Esporte
Salário de Marta é quase 125 vezes menor do que o de Neymar; veja valores
Marta é a única brasileira entre as cinco mais bem pagas do futebol feminino (Crédito: Divulgação/ Instagram/ Marta)
Convocada para a sua sexta Copa do Mundo consecutiva, Marta continua sendo a principal esperança da seleção brasileira por um título inédito. A carreira de sucesso fez a alagoana de 37 anos ser a jogadora mais bem paga e também a mais rica do planeta. Segundo um levantamento do jornal espanhol Marca, Marta recebe anualmente do Orlando Pride, dos Estados Unidos, cerca de US$ 400 mil (equivalente a R$ 1,94 milhão) e tem uma fortuna estimada de US$ 13 milhões (R$ 62 milhões).
Comparado ao futebol masculino, os números de Marta estão abaixo do que recebe Neymar, nome de maior destaque da seleção brasileira. Segundo a revista Forbes, o craque do Paris Saint-Germain ganha US$ 50 milhões (R$ 244 milhões) por temporada, quase 125 vezes maior do que é recebido pela compatriota.
Ainda de acordo com a publicação do Marca, Marta é a única brasileira entre as cinco mais bem pagas do futebol feminino. Aparecem no Top 5 as francesas Wendie Renard e Amandine Henry, e as americanas Alex Morgan e Megan Rapinoe. Com 293 gols em 484 jogos disputados na carreira, Marta já foi eleita a melhor jogadora do mundo por seis vezes, faturando o prêmio em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018.
A Copa do Mundo Feminina da Austrália e Nova Zelândia começa no dia 20. A seleção ficará concentrada em Brisbane, cidade escolhida como base brasileira para o torneio. A equipe comandada por Pia Sundhage deve chegar ao local somente no dia 18. A estreia no torneio será no dia no dia 24, contra o Panamá, pelo Grupo F. A chave é completada por França e Jamaica.
Confira o ranking das jogadoras mais bem pagas do mundo:
- Marta (Orlando Pride, dos EUA): salário anual de US$ 400 mil (R$ 1,94 milhão) e fortuna de US$ 13 milhões (R$ 62 milhões)
- Wendie Renard (Lyon, da França): salário anual de US$ 400 mil (R$ 1,94 milhão) e fortuna de US$ 10 milhões (R$ 48 milhões)
- Amandine Henry (Lyon, da França): salário anual de US$ 390 mil (R $1,89 milhão) e fortuna de US$ 7 milhões (R$ 33,6 milhões)
- Alex Morgan (San Diego Wave, dos EUA): salário anual de US$ 450 mil (R$ 2,18 milhões) e fortuna de US$ 4 milhões (R$ 19,2 milhões)
- Megan Rapinoe (OL Reign, dos EUA): salário anual de US$ 445 mil (R$ 2,15 milhões) e fortuna de US$ 3,7 milhões (R$ 17,7 milhões)
Fonte: IstoÉ
Cultura
Ex-jogadoras da seleção de futebol incentivam alunas em escolas do Rio
Na escola municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, o campo de futebol estava ocupado apenas por garotas, na tarde da última quarta-feira (21). Eram quatro times disputando um minitorneio, sob olhares de ex-jogadoras da seleção brasileira. Meninos, só na arquibancada.
A atividade fez parte da abertura do programa Pioneiras nas Escolas, que leva craques de décadas passadas para escolas da rede pública de ensino da cidade.
Antes da disputa no campo, mais de 100 alunas lotaram um auditório para ouvir, fazer perguntas e tirar fotos com as ex-jogadoras Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins. Ou como elas ficaram conhecidas: Caju, Fia e Pelezinha.
Além de ouvir histórias de motivação e curiosidades, as alunas ficaram sabendo de dificuldades, como o machismo e preconceito enfrentados pelas ex-jogadoras, que alcançaram o feito de vestir a camisa amarelinha da seleção poucos anos depois de o esporte deixar de ser proibido para mulheres.
De 1941 a 1979, o futebol era vetado às garotas, com base no Decreto-Lei 3.199, que restringia a participação de mulheres em esportes considerados incompatíveis com sua natureza.
Proibição que surpreende a estudante Nicoly Melo, de 12 anos. “Por que não podiam?”, perguntou ela, sem parecer acreditar.
Liberado em 1979, o esporte foi regulamentado apenas em 1983. A primeira seleção brasileira só viria a disputar uma competição experimental em 1988, na China.
A primeira Copa do Mundo feminina aconteceu três anos depois, também na China. Nas Olimpíadas, o esporte disputado pelas mulheres estreou em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.
Preconceito
Fia, hoje com 62 anos, contou que havia muito machismo na época e que enfrentava o preconceito confiando na própria habilidade.
“Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, relatou às alunas a ex-atleta.
Fia ficou cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e disputou a primeira Copa e a primeira olimpíada.
A ex-zagueira Caju, de 60 anos, ficou na seleção de 1988 a 1999, com um retrospecto de 43 jogos e 34 vitórias. Respondendo a uma das alunas sobre os “maiores absurdos que ouviu”, ela relembrou que recebeu provocações machistas enquanto estava em campo. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, reproduziu.
“Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou a atual árbitra de partidas.
O Pioneiras nas Escolas é coordenado pela também ex-jogadora da seleção Duda Luizelli, que vestiu ainda a camisa do Internacional, de Porto Alegre, e de Milan e Verona, times da Itália.
Para ela, o projeto mostra que mulheres devem acreditar em suas capacidades, sempre com foco nos estudos.
“O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, disse a bicampeã sul-americana.
Educação e esporte
A Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro é parceira do projeto. Desde 2012, a escola Juan Antonio Samaranch é classificada pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), no qual o ensino integral é permeado por incentivo a práticas esportivas.
A escola tem cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos. Além de professores, a unidade conta com treinadores de 19 modalidades esportivas. Segundo a prefeitura, o projeto iniciado durante a preparação da Rio 2016 é um legado olímpico. Atualmente o Rio tem 12 GEOs.
A coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, destaca que o Pioneiras nas Escolas tem relação com a preparação do Rio de Janeiro para ser uma das oito cidades-sedes da Copa do Mundo feminina, que ocorrerá entre junho e julho de 2027.
“É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”.
Aluna do 9º ano, Letícia Pereira, de 15 anos, diz que é “um privilégio” receber as ex-jogadoras na própria escola.
Ela considera que a experiência, em uma escola já marcada pelo incentivo ao esporte, é “meio caminho andado para as alunas por mostrar que o esporte também dá futuro, sim”.
A estudante afirmou que será presença garantida em jogos da Copa no ano que vem: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”, disse à Agência Brasil.
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