Moda
‘Um sapato deve seduzir homens e mulheres’, diz designer Christian Louboutin em visita à Faap
A grife Christian Louboutin tornou-se uma marca mundial, com mais de 40 lojas em todo o mundo, incluindo o Brasil
Reza a lenda que, em 1993, dois anos depois de lançar sua primeira coleção de sapatos, um jovem designer parisiense, de nome Christian Louboutin, estava criando um novo modelo a partir da tela Flowers, de Andy Warhol. Quando a amostra chegou da Itália, Louboutin sentiu que faltava algo. A tradicional sola preta simplesmente não fazia o sapato se destacar. Não o fazia vivo. Uma de suas assistentes estava então pintando as unhas e Louboutin não teve dúvidas: sacou seu esmalte vermelho e pintou o par de solas com ele. O resto é história.
Mundialmente conhecida por seus sapatos suntuosos – invariavelmente com suas solas vermelhas -, ultimamente a grife Christian Louboutin tornou-se uma marca mundial, com mais de 40 lojas em todo o mundo, incluindo o Brasil, e mais de 850 mil sapatos produzidos a cada ano. Em sua grande maioria, ainda fiéis à indefectível sola vermelha, hoje sua quase marca registrada. Em passagem rápida nesta terça-feira, 28, por São Paulo, para uma visita de reconhecimento à Faap, onde foi recepcionado por uma calorosa trupe de estudantes de moda, o designer falou ao Estadão.
Qual o propósito da visita?
Atendendo a um convite da Faap, vim avaliar as instalações do museu para uma futura exposição da minha obra, nos moldes da que aconteceu em Paris, em 2020, e que apresentou uma retrospectiva de meu trabalho como designer e minhas principais realizações.
Em quais critérios se baseia ao desenhar seus modelos?
Costumo dizer que, para ser bom, um sapato tem de seduzir homens e mulheres. Sempre começo com um esboço, a lápis, e desenho em qualquer lugar. Preciso apenas estar isolado e em condições de me concentrar, livre de distrações. Depois, me concentro na forma, no objeto em si, e em como ele vai efetivamente funcionar no pé de alguém. Nunca, em tempo algum, penso em roupas ou estilos que combinariam.
Você se tornou conhecido por seus sapatos femininos. Mas tem desenvolvido também modelos masculinos. Como se aproxima de cada um dos projetos?
Desenvolvo sapatos para homens desde 2010, a princípio, atendendo a pedidos dos maridos ou namorados de minhas clientes, mas, mais especificamente de um cantor pop libanês, que reside na França, de nome Mika, que um dia me disse querer sentir, usando meus sapatos, a mesma sensação de encantamento de suas duas irmãs ao calçar um modelo meu. Não sei se exatamente por isso, mas, fato é que, desde então, meus sapatos masculinos obedecem a essa vertente mais contemporânea, mais pop. Não são clássicos, como alguns dos meus modelos femininos costumam ser. Em Paris, local da primeira butique masculina da marca, os homens me abordavam na rua para agradecer. Diziam que viam meus sapatos nas namoradas ou esposas e ficavam com ciúmes.
Você é particularmente interessado em arquitetura e divide com Oscar Niemeyer o amor pelas linhas curvas. Chegou a conhecer alguma de suas obras?
Enquanto crescia, fui gradualmente me sentindo sensível à forma. Estudei arquitetura e objetos. Sempre prestei muita atenção nas linhas – é muito importante, porque a beleza tem tudo a ver com a forma. E, naturalmente, acabei me apaixonando pela obra de Niemeyer. A ponto de acreditar que meu trabalho e o dele se encontram em um ponto: amamos os contornos e as linhas curvas. Um dia, tive a coragem de dizer isso a ele.
E o que ele disse?
Que estava de acordo. E que ficou tão feliz com tal analogia que me presenteou com um poema, escrito de próprio punho, no qual ele louva a beleza das curvas na topografia do Rio de Janeiro e no corpo feminino, duas de suas maiores paixões. Um presente, claro, que conservo, com carinho até hoje.
Estadão Conteúdo
Fonte: Jornal de Brasilia
Moda
ABDI e Senai lançam projeto para inovar a indústria da moda no DF
Proposta é ampliar a oferta de mão de obra qualificada para atender às novas demandas tecnológicas do setor, melhorar processos produtivos e estimular criação de novos negócios
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF) lançam, nesta sexta-feira, 27/3, o projeto Indústria da Moda DF, voltado a impulsionar a inovação e fortalecer a cadeia produtiva do vestuário no DF. Com investimento de R$ 3,95 milhões, o programa oferecerá 480 vagas em cursos gratuitos de qualificação profissional e promoverá ações de estímulo ao empreendedorismo e de modernização tecnológica das confecções locais.
A proposta é ampliar a oferta de mão de obra qualificada para atender às novas demandas tecnológicas da indústria da moda, melhorar os processos produtivos e estimular a criação de novos negócios no setor. O projeto também prevê vivências em empresas de confecção e atividades voltadas à inovação e à qualificação produtiva.
O lançamento será realizado às 16 horas, na unidade do Senai em Taguatinga. Na ocasião, serão apresentados dois editais: um destinado à inscrição de alunos interessados em participar dos cursos e outro voltado a instituições que queiram integrar a iniciativa como parceiras na oferta da formação. A expectativa é que as primeiras turmas tenham início ainda no primeiro semestre deste ano.
Segundo o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, o projeto busca enfrentar gargalos históricos do setor no DF. “A cadeia do vestuário tem grande importância econômica e social no DF, com forte presença de micro e pequenas empresas e de mulheres na geração de trabalho e renda. Ao formar profissionais, aproximar essa mão de obra das empresas e estimular novos negócios, o projeto cria oportunidades de inclusão produtiva e fortalece a competitividade da indústria da moda”, afirma.
Do total investido, R$ 3,46 milhões serão aportados pela ABDI, enquanto R$ 481,9 mil correspondem à contrapartida do Senai-DF.
Cursos gratuitos
O programa oferecerá cinco cursos profissionalizantes gratuitos, com carga total de 420 horas, nas áreas de:
- Costura Industrial
- Costura Sob Medida
- Modelagem Computadorizada
- Moda Praia
- Corte de Peças
As aulas serão realizadas nas unidades do Senai de Taguatinga e do Gama, além de dois institutos comunitários parceiros em diferentes regiões administrativas do DF.
Neste mês, serão abertas 80 vagas para os cursos de qualificação profissional de Costureiro Industrial e de Costureiro Sob Medida, cada um com carga horária de 260 horas-aulas. As inscrições, que abrem em 27 de março, poderão ser feitas on-line pelo site do projeto até 28 de abril. Se a quantidade de interessados superar o número de vagas, o Senai-DF ordenará os excedentes em uma lista de espera, conforme a sequência das inscrições.
A iniciativa tem como público pessoas em situação de vulnerabilidade, com foco na geração de renda e na inserção produtiva. Ao final da formação, os participantes receberão certificação do Senai-DF.
Vivência em empresas e incentivo ao empreendedorismo
Após a conclusão dos cursos, 50 alunos poderão participar de vivências, empreendedora ou profissional em empresa do setor de confecção.
Na empreendedora, os alunos participantes irão, durante o período de três meses, com carga horária de 240 horas, atuar em grupo no desenvolvimento de uma nova marca a ser lançada. O Senai-DF dará apoio para elaboração do conceito, produção e venda dos produtos. Os alunos selecionados para a vivência empreendedora irão receber um auxílio financeiro no valor de R$ 552,00 a cada 80 horas.
Outra frente será a vivência profissional, voltada a alunos interessados que queiram atuar em uma empresa do setor de moda. A atividade terá duração de um mês, cerca de 160 horas. Estes também receberão bolsa de R$ 552,00 a cada 80 horas.
O projeto conta ainda com a criação de um marketplace digital, onde os participantes poderão comercializar peças produzidas durante a formação e nas atividades de empreendedorismo.
Modernização das confecções
O projeto Indústria da Moda DF também prevê consultorias e apoio técnico para empresas do setor, com foco na modernização dos processos produtivos, modelagem digital e inovação produtiva.
Os institutos comunitários parceiros que sediarão os cursos poderão contar com equipamentos de costura e estrutura produtiva, entre eles botoneira eletrônica, caseadeira reta eletrônica, máquinas de costura reta e de ponto conjugado, além de mesas de passar industriais, mini caldeiras portáteis, mesa de corte industrial e manequins profissionais.
Caso mantenham a oferta de cursos gratuitos após o término do programa, esses equipamentos poderão permanecer nas instituições.
Segundo Claudia Alves, analista de Produtividade e Inovação da ABDI, a parceria com institutos comunitários é estratégica para ampliar o acesso à qualificação profissional tecnológica em diferentes regiões do DF. “Essas instituições já têm forte presença nas comunidades e desempenham um papel fundamental na mobilização e permanência dos alunos nos cursos”, destaca.
“O Indústria da Moda é um projeto importante para o setor do vestuário porque trabalha em duas vertentes que se complementam: aperfeiçoa e moderniza as linhas de produção e qualifica profissionais”, afirma o diretor regional do Senai-DF, Marco Secco. “Ao trabalhar as duas linhas de forma complementar, o Indústria da Moda trará como resultado a inclusão socioprodutiva e um setor mais eficiente, que produzirá com maior qualidade”, complementa.
Necessidade de formação profissional
O setor de vestuário do DF reúne cerca de 6 mil empresas, concentradas principalmente em Taguatinga, Ceilândia e Plano Piloto, que somam 57% dos estabelecimentos do segmento.
De acordo com levantamento do Sindicato das Indústrias do Vestuário do DF (Sindiveste), 70% das empresas são microempreendedores individuais, e quase metade possui entre um e cinco empregados.
Apesar do crescimento do mercado, o setor enfrenta déficit de cerca de 1.800 profissionais qualificados, especialmente costureiras industriais. Em 2024, o varejo de moda no DF cresceu 5,8%, ampliando a demanda por produção local e mão de obra especializada.
CRÉDITOS:
foto: Divulgação
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