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Educação

QUEM DEVE ALFABETIZAR: EDUCAÇÃO INFANTIL OU ENSINO FUNDAMENTAL?

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A Educação Infantil deve ou não ser responsável pela alfabetização? O questionamento é recorrente entre as famílias e professores, envolvendo muita responsabilidade pedagógica e conhecimento sobre o desenvolvimento estudantil.

Considerando o ponto de vista legal e pedagógico, a alfabetização formal não é objetivo da Educação Infantil. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não  estabelece o desenvolvimento integral da criança nessa fase, respeitando o tempo, corpo e as formas próprias para aprendizagem. Assim, a alfabetização para ler e escrever é uma responsabilidade do Ensino Fundamental.

Contudo, a recomendação não significa ausência de intencionalidade. De acordo com a psicopedagoga, psicanalista e neurocientista, Ângela Mathylde Soares, a Educação Infantil deve preparar os pequenos com o desenvolvimento de habilidades básicas para sustentar a leitura e escrita no futuro, como fortalecimento da linguagem oral e interação social.

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O corpo também deve ser considerado. A neurociência explica que o cérebro infantil aprende com movimento, pelo afeto e pela experiência concreta. Antes de aprender o alfabeto, por exemplo, existe o equilíbrio, a coordenação motora, a lateralidade, o esquema corporal, a noção espacial e temporal. A leitura e escrita não existem em um corpo que não sustenta atenção, postura e intenção.

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Assim, a Educação Infantil não deve silenciar o corpo com apostilas e treino de letras, antecipando exigências de um cérebro que ainda não está pronto. Para Ângela, a alfabetização não deve acelerar processos e a infância. A brincadeira e o movimento fazem parte do processo e de uma aprendizagem de qualidade.

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6 sinais de que a criança realmente aprendeu o que estudou

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Especialista explica como identificar quando a criança compreendeu um conteúdo e não apenas memorizou informações para uma prova

Uma boa nota nem sempre significa que a criança realmente compreendeu um conteúdo. Em alguns casos, ela consegue memorizar informações para uma avaliação, mas tem dificuldade para explicar o assunto com as próprias palavras ou aplicar aquele conhecimento em uma situação diferente.

Segundo Raquel Nazário, diretora da Maple Bear Brasília, a aprendizagem pode ser percebida em comportamentos que vão além do desempenho em provas e atividades. “Aprender de verdade é quando a criança consegue levar aquilo que descobriu para outros contextos. Ela não apenas lembra uma informação, mas consegue explicar, questionar, fazer relações e encontrar caminhos para utilizar aquele conhecimento”, afirma.

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Confira seis sinais de que a criança realmente aprendeu:

1. Consegue explicar o conteúdo com as próprias palavras

Quando a criança compreende um assunto, consegue explicá-lo sem depender da definição apresentada pelo professor ou reproduzir exatamente o que está escrito no material didático.

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2. Faz conexões entre diferentes assuntos

Relacionar um conteúdo novo com conhecimentos anteriores mostra que a criança está construindo uma compreensão mais ampla. Uma informação deixa de ser isolada e passa a fazer parte de um repertório.

3. Consegue aplicar o conhecimento em situações diferentes

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Saber uma regra ou fórmula não significa necessariamente compreender como ela funciona. Quando a criança consegue utilizar o que aprendeu para resolver um problema diferente daquele apresentado em sala, demonstra que assimilou o conceito.

4. Faz perguntas que aprofundam o assunto

Questionamentos sobre causas, consequências e possibilidades mostram que a criança não está apenas recebendo informações, mas tentando compreender o conteúdo de maneira mais ampla.

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5. Identifica e corrige os próprios erros

Perceber que uma resposta não funcionou, revisar o raciocínio e tentar outro caminho são habilidades importantes para a aprendizagem. O erro passa a ser parte do processo de descoberta, e não apenas algo a ser evitado.

6. Consegue ensinar o que aprendeu

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Explicar um conteúdo para outra pessoa exige que a criança organize as informações, selecione o que considera importante e encontre uma maneira de tornar o assunto compreensível. Por isso, ensinar também pode ser uma forma de consolidar o conhecimento.

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Para Raquel Nazário, o papel dos adultos é observar o processo de aprendizagem e não apenas o resultado final. “Nem sempre a aprendizagem aparece em uma nota. Às vezes, ela está em uma pergunta diferente, em uma tentativa de resolver um problema por outro caminho ou na capacidade de explicar algo que antes parecia difícil. Esses pequenos avanços mostram como a criança está construindo o próprio conhecimento”, explica.

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