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Saúde

Programa DNA do Brasil propõe novo modelo de gestão pública integrada com foco em dados e desenvolvimento humano

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Iniciativa testada no Distrito Federal aposta na articulação entre educação, saúde e assistência social para fortalecer políticas públicas nos territórios

A integração entre áreas estratégicas e o uso qualificado de dados têm ganhado espaço nas discussões sobre eficiência na gestão pública no Brasil. O tema esteve no centro do seminário do Programa DNA do Brasil – Saúde na Escola, realizado em abril, em Brasília, reunindo gestores, especialistas e representantes institucionais para debater caminhos mais estruturados para o desenvolvimento humano no país.

O encontro discutiu a necessidade de ampliar a articulação entre educação, saúde, assistência social e justiça, com foco em ações coordenadas e baseadas em indicadores.

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É nesse contexto que o Programa DNA do Brasil – Saúde na Escola vem sendo apresentado como uma alternativa prática para fortalecer a gestão pública integrada. A metodologia, desenvolvida a partir de experiências consolidadas no esporte educacional, hoje funciona como uma plataforma voltada ao planejamento, monitoramento e qualificação de políticas públicas, alinhada a instrumentos nacionais como SAEB, IDEB, FUNDEB, VAAR e às diretrizes do Programa Saúde na Escola.

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O modelo reúne tecnologia, monitoramento contínuo e leitura territorial para mapear demandas específicas de cada localidade. A proposta permite antecipar necessidades e direcionar ações preventivas em áreas como saúde bucal, aspectos psicossociais e projeto de vida de estudantes.

Para Wilson Cardoso, presidente do IDECACE, o desafio está em superar a fragmentação entre diferentes setores da administração pública.

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“É preciso avançar para uma gestão pública orientada por evidências e capaz de conectar diferentes áreas em torno de objetivos comuns. O Programa DNA do Brasil nasce justamente com esse propósito”, afirma.

Além do diagnóstico e acompanhamento técnico, a iniciativa investe na formação de profissionais que atuam diretamente na execução das políticas públicas. O objetivo é fortalecer a atuação local, ampliar o diálogo entre equipes e qualificar a tomada de decisão.

Experiência no Distrito Federal impulsiona expansão

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O Distrito Federal tem sido o principal campo de implementação da metodologia, com atuação em equipamentos públicos estratégicos, como os CEUs das Artes, em Ceilândia. A experiência tem servido para ajustes operacionais, avaliação de impacto e consolidação do modelo.

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A participação de especialistas e representantes de instituições como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação durante o seminário reforçou a discussão sobre o papel dos indicadores na formulação de políticas públicas mais eficientes.

Com mais de duas décadas de atuação e impacto direto sobre mais de 350 mil crianças e adolescentes, o IDECACE, responsável pela construção metodológica do programa, trabalha agora na ampliação nacional da iniciativa.

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A proposta é consolidar um modelo de gestão pública baseado em integração, prevenção e uso estratégico de dados, com potencial de aplicação em diferentes territórios do país.

CRÉDITOS:

Fotos: Divulgação

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Mulheres incriveis

Outubro Rosa: tratamento termina, mas medo do câncer pode permanecer

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Alerta é da psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

As campanhas do Outubro Rosa são tradicionalmente marcadas por informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Mas existe outra dimensão menos falada: quando o tratamento termina, o medo de a doenças voltar assombra muitas mulheres.

“Enquanto familiares e amigos celebram a remissão e esperam que a vida volte ao normal, a mulher pode continuar convivendo com medos, inseguranças e transformações que não desaparecem com o fim do tratamento”, escreve, em artigo, a psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira.

 

 

 

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Psicóloga Laís Mutuberria Vieira diz que pacientes precisam também de apoio emocional – Foto Laís Mutuberria Vieira/ Arquivo Pessoal

A especialista explica que, durante meses, a mulher enfrenta nova rotina com hospital, médicos, exames. “Consultas e pessoas sempre por perto, acompanhando sua saúde. Quando a quimioterapia e a radioterapia terminam, esse contato diminui e começa nova etapa. Uma etapa cheia de incertezas, de medo de a doença voltar e de transformação na própria vida”, afirma Laís à Agência Brasil.

De acordo com ela, assim como o acompanhamento médico continua importante, o suporte emocional também pode precisar permanecer, respeitando o ritmo de cada mulher e ajudando-a a reconstruir a confiança na própria vida, mesmo sem a possibilidade de eliminar todas as incertezas.

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“A última sessão de quimioterapia ou radioterapia pode marcar o fim de um tratamento, mas não o cuidado com essa mulher, que ainda precisa continuar”.

Segundo a psicóloga, muitos familiares e amigos se afastam para voltar à rotina normal e a mulher, temendo a recidiva da doença, fica marcada pelo medo da solidão.

“Os exames de acompanhamento podem despertar medo, qualquer alteração ou dor pode ser interpretada como reincidência da doença. Essa mulher ainda precisa de apoio”, diz Laís.

Ela lembra que muitas pacientes continuam usando medicação por até cinco anos e sentem fadiga, além de outros efeitos desse tratamento de acompanhamento. “O corpo dessa mulher mudou. Ela tem cicatriz, às vezes perdeu uma mama, ganhou uma nova mama que ela ainda não se identifica. A sexualidade pode mudar, assim como a intimidade com o parceiro e a própria disposição diminui par atividades diárias e para a vida sexual”, afirma.

“Essas mudanças podem afetar a autoestima, o desejo, a sensação de atratividade e a forma como essa mulher se reconhece no espelho, repercutindo também em dimensões mais amplas da sexualidade, como o toque, a espontaneidade, a confiança e a disponibilidade para o vínculo íntimo”, acrescenta.

Renata Reis Pinto, médica mastologista e radiologista, com atuação no Instituto Nacional de Câncer (Inca), lembra que o câncer de mama ainda é uma doença com muitos estigmas. Até hoje, na prática clínica, ela diz que a doença ainda é vista como uma sentença de morte, que traz muitas dúvidas e medo de como será a evolução e do que a paciente terá que enfrentar diante do diagnóstico.

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Para Renata Reis Pinto, médica mastologista e radiologista, doença convive ainda com muitos estigmas – Renata Pinto/ Arquivo Pessoal

Para a médica, providenciar todo um aparato para a paciente falar sobre suas questões é importante até para a evolução do tratamento. “É importante oferecer para a paciente um tratamento multidisciplinar, com uma assistente social que pode ajudar em questões como onde vai ficar o filho enquanto ela está em tratamento, questões sociais relacionadas ao trabalho. A psico-oncologia é de fundamental importância para perceber até que ponto esse medo está sendo tão intenso que a paciente possa necessitar de alguma medicação”, afirma Renata à Agência Brasil.

Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu o câncer de mama no início de 2025 ao perceber um nódulo na mama esquerda. Em março do ano passado ela confirmou o diagnóstico e começou o tratamento.

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“Eu não contei para ninguém. Eu sofri sozinha. Só contei para meu marido depois de fazer a biópsia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia

 

 

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Para Renata Reis Pinto, médica mastologista e radiologista, doença convive ainda com muitos estigmas – Renata Pinto/ Arquivo Pessoal

Para a médica, providenciar todo um aparato para a paciente falar sobre suas questões é importante até para a evolução do tratamento. “É importante oferecer para a paciente um tratamento multidisciplinar, com uma assistente social que pode ajudar em questões como onde vai ficar o filho enquanto ela está em tratamento, questões sociais relacionadas ao trabalho. A psico-oncologia é de fundamental importância para perceber até que ponto esse medo está sendo tão intenso que a paciente possa necessitar de alguma medicação”, afirma Renata à Agência Brasil.

Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu o câncer de mama no início de 2025 ao perceber um nódulo na mama esquerda. Em março do ano passado ela confirmou o diagnóstico e começou o tratamento.

“Eu não contei para ninguém. Eu sofri sozinha. Só contei para meu marido depois de fazer a biópsia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia

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Após o fim do tratamento do câncer, Josiane continua o acompanhamento médico. “O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto. Até hoje, numa consulta de rotina, num exame, eu entro em pânico. Parece que volta tudo o que eu vivi. As pessoas que passam por um câncer deveriam ter um cuidado no pós-tratamento. Existe vida depois do câncer, mas essa vida precisa ser reconstruída”, completa Josiane.

Segundo a estimativa do Inca para este ano, o tumor mais incidente entre as mulheres é o de mama, com 30% dos casos. O número estimado de casos novos da doença no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 78.610 casos, com risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres.

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