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Mulheres vivem uma luta diária contra violências e abusos; veja relatos

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Especialistas explicam que cada pequena violência sofrida pelas mulheres é um degrau para a expressão máxima da violência de gênero, o feminicídio – (crédito: Caio Gomez)

O Correio traz relatos de mulheres que sofreram os mais diversos tipos de agressões e abusos. Especialistas apontam caminhos para a mobilização da sociedade em favor do fim do ciclo de crimes de gênero. Em 2025, aconteceram dois feminicídios no DF

“Minha vida é uma grande sucessão de abusos e violências sofridas”, afirma Sabrina (nome fictício), 39 anos (idade real). As cicatrizes emocionais deixadas pelas violências às quais ela foi submetida impactam na rotina e afetam até mesmo a execução de tarefas básicas. “Eu tenho muita dificuldade em fazer qualquer coisa sozinha, especialmente andar pela cidade”, completa. O último balanço da criminalidade divulgado em fevereiro, pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), mostra que a violência doméstica e familiar cresceu 4% no Distrito Federal, entre 2023 e 2024, e 51%, nos últimos 10 anos. A importunação sexual também aumentou consideravelmente, crescendo 6%, entre 2023 e 2024, e 1.507%, entre 2018 — ano em que o crime foi tipificado — e 2024.

Sabrina foi estuprada mais de uma vez por pessoas próximas à família e isso acabou afetando a forma como ela encara o mundo. Moradora do Plano Piloto, ela conta que, às vezes, tem medo de ir até um comércio perto de casa. “Eu não relaxo nunca, estou sempre em estado de alerta. Quando chego a um lugar, preciso identificar rapidamente uma rota de fuga, caso alguém me ataque”, afirma. “Eu sinto que, com a terapia, algumas dessas questões têm ficado menos gritantes. Mas sei que terei de lidar com isso para sempre. Me dói muito ser desacreditada e nunca ter sido defendida. Eu deveria, mas nunca denunciei ninguém”, desabafa.

Especialistas explicam que cada pequena violência sofrida pelas mulheres é um degrau para a expressão máxima da violência de gênero, o feminicídio. Só em 2025, aconteceram dois feminicídios no DF. Em 2024, foram 23 no total — 2023 foi marcado por 31 feminicídios na capital do país.

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CID-Violencia contra a mulher
CID-Violencia contra a mulher(foto: Valdo Virgo)

Comportamento

A presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Ana Izabel Gonçalves de Alencar, destaca que o fim das violências diárias contra as mulheres passa pela mudança de comportamento por parte dos homens. “A mentalidade machista, retrógrada e misógina de muitos homens ainda coloca a segurança das mulheres em perigo. É necessário, com urgência, uma mudança de postura masculina”, observa.

O comportamento abusivo masculino reflete diretamente na sensação de insegurança das mulheres em diversos espaços públicos. Júlia (nome fictício), 24, é usuária de transporte coletivo e o momento de deslocamento diário é quando ela se sente mais insegura. “Toda vez que vejo uma notícia sobre violência, lembro que sou mulher. Não existe lugar seguro. Parece que temos que estar em alerta o tempo inteiro. Sempre fico pensando na melhor estratégia, no melhor lugar para sentar no ônibus, caso eu passe por alguma violência, por isso fico perto de outras mulheres. No metrô, me sinto mais segura por ter o vagão feminino. Para inibir qualquer possível agressor, evito até mesmo sentar em bancos com assentos vazios ao lado”, lamenta.

Advogada interseccional especializada em gênero e raça, Larissa Guedes explica que a educação antiviolência é precisa ser iniciada na infância. “A violência de gênero faz parte de um sistema que normaliza a misoginia, o controle, o abuso, a agressão, como se realmente os homens fossem detentores dos nossos corpos. Então, desde criança, a gente é ensinada a ter medo, a obedecer, a ficar calada, a evitar problema. Enquanto os meninos já são ensinados a crescer sem limites. É preciso reverter isso, é preciso haver um equilíbrio”, argumenta a profissional.

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O fortalecimento de redes de apoio entre mulheres e políticas públicas voltadas ao combate da violência de gênero são soluções sugeridas pela especialista. “É necessário que as crianças entendam que ninguém pode violentar ou controlar o outro. Além disso, o governo precisa implementar políticas mais eficazes de acolhimento, casas-abrigo, suporte psicológico, auxílio financeiro para mulheres em situação de violência e vulnerabilidade”, sugere Larissa. “A gente precisa também, na ponta de tudo, de um sistema de justiça que realmente proteja as vítimas dos agressores”, acrescenta.

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O papel dos homens

“As mulheres são mortas por homens que elas amaram”. Essa é a análise da professora da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Ivanilda Soares, que enfatiza, ainda, que a violência é um processo que afeta, inclusive, os próprios homens. “Quem mata as mulheres, estatisticamente, em sua maioria, são homens. Mas quem mata os homens, em sua maioria, também são homens. É uma masculinidade que pressupõe o uso de violência”, explica. Para ela, qualquer pessoa que transgride essa ideia do masculino pode ser agredida e violentada, “porque essa ideia se impõe pela violência”.

O psicólogo esclarece que há um processo de objetificação do feminino, de forma que o homem demonstra hiperssexualidade e isso pode estar diretamente atrelado a expressões de violência. “Há uma heterossexualidade compulsória, na qual o homem coloca sua sexualidade independentemente do desejo alheio, principalmente das mulheres”, detalha.

Cofundador do grupo terapêutico Casa dos Homens, Paolo Chirola, 52, busca, por meio do projeto, desconstruir as barreiras criadas pelo patriarcado. “É um trabalho de base. Para dar uma sacudida em nós homens, para que possamos ir ao mundo questionando nossa visão patriarcal e acerca das mulheres também”, conta o terapeuta.

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O grupo, que existe há mais de uma década, busca trabalhar todos os sentimentos com os participantes. “A raiva é a única emoção que o homem pode sentir de acordo com o patriarcado. E as mulheres, pelo contrário, são proibidas de sentir a raiva. Então, nosso trabalho é tanto para desconstruir esse tabu ao redor do sentir dos homens quanto às ideias do sentir feminino que já são pregadas pela sociedade”, conta.

Artigo: o que fazer para que a mulher deixe de ser objeto de violência diária? 

Rejane Suxberger*

O enfrentamento da violência contra a mulher exige uma abordagem ampla e estruturada, que envolva toda a sociedade, o sistema de justiça e, principalmente, os homens. A violência de gênero não é um fenômeno isolado, mas sim resultado de uma estrutura histórica de desigualdade que ainda persiste em diversas esferas sociais. Assim, sua erradicação requer uma mudança cultural profunda, políticas públicas eficazes e um sistema de justiça comprometido com a aplicação da perspectiva de gênero.

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Desde os tempos coloniais, a posição submissa da mulher foi reforçada por normas sociais e jurídicas que legitimaram a dominação masculina. O controle da família, centrado na figura do homem como autoridade, consolidou um padrão de submissão feminina que perpetuou a violência de gênero. A própria legislação, por muito tempo, permitiu aos homens disciplinar suas esposas, naturalizando a violência como mecanismo de correção. A Lei Maria da Penha representou um marco na ruptura desse conservadorismo jurídico, ao reconhecer a violência doméstica como um problema estrutural e estabelecer medidas não apenas punitivas, mas também preventivas e assistenciais.

Entretanto, a resistência à implementação integral da Lei Maria da Penha por parte de alguns agentes do sistema de justiça demonstra que a desigualdade de gênero ainda se reflete na aplicação do Direito. A incompreensão sobre o conceito de gênero e a minimização da violência contra a mulher dificultam o acesso à justiça e a prestação jurisdicional eficiente. O Judiciário precisa adotar uma perspectiva de gênero em suas decisões, compreendendo que a violência doméstica não é um mero conflito familiar, mas sim um reflexo das relações assimétricas de poder entre homens e mulheres. O papel da justiça não pode ser apenas repressivo, mas deve abarcar a proteção da vítima e a transformação da cultura que normaliza essas violências.

Os homens, enquanto agentes privilegiados nesse sistema de poder, têm um papel central no enfrentamento à violência de gênero. É necessário que se comprometam com a desconstrução da masculinidade tóxica, que alimenta comportamentos violentos e autoritários. A responsabilização masculina passa pelo reconhecimento de seus privilégios e pela adoção de uma postura ativa no enfrentamento da violência, seja por meio do apoio às vítimas, da denúncia de agressores ou da reflexão sobre suas próprias atitudes e crenças.

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A violência de gênero é cíclica e estrutural, e sua erradicação demanda uma mudança coletiva e contínua. A justiça deve atuar com sensibilidade e rigor na proteção das vítimas e punição dos agressores. A sociedade deve eliminar os resquícios da cultura patriarcal que ainda legitimam o abuso. E os homens devem assumir a responsabilidade de transformar a masculinidade em um modelo baseado no respeito e na equidade. Somente assim poderemos romper com esse ciclo e construir um futuro onde nenhuma mulher seja vítima de violência simplesmente por ser mulher.

*Juíza de direito do TJDFT. Mestra em políticas públicas, gênero e igualdade

Onde pedir ajuda

 

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» Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Uma viatura é enviada imediatamente até o local. Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.

» Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF)

E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br

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WhatsApp: (61) 98626-1197

Site: www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher

» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. Serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, além de reclamações, sugestões e elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.

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» Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAM): funcionamento 24 horas por dia, todos os dias.

DEAM 1: previne, reprime e investiga os crimes praticados contra a mulher em todo o DF, à exceção de Ceilândia.

Endereço: EQS 204/205, Asa Sul.

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Telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673

E-mail: deam_sa@pcdf.df.gov.br

DEAM 2: previne, reprime e investiga crimes contra a mulher praticados em Ceilândia.

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Endereço: St. M QNM 2, Ceilândia

Telefones: 3207-7391 / 3207-7408 / 3207-7438

Fonte: Correio Brasiliense

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Policiais

Meu ex disse que meu futuro seria de tristeza e solidão e então matou nossos filhos

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A delegada Amanda Souza relembra o duplo homicídio que vitimou em 2023 seus dois filhos, de 9 e 12 anos, e comenta o crime similar ocorrido em Itumbiara (GO)© Arquivo pessoal

Importante: esta reportagem contém detalhes que podem ser perturbadores para alguns leitores.

“Em dezembro [de 2022], diante de todo o ciúme que ele estava demonstrando de forma muito doentia — estava ficando cada vez pior —, eu coloco fim ao relacionamento, porque vejo que não tinha mais como manter aquela relação. E aí, em julho de 2023, ele tira a vida dos nossos dois filhos.”

As lembranças dolorosas são da delegada Amanda Souza, da Polícia Civil de Belém (PA). Ela relembra os fatos ocorridos em 10 de julho de 2023, quando sua vida mudou para sempre.

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“Ele me escreve uma mensagem na manhã, dizendo que meu futuro seria de tristeza e solidão. Eu vou para a delegacia trabalhar”, lembra a delegada.

“E aí, quando dá 16h, ele me liga. E nessa ligação ele me fala: ‘Parabéns, você conseguiu o que você queria: eu matei os seus dois filhos’.”

Vítima da chamada violência vicária — quando o agressor atinge os filhos ou pessoas próximas com a intenção de causar sofrimento emocional à mulher —, Amanda se viu de volta àquele dia 10 de julho de 2023 ao ler as notícias sobre o caso similar ocorrido na semana passada em Itumbiara (GO).

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Na última quarta-feira (11/2), o secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência onde morava e, em seguida, tirou a própria vida. Um dos meninos, de 12 anos, morreu antes que pudesse ser socorrido. O irmão mais novo, de 8 anos, foi levado ao hospital em estado gravíssimo, mas morreu horas depois.

No Brasil, faltam dados consolidados específicos sobre a violência vicária, o que, segundo especialistas, dificulta a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma de dados públicos oficiais sobre violência contra as mulheres, passou a apresentar dados sobre a violência vicária contra brasileiras no exterior a partir de sua edição de 2024, registrando 904 casos do tipo em 2023 e 794 em 2024.

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A maior parte desses casos ocorreu na Europa, envolvendo disputas de guarda de crianças.

Thales Machado (esq.) atirou contra os dois filhos e depois tirou a própria vida em Itumbiara (GO)© Reprodução

‘Culpar a mãe é falta de humanidade’

A delegada Amanda Souza conta que soube pelas redes sociais do caso de Sarah Araújo, que teve os dois filhos assassinados pelo marido Thales Machado em Itumbiara.

“Eu fiquei muito mexida, muito abalada emocionalmente. Eu me projetei em 10 de julho de 2023 e consegui sentir toda a dor que aquela mãe estava sentindo”, lembra.

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A delegada conta que o que mais a chocou ao ler sobre o caso foram comentários nas redes sociais culpando a mãe pelo assassinato brutal de seus dois filhos.

“Era muita crueldade com aquela mãe. Diante de tudo o que tinha acontecido, a sociedade ainda insistia em culpar uma pessoa que tinha perdido toda a sua família.”

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Amanda observa que os comentários citavam uma suposta traição por parte da esposa para justificar o ato criminoso do marido.

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“É uma falta de humanidade e de compaixão sem tamanho. Uma prova viva da sociedade machista em que a gente vive, como se uma traição legitimasse o homem a tirar a vida dos próprios filhos, algo inconcebível”, revolta-se a delegada.

Ainda mais chocante para Amanda foi ver muitos desses comentários sendo feitos por outras mulheres. Isso num país que registrou em 2025 número recorde de feminicídios (1.518, ante 1.458 em 2024) e onde em média quatro mulheres são assassinadas por dia por questões de gênero.

“Ver esses comentários tão machistas partindo de mulheres é o que causa mais dor e tristeza. E mais revolta, porque nós, mulheres, estamos morrendo por conta desse machismo. E as mulheres são as primeiras a apontar o dedo e a tentar diminuir a culpa do homem, colocando a culpa na mãe vítima.”

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Para a delegada, o crime praticado por Thales Machado em Itumbiara é típico de um homem narcisista, que nunca amou os próprios filhos e quis impor sua própria vontade a qualquer custo.

Ao matar os filhos, na opinião dela, ele quis impor o mais terrível sofrimento à mulher, e ao atribuir seu crime a uma suposta traição, quis destruí-la inclusive moralmente na cidade onde ambos viviam.

“Ele quer que essa mulher sofra em vida. Que ela se sinta culpada por aquilo que aconteceu. Esse é o conceito de violência vicária”, explica a delegada, que à época do duplo homicídio de seus filhos trabalhava como delegada na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Cametá, no Pará, unidade especializada em atendimento a vítimas de violência doméstica.

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Hoje, aos 43 anos, ela trabalha como delegada na Unidade de Recuperação de Dispositivos Móveis em Belém.

Hoje, aos 43 anos, Amanda Souza trabalha como delegada na Unidade de Recuperação de Dispositivos Móveis em Belém© Arquivo pessoal

‘Vivi um relacionamento abusivo por 20 anos, sem me dar conta’

Amanda diz que, ao contar sua própria história como vítima da violência de gênero, tem por objetivo ajudar outras mulheres que estejam vivendo relacionamentos abusivos.

Natural de Teófilo Otoni, no interior de Minas Gerais, ela conta que, no seu caso, o comportamento do marido começou a dar sinais de alerta quando ela se mudou de Belo Horizonte, onde a família vivia, para Belém, para passar pela formação de delegada.

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“Por vinte anos, ele tinha total controle sobre a minha vida. E conseguia fazer isso de forma muito dissimulada, para que eu percebesse todo o controle que ele tinha sobre mim como cuidado e não como controle”, lembra a delegada.

“Mas, com a minha vinda para o Estado do Pará, eu saio desse âmbito de controle. Então, tudo que era velado, começa a ser explícito. Ele começa a ser mais ciumento, mais controlador.”

Amanda conta que o marido queria sempre saber onde ela estava e com quem. Fazia sempre ligações de vídeo, para confirmar que ela estava onde dizia estar, e queria os contatos das pessoas com quem ela estaria.

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Após ela decidir terminar o relacionamento, o marido cometeu o crime que destruiu a família.

Depois daquela ligação fatídica, às 16h de uma quinta-feira, Amanda dirigiu correndo para casa. Ela foi a primeira pessoa a encontrar os corpos dos filhos — Marcelo tinha então 12 anos e Letícia, 9. Também estava no local o corpo do ex-marido, que tirou a própria vida após cometer o crime.

“Ele disse: ‘Eu matei os seus dois filhos. Parabéns, você conseguiu o que você queria’, ou seja, como eu disse não para aquele casamento, como eu não queria mais me manter num relacionamento abusivo, ele coloca em mim a responsabilidade de ter tirado a vida dos próprios filhos”, afirma.

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“E a mesma coisa aconteceu com a Sarah agora [em Itumbiara], porque isso é um padrão. Eles sempre tendem a colocar a culpa na vítima pelo ato de crueldade que eles praticam.”

A delegada conta que a frase usada pelo ex-marido, com intuito de destruí-la, foi na verdade o que deu força a ela para seguir em frente.

“Ele disse que meu futuro seria de tristeza e solidão. Essa mesma frase eu usei para me manter de pé, porque eu não podia dar a ele a vitória que ele queria. Eu não podia admitir que um homem entrasse na minha vida e ditasse o meu destino.”

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‘Ele disse que meu futuro seria de tristeza e solidão. Essa mesma frase eu usei para me manter de pé, porque eu não podia dar a ele a vitória que ele queria’© Arquivo pessoal

Agora, além de contar sua história e ajudar outras mulheres a identificarem os sinais de um relacionamento abusivo, e se fortalecerem para sair desses relacionamentos, Amanda planeja estudar a violência vicária num mestrado.

“Eles [os abusadores] têm um padrão. Ou seja, se a conduta desse doente tem um padrão, significa que a gente pode identificar e pode evitar. Então esse é o meu objetivo: levar informação para que as pessoas entendam que estão num relacionamento abusivo, consigam identificar esses narcisistas, loucos, psicopatas, e consigam ter forças e estratégias para sair desse relacionamento em segurança.”

O que fazer para sair de um relacionamento abusivo

Para as mulheres que estão vivendo um relacionamento abusivo ou que não têm certeza se estão, a delegada dá dois conselhos.

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“A primeira coisa é mergulhar no autoconhecimento. Porque muitas estão presas a relacionamentos abusivos, porque há uma dependência emocional tão grande que ela não consegue se libertar. Ela não consegue nem se enxergar dentro de um relacionamento abusivo”, diz ela.

“E aí, nesse mesmo processo de autoconhecimento e de amor próprio, ela também precisa entender que precisa de estratégias financeiras, porque, muitas vezes, muitas pessoas sabem que vivem um relacionamento abusivo, mas são dependentes financeiramente e não conseguem se libertar”, afirma.

“Então é necessário que a mulher busque a sua independência financeira para que isso dê forças para que ela saia dessa relação abusiva.”

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Fonte: (Reprodução) BBC News Brasília

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