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Epreendedorismo

Mais visibilidade para as catadoras e catadores de lixo

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A maioria dos catadores está presa a uma rotina triste e sem esperança. Em Brasília, oito cooperativas ainda não são remuneradas pelo governo

Amanda Karolyne
redacao@grupojbr.com

A catadora Aline Souza, que chamou a atenção de todo o Brasil, no dia primeiro de janeiro, ao passar a faixa presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer usar de toda a visibilidade que ganhou no começo do ano, para conscientizar a sociedade sobre a importância da categoria de catadores. A ativista do meio ambiente e representante das catadoras e catadores de materiais recicláveis, espera que esse ano as pessoas se livrem do preconceito e discriminação. Segundo Aline, o Brasil ainda tem três mil lixões a ceu aberto

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Uma grande maioria dos catadores está presa a uma rotina triste e sem esperança. Aline aponta que, em Brasília, oito cooperativas ainda não são remuneradas pelo governo. A luta de Aline é para que a categoria possa usufruir dos direitos reconhecidos por lei. “O catador é um vencedor, ele acorda cedo, deixa os seus filhos, sua família e vai trabalhar a serviço da sociedade, e muitas vezes sem remuneração”, reforça. Ela tem muito orgulho de ser catadora, e já viu comentários de pessoas que não entendem porque ela faz parte da terceira geração de catadoras da família. “Eu como pessoa, como cidadã, sem ser catadora, eu reconheço como um avanço, ter uma terceira geração de pessoas que estão fazendo o serviço que ninguém quer fazer, e que é necessário ser feito”, declarou.

Ela se pergunta quantas gerações deverão existir para poder reparar o dano que a população – e não só a população, mas os governantes, empresas e etc, tem com relação ao manejo adequado do lixo. Ela acredita que fora do Brasil a nossa política nacional de resíduos, a Lei 12.305, é muito usada como exemplo, mas a sociedade dentro do país, não dá valor para isso. “Então o que a gente vê a cada governo, é que as pessoas não a tratam como prioridade, mas priorizam projetos internacionais como se fosse salvadores milagrosos”.

A Centcoop planeja trabalhar com o envolvimento da sociedade, e Aline afirma que por mais que muitas portas sejam fechadas, o projeto para 2023 é tentar trazer a população para essa realidade da responsabilidade compartilhada do manejo e destinação correta dos resíduos. Vão ser trabalhados dois projetos principais. Um deles é o das lixeiras inteligentes, que surgiu na Itália. “É uma tecnologia simples que consegue conectar a sociedade a essa destinação adequada dos resíduos, com a cadeia produtiva da reciclagem”. Ela explica que conheceu a iniciativa na feira do Eco Mundo, e ele funciona através de um aplicativo com cadastramento, onde a pessoa aproxima o aparelho perto da lixeira com leitor ótico, que vai ler a embalagem. “Então a indústria, o fabricante, também vai ter que fazer parte desse novo sistema de coleta, vai gerar um QR code na embalagem, para ser lido pela lixeira, e a pessoa que descartou o produto utilizando o cadastro nesse aplicativo, vai ganhar pontos e usar nas redes credenciadas”, descreve.

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Aline aponta que por dia, 1 quilo e meio de lixo é produzido por habitante. “Desse um quilo e meio, vamos colocar aí que 1 kg foi reciclado, e meio foi colocado como rejeito. Então, já pensou se você recebe de volta, uma pontuação para diminuir seu custo em postos de gasolina, farmácias, mercados, cursos e em tudo que você for acessar de necessidade básica?”, questiona. A ideia é fazer testes em no DF, para ver se o projeto pode ser aplicado na capital.

Ela quer aproveitar o pouco da visibilidade que conquistou, para que as pessoas conheçam mais sobre a realidade dos catadores, sobre a importância que eles têm para a sociedade. E para as pessoas saberem que elas também fazem parte da solução. “Catadores e cooperativas são parte da solução, assim como toda a sociedade, o poder público, e as indústrias de iniciativa privada”.

O perfil da catadora

Aline tem 33 anos, é mãe de sete filhos, e é catadora desde os 14 anos. Quando fez 18 anos, ingressou na cooperativa, na base que é em Recife. A mãe e a avó de Aline são catadoras, assim como o pai dela também foi. Hoje ela é presidente da Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis do DF (Centcoop), uma cooperativa de segundo grau em uma rede que agrega 21 cooperativas, e associação de catadores com mil catadores associados. “E a gente hoje tem a missão de devolver para a cadeia produtiva, os materiais recuperados pelas cooperativas, pelos catadores, parte dos resíduos que são direcionados para as cooperativas”, explica. Aline elabora que a outra missão, é de fazer a comercialização conjunta das cooperativas, inserindo esse produto trabalhado na cadeia, para chegar até a indústria. “E da indústria, ele começa um novo ciclo. O que faz parte da economia circular”.

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Então, além de prestar vários tipos de serviço para as cooperativas, desde a parte logística reversa, central, também articula com a esfera de governo a respeito de contrato, e direitos básicos. “A gente sempre está nesse atendimento muito presente nas cooperativas no DF”, frisa. Mas ela ressalta que também tem uma participação nacional e internacional na categoria. Ela faz parte do movimento nacional dos catadores. Atualmente, grande parte da categoria de catadores é formada por mulheres. Segundo Aline, e a maioria delas, são mulheres negras. “Esse é o perfil dos catadores no país”.

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Aline faz parte de uma comunidade internacional chamada Aliança Internacional dos Catadores, fortalecida pela Rede Lacre, de catadores e recicladores da América Latina. Ela é representante junto com Severino Junior, catador de Natal, que com outros dois catadores do Panamá, representam a Secretaria Operativa dessa comunidade internacional. Com as oportunidades que surgiram na cooperativa, a aquisição da casa própria em 2009, pela Caixa Econômica Federal, o apoio da pastoral de evangelização de uma igreja na Vicente Pires, e várias outras entidades, para construir a cooperativa, ela pode sair da informalidade. “E aí eu venho participando de várias ações da cooperativa, fui jovem aprendiz da Caixa Econômica por meio dela. Participei de um projeto, e me tornei bolsista, para cuidar da parte administrativa e fortalecer a empresa”, conta.

Em 2012 foi convidada para fazer parte da Centcoop, e em 2015 concorreu à presidência e foi eleita. A primeira mulher negra a ser eleita presidente da segunda maior central de cooperativas do Brasil, que só perde para o Rio de Janeiro, com 31 empreendimentos. Em 2023, ela está em seu terceiro e último mandato. Depois disso, ela pretende voltar a estudar, porque teve que abandonar a faculdade de Direito. “Quero voltar a estudar para voltar para a categoria, advogando. Porque o que eu almejo, é dar apoio real na esfera jurídica, na área de promotoria. Defendendo os direitos não só do catador, mas do meio ambiente”, destaca.

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A ativista quer fazer parte dos avanços e defender os direitos básicos dos catadores. E paralela a parte acadêmica, ela pretende voltar à base, para trabalhar a questão de formação de lideranças. “Para fomentar o surgimento de mais lideranças, para que surjam novas Lady Laura’s, por exemplo, que é uma das lideranças que estão comigo em Brasília, e fazem um belo trabalho”, cita. Para Aline, não se trata de usar o momento marcante da faixa a favor dela mesma. “Se trata de nós. Da minha categoria, da população preta e pobre, da mulher. Eu quero que essa oportunidade sirva para as pessoas lembrarem das necessidades básicas do povo”.

Fonte: Jornal de Brasilia

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Epreendedorismo

Mulheres impulsionam franquias e venda direta na maior rede de chocolates do mundo

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No Brasil, o empreendedorismo feminino é, além de uma escolha de carreira, um motor de transformação social e econômica. Segundo dados do Sebrae e do IBGE, cerca de 49% das mulheres empreendedoras no país são chefes de domicílio, assumindo a responsabilidade principal pelo sustento de seus lares. Esse movimento é percebido, principalmente na venda direta, um setor onde 60% dos profissionais são mulheres, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD). Na Cacau Show, essas estatísticas ganham rosto e voz com trajetórias que conectam a revenda porta a porta ao comando de grandes operações franqueadas.
Um grande exemplo dessa evolução é a empresária Juliana Cortezia, hoje à frente de quatro operações no Mato Grosso. Sua história com a marca começou há 14 anos, em uma pequena loja no modelo “marfim” (padrão visual clássico da rede na época) em Lucas do Rio Verde e acompanhou toda a modernização da marca até chegar ao conceito imersivo da Super Store.
Aos 20 anos, recém-formada em Gastronomia, ela contou com o apoio da mãe como sócia para abrir a franquia. Longe de se acomodar, Juliana buscou na educação a base para sua liderança: graduou-se também em Direito para se especializar na gestão do negócio. O que começou com apenas ela e mais uma funcionária, transformou-se em uma estrutura que hoje emprega 19 colaboradores.
Atualmente, ela administra duas lojas em Sorriso e duas em Lucas do Rio Verde, incluindo uma Super Store (formato de grande porte, com cafeteria e gelateria). Juliana também foi pioneira: muito antes de a Cacau Show formalizar o canal de venda direta, ela já vislumbrava o potencial da revenda, oferecendo descontos para parceiros que levavam os produtos para cidades do interior onde a marca ainda não chegava.
A visão estratégica de Juliana se reflete em todo o ecossistema da marca, especialmente nos 240 mil revendedores que atuam em todo o país. Em Prado Ferreira (PR), Deisiane Couto de Souza provou que o tamanho da cidade não limita o sucesso, alcançando o topo do ranking nacional de vendas. Já em Belém do São Francisco (PE), a professora Cheila Lúcia Alves Gomes encontrou na revenda um caminho de superação após enfrentar problemas de saúde, conquistando independência financeira e autonomia.
A força feminina na Cacau Show se manifesta em todas as escalas, seja no lucro que financia um projeto social de música, como faz a revendedora Joyce Gabrielly em Minas Gerais, ou na conclusão de uma segunda graduação, como no caso de Bianca dos Santos, no Paraná.
Para a marca, onde mais de 90% das 4.700 lojas são franquias, o sucesso de mulheres como Juliana e de milhares de revendedoras reflete o compromisso de oferecer oportunidades que potencializam a liderança e o impacto social em cada região do Brasil.

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