Esporte
Hermoso rebate técnica da Espanha por não convocação: ‘Proteger-me do quê? E de quem?’
Foto: Reprodução/Instagram
A técnica Montse Tomé divulgou sua primeira lista de relacionadas com 15 atletas que estiveram na Copa do Mundo da Austrália e Nova Zelândia.
A queda de Luis Rubiales da presidência da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) não foi o suficiente para acalmar a crise na seleção espanhola feminina. Mesmo com o pedido de 39 jogadoras (entre elas, 21 campeãs mundiais) para não serem convocadas, a técnica Montse Tomé divulgou sua primeira lista de relacionadas com 15 atletas que estiveram na Copa do Mundo da Austrália e Nova Zelândia. Pivô do caso de Rubiales, Jenni Hermoso não foi chamada e rebateu a justificativa da nova treinadora.
Em suas redes sociais, ela publicou um comunicado em apoio às colegas que foram convocadas, mesmo contra vontade, e ainda respondeu à nova treinadora espanhola, contratada para o lugar de Jorge Vilda, demitido semanas após a conquista inédita do Mundial.
“Proteger-me do quê? E de quem?”, perguntou a atacante do Pachuca em seu texto. Ela teve seu pedido de não convocação atendido, mas os motivos apresentados pela nova técnica da Espanha não a convenceu. Pelo contrário, a irritou. Montse Tomé justificou a ausência de Jenni afirmando que “a única forma de ajudá-la é ouvi-la. Acreditamos que a melhor forma de protegê-la é assim.”
“Nós estamos procurando a semanas – até meses – por proteção da RFEF que nunca aconteceu. As pessoas que hoje pedem nossa confiança são as mesmas que hoje divulgaram a lista de jogadoras que pediram para que NÃO fossem chamadas”, disse Jenni Hermoso em determinado trecho.
A atacante, que foi beijada à força por Rubiales no momento da premiação, ainda fez sérias acusações sobre a entidade espanhola “As jogadoras estão certas de que isso é outra estratégia de divisão e manipulação para nos intimidar e ameaçar com repercussões legais e sanções econômicas”, explicou. “É mais uma prova irrefutável que foi mostrada hoje de que nada mudou.”
JOGADORAS SE APRESENTAM SOB PROTESTO E AMEAÇA DE PUNIÇÃO
As atletas espanholas se apresentaram com protestos sob a ameaça de multa e suspensão caso optassem por não servir à seleção. Vinte das 23 convocadas emitiram um comunicado na última sexta-feira dizendo que não estariam dispostas a jogar pela Espanha se mudanças efetivas na RFEF não fossem feitas. Muitas disseram que ficaram surpresas com a convocação anunciada na segunda, mesmo com o pedido para que Montse Tomé não o fizesse.
Porém, segundo a legislação desportiva da Espanha, as atletas são obrigadas a servir à seleção em caso de convocação. As únicas exceções são causadas por lesões ou problemas pessoais. Em caso de recusa de uma convocação, há punições. A multa pode chegar a 30 mil euros (aproximadamente R$ 156 mil), além de uma suspensão que pode durar de dois a 15 anos da federação.
Seis jogadoras do Real Madrid já chegaram a um hotel na capital da Espanha para a concentração, antes de seguirem à cidade de Valência. Lá, espera-se que todas as atletas se reúnam para os compromissos pela Liga das Nações da Uefa, contra Suécia e Suíça
Autoridades espanholas se manifestaram sobre as possíveis sanções. Victor Francos, presidente do conselho superior do esporte da Espanha, disse que irá se encontrar com as atletas em Valência para conversar sobre a convocação. “Se as jogadoras não comparecerem, o governo fará o que tem de fazer, que é aplicar a lei”, disse o político. “Infelizmente, a lei é a lei, mas ainda espero que possa haver uma solução. Vou falar com as jogadoras. Vou tentar.”
Miquel Iceta, ministro da Cultura e Esportes, conta que não imagina que as atletas sejam punidas e apelou à Rfef para que faça as alterações necessárias. “A RFEF não tem o direito de privar a Espanha da seleção feminina, especialmente depois de ter vencido a Copa do Mundo”, declarou.
Fonte: Jornal de Brasilia
Esporte
Estreante, Cruzeiro será 15º brasileiro na Libertadores Feminina
Bicampeão da Libertadores entre os homens, o Cruzeiro chega à versão feminina do maior torneio do continente pela primeira vez. A estreia será nesta sexta-feira (16), às 21h (horário de Brasília), contra a LDU, dona da casa – a competição ocorre em Quito, capital equatoriana.
O Estádio Casa Blanca, palco da partida, é justamente onde o adversário das Cabulosas manda os jogos. O Bolívar (Bolívia) e o Olimpia (Paraguai) também integram o Grupo C.
Classificada à Libertadores pelo vice do Campeonato Brasileiro do ano passado, a Raposa chega ao torneio com vários desfalques por contusão. Caso das zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a meia Gaby Soares e as atacantes Ravenna e Millene, regularmente utilizadas pelo técnico Jonas Urias, que se recuperam de lesões de ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho.
A última baixa foi a goleira Cláudia, que lesionou a coxa direita. Para substitui-la, o time celeste foi atrás de Taluane, do América-MG, e conseguiu inclui-la na lista definitiva que foi enviada à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). A primeira opção da posição deve ser Camila Rodrigues, que iniciou a temporada como titular.
Por outro lado, a atacante Letícia Ferreira voltou a ficar à disposição após se recuperar de uma cirurgia no ombro direito que a tirou dos gramados por dois meses. Em 2025, a jogadora foi a artilheira cruzeirense na temporada, com 27 gols.
O Cruzeiro é o 15º clube brasileiro a participar da Libertadores Feminina em 18 edições. Cinco times do país já venceram a competição, com destaque para o Corinthians, atual tricampeão e dono de seis títulos – um deles em parceria com o Audax. São José (três), Santos, Ferroviária (ambos dois) e Palmeiras (um) também levantaram a principal taça do continente.
O futebol paulista é o que mais teve representantes: oito (Corinthians, Audax, São José, Santos, Ferroviária, Palmeiras, Centro Olímpico e São Paulo). O Cruzeiro é o primeiro de Minas Gerais a participar.
Mais seis estados já contaram com equipes na competição: Amazonas (Iranduba), Paraná (Foz Cataratas), Pernambuco (Vitória das Tabocas), Rio de Janeiro (CEPE/Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Internacional) e Santa Catarina (Avaí/Kindermann). Entre eles, Foz (2012) e Iranduba (2018) até chegaram perto do título, mas ficaram com o vice para Colo-Colo (Chile) e Atlético Huila (Colômbia), respectivamente.
Palestrinas largam com vitória
Campeão em 2022, o Palmeiras estreou na noite da última quinta-feira (15) na edição deste ano da Libertadores. As Palestrinas iniciaram a busca pelo segundo título com uma vitória magra sobre o Universitario (Peru), por 1 a 0, no Estádio Banco Guayaquil.
Líder do Grupo B com três pontos, o Verdão volta a campo no domingo (18), às 17h, para encarar o Belgrano (Argentina), novamente no Banco Guayaquil. Mais cedo na quinta, as argentinas empataram por 1 a 1 com outro anfitrião, o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle. Ambos somam um ponto.
A técnica Rosana Augusto preservou as jogadoras do Palmeiras que estavam com a seleção brasileira nos jogos contra a Argentina. A lateral Raíssa Bahia e as atacantes Bia Zaneratto e Taina Maranhão iniciaram o confronto no banco. As Palestrinas já estão sem a goleira Kate Tapia – ausente por “questões disciplinares” – e a lateral Ana Guzmán, que rompeu o LCA do joelho direito pela Colômbia em amistoso na última terça-feira (13).
O Verdão não teve dificuldades para controlar o jogo, mas desperdiçou oportunidades de construir uma vantagem robusta. Mesmo assim, não demorou a sair na frente com Brena, aos 15 minutos.
A volante foi lançada na esquerda pela meia Andressinha e, de primeira, deixou Emily Assis na cara do gol. A lateral bateu na saída da goleira Mia Shalit, que fez boa defesa, mas a sobra ficou justamente com Brena, que mandou para as redes.
As Palestrinas poderiam ter ampliado aos 24. A atacante Gláucia abriu na esquerda com Brena. Impedida, ela cruzou para a volante Diany completar de carrinho para o gol. Após a revisão da arbitragem de vídeo, o lance foi anulado.
O ritmo do jogo caiu sensivelmente a partir da reta final do primeiro tempo devido aos 2.850 metros da altitude de Quito. A lateral Milagros Rolón, do Universitario, chegou a passar mal por causa da falta de ar e precisou ser atendida com cilindros de oxigênio, tendo que ser substituída aos 39 minutos.
Assim como na etapa inicial, o segundo tempo foi de chances perdidas pelo time brasileiro, boa parte delas graças a defesas de Shalit. Aos 23 minutos, a zagueira Pati Maldaner cobrou um pênalti na mesma trave esquerda que, nos acréscimos, salvou as peruanas em um chute de fora da área da volante Duda Santos.
País domina torneio com 14 títulos, de cinco times, em 17 edições
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