Politica
Por dívida com ex-partido, carro da senadora Leila Barros vai a leilão
Crédito: Marcelo Ferreira/CB. CB.Poder entrevista a Senadora Leila Barros. – (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Sem pagar dívida com o PSB, Justiça penhorou carro da senadora, que agora vai à leilão. O veículo é um Chevrolet Tracker, de ano 2015/2016
O carro da senadora Leila Barros (PDT), alvo de penhora da 22ª Vara Cível de Brasília para pagamento de uma dívida com o ex-partido da parlamentar, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), vai à leilão.
O edital do leilão do veículo da senadora, um Chevrolet Tracker, de ano 2015/2016, foi publicado nesta quinta-feira (18/1). O lance inicial é de R$ 70,3 mil e pode ser realizado até às 14h10 de 5 de março de 2024.
O veículo é alvo de uma guerra entre a parlamentar e o PSB. O caso teve início em julho de 2021, quando o partido ajuizou uma ação na Justiça, após a saída de Leila da legenda. O valor cobrado é decorrente do não recolhimento da contribuição financeira mensal devida por filiados do PSB, conforme previsto no estatuto partidário.
A multa, inicialmente na casa dos R$ 100 mil, está em R$ 185 mil. Em nota, Leila disse que irá recorrer e considerou que o ex-partido a persegue (veja nota abaixo). “É preciso revisar o sistema partidário brasileiro, de forma a garantir que aqueles que desejem entrar na política, para contribuir verdadeiramente em favor das pessoas, não sejam prejudicados por uma ou outra decisão arbitrária de grupos políticos”, disse.
Veja nota completa
“É preciso revisar o sistema partidário brasileiro, de forma a garantir que aqueles que desejem entrar na política, para contribuir verdadeiramente em favor das pessoas, não sejam prejudicados por uma ou outra decisão arbitrária de grupos políticos.
O PSB não pode ser medido pelas figuras de seus dirigentes. Eles passam, as bandeiras ficam. Eu sei muito bem fazer a separação.
O que está acontecendo — o processo movido para uma cobrança que já foi abolida segundo decisão do Ministro Alexandre de Moraes, em 2022, em que diz que os partidos não podem mais impor contribuição obrigatória aos seus filiados — nada mais é do que um ato de perseguição política, o que lamento muito pela bonita história que construímos lá, junto com os militantes do partido.
Considero essa perseguição mesquinha e inoportuna, que serve apenas para fragmentar e não para unir. Essa ação contra mim, é colocar os interesses pessoais acima do interesse partidário, que deveria estar bem mais focado na cobrança cotidiana de melhor qualidade de vida para cidadãos, na implementação de políticas de combate a desigualdade social, na destinação correta dos recursos públicos.
Vamos recorrer em todas as instâncias para que justiça realmente seja feita.”
Fonte: Correio Brasiliense
Politica
“Parem de nos matar porque nós não vamos morrer”, afirma Cármen Lúcia em debate sobre violência de gênero
Autoridades do Judiciário, Ministério Público e PF discutiram os impactos da sub-representação feminina e os desafios institucionais no Brasil
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez discurso firme sobre violência de gênero e participação feminina na política durante evento em celebração ao Dia Internacional das Mulheres, realizado nesta quarta-feira (18) pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB) em parceria com as Embaixadas do Canadá e da Noruega. Ao abordar o aumento dos casos de violência, Cármen Lúcia classificou o cenário como alarmante e afirmou: “Parem de nos matar porque nós não vamos morrer”.
Segundo a ministra, o Brasil vive uma “epidemia” de assassinatos de mulheres, realidade que também se reflete na política, com o aumento de ataques e intimidações contra candidatas e lideranças femininas. Para ela, a desigualdade de gênero tem raízes históricas e foi estruturada para limitar a presença feminina nos espaços de poder. “A sociedade foi organizada para que os homens participassem da política e as mulheres ficassem restritas a outros espaços”, disse.
Cármen Lúcia criticou o padrão de ataques direcionados às mulheres no debate público, sobretudo em períodos eleitorais, com abordagens mais agressivas e de caráter pessoal. Segundo ela, esse ambiente hostil contribui para afastar mulheres da vida política. Apesar dos avanços legais, segundo a ministra, a realidade ainda é desigual: “A igualdade está na Constituição, mas não está na vida”. Por fim, ela defendeu o enfrentamento à violência de gênero como condição para o funcionamento pleno da democracia. “Uma democracia que deixa de fora mais de 50% da população não é completa”, concluiu.
Cooperação internacional em prol das mulheres
Na abertura do evento, o ministro-conselheiro da Embaixada do Canadá, Simon Cridland, destacou que a sub-representação feminina é um problema global e que a paridade nos cargos de poder ainda está distante, podendo levar mais de um século para ser alcançada no ritmo atual. “Quando as mulheres são excluídas da esfera pública, a sociedade perde perspectivas essenciais para políticas mais justas e eficazes”, afirmou.
O embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen, ressaltou a importância da cooperação internacional no enfrentamento da violência política de gênero e defendeu a ampliação da participação de grupos historicamente excluídos. “É fundamental garantir que todas as pessoas, especialmente mulheres, jovens e pessoas LGBTQI+, participem da vida pública com segurança e em igualdade de condições”, disse.
O reitor do CEUB, Pio Pacelli Moreira Lopes, destacou o papel da universidade como um espaço aberto, plural e essencial para a promoção da participação feminina em todas as esferas e poderes. “À educação superior cabe um papel decisivo nesse processo, como espaço de produção de conhecimento, de formação crítica e de compromisso com o fortalecimento das instituições democráticas”, afirmou o reitor.
Instituições no enfrentamento à violência política
O evento reuniu instituições públicas para debater estratégias de enfrentamento à violência política de gênero. O delegado da Polícia Federal Henrique Oliveira Santos abordou os desafios na investigação de crimes no ambiente digital e a necessidade de aprimorar mecanismos de identificação e responsabilização. Já a procuradora Raquel Branquinho, do Ministério Público, enfatizou a atuação integrada com respostas mais ágeis do sistema de Justiça. Também foram abordadas a produção de dados e a criação de ambientes mais seguros para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão.
Créditos:
Por: Marina Gadelha
Fotos: Divulgação CEUB
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