serão comercializados para as indústrias alimentícia e nutracêutica.

O ingresso da JBS nesse setor vem em um momento no qual as projeções do mercado global para a indústria de suplementos de saúde estão elevadas. De acordo com um estudo recente publicado pela FMI (Future Market Insights), esse setor deve ultrapassar a cifra de US$ 252 bilhões em 2025.

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“O atual processo produtivo e o modo de vida da humanidade estão extraindo mais recursos do planeta do que ele é capaz de gerar. Se não transformarmos esse modelo, as consequências serão drásticas. Por isso, acreditamos que a economia circular é fundamental nesse sentido”, afirma Claudia.

Para falar mais sobre a empresa e o compromisso da JBS com a economia circular, Claudia deu uma entrevista para a reportagem.

Por que a JBS decidiu criar a Genu-in?
A JBS tem acesso a uma fonte rica e abundante de insumos para a produção de peptídeos de colágeno bioativos e gelatina dentro de sua própria cadeia de valor. Estamos utilizando um subproduto (pele bovina) de processamento em produtos de alto valor agregado como os peptídeos de colágeno – ingrediente bioativo dos suplementos que auxiliam na saúde dos ossos, músculos, cartilagens e pele, para um envelhecimento saudável. Assim como a produção de gelatina para o preparo de sobremesas, sorvetes, confeitos, cápsulas de remédio e comprimidos.

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A entrada da JBS no mercado de saúde reforça o posicionamento da empresa voltado para a economia circular?
Sem dúvida. Há mais de uma década, nós começamos essa caminhada, tendo a economia circular entre as nossas prioridades, sendo algo intrínseco ao nosso negócio. Para nós, gera novos negócios e soluções disruptivas que contribuem para a continuidade das atividades. Existem várias oportunidades para acelerar e dimensionar a economia circular em todas as nossas operações. Nosso objetivo sempre foi dar o destino adequado e sustentável aos produtos, gerando valor agregado aos resíduos do processamento da proteína animal. Nós operamos de maneira sustentável em toda a nossa cadeia de valor, da origem ao varejo.

Qual foi o investimento feito pela JBS para viabilizar a Genu-in?
A JBS investiu na ordem de R$ 400 milhões para estruturar a operação da nova empresa e construir sua fábrica 4.0 na cidade de Presidente Epitácio, interior de São Paulo, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul, região estratégica para a Genu-in por conta do fácil acesso às fontes de matéria-prima.

Quais mercados a Genu-in irá atender, em um primeiro momento? E sua capacidade de produção?
O mercado antes previsto para as Américas está sendo expandido para outras regiões devido ao alto interesse ao propósito de valor que a Genu-in entrega – o fato de estarmos inseridos na cadeia e, portanto, o controle da matéria-prima desde a origem, entregamos rastreabilidade desde a fazenda, consistência, qualidade e garantia de fornecimento –ampliamos nossa atuação nos demais mercados. A fábrica terá a capacidade de produzir 6 mil toneladas por ano de peptídeos de colágeno e 6 mil toneladas por ano de gelatina, atendendo clientes de diversos países.

A JBS já tinha alguma iniciativa voltada para a área de saúde antes da Genu-in?
Sim, trata-se da Orygina, uma unidade de negócio que produz insumos para a indústria farmacêutica com foco no desenvolvimento de matéria-prima para centros de pesquisas, terapias genéticas e vacinas, tendo a JBS como fonte de suprimentos para esses produtos

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Quais são outras ações, em outros mercados, que a JBS investe com foco em economia circular?
Há outras 7 operações que transformam coprodutos em produtos de alto valor agregado, promovendo a economia circular. São elas: Novaprom, que produz soluções a partir do colágeno bovino para melhorar a textura e suculência de produtos; a JBS Higiene e Limpeza, que produz 1 bilhão de sabonetes por ano feitos com subproduto da cadeia animal; a JBS Biodiesel, que é a maior produtora nacional de combustível limpo produzido a partir de resíduos orgânicos do processamento da cadeia bovina e de óleo de cozinha usado; a JBS Ambiental, responsável por dar destinação correta a todos os resíduos sólidos e das operações industriais das plantas da JBS, fazendo a reciclagem para desenvolver novos produtos. Um exemplo de inovação é o piso verde, feito a partir de sobras de embalagens multicamadas, que se transforma em piso com características de concreto. Há ainda operação na JBS Couros, que em 2019 lançou o Kind Leather. O couro sustentável, tem processo que remove logo no inicio as partes do couro que seriam pouco aproveitadas e redireciona para outras indústrias. Há também a JBS Natural Casings, maior produtora mundial de envoltórios de origem animal de alta qualidade para todo o segmento de embutidos, como salames, salsichas, linguiças, entre outros. E, por fim, há a Campo Forte, que utiliza os resíduos orgânicos gerados pela própria JBS para a produção de diferentes tipos de fertilizantes.

Quais são os principais desafios em transformar a economia circular em estratégia de negócio?
Os desafios são inúmeros, mas entendemos que não temos alternativa. A economia circular é vista como uma estratégia de negócios, que, além de tudo, nos ajuda a cumprir o compromisso Net Zero, objetivo da JBS de zerar o balanço líquido de emissões de gases de efeito estufa até 2040. É fundamental para o cumprimento desse nosso empenho global. O atual processo produtivo e o modo de vida da humanidade estão extraindo mais recursos do planeta do que ele é capaz de gerar. Ou seja, a economia circular é fundamental para integrar o conjunto de ações e, com isso, ressignificar a gelatina e peptídeos de colágeno através do controle desde a origem.

Fonte: IstoÉ

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Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro que será lançado em Brasília amanhã (20)

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Foto por Magali Moraes – Divulgação
“Mulheres que Reciclam o Futuro” reúne relatos de catadoras de várias regiões do país e será lançado na Câmara dos Deputados
Histórias de mulheres que encontraram na reciclagem uma forma de sustento, acolhimento e transformação social ganham destaque no livro Mulheres que Reciclam o Futuro, que será lançado amanhã (20), em Brasília. A obra reúne relatos de 25 catadoras de diferentes estados brasileiros, com trajetórias marcadas por coragem, superação e trabalho coletivo em torno do cuidado com o meio ambiente e da preservação.
Lançado no mês em que é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem, comemorado em 17 de maio, o livro aborda os desafios enfrentados por essas mulheres, que representam 70% da força de trabalho dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor no Brasil, segundo o Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de Recicláveis (MNCR), reforçando o papel da reciclagem como motor essencial para a economia e o meio ambiente. Realizada pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis via Lei de Incentivo à Cultura, a obra poderá ser baixada gratuitamente no site www.redeeducare.com.br ou adquirida em versão física.

A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentável. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.

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A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.

“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.

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“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha

Sete filhos criados a partir da reciclagem –  Uma das histórias do livro é a de Aparecida Ferreira de Maria, de Brasília. Filha de catadores, ao enfrentar a maternidade precoce, aos 18 anos, encontrou na catação uma alternativa viável de renda. Hoje, aos 41 anos, e com sete filhos criados com a reciclagem, atua na defesa da valorização dos catadores. “Aqui a gente conversa muito, cada uma conta a sua história, e eu vejo que são mulheres muito guerreiras. Elas chegam com histórias parecidas, de dificuldade, e encontram acolhimento. É um lugar onde a gente se escuta, se apoia e vai seguindo em frente”, destaca.

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Já Dulce Vale, de Goiânia, iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.

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De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.

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