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Como é bom ser político no Brasil: Bens de prefeito casado com adolescente cresceram 902%

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Helicóptero e 5 Audis: bens de prefeito casado com adolescente cresceram 902%

O prefeito de Araucária (PR), Hissam Hussein Dehaini, declarou patrimônio de R$ 1,4 milhão em 2012. Oito anos depois, bens valem R$ 14 mi

O patrimônio declarado pelo prefeito de Araucária (PR), Hissam Hussein Dehaini, cresceu 902% em 8 anos, entre 2012 e 2020.

Em 2012, Hissam declarou à Justiça Eleitoral que tinha R$ 1,4 milhão em bens. Ele concorreu à Prefeitura de Araucária, mas não foi eleito. Quatro anos depois, em 2016, candidatou-se novamente e saiu vitorioso. À época, o patrimônio havia aumentado para R$ 6,3 milhões.

Em 2020, quando foi reeleito prefeito da cidade da região metropolitana de Curitiba, Hissam afirmou ser dono de bens que somam R$ 14,2 milhões.

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Hissam ganhou projeção nacional após vir à tona o casamento dele, que tem 65 anos, com uma adolescente de 16. A união do casal, no entanto, não infringe a lei brasileira. Mesmo sendo menor de idade, a jovem teve o consentimento dos pais para formalizar a união em cartório.

O político é dono de cinco carros Audis, dos modelos A4, R53, Q3 e A-3. Ele também declarou possuir um helicóptero avaliado em R$ 3,4 milhões, disse ter R$ 2,9 milhões em espécie, dois terrenos, três apartamentos, um trator, entre outros bens.

Hissam chegou a ser preso duas vezes a pedido da CPI do Narcotráfico, que o apontou como responsável por manter laboratório de refino de cocaína, proteger traficantes e pagar à polícia por proteção. Ele foi inocentado em 2010.

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Investigação

prefeito de Araucária foi alvo de operação do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), em 1º de junho de 2023, por suspeita de nepotismo.

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Hissam e a adolescente oficializaram o matrimônio em 12 de abril. Um dia antes, a mãe dela, Marilene Rode, foi nomeada como secretária de Cultura e Turismo. A tia da jovem, Elizângela Rode, também recebeu um cargo como secretária municipal de Planejamento.

Fonte: Metropoles
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FGC e a crise de notas: a responsabilidade sob exame

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Com os sobressaltos que ocorrem a cada dia nos inusitados caminhos do banco e da banca (rumos do sistema bancário), causa espanto constatar, segundo informações de autorizado especialista do setor, que certa agência classificadora  de risco deu nota A para o banco liquidado e desliquidável (sem salvação).

Aliás, o mesmo especialista indicou como funcionam as coisas. São solicitadas as avaliações às abalizadas agências, de reconhecida idoneidade, e se divulgam tão somente as melhores ou, até mesmo, só a melhor nota. As más avaliações são guardadas no sexto arquivo.

É bem possível que, se algum dos órgãos investigadores fosse atrás de saber o que motivou a nota A, sairia correndo para comprar títulos podres remasterizados, para guardar como relíquia dessa época atípica.

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A chancela oficial, concedida sob o manto de uma tecnicidade questionável, mascara o risco real que corrói o patrimônio de terceiros. Esse descompasso entre a classificação e a realidade operacional denota uma fragilidade alarmante nos mecanismos de controle vigentes.

Diante de tal cenário, a confiança, que deveria ser o pilar mestre do sistema financeiro, transforma-se em mercadoria volátil e de procedência duvidosa. O investidor, desamparado por laudos de conveniência, torna-se a peça vulnerável em um tabuleiro de interesses opacos.

Um respeitável e sóbrio economista não teve dúvida em asseverar que, no caso presente — o do banco nota A —, “tem muita gente que quer assar uma pizza do tamanho do Maracanã”.

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Sei que, para a maior parte dos leitores, inclusive para mim, a pizza é quase um bem de consumo direto carregado de unanimidade. Pode-se dizer, parafraseando o sambista, que quem não gosta de pizza bom sujeito não é.

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Entretanto, o odor insuportável dos ingredientes estragados torna esse tão apreciado alimento algo repugnante.

O odor que perpassa essa preparação da imensa pizza deixa, em seu rastro, a podridão dos consignados que, já exalando mau cheiro de outros locais, avançam pela pimenta vermelha estragada das invasões de competência — onde todos querem aparecer, sempre em cumprimento daquela missão que Chacrinha ironicamente se atribuía: “Eu vim para confundir, não para explicar”.

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Nessa linguagem cifrada, que pouco ou nada significa para nós, os leigos, aparece uma tábua de salvação que, talvez, tenha de salvar a si mesma. É o Fundo Garantidor de Créditos. Este fez sua parte, emitindo nada menos que trinta e oito alertas sobre os ingredientes estragados que poderiam matar quem ingerisse a deformada pizza.

Agora, os custos serão repartidos entre todos.

Até os beneficiários de fundos de pensão — que confiaram no zelo de aplicações destinadas a um futuro menos aflitivo — serão forçados a engolir um naco de pizza podre.

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Ainda bem que foi vetada a compra do Banco nota A por um banco público, cujos avaliadores internos deveriam estar comprando gato por lebre; ou seja, recebendo, em suas sofisticadas due diligences, apenas os laudos enviesados de agenciadores que torciam pelo sucesso da transação. Essa foi a pizza que desandou antes de ir para o forno.

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A crise mundial — na qual o Brasil se encontra perfeitamente inserido — revela que a capacidade de previsão tem falhado em quase tudo.

Agora já se chegou ao ponto de um órgão do poder público projetar a organização de um dos maiores eventos de certa cidade mediante a previsão de um falecido cacique, de que não haveria chuva naquele dia.

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O sistema, envolto em fumaça de conveniência, prefere ignorar o óbvio em favor de uma estabilidade de fachada. Enquanto os ingredientes da má gestão apodrecem à vista de todos, as notas oficiais seguem perfumando o que já não tem mais salvação.

Essa cegueira deliberada, que ignora alertas técnicos para servir fatias de prejuízo ao público, é o sintoma de uma ética em colapso. No banquete dos conchavos, o custo da indigestão recai sempre sobre o cidadão que acreditou na higidez do cardápio.

Caminhemos, pois, para um ponto final de previsões. Chega de invasão de competências, preparatórias de montagem de pizzarias falidas, vendedoras de ilusões.

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Wagner Balera é Professor Titular de Direitos Humanos da PUC-SP e coordenador da Revista de Direitos Humanos da Editora LexMagister. 

Informações para a imprensa e entrevistas: Gabriela Romão – RV Comunicação(11)97530-0029

Fotos – Divulgação

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