“Eu gosto de dizer que sou improvável”, afirma a parlamentar. Seus pais, recém-casados, vieram da Bahia para Brasília, em 1960, em busca de oportunidades e encontraram aqui uma terra inóspita e com poucas chances para quem não era da área de construção civil ou serviço público. “Para homens, no caso. Para mulheres as oportunidades eram ainda menores: doméstica ou costureira”, conta a deputada. “Ou você era um servidor público, ou um aventureiro, como era o caso dos meus pais”, ressalta Jane.
A inspiradora história da enfermeira, professora, delegada e agora deputada distrital que contrariou todas as estatísticas
Mãe, enfermeira, professora, agente de polícia, delegada e deputada distrital. Filha de Evenita do Nascimento Silva e José Pereira da Silva, baianos que vieram para a capital quando ela ainda estava sendo construída, Jane Klebia do Nascimento Silva Reis, ou Dra. Jane, é a prova viva de que a educação é capaz de abrir caminhos. Incentivada pela mãe a nunca deixar de estudar, a atual deputada distrital filiada ao Agir, aos 60 anos, já passou em 10 concursos públicos, além de ter dois bacharelados e duas pós-graduações. A melhor parte disso? Jane foi criada com o salário de doméstica da mãe que sustentava, sozinha, dois filhos, e estudou a vida toda em escola pública.
“Eu gosto de dizer que sou improvável”, afirma a parlamentar. Seus pais, recém-casados, vieram da Bahia para Brasília, em 1960, em busca de oportunidades e encontraram aqui uma terra inóspita e com poucas chances para quem não era da área de construção civil ou serviço público. “Para homens, no caso. Para mulheres as oportunidades eram ainda menores: doméstica ou costureira”, conta a deputada. “Ou você era um servidor público, ou um aventureiro, como era o caso dos meus pais”, ressalta Jane.
Em 1961 o casal teve o seu primeiro filho e em 1963 nasceu Jane Klebia. “Quando eu tinha três meses, meu pai foi tentar oportunidade de trabalho em São Paulo. Ele foi e prometeu voltar para buscar a família quando conseguisse algo. Mas nunca mais voltou”, relembra a distrital. José deixou, então, Evenita sozinha, sem emprego e sem casa. Como conta Jane, na época, por sorte, os loteamentos novos estavam surgindo e sua mãe se estabeleceu na cidade de Sobradinho, local onde mora até hoje, e foi trabalhar como doméstica.
Firmeza
Foi neste momento que Jane teve seu primeiro contato com o que seria sua maior referência em sua mãe: os estudos. “Ela decidiu estudar. Optou pelo período noturno. Ela terminou o 2º grau e conseguiu o primeiro emprego como auxiliar de enfermagem, e isso nos deu mais condições para sobreviver”, conta. “Minha mãe sempre teve muita fé em Deus e na educação, e isso foi nossa oportunidade de resgate”, salienta a distrital. Segundo ela, sua criação foi firme e rigorosa, baseada em escola, casa e igreja. “Não podíamos tirar nota baixa”, rememora.
Aos 17 anos, Jane Klebia terminou o 2º grau e, por influência da matriarca, foi estudar enfermagem. “Foi isso que sustentou ela, a casa, e seria isso que continuaria nos sustentando”, relatou. Com 18 anos, Jane entrou para a escola de enfermagem da Rede Pública, da Fundação Hospitalar. Em 1982, conseguiu seu primeiro trabalho. “Trabalhei no Hospital Regional de Sobradinho e virei colega da minha mãe. Ela na maternidade e eu na pediatria”. Naquela época, ambas também fizeram concurso para o hoje extinto Inamps, e as duas foram, então, para o Hospital Universitário de Brasília (HUB). A mãe foi trabalhar na maternidade e ela na oncologia. “Eram dois ambientes com experiências bem distintas. Ali, tive experiências que me fazem até hoje lembrar dos nomes dos pacientes. Naquele ambiente víamos muitos arrependimentos, perdões não dados, amores não vividos. Isso me ensinou muito a valorizar as pessoas e os sentimentos”, comenta.
Com apenas 20 anos, a então enfermeira se casou com Paulo Marcelo Vicente. Saiu da casa da mãe, mas permaneceu morando em Sobradinho, agora com o marido. Nessa época, Jane começou a almejar novos horizontes. Decidiu que voltaria a estudar e entrou para Geologia no Centro Universitário de Brasília (Ceub). “Procurei pelo curso que parecia mais “fácil”, pois minha autoestima era muito baixa e, na minha cabeça, era o único que eu conseguiria passar”, relembra, rindo. Quando se formou, Jane deu início à sua segunda carreira: professora. “Depois de 10 anos na enfermagem, fui para a sala de aula e outro mundo se abriu”, compartilha.
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Com esse novo mundo, contudo, vieram novas dificuldades. Jane teve dois filhos, com cerca de um ano e meio de diferença entre eles. Esdras Vinicius, que hoje é delegado da PCDF, e Marcos Felipe, jornalista. “Morava em Sobradinho e trabalhava em Samambaia, local onde me mandaram quando passei no primeiro concurso da educação”. A professora pegava cinco ônibus por dia e, além do trabalho, também cuidava da casa e dos filhos.
Mas a hoje distrital nunca sentiu pena de si mesma. “Preta, pobre e morava longe. Mas nem pensava nisso. Nunca me lamentei. Só queria alcançar meus objetivos, sobreviver e dar educação aos meus filhos”, declara. E ela alcançou. Cinco anos depois, Dra. Jane saiu de Samambaia e foi trabalhar em uma escola na Asa Norte. Depois, conseguiu um emprego na Fercal e, finalmente, em Sobradinho. “Ai eu estava no céu. Morando e trabalhando na mesma cidade”, conta, relembrando os bons tempos.
Sindicalismo
Mas sua trajetória como professora em Sobradinho não foi longa. Em pouco tempo, Jane entrou para o sindicalismo. Foi o primeiro contato com o tipo de trabalho que moldaria o restante da sua vida: o trabalho para a comunidade. “Fui diretora do Sindicato dos Professores, o Sinpro, por duas gestões”, conta. Na época, mesmo já tendo alcançado resultados inimagináveis para alguém que cresceu sem expectativas de grandes oportunidades, Jane não parou de estudar, e decidiu prestar concurso para a Polícia Civil.
Foi no governo Cristovam. “Estudei por apostila. Aquelas que comprávamos na rodoviária mesmo. Era o que tínhamos na época. Estudei sozinha e passei para agente de polícia”, ri, enquanto conta. Aqui, a ex-sindicalista deu início a mais uma nova fase em sua vida. Aos 35 anos, largou a educação e ingressou na Segurança Pública. A experiência, como ela relata, foi a melhor possível. “Eles viraram família. O sentimento entre os policiais era de proteção de verdade. De acolhimento. Sua vida depende do outro”, comenta.
Apesar de estar feliz no lugar em que se encontrava, Jane Klebia queria mais. O posto de delegada virou, então, sua nova meta. Jane conta que estudou dois anos ininterruptamente, 8 horas, todos os dias. “Era meu compromisso comigo mesma. Trabalhava de tarde e estudava de manhã e de noite”, relembra. E deu certo. Jane não apenas passou no concurso de delegada, como também pôde escolher se iria para a Polícia Civil ou para a Federal, para onde também havia passado. “Escolhi a Civil porque, geralmente, a Federal exigiria que eu me mudasse, e meu marido não iria largar o trabalho dele aqui, como professor, para me acompanhar nessa mudança”, explica. “Eu tinha criado raízes aqui, e fiz a escolha certa”, acrescentou.
Em todo o seu percurso até chegar ao posto de delegada, Jane prestou, pelo menos, dez concursos, e foi aprovada em todos. Foram provas que contemplavam tanto a área da saúde, como da educação e da segurança pública. Tais conquistas abriram cada vez mais portas para a atual parlamentar. “Tive oportunidade de sair da polícia e fui para a Codeplan, no governo Agnelo, em 2011. Lá eu fui controladora. Saí de lá e recebi um convite para ser delegada adjunta no Paranoá”, conta.
Foi no Paranoá que Jane Klebia fez seus primeiros trabalhos comunitários. “Eu ia nas casas das pessoas, participava das reuniões de rede, onde tinha ajuntamento de pessoas da sociedade civil organizada, eu estava. As pessoas viam isso e se aproximavam de mim”. Ela viveu, ainda, a experiência de ser procuradora jurídica na Fundação de Apoio à Pesquisa Do DF (FAP). “A experiência foi riquíssima. Sai de lá e, no governo Rollemberg, fui convidada a ser secretária de Estado da Criança, Adolescente e Juventude.
Mudei de rumo”.
Neste trabalho, a deputada pôde cuidar de jovens infratores. “Investir na recuperação deles. Era a oportunidade de colocar esses jovens em contato com a educação, com os livros. Levamos um projeto da agricultura, onde eles conheciam a terra, aprendiam a trabalhar, etc. Criar oportunidades para eles é a certeza de que você vai diminuir a criminalidade. Investindo na educação”, enfatiza.
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Ao voltar para a polícia, chefiou a delegacia de Planaltina e, em seguida, retornou ao Paranoá, assumindo o mesmo posto. “Apurei crimes muito marcantes nessa época, a imprensa acompanhou muitos casos meus. Meu trabalho foi muito reconhecido. Teve a prisão do Magnésio, Leticia Curado, e isso fez com que todos no DF me conhecessem”, ressaltou. Foi lá que ela descobriu sua vocação: trabalhar em defesa das mulheres. “No primeiro ano, tive cinco feminicídios e eu sei o nome de todas as vítimas, e todos os detalhes das histórias. Eu conhecia as famílias, eu ia para dentro das casas”, conta, orgulhosa. Ela virou, então, referência na área.
Mulheres
Jane passava seu telefone pessoal às mulheres, fazia busca ativa, visitava as casas das envolvidas. “Criei uma relação muito boa com a comunidade. Tinha mulheres que sonhavam em ser delegadas por minha causa. Criei identificação. Motivei muitas mulheres a estudarem”, diz. “As pessoas me procuravam na delegacia para falar comigo, contar histórias pessoais, pedir conselhos, desabafar”, completou a deputada.
Tal relação cresceu tanto que, ao chegar o momento eleitoral, Jane se sentiu confiante em tentar.
“Disseram para eu me candidatar. Já havia tentado antes, e tive 2500 votos. Tentei dessa última vez porque sabia que teria um bom resultado”, revelou. Na sua segunda tentativa, ela teve mais de 19 mil votos, 10.800 deles foram no Paranoá.
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“Por isso me considero improvável. Alguém que estava fadada a não chegar em lugar nenhum, é bacharel em direito, em geografia, parlamentar com duas pós graduações e 42 anos de serviço público. Passei por diversos setores que me acumularam conhecimentos que uso para entregar uma boa política pública para o Distrito Federal”, comemora a deputada distrital.
Emedebistas insatisfeitos com o presidente local, ameaçam a confecção de carta e articulam pedido de intervenção nacional no DF. Wellington Luiz garante união da legenda
O Feriado de Corpus Christi, que deveria ser de descanso para os brasilienses, está se mostrando agitado nos bastidores do Movimento Democrático Brasileiro do Distrito Federal (MDB-DF). Parlamentares, segundo eles, com o aval do próprio ex-governador Ibaneis Rocha realizam, nesta sexta-feira (5), um motim pela saída do presidente regional da sigla Wellington Luiz.
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Segundo um dos parlamentares envolvidos, que não quis se identificar, “há uma insatisfação local e nacional” com Wellington Luiz, que também é presidente da Câmara Legislativa, em relação ao apoio dado à governadora Celina Leão (PP).
O emedebista afirma que, após a reunião com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, cobrando que a chefe do Executivo local anunciasse formalmente que Ibaneis Rocha era o candidato de sua chapa, especialmente os distritais esperavam ganhar mais espaço no governo e, ainda, que Baleia tivesse sua palavra ratificada por Wellington.
“Esse é um movimento da [direção] nacional. Alguma coisa deve acontecer ainda hoje. O presidente Baleia está se sentindo desprestigiado, depois que na reunião ele bateu o pé e disse que o MDB teria candidato na majoritária e o Wellington disse que a candidata era a Celina, depois que saiu da reunião”, disse o emedebista.
A confecção de uma carta assinada pelos deputados da sigla chegou a ser cogitada, pela manhã desta sexta-feira, porém houve um recuo de distritais fiéis a Wellington e que não gostariam de se indispor com o colega.
Defesa
Por outro lado, esses mesmos aliados de Wellington negam que exista a intenção de mudança. “O que sabemos é que o Ibaneis está em São Paulo, mas ainda não sabemos se terá alguma reunião. É o [ex-]governador quem está insatisfeito e querendo a presidência para impor para a [governadora] Celina as condições do partido para apoiar a candidatura dela, depois que ela não recuou das ameaças dele”, afirmou. “Tem um deputado sentindo a dor pelo chifre do outro”, brincou.
Baleia Rossi
A divisão dentro do MDB é gritante. Ainda de acordo com o aliado de Wellington Luiz, o próprio parlamentar, após o encontro com o presidente Baleia Rossi na casa de Ibaneis, teria elogiado a postura do presidente regional ao não entregar a presidência. A Wellington, o presidente nacional teria pedido apenas que ele sempre informasse sobre as decisões tomadas no DF.
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“O Baleia falou para o Wellington que o MDB terá candidato majoritário na chapa da Celina. Pode ser o Ibaneis ou outro, se o governador estiver inviabilizado. Mas ele está fazendo movimentos para assumir o partido”, garantiu.
Pelo lado da federação União-Progressista – formada pelo União Brasil e o PP -, o presidente nacional do União, Antônio Rueda também foi acionado pelo MDB nacional para que interviesse favoravelmente ao MDB local. A conversa seria uma forma de buscar garantir que as duas legendas disputem juntas o Governo do Distrito Federal.
Ibaneis e Wellington
Outro emedebista garantiu que a viagem do governador Ibaneis Rocha para São Paulo seria para um encontro com o presidente Baleia Rossi com o intuito de falar sobre a mudança de comando.
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Ao Jornal de Brasília, no entanto, o ex-governador Ibaneis Rocha afirmou: “a última vez que vi o Baleia foi no dia em que ele almoçou em minha casa”. Ele garantiu ainda que sua estadia em São Paulo não tem relação com um possível encontro com o presidente nacional da legenda. “Estou com minha e com meu filho que veio morar aqui.”
Também procurado, o presidente regional do MDB-DF não quis comentar o assunto, mas garantiu que não haverá racha no partido. “Estou extremamente tranquilo e o MDB do Distrito Federal está unido para disputar as eleições deste ano”, declarou.
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