Social
O que as meninas podem vestir?
Especialistas comentam sobre os direitos de meninas e mulheres e o combate ao constrangimento e a situações de importunação
Ao longo de décadas, as mulheres conquistaram inúmeros direitos. No entanto, as legislações ainda não são suficientes para uma mudança ainda mais essencial: a transformação da sociedade. Embora tenham ocorrido avanços significativos em diversos setores da sociedade e nas legislações de proteção às mulheres, ainda existem muitos desafios, como demonstra o recente acordo firmado entre a Secretaria de Educação do Estado do Pará o Ministério Público do Estado do Pará.
A iniciativa concedeu às estudantes do Colégio Estadual Paes de Carvalho, fundado em 1841, em Belém, o direito de frequentar as aulas com calça jeans. Com isso, o uniforme feminino, composto por blusa branca, saia azul-marinho e sapatos sociais, passou a ser opcional. A mudança não chama atenção simplesmente pela quebra de uma tradição, mas pelo fato de ter sido motivada por relatos de jovens sobre frequentes momentos de constrangimento e situações de importunação.
Será que a mudança de vestimenta é suficiente para que o assédio contra as mulheres pare? Maria Fernanda, psicóloga do Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Estácio (NAAP), afirma que não. “A mulher sempre foi vista como, entre aspas, o sexo frágil, e muitos homens se acham no direito de assediar pelo simples fato de ela ser mulher. A vestimenta não quer dizer que você pode ou não assediar uma pessoa. Então, a calça ou a saia independem do caráter do outro, do indivíduo que está ali assediando. Assim, não vejo isso como algo que possa diminuir o assédio”, comenta.
A psicóloga que também integra o NAAP, Luiza Marron, também reforça que a raiz do problema é social, e não estética. “Não é a roupa que causa assédio. Ele acontece por uma questão cultural ligada à objetificação do corpo feminino. Existe a ideia de que as mulheres, essas meninas, estão disponíveis ao olhar e à invasão do outro. No fim, permitir o ajuste da roupa é um avanço em termos de autonomia e conforto, mas o verdadeiro combate ao assédio acontece quando a sociedade entende que o problema nunca foi a roupa, e sim o comportamento de quem assedia”, afirma.
Como proteger as mulheres?
Para Thayene Belo, psicóloga e mestre em Saúde Coletiva, a prevenção e a segurança também envolvem autonomia, conforto e respeito às realidades vividas pelas adolescentes no cotidiano.
“Permitir o uso da calça não significa que o assédio vai deixar de existir, mas pode, sim, representar uma medida de proteção prática, porque muitas estudantes relataram maior sensação de segurança no trajeto entre casa e escola, especialmente no transporte público e na circulação pelas ruas. Ou seja, a mudança não resolve o problema sozinha, mas é um passo institucional importante de cuidado e de escuta dessas adolescentes”, pontua.
Ainda segundo a especialista, a segurança depende de uma educação para o respeito, de políticas públicas de proteção, da melhoria na segurança urbana, de campanhas contra o assédio, de espaços de escuta ativa e da responsabilização de quem pratica a violência.
“Quando a sociedade muda o foco, deixando de controlar o corpo das meninas e passando a responsabilizar comportamentos abusivos, nós avançamos, de fato, na prevenção ao assédio. Medidas como essa são importantes porque sinalizam algo maior. Proteger essas meninas não é limitar suas escolhas, mas, sim, garantir que elas possam estudar, circular e viver com dignidade e segurança”, conclui Thayene Belo.
Social
Programa Jovem Candango inicia convocação de candidatos pré-selecionados no Distrito Federal
Chamamento conduzido pela Renapsi marca nova etapa de uma das principais políticas públicas de inserção de jovens no mercado de trabalho no DF
A Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) iniciou o chamamento dos candidatos pré-selecionados para o Programa Jovem Candango, uma das mais importantes iniciativas de inclusão produtiva voltadas à juventude do Distrito Federal. A convocação representa uma nova etapa do processo de seleção e aproxima milhares de adolescentes e jovens da oportunidade do primeiro emprego.
O anúncio foi reforçado pelo secretário de Estado da Juventude do Distrito Federal, André Kubitschek, que destacou o início dos contatos com os participantes inscritos no programa. Segundo a orientação oficial, os candidatos devem acompanhar atentamente os canais de comunicação informados no momento da inscrição.
O contato com os pré-selecionados está sendo realizado por e-mail e WhatsApp, com orientações para o agendamento da entrega da documentação necessária para a continuidade do processo.
A campanha de convocação traz a mensagem “Convocação iniciada”, alertando os jovens para que fiquem atentos aos prazos estabelecidos. A recomendação é verificar frequentemente a caixa de entrada do e-mail (incluindo a pasta de spam) além das mensagens e chamadas telefônicas cadastradas no momento da inscrição.
Em caso de dúvidas, os candidatos podem entrar em contato pelo e-mail oficial do programa: jovemcandango.sejuv@buriti.df.gov.br.
O Programa Jovem Candango, executado pela Secretaria de Estado da Juventude do Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Estado da Família, tem como objetivo oferecer oportunidades de aprendizagem profissional para estudantes da rede pública de ensino, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social.
A iniciativa combina formação teórica e prática, permitindo que os participantes desenvolvam competências profissionais enquanto atuam em órgãos públicos do Distrito Federal. Ao longo do programa, os jovens têm acesso a experiências que contribuem para sua formação cidadã e preparação para o mercado de trabalho.
Criado para ampliar o acesso ao primeiro emprego, o programa oferece bolsa-auxílio, vale-transporte, seguro contra acidentes pessoais e acompanhamento pedagógico, garantindo suporte educacional e profissional durante todo o período de aprendizagem.
Ao longo dos anos, milhares de jovens brasilienses já foram beneficiados, fortalecendo a política pública de inclusão produtiva, geração de oportunidades e desenvolvimento social no Distrito Federal.
Segundo o secretário André Kubitschek, o alcance do Jovem Candango vai além da experiência profissional.
“O Jovem Candango é uma política pública que transforma realidades, gera perspectiva de futuro e fortalece a juventude do Distrito Federal”, destaca o secretário.
O Governo do Distrito Federal reforça que novas etapas do processo poderão ser divulgadas conforme o andamento das convocações. Para os pré-selecionados, o momento exige atenção e responsabilidade: acompanhar as mensagens e cumprir os prazos pode representar o primeiro passo rumo a um futuro profissional promissor.
Com informações da Secretaria de Estado da Juventude do Distrito Federal
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