Saúde
Assistência jurídica, vacinação e exames para mulheres nesta segunda (5)
O Dia da Mulher da Defensoria Pública do DF ocorre na primeira segunda-feira de cada mês e promoveu 4,6 mil atendimentos em 2023 | Foto: Divulgação/DPDF
Primeira edição de 2024 do Dia da Mulher da DPDF oferecerá imunização contra hepatite B, tríplice viral, febre amarela, difteria e tétano, além de aferição de pressão ocular
A primeira edição de 2024 do Dia da Mulher, ação mensal realizada desde o ano passado pela Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), oferecerá vacinação contra hepatite B e tríplice viral (rubéola, caxumba e sarampo), febre amarela e DT (difteria e tétano). O serviço será ofertado pela Secretaria de Saúde (SES-DF).
A 9ª edição do projeto ocorrerá nesta segunda-feira (5), no Nuclão da DPDF, no Setor Comercial Norte (SCN), Quadra 1, Edifício Rossi Esplanada Business, próximo ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), com diversos serviços gratuitos direcionados ao público feminino em situação de vulnerabilidade e a seus familiares.
A ação disponibilizará também 100 vagas para aferição de pressão ocular, ofertadas pelo Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), além de exames como mamografias, exames citopatológicos, inserção de dispositivo intrauterino (DIU), atendimentos odontológicos e consultas com uma médica da família, realizados pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). As senhas serão disponibilizadas pela manhã, das 8h às 12h. Para ofertar ainda mais serviços de saúde, o Instituto Sabin distribuirá vouchers de exames laboratoriais preventivos. As senhas são limitadas.
A ação terá ainda orientação jurídica e serviços das Iniciais de Família e de Fazenda Pública, como solicitações de monitor exclusivo em escola, atendimento psicossocial, exames de DNA gratuito e atendimentos de mediação, todos oferecidos pela DPDF.
O evento também contará com a distribuição de materiais sobre violência doméstica contra as mulheres, elaborados pelo Núcleo Permanente de Mediação e Conciliação (Nupemec) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Haverá ainda prestação de serviços socioassistenciais por meio do Centro de Referência de Assistência Social Móvel (Cras Móvel).
Outra participação importante é da Secretaria da Mulher (SMDF), que entregará kits e panfletos informativos. O Serviço Nacional de Aprendizagem Profissional (Senac) ofertará orientações para o cadastro no Programa Senac de Gratuidade (PSG), que disponibiliza cursos gratuitos. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) fará atendimentos referentes à regularização e à inscrição em programas habitacionais. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), por meio da Subsecretaria de Apoio às Vítimas de Violência (Subav), prestará apoio psicossocial às vítimas de violência e seus familiares.
A ação contará ainda com a participação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), que ofertará vagas de emprego, atendimento ao empregado, emissão de Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) digital, inscrições e orientações para os cursos promovidos pela pasta, informações sobre o programa Prospera – Microcrédito do DF, além de orientações profissionais e sobre seguro desemprego.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) disponibilizará exame de autocoleta de prevenção do câncer do colo do útero. A Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD) fará o Cadastro da Pessoa com Deficiência, a Carteira de Identificação para Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, além de orientações sobre passe livre especial e sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A Caesb distribuirá água potável durante o evento.
A subdefensora pública-geral Emmanuela Saboya afirma que a oferta de serviços para mulheres em situação de vulnerabilidade será ampliada neste ano. “O aumento da quantidade de parceiros é crucial para garantir acesso à justiça, proteção legal e promoção de direitos, contribuindo para a equidade de gênero e a defesa dos direitos humanos para o público feminino”, explica.
Dia da Mulher
O Dia da Mulher da Defensoria Pública do DF ocorre na primeira segunda-feira de cada mês. Caso seja feriado, o evento é realizado no primeiro dia útil subsequente. A 10ª edição será especial e ocorrerá, excepcionalmente, em uma sexta-feira (8/3), data da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Em alusão à data, a edição contará com uma vasta oferta de serviços para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Durante as oito edições de 2023, o Dia da Mulher realizou 4,6 mil atendimentos. A cada edição, novas parcerias são firmadas com o objetivo de ofertar mais serviços exclusivos para mulheres em situação de risco devido a fatores sociais, econômicos e culturais. Apenas a 8ª edição do evento registrou 600 atendimentos.
Também são parceiros na ação de segunda-feira o Instituto Sabin, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), a Fiocruz, o TJDFT, o Detran-DF, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e Aa dministração Regional do Plano Piloto.
Com informações da agência Brasília
Fonte: Jornal de Brasilia
Saúde
Diagnóstico tardio de doenças ginecológicas afeta qualidade de vida e pode comprometer saúde das mulheres
Endometriose atinge cerca de 190 milhões de mulheres no mundo; sintomas normalizados de cólicas menstruais dificultam a identificação precoce da doença
A dor intensa durante a menstruação, o desconforto nas relações sexuais e as alterações abdominais estão entre os sintomas que podem indicar doenças ginecológicas. Apesar dos impactos na rotina, manifestações como essas nem sempre recebem a devida atenção, o que pode dificultar a investigação de condições como endometriose e o câncer de ovário em mulheres. O diagnóstico tardio pode prolongar o sofrimento das pacientes, comprometer a qualidade de vida e, no caso de doenças malignas, reduzir as possibilidades de tratamento em estágios iniciais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva convivem com a endometriose em todo o mundo, o equivalente a cerca de 10% dessa população. A doença crônica pode provocar dores intensas, alterações menstruais e dificuldades para engravidar.

A professora associada do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e diretora do Laboratório de Reprodução Assistida, Paula Andrea Navarro, explica sobre o que é endometriose e como ela se manifesta no corpo feminino.
“A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade do útero, fora da cavidade uterina, sendo uma doença crônica. Ela é considerada não só uma doença ginecológica, mas uma doença sistêmica. Os mecanismos pelos quais a endometriose acontece não são completamente esclarecidos, parte dos pacientes, acredita-se que é por refluência de sangue durante a menstruação pelas trompas uterinas.”
Paula exemplifica, ainda, que a endometriose pode ocorrer de forma diversa em cada paciente, sendo importante atentar aos sintomas. “A endometriose é uma doença enigmática com manifestações particulares em cada paciente. Não necessariamente a quantidade de focos se relaciona com a intensidade dos sintomas. Os principais sintomas são a dor da menstruação (dismenorreia), existe a possibilidade de dor durante a relação sexual e sintomas intestinais durante o período menstrual”, relata.
Histórico familiar e diagnóstico
A doença também pode estar associada a questões genéticas, ou seja, uma mulher que possui família com histórico da patologia deve manter a atenção aos sintomas para obter seu diagnóstico de forma precoce. “Pacientes mulheres que têm familiares com a doença têm mais chances de ter endometriose do que quem não tem histórico familiar”, afirma a professora.

Julio Cesar Rosa e Silva, professor associado do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica os exames que devem ser realizados em pacientes com suspeita da patologia. “Muitas vezes o exame ginecológico nos faz suspeitar da doença mas, hoje, o diagnóstico é feito com exames de imagem, ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética da pélvis.”
A identificação tardia pode prolongar os períodos de dor e dificultar o controle dos sintomas. Dependendo da localização e da extensão das lesões, a doença pode afetar a rotina de trabalho e de estudos, o sono, as relações afetivas e a saúde emocional. “A endometriose é uma doença que realmente tem um atraso diagnóstico bastante significativo. Em média, o diagnóstico pode demorar de cinco a dez anos desde o início dos sintomas. Um dos fatores é pela sociedade acreditar que ter cólica menstrual é um sintoma normal”, diz o professor.
Fertilidade e conscientização
A patologia está relacionada com dificuldade de fertilidade em parte das pacientes, embora nem todas as mulheres com a doença apresentem esse problema. “Com o passar dos anos e a presença do processo inflamatório constante, isso vai gerando processos aderenciais e acabam com que o diagnóstico tardio comprometa a fertilidade da mulher, pois acabam distorcendo toda a anatomia pélvica e comprometendo a qualidade do óvulo e a capacidade do embrião se implantar dentro do útero”, afirma o professor.
Por ser uma condição crônica, a endometriose não possui cura definitiva estabelecida. Entretanto, existem tratamentos para controlar a dor e outros sintomas, incluindo medicamentos hormonais, analgésicos e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos. A conscientização dos profissionais de saúde pode contribuir com a qualidade de vida das mulheres. “Nós precisamos também conscientizar as equipes de saúde, muitas vezes a própria equipe de saúde não está atenta e aberta a sentir e ouvir os sintomas da paciente, isso acaba postergando o diagnóstico, comprometendo significativamente sua qualidade de vida.” finaliza Rosa e Silva.
Estagiária sob supervisão de Gabriel Soares
Fonte matéria: Jornal da USP
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