Politica
Disque Defensoria é lançado com ramal exclusivo para atender mulheres
A secretária da Mulher, Giselle Ferreira, destaca: “Não estamos aguardando a força-tarefa chegar ao final, no dia 31. A Defensoria Pública é membro e essa é uma medida que nós tomamos. Esta é a verdadeira política pública. Nada melhor do que um telefone, que é um acesso que todo mundo tem. Esse é mais um canal de comunicação e de acolhimento das mulheres” | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília
A outra novidade é um ramal exclusivo para o atendimento de mulheres vítimas de violência
A população vulnerável poderá tirar dúvidas sobre assuntos jurídicos com uma ligação sem custos. A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) lançou, nesta sexta-feira (10), o novo número da Central de Relacionamento com os Cidadãos (CRC), o Disque Defensoria 129, um canal de esclarecimentos sobre os serviços do órgão. A outra novidade é um ramal exclusivo para o atendimento de mulheres vítimas de violência.
“O maior benefício para a sociedade é que as pessoas carentes não vão perder um dia de trabalho para procurar a Defensoria para buscar algumas informações. A DPDF está abraçando a população carente e tornando o acesso mais fácil ao cidadão”, explica o defensor público-geral do DF, Celestino Chupel.
O Disque Defensoria receberá as ligações telefônicas e encaminhará as solicitações aos setores responsáveis, além de agendar atendimentos, quando possível. O serviço também fornecerá esclarecimentos sobre os requisitos de acesso aos serviços, os documentos necessários para a realização de atendimento e o andamento de processos.
Anteriormente, o atendimento telefônico do órgão gerava custos ao usuário. Transformá-lo em algo gratuito era um desejo antigo dos servidores da Defensoria Pública. “É o sentimento de gratidão de um serviço chegando a quem mais precisa. Estamos realizando um sonho. Sabemos que as dificuldades que a nossa população tem são enormes. Essa é uma luta da Defensoria e dos movimentos sociais”, destaca a ouvidora externa da Defensoria Pública, Patrícia Almeida.
Atendimento às mulheres
Além de lançar um telefone totalmente gratuito, o Disque Defensoria chega com um serviço dedicado às mulheres vítimas de violência. É o ramal 2 dentro do 129, em que elas podem receber orientações e auxílio jurídico. Essa é mais uma ação que integra a força-tarefa do Governo do Distrito Federal (GDF) de enfrentamento ao feminicídio.
“Não estamos aguardando a força-tarefa chegar ao final, no dia 31. A Defensoria Pública é membro e essa é uma medida que nós tomamos. Esta é a verdadeira política pública. Nada melhor do que um telefone, que é um acesso que todo mundo tem. Esse é mais um canal de comunicação e de acolhimento das mulheres”, defende a secretária da Mulher, Giselle Ferreira.
“A Defensoria atendeu um pedido nosso para cada vez mais as nossas políticas públicas chegarem às mulheres. Essa é a nossa missão por determinação da governadora em exercício Celina Leão de ampliar o atendimento à mulher”, completa a secretária.
O serviço será conduzido apenas por servidoras mulheres, que farão o atendimento e o acolhimento humanizado e empático às vítimas. “Nesse dígito, estarão apenas mulheres atendendo. Vamos fazer todo o acolhimento e encaminhamento dessa mulher aos núcleos da Defensoria responsáveis e aos demais órgãos de proteção de defesa da justiça”, informa a defensora pública e chefe substituta da CRC, Thais Mara da Costa Silva.
A iniciativa nasceu para promover a defesa das mulheres e fortalecer a função institucional da Defensoria Pública em relação às vítimas de violência, com um acesso facilitado. A solenidade de lançamento ocorreu no Salão Branco do Palácio do Buriti.
Durante a cerimônia, o secretário substituto de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Uítalo, destacou que a pasta está à disposição para auxiliar a Defensoria Pública no Disque Defensoria. “A secretaria tem esse papel transversal. A gente precisa auxiliar todos os órgãos do GDF em questões de tecnologia e inovação e também propiciar à população do DF serviços que vão trazer dignidade”, comenta.
*Com informações de Adriana Iziel, da Agência Brasília
Politica
Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita
Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.
Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.
O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.
Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.
Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.
A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.
Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).
Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.
Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.
Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.
O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.
Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.
FONTE:
sul21.com.br
Por Pedro Stahnke
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