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Politica

Referência nacional: 28 anos do respeito à faixa de pedestre

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Foto: Afonso Ventania / Bikerreporter do Jornal de Brasília

Trânsito da PMDF organiza ações educativas com crianças e comunidade para comemorar aniversário do maior símbolo da capital federal

Afonso Ventania – Bikerrepórter

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No coração do país, Brasília comemora um marco histórico: 28 anos da cultura de respeito à faixa de pedestres. Implementada em 1º de abril de 1997, essa iniciativa revolucionou a mobilidade urbana e se tornou um exemplo para o Brasil, influenciando a forma como motoristas e pedestres interagem no trânsito.

A capital federal foi pioneira ao adotar um modelo em que os motoristas dão preferência ao pedestre sem a necessidade de semáforos nas vias e rodovias que cortam o Planalto Central. Com um simples gesto de estender o braço, o sinal de vida, os pedestres sinalizam sua intenção de atravessar, e os condutores, em sua maioria, param para garantir a passagem segura. A prática, que hoje parece natural para os brasilienses, nasceu de campanhas educativas e da conscientização sobre a segurança viária.

A iniciativa partiu do já falecido coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Renato Azevedo que, em uma viagem a Espanha, notou que a faixa de pedestre era respeitada. Naquele período, o então governo do DF em união com a mídia e a sociedade civil iniciaram a Campanha Paz no Trânsito. O respeito à faixa de pedestre, no entanto, não estava previsto nas ações até então planejadas pelos órgãos de fiscalização de trânsito. Foi, então, que Azevedo tomou a iniciativa e implementou o respeito à faixa de pedestre.

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faixa
Foto: Afonso Ventania / Bikerreporter do Jornal de Brasília

O bikerrepórter do Jornal de Brasília, Afonso Ventania, contou esta história em reportagem no ano passado e que é uma das cinco finalistas do Prêmio de Jornalismo do Fórum Internacional de Transporte (ITF, sigla em inglês).

Para comemorar a data, o Comando de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar do Distrito Federal (CPTran), que inclui o Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) e o Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv), realizou nesta terça-feira (1º/4) um evento em comemoração aos 28 anos de respeito à faixa de pedestres na 307 Sul, onde foi instalada a primeira faixa, em 1997.

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No local, aconteceram ações educativas e comunitárias voltadas à segurança no trânsito. Policiais, alunos de escolas de ensino fundamental e a comunidade cantaram parabéns e até cortaram um bolo em homenagem à faixa. A programação incluiu também apresentações do grupo de teatro Rodovia, da PMDF, com uma abordagem lúdica para ensinar regras básicas de trânsito aos motoristas e pedestres. Além disso, foram realizadas blitzes educativas, com distribuição de materiais informativos.

A educadora física Júlia de Alencar concorda que o respeito à faixa de pedestre é um dos símbolos da capital federal e é essencial para a redução de sinistros. “É de extrema importância para evitar acidentes que envolvem pedestres, ciclistas e motoristas; desde aqueles com pequenos danos materiais até os mais graves”.

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Marilei Sousa Rosa, moradora da Asa Sul, lembra que o respeito já foi bem maior e que hoje os motoristas não respeitam tanto a faixa de pedestre. “Algumas vezes, os carros não querem parar. Deram uma relaxada na faixa. Eu até já quase fui atropelada com a minha filha”, diz. Para ela, a solução é intensificar as campanhas de educação. “Os órgãos de fiscalização precisam investir em educação também para prevenir acidentes”, completa.

Exemplo nacional

O respeito à faixa de pedestres em Brasília se consolidou como referência para outras cidades brasileiras. Ao longo dos anos, diversas capitais tentaram replicar o modelo, algumas com êxito parcial. A iniciativa também chamou a atenção de organismos internacionais, sendo considerada um caso de sucesso em educação e cultura no trânsito.

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Segundo dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), a taxa de atropelamentos na cidade teve uma redução significativa desde a adoção da medida. Desde 1997, quando Brasília se consolidou como a capital da travessia segura na faixa, as reduções foram expressivas: no primeiro ano, o número de pedestres mortos caiu de 266 (1996) para 202 (1997), representando 24% de redução. E de lá para cá, a quantidade de pedestres mortos tem sido cada vez menor, mesmo com a crescente frota de veículos e da população do DF.

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Apesar da frota de veículos ter triplicado nestes 28 anos, passando de 605 mil veículos (1996) para 2.113.453 veículos (2025), a quantidade de pedestres que perderam a vida no trânsito do DF, em 2025, foi 69% menor que em 1996, caindo de 266 para 82 mortes por atropelamento. E, dessas 82 mortes, somente uma ocorreu na faixa de pedestre – o que mostra que a faixa de pedestre é realmente o lugar seguro para a travessia.

Novas faixas

Além de ampliar a quantidade de faixas no último ano – passando de 4.356 para 4.484 em todo o DF, o Detran-DF revitalizou 3.686 faixas (88%) em 2024 e outras 590 agora em 2025. Também foram instaladas 256 placas de sinalização das faixas em 2024 e outras 40 neste ano. Nos próximos dias, outras 143 faixas passarão por revitalização nas vias urbanas do Distrito Federal.

Quem desrespeita o direito do pedestre, previsto no artigo 214 do Código de Trânsito Brasileiro, deixando de dar-lhe a preferência de passagem quando ele se encontra na faixa, comete infração gravíssima penalizada com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

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Desafios

Apesar dos avanços, manter a cultura do respeito à faixa de pedestres continua sendo um desafio. O crescimento da frota de veículos, o aumento da população e a chegada de novos moradores vindos de regiões onde a prática não é comum exigem campanhas constantes de conscientização.

Fonte: Jornal de Brasilia
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feminicidio

Vote Segura mostra boas práticas de políticas de segurança a mulheres

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Guia lista 11 recomendações para parlamentares eleitos
Agência Brasil

A Rede Justiça Criminal lançou a campanha Vote Segura, voltada prioritariamente à segurança das mulheres. No ano passado, canais oficiais registraram 1.571 vítimas de feminicídio no país. Significa que ao menos quatro mulheres foram assassinadas por dia por motivação relacionada ao gênero. Para cada feminicídio consumado, outros três foram tentados.

A campanha Vote Segura elaborou um guia com um conjunto de boas práticas legislativas para orientar a formulação de programas de mandato, projetos de lei, atividades de fiscalização e articulação política.

O objetivo é qualificar o debate público e subsidiar candidaturas ao Congresso Nacional comprometidas com a redução da violência contra o público feminino. As mulheres representam 51,5% da população brasileira de 213,4 milhões de habitantes.

O guia reúne 11 recomendações para os próximos parlamentares eleitos:

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  1. priorizar a prevenção sem abandonar a responsabilização;
  2. estruturar políticas públicas permanentes;
  3. fortalecer a coordenação entre os entes federativos;
  4. promover a integração entre diferentes políticas públicas;
  5. basear decisões em evidências e dados confiáveis;
  6. incorporar mecanismos permanentes de monitoramento e avaliação;
  7. fortalecer a transparência e o controle por parte da sociedade;
  8. estabelecer critérios objetivos para acesso a recursos públicos;
  9. adotar uma perspectiva de direitos humanos voltada também às mulheres;
  10. produzir impactos mensuráveis;
  11. evitar respostas legislativas exclusivamente simbólicas.
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A coordenadora executiva da Rede Justiça Criminal, Janine Salles de Carvalho, destaca que as mulheres brasileiras estão com medo, e com razão. Elas mudam suas rotinas, compartilham a localização em tempo real quando saem à noite, preocupam-se com a própria segurança.

“Esse medo, infelizmente, também se tornou um ativo político capaz de mobilizar votos. Mas responder à insegurança não significa apostar apenas em mais polícia ou prisões. Precisamos olhar para aquilo que impede que a violência aconteça.”

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