Saúde
Semana Mundial do Glaucoma chama atenção para doença que afeta mais de 2,5 milhões de brasileiros
Campanha global, realizada de 8 a 14 de março, reforça importância do diagnóstico precoce diante do alto número de pessoas que convivem com o problema sem saber
A Semana Mundial do Glaucoma, realizada de 8 a 14 de março, é um momento importante de conscientização sobre uma doença que pode comprometer de forma permanente a visão. Com o tema “Unidos por um Mundo Livre do Glaucoma”, a campanha é uma iniciativa da Associação Mundial de Glaucoma e tem como objetivo alertar a população sobre os riscos da doença e a importância do diagnóstico precoce.
O tema é especialmente relevante no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) indicam que mais de 2,5 milhões de brasileiros convivem com a doença, e o mais preocupante é que grande parte das pessoas não sabe disso: quase 70% dos afetados desconhecem que têm glaucoma.
Segundo o Dr. Homero Gusmão, oftalmologista especialista em glaucoma e catarata do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH), o desconhecimento sobre a enfermidade é um dos maiores desafios para evitar a perda visual. “O glaucoma é uma doença que evolui de forma silenciosa. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor, não percebe alterações visuais no início e, quando os sintomas aparecem, já pode haver comprometimento importante da visão”, explica.
O especialista destaca que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. “Diferentemente de outras doenças oculares, a perda visual provocada pelo glaucoma não pode ser recuperada. Por isso, identificar a doença precocemente é fundamental para preservar a visão e evitar que a cegueira se instale”, afirma.
Esse caráter silencioso faz com que muitas pessoas convivam com a doença por anos sem perceber. “O glaucoma afeta o nervo óptico de forma progressiva. Como essa evolução costuma ser lenta, o cérebro se adapta e o paciente não percebe as alterações no campo visual nas fases iniciais”, explica o Dr. Homero. “Por isso, consultas oftalmológicas regulares são essenciais, mesmo quando a pessoa acredita que está enxergando bem.”
Entre os fatores de risco estão a pressão intraocular elevada, histórico familiar da doença, idade mais avançada e algumas condições sistêmicas. “Quem tem parentes próximos com glaucoma precisa redobrar a atenção, porque o risco de desenvolver a doença é maior. Nesses casos, o acompanhamento periódico com o oftalmologista é ainda mais importante”, orienta.
O diagnóstico geralmente ocorre durante consultas oftalmológicas de rotina. “A avaliação inclui a medição da pressão intraocular, a análise do nervo óptico e exames específicos que permitem identificar alterações mesmo antes de surgirem sintomas”, explica o médico. “Quando detectamos o glaucoma nas fases iniciais, conseguimos iniciar o tratamento precocemente e reduzir significativamente o risco de perda visual.”
Em relação ao tratamento, há diferentes abordagens disponíveis, que variam conforme as características de cada paciente. “Na maioria dos casos, o tratamento começa com colírios que ajudam a controlar a pressão intraocular. Dependendo da evolução da doença, também podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias”, detalha o oftalmologista. “O mais importante é entender que o glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado quando diagnosticado e acompanhado corretamente.”
A Semana Mundial do Glaucoma reforça justamente essa mensagem de prevenção. “A melhor forma de combater o glaucoma é a informação. Muitas pessoas só procuram o oftalmologista quando já apresentam dificuldade para enxergar, mas no caso dessa doença isso pode ser tarde”, alerta o especialista. “Cuidar da saúde ocular, realizar consultas periódicas e conhecer os fatores de risco são atitudes que podem fazer toda a diferença para preservar a visão ao longo da vida”, finaliza o Dr. Homero Gusmão, oftalmologista especialista em glaucoma e catarata do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH).
Foto: Imagem de freepik
Educação
Férias escolares e hemofilia: como garantir segurança e inclusão para as crianças
Especialista traz orientações práticas de segurança para que o período de descanso das crianças seja sinônimo de autonomia, movimento e tranquilidade
As férias de julho são momentos muito esperados pelas crianças de todas as idades. Para as famílias dos pacientes com hemofilia, o período exige planejamento, mas está longe de ser um impedimento para que os pequenos aproveitem a pausa escolar. Hoje, com o maior conhecimento sobre a condição e a importância do acompanhamento multidisciplinar regular, é possível planejar férias mais tranquilas e ativas. Com isso, brincar, se movimentar e viver experiências típicas da infância têm se tornado cada vez mais viáveis e seguras.
A hemofilia é uma doença rara e hereditária que afeta a coagulação do sangue, fazendo com que os sangramentos durem mais tempo do que o habitual. No passado, essa condição exigia restrições mais rígidas às brincadeiras e às atividades físicas. Esse cenário, no entanto, vem mudando com o diagnóstico precoce, acesso a tratamentos inovadores e por meio da educação do paciente e seus familiares.
“Logo após o diagnóstico, nossas férias e rotina eram extremamente restritas por conta do medo. Nosso maior receio era um sangramento grave que não pudéssemos identificar rapidamente”, conta Carolina Ferreira, mãe de Lucas, diagnosticado com hemofilia aos oito meses após um sangramento intracraniano. “Evitávamos passeios, futebol e brinquedos como cama elástica. Ele brincava em tatames cercado de almofadas e chegou a usar capacete acolchoado”.
A hematologista Fernanda Barbosa, da Santa Casa de São Paulo, explica que a evolução terapêutica e o suporte multidisciplinar viabilizam uma rotina com atividades físicas adequadas para a infância. “Atualmente, o foco é proporcionar uma rotina em que a hemofilia não limite o cotidiano do paciente. Com a evolução das terapias, observamos na prática clínica uma redução significativa nos índices de sangramento, o que traz mais segurança e tranquilidade para as famílias. Essa transformação científica e terapêutica impacta diretamente a qualidade de vida, permitindo que as crianças brinquem, corram e se desenvolvam com a mesma liberdade que qualquer outra”
Essa mudança se reflete na rotina de Carolina e de seu filho. “O Lucas leva uma vida ativa para a idade dele: frequenta a escola, participa das atividades com os colegas e joga futebol duas vezes por semana. Hoje também é possível viajar, passear e aproveitar ao máximo as férias”, completa a mãe.
As férias passam a representar não apenas um momento de descanso, mas também uma oportunidade para fortalecer vínculos, explorar novos ambientes e proporcionar às crianças experiências que fazem parte da infância. Além do aspecto social, especialistas apontam que a prática de exercícios físicos supervisionados é benéfica para a hemofilia, pois atua no fortalecimento muscular e na proteção das articulações.
“O estímulo à atividade física direcionada melhora a massa muscular e reduz dores articulares. Para isso, o paciente deve manter a adesão rigorosa ao tratamento prescrito. A terapia pode ser otimizada pelo médico com base no tipo de atividade exercida. Também é fundamental que haja supervisão de profissionais de educação física e o uso de equipamentos de proteção”, orienta a Dra. Fernanda.
A médica ressalta que os cuidados e o esquema terapêutico não devem ser interrompidos durante as férias. “A manutenção da rotina de tratamento durante viagens e passeios é essencial para prevenir intercorrências ou mitigar a gravidade de eventuais episódios hemorrágicos”, alerta.
Confira abaixo algumas dicas da especialista que ajudam a aproveitar as férias das crianças com hemofilia com segurança:
- Roupas e equipamentos de proteção: Para brincadeiras que envolvem maior movimento, como andar de bicicleta, por exemplo, o uso de capacete, joelheiras e cotoveleiras é indispensável.
- Hidratação constante: Especialmente nos dias de calor e maior gasto de energia com as brincadeiras, incentive a criança a beber água regularmente. Manter o corpo hidratado é fundamental para o bem-estar geral.
- Identificação: Garanta que a criança use uma pulseira, crachá ou carteirinha que informe seu diagnóstico de hemofilia e os contatos de emergência.
- Mantenha os cuidados: Em caso de viagem, leve os medicamentos e cuidados prescritos pelo médico em quantidade suficiente para todo o período de viagem, além de uma receita atualizada e o contato do hemocentro de referência.
- Mapeamento e contato prévio no destino: Antes de pegar a estrada, faça um contato preventivo com o hemocentro ou centro de referência em hemofilia da cidade para onde estão viajando. Confirmar o horário de funcionamento e avisar sobre o período em que a criança estará na região garante um suporte muito mais ágil e direcionado caso ocorra qualquer imprevisto.
- Comunicação com hotéis e colônias de férias: Avise os monitores, guias e responsáveis pelo lazer sobre a condição da criança e explique de forma clara o que fazer em caso de batidas ou cortes.
Com o preparo, o período de recesso escolar cumpre o seu propósito essencial: garantir o direito à convivência comunitária, ao lazer e ao desenvolvimento integral da criança com total segurança. Com as precauções corretas adotadas antes e durante o período de viagem, as barreiras dão lugar a uma rotina de férias ativa, segura e integrada à dinâmica familiar e social.
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