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Saúde

Obesidade: o excesso de gordura gera um processo inflamatório, desencadeando diversas doenças

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O panorama da obesidade ao longo dos anos mudou muito. Para vocês terem uma ideia, até os anos de 2000, a preocupação maior era com a  desnutrição e, atualmente, temos uma população acometida principalmente pelo sobrepeso –que chegou a mais da metade da população em 2021.¹

Gráfico obesidade e desnutrição
Prevalência, em porcentagem, de obesidade e desnutrição em três décadas no Sudeste do Brasil. Mello, E.; et al. Childhood obesity – Towards effectiveness. J Pediatr (Rio J). 2004;80(3):173-82 e SBCM.2,3 (Crédito:Reprodução)

Em 2019, 407.589 pessoas foram diagnosticadas com obesidade grau III, o que representava 3,14% das pessoas. Já em 2022, o número subiu para 863.083 brasileiros diagnosticados com o mais grave nível de obesidade, totalizando 4,07% da população. Esse ponto percentual representa um crescimento de 29,6% em apenas 4 anos. Em 2025, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade.2,4

Antes vamos entender o que é a gordura ou o tecido adiposo…

Tecido adiposo subcutâneo e visceral
Tecido adiposo subcutâneo e visceral. (Crédito:Reprodução/Arquivo Paola Machado)

O tecido adiposo, que por muitos anos foi considerado apenas um reservatório de energia em forma de triglicerídeos (TAG), hoje é reconhecido como um órgão endócrino capaz de produzir e secretar diversas substâncias que atuam sistematicamente no organismo. Tais substâncias são denominadas adipocinas e conferem ao tecido adiposo —principalmente quando em excesso — característica inflamatória e a associação com grande parte das doenças relacionadas a esse excesso.

A localização desse tecido adiposo também cumpre diferentes papéis no nosso organismo. Os dois principais tipos de gordura armazenada em nosso corpo são a gordura subcutânea e visceral:

Tecido adiposo subcutâneo. A gordura subcutânea é a gordura corporal que se encontra entre a pele e o músculo. É antilipolítica e os ácidos graxos derivados da sua hidrólise —quebra — encaminham-se para a circulação sistêmica. Por isso, essa gordura é menos nociva à saúde. Ela pode ser avaliada com adipômetro — dobras cutâneas — e costuma trazer um incômodo mais estético.5

Tecido adiposo visceral. A gordura visceral é a que fica localizada entre a parede posterior do músculo reto abdominal e a parede anterior da artéria aorta. Tem uma grande quantidade de receptores adrenérgicos, sendo altamente lipolítica. Os ácidos graxos derivados da lipólise — quebra de lipídeos — desse tecido direcionam-se para a circulação portal, passando, primeiramente pelo fígado e, depois, entrando na circulação sistêmica. Esse processo exacerbado causa o influxo (volta) de ácidos graxos para o fígado, sobrecarregando-o. Por produzir uma maior quantidade de adipocinas pró-inflamatórias, esse tecido adiposo é mais perigoso e está relacionado a doenças como esteatose hepática.5

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Tanto a gordura subcutânea como a visceral, além de serem reservas de energia, também têm funções endócrinas. Eles liberam hormônios e proteínas como a leptina, adiponectina, IL-6, TNF-α e angiotensina, que ajudam a regular outros órgãos e processos em nosso corpo. No entanto, acredita-se que os hormônios e proteínas secretados pela gordura visceral sejam mais pró-inflamatórios que a gordura subcutânea.

Esta é uma das razões pelas quais o excesso de gordura visceral está mais fortemente associado a doenças metabólicas (ou seja, resistência à insulina e diabetes tipo 2) e doença cardiovascular, em comparação ao excesso de gordura subcutânea.

A proximidade da gordura visceral à veia porta (uma veia que transporta o sangue diretamente para o fígado) é outra hipótese porque o excesso de gordura visceral tem maiores efeitos negativos sobre a saúde.

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Explicado o que é o tecido adiposo, agora você entenderá melhor o que é a obesidade  

É uma doença crônico-degenerativa, inflamatória e multifatorial que favorece o balanço energético positivo, na qual a reserva natural de gordura –central e periférica — aumenta até o ponto que se associa a certos problemas de saúde ou aumento da taxa de mortalidade.6,7

A obesidade gera um estado inflamatório subclínico. Quando o tecido adiposo tem um crescimento anormal, leva a um aumento da expressão de citocinas pró-inflamatórias, de PAI-1, leptina (levando a resistência a ação da mesma e a hiperleptinemia) e redução de adiponectina.7

Estado inflamatório subclínico
Estado inflamatório subclínico. (Crédito:Reprodução/Arquivo Paola Machado)

 

Estado inflamatório subclínico
Estado inflamatório subclínico. (Crédito:Reprodução/Arquivo Paola Machado)
  • Fígado. O aumento da leptina, TNF-alfa, IL-6 e ácidos graxos livres com redução de adiponectina; leva a redução da sensibilidade à insulina, aumenta gliconeogênese, aumenta VLDL, TG, PCR e PAI-1.5
  • Músculo. O aumento da leptina, TNF-alfa, IL-6 e ácidos graxos livres com redução de adiponectina; diminui sensibilidade à insulina.5
  • Pâncreas. O aumento de ácidos graxos livres; aumenta secreção de insulina. 5
  • Cérebro. Aumento de leptina e IL-6; leva a resistência à leptina e a inflamação hipotalâmica. 5

Que desencadeia doenças como: 

Patologias associadas à obesidade
Patologias associadas à obesidade (Crédito:Reprodução/Arquivo Paola Machado)

 

O excesso de gordura corporal, principalmente visceral — que é aquela que fica entorno dos órgãos vitais — pode levar a problemas crônicos. Pelo simples motivo que a gordura excessiva causa o influxo de ácidos graxos para o fígado, aumentando a probabilidade de esteatose hepática não alcoólica, aumentando ácidos graxos circulantes, aumentando a probabilidade de desenvolver colesterol, triglicérides, resistência à ação da insulina e desencadear problemas crônicos — que não têm  cura, porém têm controle — como diabetes e hipertensão.

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Sempre reforço para os meus pacientes que o excesso de gordura corporal pode ser silencioso, sendo que hoje sua saúde pode estar 100%, mas isso, daqui a 10 anos, pode mudar muito rapidamente.

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Por isso, conforme tomamos medidas de mudança de estilo de vida, inclusão de uma rotina de exercícios de musculação combinados com aeróbios ou HIIT8,9 e melhora das escolhas alimentares, é natural que com a redução da gordura visceral os exames bioquímicos devam se normalizar e todas as medidas também —como consequência de todo um processo.

Algumas dicas…

  • Dedique um tempo para sua alimentação. Estratégias de atenção plena auxiliam na saciedade e também na conscientização da alimentação, focando tanto na quantidade quanto na qualidade.
  • Cuidado com os beliscos. Organize a alimentação da sua casa de forma que tenha o café da manhã, almoço e jantar muito bem determinados e os lanches intermediários bem organizados. Deixe sua rotina organizada, evitando escapes ao longo do dia.
  • Se estiver muito ansioso ou estressado traga para a consciência o que faria de forma inconsciente. Rompa o comer inconsciente tirando uma foto do seu prato ou sua refeição, rompendo aquele momento impulsivo e trazendo seu momento para a consciência.
  • Quando for fazer compras, não escolha alimentos que costuma ingerir nos momentos de estresse e ansiedade. Não vá ao supermercado com fome e, quando for fazer compras, opte por alimentos in natura, evitando aqueles que costuma consumir em momento de estresse e ansiedade.
  • Entenda que seu corpo por dia. O seu organismo não separa o final de semana dos dias da semana. Por isso, todos os dias você tem que dar bons estímulos ao seu corpo. Além disso, não faça compensações entre dias (aquele famoso “detox” de segunda). Se um dia for sair para jantar, organize ainda mais o seu dia.
  • Treinar é diferente de ter uma vida ativa. Lembre-se que uma coisa é o treino, que você se dedicará por um tempo e outra coisa é manter o dia ativo. Por isso os passos sempre são contabilizados independentemente do treino.
  • Aproveite esses dias para criar um novo hábito. Uma rotina com bons hábitos se cria por repetição. Como estamos conseguindo controlar melhor nosso tempo, podemos organizá-lo com sabedoria e colocar em prática. Nosso único empecilho agora é driblar a desmotivação. Por isso, é um grande exercício para nossa motivação.

Fonte: IstoÉ

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Saúde

Frio pode aumentar dores crônicas e afetar a rotina de pacientes

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Movimento, hidratação e proteção contra as baixas temperaturas ajudam a aliviar desconfortos e preservar a qualidade de vida

 

Com a chegada dos meses mais frios, Cláudia Cordeiro da Silva, de 60 anos, já sabe que precisará adaptar a rotina. Paciente do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) há oito anos, ela convive com fibromialgia e artrose nas mãos e sente no próprio corpo os impactos desse período.

 

“Quando chega esta época, eu já me escondo dentro de casa. Fico encolhida, deitada, porque tudo dói”, relata.
A percepção de Cláudia é compartilhada por muitas pessoas que convivem com doenças crônicas. Com a chegada do inverno, além do aumento dos casos de doenças respiratórias, cresce também a queixa de rigidez muscular, desconforto nas articulações e piora de sintomas já existentes.

 

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Segundo a reumatologista do HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Rafaela Cruz, essa piora nem sempre está relacionada ao agravamento da doença. Na maioria das vezes, está associada às respostas naturais do organismo diante das temperaturas mais baixas.

 

“A musculatura fica mais rígida e menos elástica, o que pode gerar desconforto durante os movimentos e os alongamentos”, explica a especialista.

 

Além disso, para preservar o calor corporal, o organismo reduz a circulação sanguínea em regiões mais periféricas, como mãos e pés. Essa adaptação pode aumentar a sensibilidade e intensificar a percepção da dor em algumas pessoas.

 

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Rafaela ressalta que a influência do frio varia de indivíduo para indivíduo.
“O frio e a dor são experiências muito subjetivas. Algumas pessoas sentem um impacto maior das baixas temperaturas, enquanto outras praticamente não percebem diferença”, afirma.

Movimento e proteção ajudam a reduzir desconfortos

Durante os meses mais frios, também é comum diminuir a prática de atividades físicas, permanecer mais tempo sentado e evitar sair de casa. No entanto, a redução dos movimentos pode favorecer a perda de mobilidade e intensificar desconfortos já existentes.

 

“Quando nos movimentamos, melhoramos a circulação sanguínea e favorecemos a chegada de oxigênio aos tecidos, inclusive nas extremidades do corpo. Por isso, permanecer ativo e aquecido ajuda a reduzir a rigidez muscular e a sensação de dor”, orienta a médica.

 

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Embora não pratique exercícios físicos regularmente, Cláudia procura manter uma rotina ativa. Sempre que possível, faz seus deslocamentos a pé e adota cuidados simples para enfrentar os dias mais frios.

 

“Eu procuro caminhar quando preciso resolver alguma coisa e nunca saio sem me agasalhar bem. Percebo que, quando me mantenho aquecida e me movimento um pouco mais, as dores ficam mais suportáveis”, conta.

 

Outro cuidado importante, segundo a especialista, é a hidratação. Mesmo com a redução da sensação de sede durante o inverno, o consumo adequado de água continua sendo fundamental para o funcionamento do organismo e para a saúde muscular e articular.

 

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“Com medidas simples, como permanecer ativo, hidratado e protegido do frio, é possível minimizar os efeitos das baixas temperaturas e atravessar o inverno com mais conforto e qualidade de vida”, conclui Rafaela.
Onde buscar atendimento?

 

Pessoas que apresentam dores persistentes nas articulações, músculos ou coluna devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência para avaliação inicial. Após consulta e exames, caso haja necessidade, o paciente poderá ser encaminhado para atendimento especializado em reumatologia ou outras especialidades da rede pública de saúde.
CRÉDITOS:
Foto: Divulgação/IgesDF
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