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Saúde

Setembro Amarelo: suicídio entre jovens aumenta 6% no Brasil em 11 anos

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Os resultados foram encontrados na análise de um conjunto de quase 1 milhão de dados, divulgados em um estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas, desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de Harvard.O dado alarmante desperta o alerta para as causas desse aumento, colocando o Brasil como país com maior aumento de suicídio e autolesão entre jovens.Ser constantemente intimidado, humilhado ou agredido pode gerar uma série de problemas emocionais que acompanham a vítima por muito tempo, podendo até se estender para a vida adulta. As vítimas de bullying frequentemente vivem em um estado de ansiedade constante, temendo a próxima agressão, seja ela verbal ou física. Esse medo pode evoluir para transtornos de ansiedade mais graves, como o transtorno de ansiedade generalizada ou o transtorno de pânico.
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Viver insultos e rejeições com frequência afeta a autoestima, fazendo com que ela se sinta inferior, inadequada ou sem valor. Esse sentimento pode levar à depressão, desesperança, perda de interesse em atividades, isolamento, tristeza e, em casos mais extremos, pensamentos suicidas. A internalização de tudo que é dito faz com que a vítima comece a acreditar que essas percepções são verdadeiras, agravando seu sofrimento”, explica a psicóloga Bárbara Couto.

Consequências do bullying

isolamento social, geralmente, é o primeiro sintoma de quem sofre bullying. As vítimas frequentemente se afastam dos outros como uma forma de proteção, evitando contato com colegas ou reduzindo sua participação em atividades escolares e sociais.

“Esse isolamento piora os sentimentos de solidão e acaba privando de participar de atividades importantes para desenvolver habilidades sociais e construir relacionamentos saudáveis. E em alguns casos, o bullying pode desenvolver comportamentos agressivos. A criança ou adolescente pode começar a agir de forma defensiva, imitar o comportamento dos agressores, na tentativa de recuperar algum senso de controle ou poder”, alerta Bárbara, acrescentando que “em situações extremas, o bullying pode levar a comportamentos de automutilação ou até mesmo ao suicídio como uma forma de lidar com a dor emocional ou como um pedido de ajuda, na esperança de que alguém perceba seu sofrimento”.

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Além disso, o desempenho escolar muitas vezes é afetado também. O estresse e a ansiedade gerados por essa violência podem interferir na capacidade de concentração e aprendizado, resultando em queda no desempenho acadêmico, absenteísmo e, em casos mais graves, evasão escolar.

E, na idade adulta as vítimas de bullying continuam a lutar com questões de autoestima, confiança, insegurança e dificuldades em relacionamentos e intimidade.

“Estudos mostram que essas pessoas têm um risco maior de desenvolver problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e transtornos de estresse pós-traumático (TEPT), ao longo da vida. Além disso, o estresse crônico associado ao bullying pode ter impactos físicos, como dores de cabeça, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, entre outros”, enumera a psicóloga.

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Escolas e famílias são fundamentais no enfrentamento do bullying

As escolas e famílias podem prevenir o bullying, através da educação e conscientização, mostrando que deve haver respeito pelas diferenças e pela diversidade humana. Por lei, a escola deve ser inclusiva.

“Mas mais que isso, a escola deve adotar uma política muito clara contra o bullying, que tenha punições e proteja a vítima”, alerta Bárbara.

E a atenção e apoio da família são essenciais para identificar e enfrentar o bullying sofrido por uma criança ou adolescente. As famílias precisam se envolver na vida escolar dos seus filhos e conversar abertamente sobre formas de bullying para que o filho não pratique contra colegas ou seja vítima.

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“A família tem que defender e apoiar o seu filho se ele é vítima de bullying. Nunca dizer ‘Ah, deixa pra lá, ah, o outro é bobo!’ Quando os pais tentam minimizar o desconforto, achando que está ajudando, mostram que é normal sofrer essa violência. É muito importante que esses pais estejam com seus filhos, os defendam, corram atrás dos direitos deles, para que eles não se sintam inadequados, invisíveis e defeituosos. Importante mostrar que os defendeu e a entender que o problema não é com ele”, explica Bárbara.

Pressão social e de mídias sociais interferem na saúde emocional

A pressão por sucesso, conquistas e por uma vida perfeita, mostrada nas redes sociais também interfere diretamente na saúde mental. Os jovens são expostos a padrões irreais de beleza, sucesso e felicidade.  Muitos influenciadores digitais demonstram que conquistar o que eles têm ou são é fácil, que precisa apenas se esforçar. Isso pode levar quem os segue a uma série de problemas psicológicos, como ansiedade, depressão, autoestima e sensação de fracasso.

“A imaturidade emocional dessa fase faz com que os eles acreditem que precisam ser como os influencers. Os jovens precisam de um modelo e, nessa geração tão conectada, influencers podem exercer esse papel. E isso pode gerar sentimento de inadequação, insuficiência, baixíssima autoestima,  ansiedade, depressão, porque  são padrões que pouquíssimos conseguem alcançar ou quase ninguém, já que as redes sociais mostram uma perfeição que a humanidade não tem”, alerta a psicóloga.

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Sinais de alerta para o suicídio entre os jovens

A mudança drástica de comportamento deve acender o sinal de alerta para um possível suicídio. Entre eles estão o isolamento, desinteresse em fazer as coisas que ele gostava, queda no desempenho escolar, mudança no padrão do sono, passando a dormir durante o dia, mudança na alimentação e verbalizar que desejaria estar morto, que irá cometer um suicídio.

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“Os pais precisam ficar bem atentos porque, muitas vezes, acham que é apenas uma fase. Mas pode ser consequência da depressão, que pode levar ao suicídio”, esclarece Bárbara.

E, quando a dor emocional já está insuportável, uma das formas que as pessoas, principalmente jovens têm de para tentar amenizar é se automutilando. 

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“É preciso entender primeiro que quando a pessoa se corta não é para chamar a atenção. É uma tentativa desesperada de diminuir a dor, de preencher um vazio agoniante, é uma tentativa falida de administrar esse mal-estar terrível que eles estão vivendo”.

“É um jeito não verbal  de expressar essa dor emocional intensa que eles não conseguem lidar de outra forma. Se cortar é a busca de um alívio temporário desse sofrimento psicológico, que  dá  sensação imediata de controle sobre as emoções e tenta de uma forma não funcional comunicar ali o que estão sofrendo. Além de tratamento adequado para a depressão, é necessário abraçar esse jovem, acolher e aprender a olhar com mais amor a situação”, explica a psicóloga.

Importância da campanha de prevenção ao suicídio

Para a psicóloga Bárbara Couto, é muito importante promover campanhas como o Setembro Amarelo, de prevenção e desmistificação do suicídio, e mostrando que é um problema de saúde mental, que é o ápice do sofrimento.

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“Com o olhar e acolhimento adequados, entendendo melhor como funciona a nossa mente e o adoecimento emocional, deixa-se de ver o suicídio como fraqueza ou como falta de Deus, como muitos acreditam. O suicídio é uma maneira desesperada de tirar a própria dor. A pessoa que se suicida, geralmente, não quer morrer, ela quer parar de sofrer. E é possível conseguir isso com terapia e acompanhamento de profissionais de saúde mental. Além de ser acolhido e não ter seu adoecimento julgado por ninguém”, finaliza Bárbara.

Se precisar, peça ajuda!

Ao apresentar sinais, é fundamental procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio, além de conversar com alguém em quem confie. Também é possível entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida – CVV, formado exclusivamente por voluntários, que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente por meio de conversa sigilosa, sem julgamentos, críticas ou comparações. O atendimento é realizado pelo telefone 188 (24 horas por dia e sem custo de ligação), chat e e-mail.

Em colaboração: Bárbara Couto, psicóloga graduada pelo Centro Universitário de Brasília (UNICEUB), com mestrado em psicologia clínica e saúde pela Universidad Europea del Atlantico (UNIAtlântico), da Espanha. Também tem Especializações em Terapia Cognitivo Comportamental e Neurociências e  em Comportamento, ambas pela PUC-RS e em Neuropsicologia Clínica, pela Capacitar.

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Fonte: IstoÉ

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Saúde

Unidades de Pronto Atendimento do DF recebem ações voltadas ao cuidado com a saúde mental

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Iniciativa integra a Campanha do Janeiro Branco e é desenvolvida pelo Projeto Acolher, do IgesDF
Por Ivan Trindade
Música, escuta ativa e diálogos sobre saúde mental marcaram as ações da Campanha do Janeiro Branco realizadas nesta semana nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e em polos administrativos do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Em meio à rotina intensa de quem atua diariamente no atendimento à população, o Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho (NUVID), por meio do Projeto Acolher, levou às unidades a ação “Prosa e Melodia”.
A iniciativa promoveu momentos de acolhimento, integração e sensibilização. Psicólogos conduziram conversas leves e informativas, reforçando a importância do autocuidado e destacando que profissionais que cuidam do outro também precisam ter sua saúde mental preservada.
As atividades integram a programação do Janeiro Branco nas unidades geridas pelo IgesDF. O ciclo de ações teve início no dia 12 de janeiro, passando pelas UPAs do Gama, Planaltina, Samambaia e Recanto das Emas. No dia 13, foi a vez das equipes de São Sebastião e Paranoá. Já no dia 14, as ações chegaram às UPAs de Brazlândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Sobradinho e Vicente Pires, sempre com o objetivo de fortalecer o bem-estar e estimular a escuta ativa no ambiente de trabalho.
O propósito central da campanha é contribuir para a construção de um ambiente institucional mais humano, saudável e confiável. Segundo os organizadores, o cuidado com a saúde mental dos colaboradores impacta diretamente a qualidade da assistência prestada ao cidadão, formando uma cadeia positiva que começa no trabalhador e se reflete no atendimento ao paciente.
Para o diretor-presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a campanha evidencia o compromisso do Instituto com quem sustenta diariamente a saúde pública. “Sabemos que a rotina dentro de uma UPA exige preparo técnico, mas também equilíbrio emocional. Criar espaços como este significa reconhecer o valor do colaborador e proteger sua saúde mental, garantindo um atendimento mais humanizado à população. O Janeiro Branco materializa uma política de valorização do trabalhador, baseada no diálogo, na escuta e na aproximação entre gestão e equipes”, destaca.
Colaborador em primeiro lugar
Segundo a chefe do NUVID, Paula Paiva, a adesão crescente dos profissionais demonstra que a saúde mental deixou de ser um tabu dentro da instituição.
“O principal objetivo da ação é conscientizar os colaboradores sobre a importância do autocuidado para o bem-estar pessoal e para a qualidade do atendimento ao público. Vamos percorrer todas as unidades geridas pelo Instituto. Somente nas UPAs, cerca de 800 colaboradores serão diretamente impactados, com foco na redução da ansiedade e no estímulo à presença no momento atual”, afirma.
Na UPA de Brazlândia, a gestão percebe de perto os efeitos da iniciativa. O gerente substituto da unidade, Igor Cavalcante, relata que os profissionais se sentiram valorizados.
“O nosso cotidiano é muito intenso. Somos cerca de 160 colaboradores, além de terceirizados. Nesse cenário, ações como essa promovem acolhimento, conscientização e valorização, contribuindo para um ambiente menos pressionado e para a melhoria direta da qualidade do atendimento à população”, pontua.
Para o gerente da UPA do Núcleo Bandeirante, Neviton Batista, cuidar da saúde mental dos colaboradores não é uma opção, mas uma necessidade. “Pessoas emocionalmente saudáveis trabalham melhor, se relacionam melhor e têm mais qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho. Lidamos diariamente com pressão, sobrecarga e responsabilidades que não ficam do lado de fora quando entramos na instituição”, observa.
No dia 15, a ação também foi realizada no PO700, sede administrativa do IgesDF, reunindo colaboradores de diversos núcleos em um momento de diálogo, música e incentivo à busca por apoio e cuidados com a saúde física e mental. Na mesma data, as UPAs de Ceilândia I e II também receberam as equipes do Projeto Acolher.
Proposta continuada
O Projeto Acolher já é reconhecido internamente por atender a uma demanda essencial dos trabalhadores. Entre os serviços ofertados estão atendimentos em psicologia, psiquiatria, acupuntura, nutrição, meditação, Reiki e ginástica laboral, além de ações pontuais como o “Prosa e Melodia”.
A técnica de segurança do trabalho Luzia Tânia, que atua na UPA de Brazlândia, destaca a importância da iniciativa. “Atos como esse promovem a saúde mental dos colaboradores. Aqui criamos um painel com frases motivacionais, incentivando cuidados como a prática de atividades físicas e de lazer para aliviar o estresse da rotina hospitalar. O cuidado com a saúde mental impacta diretamente a qualidade do trabalho e a prevenção de acidentes”, ressalta.
O calendário de ações segue ao longo do mês, incluindo atividades no Centro de Distribuição, no dia 21, e será estendido às unidades administrativas e hospitalares do IgesDF.
Para Paula Paiva, o Janeiro Branco vai além de um marco simbólico. “Para o IgesDF, proteger a saúde mental é parte de uma gestão contínua. Isso preserva talentos, fortalece o espírito de equipe e melhora a qualidade do serviço público de saúde. Em um cenário de demandas crescentes, cuidar de quem cuida é um compromisso institucional”, finaliza.
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