Diversas
1/4, Dia da Mentira: saiba como agir se o seu filho mente muito
Educadora explica porque mentir faz parte do desenvolvimento infantil e orienta como os adultos devem lidar com a situação
Barueri, março de 2026 – No Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, o tema costuma aparecer em tom de brincadeira. No cotidiano das famílias, porém, quando uma criança começa a negar fatos evidentes ou inventar histórias para escapar de uma bronca, o assunto pode gerar preocupação. Qual pai, mãe ou responsável nunca ouviu de uma criança frases como “não fui eu”, “eu já fiz a lição” ou “o cachorro comeu o chocolate”? Mas afinal, mentir é um sinal de problema no comportamento infantil?
De acordo com Jacqueline Cappellano, coordenadora pedagógica da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), as primeiras mentiras costumam aparecer por volta dos três ou quatro anos de idade, fase em que o indivíduo começa a desenvolver habilidades como imaginação, linguagem e compreensão das regras sociais, e percebe que pode manipular informações para evitar punições ou obter algum benefício.
“Esse é um passo importante no amadurecimento cognitivo”, explica. “Na maioria das vezes, a mentira infantil não está ligada à malícia ou à intenção de enganar de forma grave. Muitas vezes, ela surge por medo de punição, para agradar aos adultos ou simplesmente como extensão do universo imaginativo da criança.” A criança muitas vezes mente por receio de perder o amor do adulto, pois não sabe como será sua reação ao contar a verdade sobre algo “errado” que fez.
Segundo a especialista, nessa etapa o “faz de conta” é um recurso importante para o desenvolvimento emocional e criativo. Por isso, nem sempre o que os adultos interpretam como mentira é uma tentativa deliberada de enganar: a criança não faz para manipular, até porque nem teria condições cognitivas para isso. Em determinadas situações, a mentira aparece como forma de autoproteção: a criança pode negar que quebrou um objeto ou que não fez a tarefa de casa por receio da reação dos adultos.
“É importante lembrar que a criança ainda está aprendendo a lidar com regras sociais e emoções. Mentir pode ser uma tentativa de resolver um problema imediato, sem que ela compreenda totalmente as consequências”, destaca Capellano.
Como os adultos devem reagir?
Diante de uma mentira, a reação dos adultos influencia diretamente a frequência do comportamento. Castigos severos ou humilhações, por exemplo, tendem a produzir o efeito contrário ao desejado. “Quando a mentira é descoberta, o ideal é manter a calma e conversar com a criança. Reações muito duras podem aumentar o medo e fazer com que ela minta ainda mais para evitar punições”, orienta a docente.
Em vez de focar apenas no erro, a recomendação é transformar o episódio em um momento de aprendizado. Algumas estratégias incluem: explicar por que a verdade é importante nas relações; reforçar que todos podem cometer erros; e valorizar quando a criança fala a verdade, mesmo em situações difíceis.
Em uma situação hipotética em que uma criança diga que foi à Disney no feriado, por exemplo, ao ouvir a história, o adulto não deve reagir com repreensão imediata ou constrangimento. O mais adequado é acolher o relato e ajudar a criança a diferenciar imaginação e realidade. Pode-se dizer à criança algo como: “A Disney parece um lugar muito divertido mesmo, que muita gente sonha em conhecer. Mas o que você fez mesmo no final de semana?”.
Essa abordagem ajuda a criança a refletir sobre o que disse sem se sentir envergonhada e transforma a situação em aprendizado, mostrando que fantasias podem fazer parte das brincadeiras, mas que, nas conversas do dia a dia, a honestidade é fundamental.
Outro ponto importante é dar o exemplo dentro de casa, como em episódios em que o adulto mente que não está em casa para não receber uma visita indesejada. “As crianças observam o comportamento dos adultos o tempo todo. Quando veem pais ou responsáveis mentindo em situações cotidianas, podem entender que isso é aceitável”, afirma Capellano.
A educadora aponta a necessidade de a família refletir sobre o clima da casa, a forma como os conflitos são resolvidos e a abertura para o diálogo – aspectos que influenciam diretamente o comportamento das crianças. Ambientes em que os pequenos se sentem seguros para falar, errar e aprender tendem a reduzir a necessidade de recorrer à mentira como mecanismo de defesa.
Para os pais, o episódio de uma mentira pode ser também um convite à reflexão sobre como anda a dinâmica da família e quais oportunidades existem para fortalecer vínculos, confiança e escuta dentro de casa. “A criança precisa sentir que pode dizer a verdade sem medo de humilhação ou punições desproporcionais. Quando o ambiente familiar é acolhedor, o diálogo acontece com mais naturalidade e os valores, como a honestidade, são construídos no cotidiano”, afirma Jacqueline Capellano.
Quando é preciso ficar atento?
Embora a mentira faça parte do desenvolvimento infantil, existem situações que exigem mais atenção dos responsáveis. Quando o comportamento se torna frequente e compulsivo, se prejudica a criança ou um terceiro envolvido, ou envolve histórias muito elaboradas e distantes da realidade, pode ser um sinal de alerta.
Em casos extremos, o comportamento pode estar associado a dificuldades emocionais ou algum outro problema mais sério. “Se a criança mente de forma persistente, mesmo sem motivo aparente, ou usa a mentira como principal forma de lidar com conflitos, é importante buscar orientação de profissional especializado como um terapeuta infantil que possa orientar a família”, finaliza Cappellano.
A especialista: Jacqueline Cappellano é pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
Crédito: Freepik.
Diversas
Criado programa para ampliar e qualificar infraestrutura das unidades básicas de saúde
Portaria estabelece estratégia que orienta implantação de novas UBSs e melhoria das existentes para aprimorar o atendimento à população
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
Ampliar o número de unidades básicas de saúde (UBSs) e melhorar a estrutura das unidades existentes são ações essenciais para fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS). Com esse objetivo, a Secretaria de Saúde (SES-DF) instituiu o Programa de Ampliação e Qualificação da Infraestrutura da APS do Distrito Federal (Proinfra/APS-DF), conforme a Portaria nº 506/2026, publicada nesta terça-feira (30), no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).

“Com planejamentos mais estratégicos, conseguiremos ampliar o acesso da população aos serviços de saúde e oferecer estruturas cada vez mais adequadas e robustas a usuários e profissionais”
Juracy Lacerda, secretário de Saúde
A finalidade do programa é orientar planejamento, priorização e implementação de ações voltadas à expansão, qualificação e regularização da infraestrutura física das UBSs. A iniciativa busca ampliar o acesso da população aos serviços de Atenção Primária, fortalecer a Estratégia Saúde da Família (eSF) e melhorar as condições de trabalho das equipes.
“Com planejamentos mais estratégicos, conseguiremos ampliar o acesso da população aos serviços de saúde e oferecer estruturas cada vez mais adequadas e robustas a usuários e profissionais”, afirma o secretário de Saúde, Juracy Lacerda.
Planejamento
O Proinfra/APS-DF passa a ser um instrumento de orientação de todas as etapas relacionadas à infraestrutura das UBSs. Para isso, considera as necessidades de cada território, a situação patrimonial e contratual dos imóveis, as condições da infraestrutura existente, a capacidade de atendimento das unidades e outros critérios técnicos para definir as intervenções mais adequadas.
A norma também prevê mecanismos de acompanhamento, monitoramento e avaliação para garantir transparência, eficiência e previsibilidade na execução das ações.
Ações previstas
Enquanto a locação de imóveis poderá ser utilizada de forma complementar para responder de forma mais rápida às demandas da população, a construção de novas UBSs, a reforma e a ampliação das unidades existentes constituem as principais estratégias para ampliar a cobertura da Atenção Primária e qualificar a rede de atendimento.
A iniciativa também contempla a utilização de imóveis recebidos por cessão, comodato ou doação para implantação ou funcionamento de novas UBSs, ampliando as alternativas para fortalecer a rede de Atenção Primária.
Critérios
“Uma infraestrutura adequada é um dos pilares para fortalecer a Atenção Primária e assegurar que a população tenha acesso a serviços de saúde cada vez mais resolutivos, humanizados e de qualidade”
Afonso Mendes, coordenador de Atenção Primária da Secretaria de Saúde
As intervenções serão definidas com base em critérios técnicos e nas necessidades de cada território. Entre os aspectos considerados estão a necessidade de ampliação do número de equipes, a distância percorrida pela população até a unidade de referência, o crescimento de novas áreas habitacionais, as condições da infraestrutura das UBSs existentes e a necessidade de aumentar a capacidade de atendimento ou adequar espaços para serviços como vacinação, saúde bucal, farmácia e coleta de exames.
Conforme estabelece a portaria, terão prioridade as UBSs que atendam ao maior número de critérios definidos, permitindo direcionar os investimentos para locais com múltiplas necessidades estruturais e maior potencial de impacto.
Gestão integrada
A relação das UBSs contempladas será divulgada em documento específico, que orientará a abertura dos processos, a execução das intervenções e o acompanhamento de todas as etapas.
O acompanhamento e a avaliação do programa ficarão sob responsabilidade da Coordenação de Atenção Primária à Saúde (Coaps), por meio da Diretoria da Estratégia Saúde da Família, em articulação com as regiões de saúde e as demais áreas técnicas da SES-DF.
Para o titular da Coaps, Afonso Mendes, o programa garante maior segurança jurídica, eficiência na aplicação dos recursos públicos e melhores condições de trabalho para as equipes. “Uma infraestrutura adequada é um dos pilares para fortalecer a Atenção Primária e assegurar que a população tenha acesso a serviços de saúde cada vez mais resolutivos, humanizados e de qualidade”, avalia.
Na prática, o programa fortalece as condições de trabalho das equipes, torna o planejamento das intervenções mais organizado e eficiente e contribui para que a população tenha acesso a UBSs mais bem-estruturadas e preparadas para atender às suas necessidades de saúde.
Confira a portaria.
*Com informações da Secretaria de Saúde
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