Cultura
Turnê Bolshoi chega a Brasília em abril com clássicos do balé, atividades gratuitas e busca por novos talentos
Programação entre os dias 9 e 11 inclui apresentações como “O Quebra-Nozes” e “Carmen”, além de workshops gratuitos e audições na CAIXA Cultural Brasília
Brasília se prepara para receber, em abril, uma imersão no universo da dança clássica. Entre os dias 9 e 11, a Turnê Bolshoi Brasil CAIXA Seguridade desembarca na capital com uma programação que combina grandes espetáculos, formação artística e oportunidades para novos talentos.
Referência internacional no ensino do balé, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, única filial do tradicional Teatro Bolshoi fora da Rússia , traz à CAIXA Cultural Brasília um recorte do repertório que ajudou a consolidar o balé como uma das expressões artísticas mais sofisticadas e universais.
O ponto alto da programação acontece no dia 10 de abril, com duas apresentações que dialogam com diferentes momentos da história da dança. Às 15h, a tradicional Gala Bolshoi reúne trechos de obras consagradas como “O Quebra-Nozes”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, além de variações de “Don Quixote” e “O Corsário”, conhecidas pelo virtuosismo técnico, giros precisos e saltos que exigem alto nível dos bailarinos.
Já às 19h, o público poderá assistir ao balé completo “Carmen”, inspirado na obra de Prosper Mérimée, com música de Georges Bizet. A montagem, coreografada por William de Almeida, propõe uma leitura contemporânea da história da cigana Carmen, marcada por intensidade dramática, liberdade e tragédia, elementos que reforçam a força narrativa da dança para além da técnica.
Os ingressos para os espetáculos do dia 10 estão à venda na bilheteria da Caixa ou pelo site www.bilheteriacultural.com.br, com valores acessíveis a partir de R$ 15 (valor referente à meia-entrada destinada a estudantes, idosos, pessoas com deficiência e clientes CAIXA).
Programação gratuita
Além dos espetáculos, a turnê amplia o acesso à arte com iniciativas voltadas à formação de público e de novos bailarinos. No dia 9 de abril, às 15h, um espetáculo gratuito e fechado para ONGs e projetos sociais do Distrito Federal promove o primeiro contato de muitas crianças com o universo do balé. “Vivenciar de perto um espetáculo dessa dimensão amplia horizontes e desperta sonhos”, destaca a diretora da escola, Celia Campos.
A programação segue no dia 11 com workshops gratuitos de dança clássica, baseados no Método Vaganova, referência mundial na formação de bailarinos. As aulas promovem uma imersão na técnica e são voltadas para crianças e adolescentes, com turmas organizadas por faixa etária e nível de experiência: das 9h às 10h30, para participantes de 9 a 12 anos, e das 10h45 às 12h15, para o público de 11 a 15 anos.
Outro destaque é a realização de audições para novos alunos, nos dias 10 e 11. O processo seletivo avalia habilidades físicas e artísticas, como postura, flexibilidade e expressão cênica, e é aberto tanto para iniciantes quanto para candidatos com experiência em dança. No dia 10 de abril (sexta-feira), a pré-seleção acontece às 10h30, para crianças de 8 a 10 anos. Já no dia 11 (sábado), as avaliações ocorrem em dois horários: das 14h às 15h30, para participantes de 11 a 13 anos, e das 15h45 às 17h15, para adolescentes de 14 a 16 anos. Os aprovados seguem para a etapa final, em Joinville (SC), com possibilidade de ingresso na escola em 2027, e candidatos em situação de vulnerabilidade social podem solicitar isenção da taxa de inscrição.
SERVIÇO – Turnê Bolshoi Brasil em Brasília
Espetáculos – 10 de abril (sexta-feira)
• Gala Bolshoi – 15h (classificação livre)
• Balé “Carmen” – 19h (12 anos)
Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira)
Local: CAIXA Cultural Brasília – Setor Bancário Sul, Quadra 4, Lotes 3/4 – Edifício Anexo à Matriz da CAIXA
Vendas: bilheteria da CAIXA Cultural Brasília (terça a sexta e domingo, das 13h às 21h, aos sábados, das 09h às 21h) ou no site: bilheteriacultural.com.br
Workshop gratuito – 11 de abril (sábado)
• 9h – iniciante (9 a 12 anos)
• 10h45 – iniciante/intermediário (11 a 15 anos)
Inscrições: bolshoi.escolabolshoi.com.br/
Audições: 10 e 11 de abril
Valores: R$ 40 até 08 de abril
Obs: Candidatos com vulnerabilidade social ou de escolas públicas, projetos sociais ou ONGs podem pedir isenção da taxa de inscrição, via documentos do site.
Inscrições e informações: bolshoi.escolabolshoi.com.br
Créditos:
Espetáculo Carmen – Por Lucio Cabral
Cultura
FGV ARTE Inaugura nova exposição – Eu chorei rios: Arte dos povos originários da América
A FGV Arte inaugura, no dia 6 de maio de 2026, na sede da Fundação Getulio Vargas, Zona Sul do Rio de Janeiro, a exposição Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff. Este é o oitavo projeto expositivo realizado pela instituição, desde a sua inauguração em 2023.
A mostra apresenta um conjunto amplo e heterogêneo de produções que operam como formas de pensamento, conectando imagem, matéria e narrativa. Pinturas, fotografias, esculturas, objetos, mantos, instalações e artefatos históricos compõem um panorama plural de linguagens e cosmologias, reunindo criações de diversos povos originários da América Latina. Ao confrontar leituras universalizantes, o projeto inscreve essas produções no campo expandido da arte contemporânea, em diálogo direto com disputas territoriais, institucionais e epistemológicas do presente.
Eu chorei rios se constrói também como desdobramento da exposição Adiar o fim do mundo, apresentada em 2025 na FGV Arte e orientada pelas reflexões de Ailton Krenak, deslocando o foco do diagnóstico da crise para a afirmação de práticas e presenças que persistem e transformam mundos. Para Herkenhoff, “se antes a questão do antropoceno era colocada em xeque como narrativa dominante, aqui ela se expande em múltiplas formas de existência que recusam a separação entre natureza e cultura, sujeito e território, reconfigurando a arte como espaço de continuidade, contraposição e invenção”.
A participação de Glicéria Tupinambá na curadoria introduz uma inflexão decisiva, ao trazer para o centro da exposição aquilo que ela define como nhe’ẽ se, o “desejo de fala”: “A gente chega na arte com esse desejo de falar, de falar de um lugar que nunca foi ouvido, sempre foi silenciado”, observa a curadora. “Os povos indígenas sempre fizeram arte, mas não tinham o direito de dizer o que aquilo era.” A atuação de Glicéria
integra arte, pesquisa e ação comunitária, atravessando a mostra com uma perspectiva que amplia o campo de leitura das obras e desloca seus próprios fundamentos.
Nesse contexto, a presença de artistas como Daiara Tukano, Yaka Edilene Sales Huni Kuin, Lastenia Canayo e Rita Pinheiro Sales Kaxinawá evidencia o papel central das mulheres nas cosmologias indígenas e na produção artística. Seus trabalhos operam como enunciações de mundo, articulando grafismos, narrativas, cantos e sistemas de conhecimento que atravessam gerações, ao mesmo tempo em que tensionam leituras historicamente marginalizantes.
A exposição se organiza como um campo de visibilidade em disputa, em que diferentes temporalidades e regimes de representação se confrontam. Obras contemporâneas convivem com peças históricas, artefatos, registros fotográficos e produções audiovisuais, evidenciando tanto a persistência quanto os conflitos em torno das imagens indígenas. Nesse conjunto, destacam-se trabalhos de Ailton Krenak, Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Djanira, Gustavo Caboco, Keyla Sobral, Lygia Pape e Mestre Valentim.
A noção de território atravessa o projeto não apenas como tema: pinturas, mantos, objetos, vídeos e intervenções espaciais configuram a exposição como um espaço de demarcação simbólica, em que a arte atua como prática de inscrição e reivindicação. “Os cantos, as histórias, o que a gente vive no corpo: é isso que preserva a memória”, afirma Glicéria. “A nossa cultura não está só na materialidade. Ela é cantada, celebrada, dançada, e passa de geração em geração.”
A mostra se expande para além do espaço expositivo, ocupando a fachada e a esplanada da FGV com intervenções que ampliam a experiência do público. Entre elas, a pintura de Xadalu Tupã Jekupé, um jardim circular concebido especialmente para a ocasião e a presença de obras que ativam o espaço externo como campo sensorial. A instalação de Jaider Esbell atua como um gesto de acolhimento, introduzindo o visitante em uma dimensão cosmológica da exposição. “É uma imersão. O corpo entra nesse espaço e começa a experimentar essas diferentes camadas”, observa a curadora.
Também presente na mostra como artista, Glicéria Tupinambá desenvolve um dos eixos centrais a partir do Manto Tupinambá, apresentado tanto como obra quanto em uma ação na abertura. Distanciando-se da ideia de performance como linguagem formal, ela propõe uma ativação que convida o público à experiência. “O que eu faço é convidar as pessoas a sentirem. Rezar não dói, cantar não dói, dançar não dói. É uma forma de tirar o manto da vitrine e colocá-lo em movimento no corpo e no mundo.” Ao deslocar o manto de sua condição museológica, o gesto reinsere essa forma em um circuito vivo, abrindo novas possibilidades de percepção e relação.
Eu chorei rios contribui para reconfigurar os próprios termos de visibilidade das produções indígenas. “A gente não está impondo nada aqui. A intenção é um processo de diálogo, de construção, de fazer o outro entender como a gente vê o mundo.” Nesse sentido, a exposição se inscreve como um gesto de escuta e posicionamento institucional, no qual a arte se apresenta como meio de pensar, sustentar e demarcar mundos possíveis.
A FGV Arte reafirma seu compromisso com a formação de público e a democratização do acesso à arte e à cultura por meio de um programa educativo e acadêmico estruturado. Ao longo da exposição, a instituição receberá mais de 100 escolas e cerca de 5 mil estudantes da rede pública de ensino em visitas mediadas, promovendo experiências qualificadas de aproximação com a arte. Em diálogo com essa frente, o programa acadêmico se organiza como um eixo complementar de reflexão e produção de conhecimento, reunindo atividades formativas e iniciativas voltadas ao aprofundamento crítico dos temas propostos pela exposição.
SOBRE A FGV ARTE
Localizada na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte é um espaço voltado para a valorização, a experimentação artística e os debates contemporâneos em torno da arte e da cultura, buscando incentivar o diálogo com setores criativos e heterogêneos da sociedade, dividindo-se em três eixos principais: exposições, publicações e atividades educacionais – acadêmicas e práticas. Tem como curador chefe, o crítico Paulo Herkenhoff.
SERVIÇO:
“Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”
Curadoria: Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff
Abertura: 06 de maio de 2026,das 19h às 21h Encerramento: 20 de setembro de 2026
Local: FGV Arte | Esplanada da Fundação GetúlioVargas End: Praia de Botafogo, nº 186 – Botafogo
Rio de Janeiro | RJ Tel: (21) 3799-5537
Website: Link Instagram: @fgv.arte
Horários de funcionamento:
De terça a sexta, das 10h às 20h Sábados e domingos, das 10h às 18h
Entrada gratuita| Classificação livre
CRÉDITOS:
Fotos: Divulgação
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