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Com alta da violência contra mulheres, lei que prevê delegacias 24h no país não avança

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Foto: Agência Brasil

Governo federal diz ser necessária a ampliação de funcionários nos estados para fazer regulamentação

ISABELLA MENON, JOÃO PEDRO PITOMBO, YURI EIRAS, CATARINA SCORTECCI E LEONARDO AUGUSTO
SÃO PAULO, SP, SALVADOR, BA, RIO DE JANEIRO, RJ, CURITIBA, PR, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei em abril que determina que todas as delegacias da mulher devem funcionar 24 horas, incluindo nos fins de semana e feriados. Três meses depois, porém, a medida não avançou no Brasil.

A reportagem consultou dez estados, e apenas no Rio de Janeiro todas as 14 Delegacias de Atendimento à Mulher funcionam ininterruptamente, há cerca de dez anos, segundo a Polícia Civil.

Enquanto isso, as taxas de violências de gênero sobem no país, que registrou quase 75 mil denúncias de estupros em 2022, segundo os dados publicados no mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa um recorde histórico e aponta aumento de 8,2% nos registros de crime sexual em comparação com 2021.

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O Ministério das Mulheres afirma que é preciso ampliar funcionários nas delegacias especializadas para cumprir a lei e diz que está em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública para tratar da regulamentação, mas não há data para implementação nacional.

Segundo especialistas em direito ouvidos pela reportagem, estados que não cumprem a regra estão em desacordo com a legislação. Porém, como não foi estabelecida multa prevista nem prazo, não há imposição.

“Cada estado vai tratar o tema da forma como o grupo político que está a frente do poder”, diz Isabela Castro, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP.

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De acordo com Hugo Leonardo, advogado criminal e conselheiro do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), a lei tem aplicação imediata e não precisaria de regulamentação. Porém, há a questão da despesa dos estados, porque essas polícias são estaduais.

“Há um conflito de interesses e da gestão da segurança pública, que já é sucateada em diversos estados”, afirma.

No estado de São Paulo, há 140 DDMs (Delegacia de Defesa da Mulher) e 11 funcionam ininterruptamente desde antes da sanção da lei. Sete das delegacias se concentram na capital paulista e as outras estão em Campinas, Santos, Barueri e Sorocaba.

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O Governo de São Paulo diz que a nova lei não é clara ao estabelecer as formas de atendimento ao público e que é necessário um prazo para que os estados adequem suas estruturas e quadro profissional.

Em outros oito estados consultados pela reportagem, o atendimento ininterrupto é quase sempre restrito às delegacias da mulher que funcionam nas capitais e em algumas cidades grandes do interior.

No Paraná, são 21 delegacias da mulher, mas só há atendimento 24 horas na unidade de Curitiba. Nas demais cidades, o atendimento fora do horário comercial é prestado nas delegacias de área e centrais de flagrante.

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Também é possível fazer boletins de ocorrência online.
O cenário é o mesmo no Rio Grande do Sul, que tem 21 delegacias da mulher com atendimento 24 horas só em Porto Alegre. A Polícia Civil diz que a ampliação do horário para todas as unidades está em análise.

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Santa Catarina, por sua vez, possui 32 delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, que fazem o atendimento entre 8h e 18h.
Para cumprir a lei, a polícia informou que está implantando espaços para atender mulheres dentro das Centrais de Plantão de Polícia, que funcionam 24 horas. A polícia recomenda a delegacia virtual.

Na Bahia, são 15 Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher e nove Núcleos Especiais de Atendimento à Mulher. Dentre as delegacias, quatro funcionam de forma ininterrupta nas cidades de Salvador, Camaçari e Feira de Santana.

Nas demais cidades, o atendimento extraordinário é realizado nas sedes das dez Coordenadorias Regionais de Polícia do Interior que têm delegacias da mulher. Ocorrências de menor potencial ofensivo podem ser registradas online.

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O Ceará dispõe de dez Delegacias de Defesa da Mulher, mas só duas funcionam de forma ininterrupta, em Fortaleza e Juazeiro do Norte. A Polícia Civil diz que deve ampliar do atendimento às mulheres cis e trans, por meio de novas unidades da Casa da Mulher Cearense em Crateús e Tauá.

No Amazonas, a Polícia Civil do estado informou que, das três delegacias de atendimento às mulheres na capital, uma funciona 24 horas.

A situação parecida ocorre em Minas Gerais, onde apenas há apenas uma delegacia de atendimento à mulher de Belo Horizonte que é ininterrupta. Já nas cidades do interior, ocorrências de violência doméstica e familiar fora do horário de expediente são encaminhadas para delegacias de plantão.

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Em Mato Grosso, são oito delegacias da mulher, mas o atendimento 24 horas é restrito a Cuiabá. A Polícia Civil diz que 24 delegacias no interior têm núcleos de atendimentos à mulher. Há, ainda, a opção online pela busca por ajuda.

Presidente do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Jacqueline Valadares diz apoiar a lei como forma de acolhimento às vítimas de violência, principalmente durante a noite e aos finais de semana, quando as delegacias estão fechadas.

Porém, diz que a legislação possui falhas. “A lei não analisa a realidade de cada estado. Tem estado que possui só duas ou três delegacias da mulher. Em São Paulo, há a maior rede de atendimento do país”, afirma.

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Valadares relembra que São Paulo possui um déficit de 38% dos servidores da Polícia Civil, ou seja, cerca de 16 mil profissionais. Por isso, argumenta, é inviável que todas as DDMs passem a funcionar ininterruptamente, sendo seria necessária a contratação de 2.800 funcionários para cumprir a lei.

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Também diz que é preciso o reforço na infraestrutura das delegacias.
Wânia Pasinato, assessora sênior da ONU Mulheres, faz outra ressalva.

Segundo ela, faltam evidências de que delegacias que funcionam de forma ininterrupta sejam essenciais para as mulheres vítimas de violência. “A vítima pode procurar, mas o que ela faz ali é apenas um ponto de partida que é o BO [boletim de ocorrência], que vai desencadear num inquérito, que não vai ser feito no plantão”, afirma.

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“Se não for flagrante, temos que nos perguntar qual a vantagem de fazer esse deslocamento no meio da noite, sendo que nem sempre a vítima tem condição”, afirma Pasinato, que pondera também que nesses casos a prioridade muitas vezes seria buscar por um hospital.

A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que registrou um aumento nas taxas de registro de estupro nos primeiros seis meses de 2023, afirma ainda que possui uma estrutura que permite que as mulheres registrem esses crimes por meio da internet 24 horas por dia.

Para Pasinato, a possibilidade de realizar o boletim de ocorrência online, por outro lado, também não é suficiente. “Uma mulher que foi vítima de violência precisa de um atendimento humanizado, um profissional que ouça e oriente sobre o registro. A mulher tem dúvida, vergonha, medo, não sabe se está fazendo o certo”, diz.

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SAIBA ONDE ENCONTRAR DDMS EM SP QUE FUNCIONAM 24H

1º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Centro
Rua Bittencourt Rodrigues, 200, Parque Dom Pedro – (11) 3241-3328 (plantão) | (11) 3241-2263
2º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Sul
Avenida Onze de Junho, 89, Vila Clementino – (11) 5084-2579 | (11) 5081-5204
4º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Norte
Avenida Itaberaba, 731, 1º andar, Freguesia do Ó – (11) 3976-2908
5º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Leste
Rua Dr. Corinto Baldoíno Costa, 400 – Parque São Jorge – (11) 2293-3816 | (11) 2941-9770
6º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Sul
Rua Sargento Manoel Barbosa da Silva, 115, 2º andar – Campo Grande – (11) 5521-6068
7º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Leste
Rua Sábbado D’Ângelo, 64-A, Itaquera – (11) 2071-3488 | (11) 2071-4707
8º Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – Leste
Avenida Osvaldo Valle Cordeiro, 190, Jardim Marília – (11) 2742-1701
2ª DDM Campinas
Rua Ferdinando Panattoni, 590 – Jd. Pauliceia – (19) 3242-5003
DDM Santos
Rua Dr. Assis Correa, 50 – Altox – Gonzaga – (13) 3223-9670
DDM Sorocaba
Rua Caracas, 846 – Parque Campolis – (15) 3232-1417
DDM Barueri
Avenida Sebastião Davino dos Reis, 756 – Jardim Tupanci – (11) 4198-3145

Fonte: Jornal de Brasilia

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No Distrito Federal, operações do Governo do Brasil prendem 448 suspeitos de crimes contra mulheres e reforçam ações do Pacto contra o Feminicídio

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Operações Mulher Segura e Alerta Lilás mobilizaram forças de segurança federais e estaduais entre fevereiro e março, resultando em prisões em flagrante e cumprimento de mandados contra agressores em todo o país

 

Durante 15 dias, a operação Mulher Segura mobilizou 38.564 agentes de segurança, com apoio de 14.796 viaturas, em 2.050 municípios brasileiros. Foto: Divulgação/Polícia Civil do Rio Grande do Sul
No Distrito Federal, 448 pessoas foram presas durante operações coordenadas pelo Governo do Brasil nas últimas semanas para combater a violência contra mulheres e meninas. As detenções ocorreram no âmbito da Operação Mulher Segura, em parceria com as Secretarias de Segurança Pública estaduais, e da Operação Alerta Lilás II, conduzida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No DF, 439 pessoas foram presas na Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março. Já a Operação Alerta Lilás, conduzida pela PRF entre 9 de fevereiro e 5 de março, resultou em 9 prisões em cumprimento de mandados relacionados a crimes de violência contra mulheres.
As duas iniciativas fazem parte das ações do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, que articula Executivo, Legislativo e Judiciário para ampliar a prevenção da violência, fortalecer a proteção às vítimas e garantir a responsabilização de agressores.
NACIONAL – Em todo o país, as duas operações coordenadas pelo Governo do Brasil resultaram na prisão de 5.238 suspeitos de crimes relacionados à violência de gênero. Na Operação Mulher Segura, foram registradas 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados de prisão. Na Alerta Lilás, foram presas 302 em flagrante ou com mandados de prisão relacionados a crimes de violência contra mulheres.
MILHARES DE AGENTES – Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Operação Mulher Segura contou com a participação das forças de segurança de 26 unidades da Federação, com exceção do Paraná, que já realizava operação semelhante no mesmo período.
Durante 15 dias, a operação mobilizou 38.564 agentes de segurança, com apoio de 14.796 viaturas, em 2.050 municípios brasileiros. Foram realizadas 42.339 diligências, com 18.002 medidas protetivas de urgência acompanhadas e 24.337 vítimas atendidas.
No campo da prevenção, foram promovidas 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram 2,2 milhões de pessoas, reforçando ações educativas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Para ampliar a capacidade operacional dos estados, o Ministério da Justiça destinou cerca de R$ 2,6 milhões para pagamento de diárias de policiais, ampliando o efetivo empregado nas ações. A operação integra o Projeto VIPS – Vulnerabilizados Institucionalmente Protegidos e Seguros, iniciativa estratégica voltada à proteção de grupos vulnerabilizados.
MAIOR DA HISTÓRIA – Paralelamente à mobilização nos estados, a Polícia Rodoviária Federal realizou a Operação Alerta Lilás, considerada a maior ação da história da instituição voltada à proteção de mulheres.
Entre 9 de fevereiro e 5 de março, a PRF intensificou ações de inteligência e fiscalização para localizar e prender agressores procurados pela Justiça nas 27 unidades da Federação. O resultado foi a prisão de 302 pessoas em flagrante ou em cumprimento de mandados relacionados a crimes de violência contra mulheres, reforçando o enfrentamento qualificado à violência de gênero em âmbito nacional.
Do total das ocorrências, 119 (39,4%) contaram com participação da atividade de inteligência da PRF. As demais 183 prisões (60,6%) decorreram de flagrantes realizados pelo efetivo operacional.
PLANO DE TRABALHO – As operações Mulher Segura e Alerta Lilás II integram o plano de trabalho apresentado na última quarta-feira (4) pelo Comitê Interinstitucional de Gestão do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. O plano tem a finalidade de organizar, integrar e consolidar as ações prioritárias, previstas no compromisso firmado em 4 de fevereiro de 2026 pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para o enfrentamento ao feminicídio.
Entre as medidas previstas está a realização de mutirões nacionais para cumprimento de mandados de prisão de agressores, além do fortalecimento da rede de acolhimento e atendimento às vítimas.
O plano também prevê ações para acelerar a concessão e o monitoramento de medidas protetivas de urgência, ampliar a integração entre órgãos de segurança e justiça e promover iniciativas educativas voltadas à prevenção da violência de gênero.
Também estão previstas a criação de um Centro Integrado Mulher Segura para monitoramento de dados, a implantação de unidades móveis de atendimento a mulheres em situação de violência e a ampliação da rede de acolhimento.

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Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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