Epreendedorismo
Cresce a participação de mulheres na Administração Pública Federal
| Presença feminina tem sido cada vez mais representativa na administração pública federal. Foto: André Corrêa / MGI |
Percentual de servidoras subiu para 45,6%. Entre os cargos de direção e assessoramento criados pelo atual governo, 76% são ocupados por mulheres
A presença de mulheres na Administração Pública Federal está em expansão. Dados compilados pelo Observatório de Pessoal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) até janeiro de 2025 indicam que 45,6% (261,4 mil) do total de 572,8 mil servidores federais ativos são mulheres. Isso representa aumento de 3,21% em relação a 2022, quando 44,8% (253,2 mil) dos 564,9 mil servidores eram do sexo feminino.
Em cargos e funções — comissionadas de direção e assessoramento e gratificações técnicas — da Administração Pública Federal, a participação feminina cresceu 7,44%, passando de 40% (37 mil) do total de 91,2 mil cargos e funções em 2022 para 42% (39,8 mil) do total de 94,7 mil cargos e funções em 2025.
Quanto aos cargos de direção e assessoramento de nível 13 a 17, o que inclui os de coordenadoras-gerais, diretorias, assessorias especiais, secretárias e equivalentes, o aumento da participação feminina foi maior, de 26%. Saiu de 34,9% (3.552) do total dos 10,1 mil cargos desse tipo em 2022 para 39,2% (4.487) dos 11,4 mil em 2025.
Considerando apenas o total de cargos de direção e assessoramento criados pelo governo atual, dos 1.270 de nível 13 a 17, 76% (965) são ocupados por mulheres. Isso demonstra o esforço da atual gestão em aumentar a participação feminina na Administração Pública Federal.
REPRESENTATIVIDADE — Durante o Encontro de Novos de Prefeitos e Prefeitas – Governo Federal Fortalecendo os Municípios, realizado em Brasília (DF) em fevereiro, a ministra Cida Gonçalves (Mulheres) lançou o Guia para Criação e Implementação de Secretarias de Políticas para as Mulheres (SPMs). Os investimentos na estruturação de SPMs nos estados já somam cerca de R$ 4 milhões. Desde 2023, 17 unidades da Federação foram beneficiadas com recursos para a aquisição de veículos e equipamentos de informática, além do custeio de atividades de formação, planejamento e avaliação de gestão de políticas para as mulheres.
CAPILARIDADE – “Temos no orçamento [Plano Plurianual 2024-2027] R$ 14,1 bilhões para as agendas transversais e R$ 423 milhões deste valor são para gastos exclusivos para as mulheres. Outros R$ 13,7 milhões são para gastos não exclusivos, mas que passam pelas mulheres, como é o caso do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Com a criação das secretarias municipais da mulher, teremos capilaridade similar à do Ministério da Saúde, os recursos vão chegar e as políticas vão acontecer”, explicou a ministra durante o encontro.
TRANSPARÊNCIA SALARIAL — Para estimular a presença feminina também no mercado privado de trabalho e com remuneração justa, o Governo Federal vai lançar, em março, o terceiro relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios. O documento foi previsto na Lei de Igualdade Salarial, que é uma iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério das Mulheres, sancionada em 2023. A lei estabelece que empresas com mais de 100 empregados devem adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo transparência salarial, fiscalização contra discriminação, canais de denúncia, programas de diversidade e inclusão, e apoio à capacitação de mulheres. As organizações tiveram até 28 de fevereiro para preencher o relatório com informações sobre critérios remuneratórios e ações para promover diversidade e parentalidade compartilhada. O último relatório mostrou que 20,7% das mulheres ganham menos do que os homens nas 50.692 empresas com 100 ou mais empregados e, em mais de 15 mil empresas, essa diferença era de até 5%.
EDITAIS — Entre as ações realizadas no âmbito das políticas para o público feminino, destaca-se a de cotas para mulheres em situação de violência doméstica em contratações públicas. Os editais de licitação e os avisos de contratação direta para serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra (terceirização) devem reservar, no mínimo, 8% das vagas para mulheres em situação de violência doméstica. A iniciativa fortalece o enfrentamento à violência contra as mulheres, busca garantir a inserção e permanência delas no mercado e, assim, promover sua autonomia econômica. Até o momento, 13 unidades da Federação assinaram acordos para implementação dessa política: Amazonas, Goiás, Tocantins, Acre, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. O Governo Federal presta apoio individualizado a essas UFs.
COMBATE AO ASSÉDIO — Outra iniciativa é o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação na Administração Pública Federal, criado em julho de 2024, com o objetivo de desenvolver ações que enfrentem todas as formas de violência decorrentes das relações de trabalho, em especial o assédio moral, o assédio sexual e a discriminação. Em setembro do mesmo ano, foi instituído o Plano Federal. A partir dele, os órgãos instituirão seus Planos Setoriais, que serão os principais instrumentos de implementação e de acompanhamento do Plano Federal.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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Catadoras de materiais recicláveis protagonizam livro que será lançado em Brasília amanhã (20)

A Novelis, líder mundial em laminação e reciclagem de alumínio, mantém, no Brasil, uma operação que conecta a indústria recicladora dos elos iniciais da cadeia de reciclagem, valorizando e reconhecendo a atuação de cooperativas, catadores e catadoras. “As histórias apresentadas mostram que a reciclagem vai muito além do material, ela transforma vidas. Para a Novelis, é um orgulho apoiar uma iniciativa que reconhece as catadoras como agentes essenciais da preservação ambiental e da criação de um presente e futuro mais sustentável. Juntas, ao lado de mais 800 mil pessoas, elas impulsionam a economia circular no país e transformam resíduos em oportunidade, renda e dignidade”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul.
A escritora Viviane Mansi dá voz às histórias das catadoras brasileiras a partir de uma escuta cuidadosa e de uma escrita sensível, que desconstrói visões simplificadas e estigmatizadas sobre a realidade dessas mulheres, evidenciando que muitas delas foram levadas ao trabalho com resíduos por contextos de vulnerabilidade e encontram nesses espaços fonte de renda, acolhimento e pertencimento. A obra também se expressa na linguagem fotográfica de Magali Moraes, que amplia e aprofunda essas narrativas.
“Muitas vezes, a gente está distante dessa realidade e tem menos empatia simplesmente por não conhecer. O livro tenta fazer essa conexão entre o que se imagina e o que é real, para provocar um olhar mais cuidadoso e empático sobre essas mulheres que, em sua maioria, estão nesse trabalho e, ainda assim, seguem fazendo o melhor que podem com o que têm. É sobre elas e, especialmente, sobre o impacto que a gente gera no mundo e na vida das pessoas ao nosso redor”, afirma a escritora.
“A reciclagem no Brasil tem rosto de mulher. São elas que, no cotidiano invisível, estruturam a base real da sustentabilidade no país, muito antes de qualquer política pública reconhecer”, destaca a CEO da Rede Educare, Kátia Rocha
Sete filhos criados a partir da reciclagem – Uma das histórias do livro é a de Aparecida Ferreira de Maria, de Brasília. Filha de catadores, ao enfrentar a maternidade precoce, aos 18 anos, encontrou na catação uma alternativa viável de renda. Hoje, aos 41 anos, e com sete filhos criados com a reciclagem, atua na defesa da valorização dos catadores. “Aqui a gente conversa muito, cada uma conta a sua história, e eu vejo que são mulheres muito guerreiras. Elas chegam com histórias parecidas, de dificuldade, e encontram acolhimento. É um lugar onde a gente se escuta, se apoia e vai seguindo em frente”, destaca.
Já Dulce Vale, de Goiânia, iniciou na reciclagem aos 40 anos, após perder o emprego como secretária e precisar reorganizar a vida como mãe solo e chefe de família. Atualmente, é presidente da Central e Forte e é uma das principais lideranças do movimento no país. “Quando você é mulher, já existem muitas barreiras para conseguir um trabalho. Aqui na cooperativa, a gente consegue conciliar, conversar, se apoiar. Por isso tem tantas mulheres. Aqui a gente encontra oportunidade e consegue seguir trabalhando, mesmo com as dificuldades do dia a dia”, afirma.
De acordo com o Anuário da Reciclagem 2024, são mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas no país, reunindo mais de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Esse número, no entanto, representa apenas uma parcela da categoria estimada pelo MNCR. Cerca de 800 mil pessoas vivem da atividade no Brasil. Juntos, esses trabalhadores são responsáveis por impulsionar a recuperação de materiais e fortalecer a cadeia da reciclagem no país.
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