Politica
Zona Franca de Manaus: Reforma Tributária garante incentivos, mas ainda exige atenção
Por Taís Baruchi
A recente Reforma Tributária promoveu mudanças relevantes no sistema de impostos do Brasil. Uma das principais incertezas dizia respeito ao futuro da Zona Franca de Manaus (ZFM), modelo que, há décadas, impulsiona o desenvolvimento da Amazônia por meio de incentivos fiscais, atração de empresas e geração de empregos. A boa notícia é que esses benefícios foram mantidos com respaldo legal até 2073, conforme previsto na Constituição e agora reafirmado pela nova Lei Complementar nº 214/2025 – mas, ainda há pontos que exigem atenção sobre este tema.
A manutenção desses benefícios, na prática, garante que empresas com atividades produtivas na ZFM continuem desfrutando de vantagens em relação à carga tributária. Mesmo com a criação de dois novos tributos – o IBS e a CBS, que substituirão diversos impostos atuais – a legislação assegura um tratamento diferenciado para quem opera na região.
Indústrias habilitadas, por exemplo, poderão importar matérias-primas ou equipamentos sem o pagamento imediato desses novos tributos. Quando esses insumos forem utilizados no processo produtivo ou incorporados ao patrimônio da empresa, a suspensão se transforma em isenção definitiva. No caso de bens destinados ao ativo imobilizado, a isenção se confirma se esses itens permanecerem na empresa por, no mínimo, 48 meses. Esse prazo garante que o benefício fiscal seja aplicado apenas aos bens realmente utilizados nas operações, e não aqueles adquiridos com finalidade de revenda ou uso temporário.
Isso representa uma economia significativa para as empresas que dependem da importação para produzir. Já nas vendas internas entre empresas da ZFM ou nas compras vindas de outras regiões do Brasil, haverá isenção (alíquota zero) de IBS e CBS, o que preserva a competitividade das cadeias produtivas locais.
Outro ponto importante é que, nas vendas para fora da ZFM – ou seja, para outras regiões do Brasil – as empresas contarão com créditos fiscais sobre essas operações, ajudando a reduzir o custo tributário no destino. Isso favorece a circulação dos produtos fabricados em Manaus no restante do território nacional, mantendo a atratividade comercial. E, nas operações de exportação para outros países, o texto da reforma confirma a manutenção da isenção total de tributos, como já ocorre hoje, o que assegura que as empresas exportadoras da ZFM continuem competitivas no mercado internacional.
Também foi mantida a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os produtos fabricados na Zona Franca. Na prática, isso significa que mercadorias produzidas em Manaus continuam sem pagar esse imposto, enquanto produtos similares fabricados em outras regiões do país ainda estarão sujeitos à tributação. Isso reforça o diferencial competitivo para quem decide produzir no local.
Por outro lado, é importante observar que esses benefícios se concentram, principalmente, no setor industrial. O comércio – especialmente empresas que atuam como distribuidoras ou varejistas – não recebeu o mesmo nível de atenção. A cobrança da CBS em operações internas e a ausência de benefícios específicos para quem apenas revende produtos sem industrializá-los podem elevar os custos e afetar o preço final ao consumidor.
Além disso, os créditos fiscais obtidos nas vendas para fora da região precisam ser utilizados em até seis meses. Caso contrário, expiram, o que pode impactar empresas com fluxo de caixa mais restrito ou ciclos de venda mais longos.
Ainda assim, a ZFM segue como uma excelente opção para quem busca reduzir custos, expandir seus negócios e atuar com segurança jurídica. A SUFRAMA continuará sendo responsável por habilitar e fiscalizar as empresas que operam com incentivos, assegurando controle e estabilidade ao modelo.
Outro aspecto que transmite confiança é o apoio político sólido que a Zona Franca recebeu durante toda a tramitação da reforma. Parlamentares de diversas regiões defenderam sua importância estratégica para o país, demonstrando que o modelo tem respaldo como política de Estado – com base constitucional – e não depende de vontades pontuais de governo.
Vale lembrar que as novas regras não entram em vigor de imediato. A transição para o novo sistema tributário será feita de forma gradual, com início previsto em 2026 e plena aplicação em 2033. Esse prazo dá tempo para as empresas se prepararem com tranquilidade, entenderem as novas exigências e ajustarem seus processos operacionais e estratégicos.
A Reforma Tributária sinalizou de forma clara: a Zona Franca de Manaus continua sendo um dos ambientes mais vantajosos do Brasil para produzir, importar, vender e exportar. Os incentivos estão garantidos, a estrutura legal foi reforçada, e o modelo segue fundamental para a economia amazônica e nacional.
É verdade que ainda há pontos a melhorar – principalmente para que o comércio e os serviços recebam o mesmo suporte dado à indústria. Mas, o essencial está assegurado: um caminho sólido para empresas que queiram crescer com eficiência tributária, segurança e visão de longo prazo. Para o empresário atento, é hora de se posicionar, planejar e aproveitar um modelo que se consolida como estratégico para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Com planejamento e entendimento das novas regras, a Zona Franca de Manaus continuará sendo um território fértil para negócios competitivos e sustentáveis.
Taís Baruchi é CEO e sócia na ECOVIS® BSP.
Sobre a BSP:
A Ecovis®️ BSP é uma empresa de BPO (Business Process Outsourcing) de padrão internacional, capaz de atender as demandas contábeis das empresas enquadradas nos regimes de lucro real e lucro presumido, localizadas em qualquer parte do Brasil, nacionais ou multinacionais. A empresa faz parte da Ecovis International, líder global de consultoria fiscal, contábil, auditoria e assessoria jurídica, presente em mais de 80 países.
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Nathália Bellintani
Tel: +55 (11) 9848-4042 |
Politica
NOVO PAC Primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina é inaugurado no Porto de Suape
Programa Novo PAC direciona recursos públicos e privados para melhoria do setor portuário brasileiro. Novo terminal ocupa uma área de aproximadamente 495 mil m² | Foto: Janaína Pepeu/GovPE
O novo terminal de contêineres da APM Terminals no Complexo Industrial Portuário de Suape, empreendimento que recebeu mais de R$ 2 bilhões em investimentos privados, consolida Pernambuco como um dos principais polos logísticos do Brasil. Inaugurado nesta sexta-feira (12) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pela governadora de Pernambuco Raquel Lyra, o equipamento é o primeiro 100% eletrificada da América Latina.
A nova estrutura amplia a capacidade operacional do porto em 55%, fortalece a inserção do Estado nas rotas internacionais de comércio e impulsiona a geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico.
O terminal é parte de um conjunto mais amplo de ações do Novo PAC no setor portuário, que prevê R$ 78,1 bilhões em investimentos públicos e privados até 2030 em portos de 16 estados. Em Suape, o programa avança também com a recuperação do molhe e a implantação do Cais Leste (Moegão), obras já em execução.
“É uma alegria voltar a Pernambuco num dia importantíssimo. O primeiro terminal portuário da América Latina 100% eletrificado, que mostra a preocupação com a questão ambiental. Esses investimentos vão possibilitar aumentar 55% de capacidade portuária. Os portos são uma grande ferramenta para o nosso desenvolvimento, então, é uma grande conquista para o nosso Brasil”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A operação implantada também se destaca pelo uso de tecnologia de ponta. O terminal recebeu aproximadamente R$ 235 milhões em equipamentos eletrificados e conta com sistemas de operação remota para guindastes e equipamentos de movimentação, colocando Suape entre os terminais mais modernos da América Latina.
“Isso é o exemplo de uma entrega para o povo, que se dá através de investimentos públicos e privados. Tudo isso para que a gente possa gerar mais oportunidades para o povo brasileiro, para que a economia cresça. Aqui, em Suape, celebramos esse investimento que coloca Pernambuco numa posição de destaque nacional”, declarou o ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé França.
O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 495 mil metros quadrados, conta com cais de 430 metros de extensão e profundidade de até 15,5 metros, permitindo a operação de navios de grande porte que atuam nas principais rotas globais de transporte marítimo.
A governadora Raquel Lyra afirmou que, hoje, “Pernambuco tem o porto mais pronto para crescimento do Norte e Nordeste brasileiro. Fizemos o dever de casa, garantimos a dragagem do porto interno, do porto externo, a requalificação do molhe, e tudo isso permitiu, em parceria com o Governo Federal, que a gente pudesse ser a alternativa real de investimento como está acontecendo com o novo terminal de contêineres. Estamos prontos para os próximos 25 anos”.
O presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape ressaltou a importância estratégica do investimento para o fortalecimento da infraestrutura portuária pernambucana e para a ampliação da capacidade de movimentação de cargas do Estado, que tem seu papel fortalecido como porta de entrada para novos negócios no Nordeste.
“Isso vai atrair muitos investimentos não só para Suape, mas para todo o Estado. Este investimento amplia nossa capacidade operacional, fortalece a conexão com os principais mercados globais e envia uma mensagem clara ao mundo: de que Pernambuco está preparado para receber grandes empreendimentos e liderar um novo ciclo de crescimento sustentável, inovação e competitividade”, comemorou Armando Monteiro Bisneto.
Durante a implantação, o projeto gerou mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.
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