Educação
A educação não pode parar Escola Móvel do GRAACC forma estudantes durante tratamento oncológico
O tratamento contra o câncer não interrompeu os sonhos dos pacientes. Formatura é um marco na vida dos pacientes que seguiram seus estudos dentro do Hospital
Crédito: Wallace Chuck / 360+
No último sábado, 13/6, a Escola Móvel do Hospital do GRAACC realizou a cerimônia de formatura dos alunos que concluíram o ensino médio durante o tratamento oncológico. O evento aconteceu das 9h às 12h, no Mercure Ibirapuera, em São Paulo, reunindo pacientes, familiares, profissionais da educação e equipes assistenciais para celebrar a conquista.
A conquista dos formandos representa muito mais do que o encerramento de um ciclo acadêmico. “O tratamento do câncer pode trazer impactos significativos para a rotina e para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Durante essa jornada, o atendimento escolar individualizado garante a humanização e a equidade necessárias para a construção do conhecimento. Celebrar a formatura desses alunos é reconhecer sua dedicação, resiliência e capacidade de seguir aprendendo mesmo diante dos desafios impostos pela doença”, afirma Monica Cypriano, diretora médica assistencial do Hospital do GRAACC.
Reconhecida pelo Ministério da Educação e inserida no contexto da Classe Hospitalar, a Escola Móvel oferece acompanhamento pedagógico individualizado a crianças e adolescentes em tratamento no Hospital do GRAACC. O trabalho tem como objetivo garantir a continuidade dos estudos, evitando a evasão escolar e favorecendo a reinserção dos alunos em suas escolas de origem. Até dezembro de 2025, a Escola Móvel atendeu mais de 6 mil alunos-pacientes, consolidando-se como uma importante ferramenta de inclusão educacional.
Alguns fatores levam crianças e adolescentes com câncer a se afastarem temporariamente do ambiente escolar. Internações prolongadas, necessidade de isolamento devido ao comprometimento do sistema imunológico e mudanças de cidade para realização do tratamento estão entre os principais desafios enfrentados pelos pacientes e suas famílias. Nesse contexto, a Escola Móvel atua para assegurar que o processo de aprendizagem seja mantido.
Ensino é adaptado ao estado clínico da criança
Professores e pedagogos do programa possuem formação em educação especial ou classe hospitalar e atuam desde a educação infantil, para crianças a partir de cinco anos, até o ensino médio. As aulas são personalizadas e adaptadas às necessidades físicas, emocionais e pedagógicas de cada aluno.
O diferencial do projeto está no fato de que o ensino acompanha o paciente onde ele estiver dentro do Hospital. “Há crianças que não podem se locomover por estarem em quimioterapia, na internação ou mesmo na UTI. Por isso, desconstruímos a lógica de que é preciso estar em um determinado espaço físico para aprender e levamos a ‘sala de aula’ para onde o paciente está. O ensino é adaptado ao estado clínico da criança. Temos muito orgulho da nossa Escola Móvel”, destaca André Negrão, CEO do Hospital do GRAACC.
A Escola Móvel do Hospital do GRAACC conta com a colaboração da Fundación Mapfre. Para Fátima Lima, representante da Fundación Mapfre no Brasil, apoiar a Educação integral no Brasil em todos os contextos é o grande objetivo da instituição. “Temos projetos de apoio à Educação em todas as regiões brasileiras, especialmente voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade social porque acreditamos que a Educação é a ferramenta primordial para a transformação de vidas. Poder contribuir com a formação continuada dos alunos pacientes do Hospital do GRAACC e agora ver as crianças chegarem à formatura é o retrato do que nos move diariamente”, afirmou.
O ensino da Escola Móvel não substitui a escola de origem, mas realiza um trabalho conjunto que possibilita a continuidade da vida escolar. As atividades seguem o currículo da instituição em que o aluno está matriculado, incluindo avaliações e conteúdos pedagógicos. Ao final do acompanhamento, a equipe também fornece relatórios que auxiliam no processo de reintegração.
Para Edmar Santos, coordenador da Escola Móvel, a cerimônia é uma vitória para os estudantes e suas famílias. “Cada formatura representa uma trajetória de superação construída diariamente. Esses alunos enfrentaram muitos desafios sem abrir mão dos estudos e dos seus projetos de vida. Ver cada um deles realizando esse sonho é uma grande alegria para todos nós do GRAACC”, reforça.
A cerimônia celebrou não apenas a conclusão de ciclos escolares, mas também a forçou, a perseverança e os sonhos de jovens que encontraram na educação um importante instrumento para seguir construindo o futuro.
Educação
Férias escolares e hemofilia: como garantir segurança e inclusão para as crianças
Especialista traz orientações práticas de segurança para que o período de descanso das crianças seja sinônimo de autonomia, movimento e tranquilidade
As férias de julho são momentos muito esperados pelas crianças de todas as idades. Para as famílias dos pacientes com hemofilia, o período exige planejamento, mas está longe de ser um impedimento para que os pequenos aproveitem a pausa escolar. Hoje, com o maior conhecimento sobre a condição e a importância do acompanhamento multidisciplinar regular, é possível planejar férias mais tranquilas e ativas. Com isso, brincar, se movimentar e viver experiências típicas da infância têm se tornado cada vez mais viáveis e seguras.
A hemofilia é uma doença rara e hereditária que afeta a coagulação do sangue, fazendo com que os sangramentos durem mais tempo do que o habitual. No passado, essa condição exigia restrições mais rígidas às brincadeiras e às atividades físicas. Esse cenário, no entanto, vem mudando com o diagnóstico precoce, acesso a tratamentos inovadores e por meio da educação do paciente e seus familiares.
“Logo após o diagnóstico, nossas férias e rotina eram extremamente restritas por conta do medo. Nosso maior receio era um sangramento grave que não pudéssemos identificar rapidamente”, conta Carolina Ferreira, mãe de Lucas, diagnosticado com hemofilia aos oito meses após um sangramento intracraniano. “Evitávamos passeios, futebol e brinquedos como cama elástica. Ele brincava em tatames cercado de almofadas e chegou a usar capacete acolchoado”.
A hematologista Fernanda Barbosa, da Santa Casa de São Paulo, explica que a evolução terapêutica e o suporte multidisciplinar viabilizam uma rotina com atividades físicas adequadas para a infância. “Atualmente, o foco é proporcionar uma rotina em que a hemofilia não limite o cotidiano do paciente. Com a evolução das terapias, observamos na prática clínica uma redução significativa nos índices de sangramento, o que traz mais segurança e tranquilidade para as famílias. Essa transformação científica e terapêutica impacta diretamente a qualidade de vida, permitindo que as crianças brinquem, corram e se desenvolvam com a mesma liberdade que qualquer outra”
Essa mudança se reflete na rotina de Carolina e de seu filho. “O Lucas leva uma vida ativa para a idade dele: frequenta a escola, participa das atividades com os colegas e joga futebol duas vezes por semana. Hoje também é possível viajar, passear e aproveitar ao máximo as férias”, completa a mãe.
As férias passam a representar não apenas um momento de descanso, mas também uma oportunidade para fortalecer vínculos, explorar novos ambientes e proporcionar às crianças experiências que fazem parte da infância. Além do aspecto social, especialistas apontam que a prática de exercícios físicos supervisionados é benéfica para a hemofilia, pois atua no fortalecimento muscular e na proteção das articulações.
“O estímulo à atividade física direcionada melhora a massa muscular e reduz dores articulares. Para isso, o paciente deve manter a adesão rigorosa ao tratamento prescrito. A terapia pode ser otimizada pelo médico com base no tipo de atividade exercida. Também é fundamental que haja supervisão de profissionais de educação física e o uso de equipamentos de proteção”, orienta a Dra. Fernanda.
A médica ressalta que os cuidados e o esquema terapêutico não devem ser interrompidos durante as férias. “A manutenção da rotina de tratamento durante viagens e passeios é essencial para prevenir intercorrências ou mitigar a gravidade de eventuais episódios hemorrágicos”, alerta.
Confira abaixo algumas dicas da especialista que ajudam a aproveitar as férias das crianças com hemofilia com segurança:
- Roupas e equipamentos de proteção: Para brincadeiras que envolvem maior movimento, como andar de bicicleta, por exemplo, o uso de capacete, joelheiras e cotoveleiras é indispensável.
- Hidratação constante: Especialmente nos dias de calor e maior gasto de energia com as brincadeiras, incentive a criança a beber água regularmente. Manter o corpo hidratado é fundamental para o bem-estar geral.
- Identificação: Garanta que a criança use uma pulseira, crachá ou carteirinha que informe seu diagnóstico de hemofilia e os contatos de emergência.
- Mantenha os cuidados: Em caso de viagem, leve os medicamentos e cuidados prescritos pelo médico em quantidade suficiente para todo o período de viagem, além de uma receita atualizada e o contato do hemocentro de referência.
- Mapeamento e contato prévio no destino: Antes de pegar a estrada, faça um contato preventivo com o hemocentro ou centro de referência em hemofilia da cidade para onde estão viajando. Confirmar o horário de funcionamento e avisar sobre o período em que a criança estará na região garante um suporte muito mais ágil e direcionado caso ocorra qualquer imprevisto.
- Comunicação com hotéis e colônias de férias: Avise os monitores, guias e responsáveis pelo lazer sobre a condição da criança e explique de forma clara o que fazer em caso de batidas ou cortes.
Com o preparo, o período de recesso escolar cumpre o seu propósito essencial: garantir o direito à convivência comunitária, ao lazer e ao desenvolvimento integral da criança com total segurança. Com as precauções corretas adotadas antes e durante o período de viagem, as barreiras dão lugar a uma rotina de férias ativa, segura e integrada à dinâmica familiar e social.
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