Saúde
“Peguei uma bactéria perigosa fazendo trilha”, diz jornalista
A jornalista Beatriz Burgos foi diagnosticada com doença de Lyme, após ter episódios seguidos de desmaios e febre
Uma sucessão de desmaios inexplicáveis, febre acima dos 40° C, dores pelo corpo e mal estar generalizado bagunçaram a vida da jornalista Beatriz Burgos, 37 anos, em 2014. Naquele ano, ela foi diagnosticada com doença de Lyme, a mesma condição que acometeu os cantores Justin Bieber e Avril Lavigne.
No Brasil, a doença ainda é pouco conhecida e os sintomas podem confundir o diagnóstico. “Não imaginava que as dores poderiam ser provocadas por uma infecção. Os exames de sangue vinham alterados, mas ninguém conseguia explicar a causa. Dois médicos chegarem a me dizer que meu caso era um clássico quadro de leucemia”, lembra a jornalista brasiliense.
Enquanto investigava a doença, Beatriz foi questionada por um dos médicos sobre seu histórico de viagens. Nesse momento, a última peça do quebra-cabeças se juntou. “Tinha feito uma trilha em um cânion nos Estados Unidos e, em qualquer atividade ao ar livre, você está exposto a carrapatos. Não me cuidei por não ter noção que aquilo era um risco”, conta.
Doença de Lyme
A doença de Lyme é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi e, raramente, pela Borrelia mayonii. A transmissão ocorre através da picada de carrapatos infectados. A maioria dos casos ocorre depois de atividades ao ar livre, quando há contato com a vegetação. Os carrapatos de animais domésticos não costumam ser bons transmissores de doenças.“É uma doença muito debilitante do ponto de vista imunológico. O paciente tem dificuldades de lidar com ela e sofre prejuízos na qualidade de vida”, afirma o médico Carlos Levischi, do Hospital Albert Einstein.
Sintomas
Os primeiros sintomas costumam aparecer cerca de três a 30 dias após a picada do carrapato. O intervalo varia de acordo com o tempo de incubação da doença. No estágio inicial, ela pode causar febre, dor no corpo, de cabeça, nos músculos e articulações – muitas vezes confundido o quadro é confundido com uma gripe. Também podem surgir manchas na pele em formato de alvo. “São sinais de que a bactéria entrou no organismo”, esclarece Levischi.
Nos casos mais graves, como o de Beatriz, os pacientes podem ter o sistema nervoso central afetado. Quando isso acontece, eles podem ter desmaios, convulsões, meningite e neuropatia. Nesta fase, o tratamento torna-se mais difícil, precisando da combinação de diferentes antibióticos.
Tratamento
O tratamento da infecção é feito com o uso de antibióticos e deve ser iniciado o quanto antes para garantir maiores chances de sucesso. Desde que apresentou os primeiros sintomas, Beatriz demorou mais de um ano para iniciar o tratamento, o que, possivelmente, fez com que a doença se tornasse crônica.
A bactéria da doença de Lyme se espalha pelo organismo com o tempo, podendo afetar outros órgãos e tecidos. “Se a doença não for tratada, a bactéria permanece no organismo e se espalha cada vez mais, chegando a outros órgãos e tecidos”, explica Levischi.
Além disso, quando o tratamento não é feito adequadamente, há o risco de o paciente ter a “cura incompleta”. O organismo não fica completamente livre da bactéria e, com o decorrer do tempo, ela volta a se reproduzir e a manifestar sintomas.
Recaídas
Beatriz conta que completou o tratamento com três semanas de antibiótico e, apenas dois meses depois, voltou a manifestar sintomas. “Foi pior. Tive um derrame na coluna, uma paralisia muito forte do lado esquerdo, levando à suspeita de uma infecção sistêmica”, lembra.
A jornalista passou por mais uma intervenção com quatro semanas de uso de antibiótico intravenoso. Ela ficou com algumas sequelas, como alterações da pressão arterial e formigamentos pelo corpo, mas celebrou a remissão da doença.
Em 2022, em meio a um período intenso de trabalho, Beatriz apresentava sinais de cansaço intenso e acreditou estar atravessando uma crise de burnout. “Começaram a aparecer sintomas daquela época, com desmaios sem nenhum aviso, dor no corpo, febre alta, insônia, a nuca enrijecida, dores que não passavam. Tentava comer e vomitava, tinha enjoo, comecei a emagrecer e me sentia fraca”, diz. Beatriz.
A confusão mental foi decisiva para que decidisse se afastar das atividades como jornalista. “Sempre tive facilidade para escrever textos, entrevistar, articular ideias, mas, por causa do nevoeiro mental, não conseguia mais coordenar as ideias. Começava a escrever e me perguntava ‘o que eu estou escrevendo?’. Era desesperador”, conta.
Desta vez. ela foi submetida a 56 sessões de antibiótico intravenoso através de um acesso no braço. Beatriz está há aproximadamente um ano em tratamento, que seguiu com o uso de antibióticos orais e imunomodulação.
“Não voltei ao meu normal, mas estou caminhando para a remissão da doença. A perspectiva do médico é de que eu chegue ao ponto de não precisar mais das medicações”, afirma.
Por ser uma doença muito ligada ao sistema imunológico, também é indicado que o paciente siga um estilo de vida saudável, com boa alimentação, atividades físicas e controle do estresse para evitar a recidiva.
Levando informação
Hoje Beatriz dedica a maior parte de seu tempo a levar informação sobre a doença de Lyme através do perfil Quero trazer à memoria. Por lá, ela compartilha a rotina e faz lives com médicos. “Primeiro, não quero que ninguém passe pelo o que passei. Segundo, quero que as pessoas saibam que tem luz no fim do túnel. Eu tenho Lyme, mas existe vida apesar disso”, conta.
Prevenção
A principal medida de prevenção da doença é reduzir a exposição a carrapatos em ambientes ao ar livre com o uso de roupas com mangas longas e calças, bem como o uso de repelentes do tipo DEET, destinados a combater os insetos.
Depois das atividades ao livre, deve-se sempre procurar no corpo carrapatos fixados nas roupas e na pele. “Quanto menos tempo o carrapato fica afixado na pele, menor a chance de a doença ser transmitida”, afirma o médico.
Saúde
HUB explica como mudança no nome da Síndrome do Ovário Policístico pode aprimorar diagnóstico e tratamento
Antes conhecida por Síndrome do Ovário Policístico (SOP), agora a doença passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)
Brasília (DF) – O que antes era conhecido por Síndrome do Ovário Policístico (SOP) agora passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). Apesar de ser uma nomenclatura mais complexa, o intuito da mudança é facilitar o diagnóstico e tratamento, oferecendo mais precisão e cuidado multiprofissional para uma doença que é uma das principais causas de infertilidade no mundo e cujos sintomas vão muito além do sistema reprodutivo.
A decisão foi tomada através de um consenso médico global publicado em 12 de maio de 2026 na revista The Lancet e apresentada no European Congress of Endocrinology (ECE 2026) – um dos principais eventos científicos mundiais da Endocrinologia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10 a 13% das mulheres em todo o mundo têm SOMP, e cerca de 70% delas não foram diagnosticadas.
“A mudança do nome surgiu da necessidade de representar melhor a complexidade da doença. A principal vantagem é ampliar a compreensão de que a síndrome vai além de alterações ovarianas e pode impactar a saúde como um todo”, explica Fabyanne Mazutti, ginecologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), gerenciado pela Rede HU Brasil. “A nova nomenclatura ajuda a destacar riscos como resistência à insulina, diabetes, obesidade, alterações do colesterol e hipertensão. Além disso, o novo nome pode reduzir um equívoco muito comum: muitas pessoas acreditam que toda mulher com a síndrome obrigatoriamente apresenta “cistos” nos ovários, o que nem sempre acontece”, completa.
Sintomas
A síndrome está frequentemente associada a alterações metabólicas que favorecem o ganho de peso e provocam um aumento na produção de androgênios, hormônios relacionados ao desenvolvimento de características masculinas. Entre os sintomas mais comuns estão o crescimento excessivo de pelos, acne, ganho de peso e o surgimento de manchas escuras em regiões de dobras da pele, geralmente relacionadas à resistência à insulina. Além disso, a condição pode causar irregularidades menstruais, comprometer a ovulação e dificultar a gravidez, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina.
Além disso, a pessoa diagnosticada com SOMP também pode apresentar queda de cabelo, hipertensão arterial e alterações emocionais, como ansiedade e baixa autoestima.
Diagnóstico
Em meio aos diversos cenários, Fabyanne Mazutti aponta para os desafios na hora do diagnóstico, tendo em vista que os sintomas variam de uma mulher para outra, com algumas pacientes apresentando sintomas mais leves e outras, sintomas mais evidentes. “O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, exames laboratoriais hormonais e metabólicos e ultrassonografia. Atualmente, utilizamos critérios diagnósticos internacionais que consideram irregularidade menstrual, sinais de excesso de hormônios androgênicos e alterações ovarianas ao ultrassom, após excluir outras doenças que possam causar sintomas semelhantes”, comenta.
Com a mudança de SOP para SOMP, almeja-se um cuidado ainda mais humanizado e atencioso às pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que muitas vezes convivem com sintomas físicos e emocionais sem diagnóstico ou acompanhamento adequado. “A expectativa é que a mudança favoreça uma visão mais integral da doença, estimulando o diagnóstico precoce e o acompanhamento multiprofissional. Isso pode ajudar na prevenção de complicações metabólicas e cardiovasculares no futuro, melhorando a qualidade de vida das pacientes e reduzindo impactos na saúde pública”, finaliza Fabyanne.
Rede HU Brasil
O HUB-UnB faz parte da Rede HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 46 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
CRÉDITOS:
Foto: Ilustrativa
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