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Lipedema: qual a relação do distúrbio com a alimentação?

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Lipedema é um distúrbio do tecido adiposo subcutâneo caracterizado pelo aumento de determinadas áreas do corpo, principalmente as extremidades inferiores, como quadris, nádegas e coxas, devido à distribuição concentrada de gordura nessas áreas. Ainda, os braços são afetados em 80% das mulheres com lipedema. Nessas extremidades afetadas, há a presença de dor, formação de hematomas, nódulos subcutâneos firmes de tecido adiposo e resistência da gordura às dietas tradicionais e ao exercício físico. Devido a essa resistência, para tratar o lipedema é necessário uma alimentação específica, baseada em alimentos anti-inflamatórios.

Recentemente, o lipedema foi incluído na 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) sob os códigos EF02.2 e BD93.1Y, mas ainda não está incorporado no currículo médico acadêmico brasileiro e nem no currículo especializado em cirurgia vascular.

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Para compreendermos mais sobre a relação entre alimentação e o lipedema, a equipe da IstoÉ Bem-estar entrevistou as nutricionistas Fernanda Maniero e a Sara Alcova.

Relação entre alimentação e o lipedema

IstoÉ Bem-estar. Quais são os principais desafios nutricionais para pessoas com lipedema?

Fernanda Maniero. Em geral, o principal desafio está relacionado com a gordura característica do lipedema que demonstra resistência à perda de peso induzida pela dieta tradicional. Assim, dietas com restrição severa de calorias e exercícios físicos intensos para induzir a perda de peso costumam ser ineficientes em pacientes com lipedema.

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IstoÉ Bem-estar. Quais alimentos devem ser evitados por pessoas com lipedema?

Sara Alcova. Alimentos processados e ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio. Também devem ser evitados alimentos que possuem corantes, conservantes e aditivos químicos. O mesmo equivale para bebidas açucaradas, adoçadas com adoçantes e bebidas alcóolicas.

IstoÉ Bem-estar. Existem nutrientes ou alimentos específicos que podem ajudar a controlar ou melhorar os sintomas do lipedema?

Fernanda Maniero. Alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes são fundamentais e devem ser incluídos diariamente na alimentação de mulheres com lipedema, estas são as frutas, verduras, legumes, oleaginosas e as sementes.

Entre eles, as frutas cítricas (limão, laranja, tangerina, maracujá, acerola, morango, abacaxi) são fontes de vitaminas e minerais, como a vitamina C que é reconhecida por sua atividade antioxidante e fundamental para a síntese de colágeno. Polifenóis encontrados no azeite de oliva extravirgem e na cúrcuma, como a curcumina, oleuropeína e hidroxitirosol, podem ser vantajosos quando consumidos diariamente. Peixes gordurosos, como arenque, cavala, sardinha, atum, truta e sementes como, chia, linhaça, semente de girassol são ótimas fontes de ômega-3, que possui atividade anti-inflamatória.

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IstoÉ Bem-estar. Quais itens incluídos na nova cesta básica vai ajudar atender às necessidades de pessoas com lipedema? Consegue sinalizar algumas receitas benéficas para quem tem o diagnóstico?

Sara Alcova. A nova cesta básica é composta por alimentos de dez grupos diferentes, entre eles destaca-se o grupo dos cereais, leguminosas, legumes e verduras, frutas, castanhas e nozes, carnes, ovos e especiarias.

Uma opção de receita para uma refeição de almoço e jantar utilizando estes alimentos como base, seria: filé de frango grelhado temperado com especiarias, acompanhado de arroz com cúrcuma e cenoura ralada, feijão cozido temperado com alho e azeite e hortaliças para a salada. Já para o café da manhã, podemos pensar em uma crepioca funcional feita com ovo, farinha de tapioca, mix de sementes (semente de abóbora, chia, linhaça), recheada com tomate, orégano e uma fatia de queijo muçarela. Para complementar, este preparo pode ser acompanhado de uma porção de alguma fruta.

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IstoÉ Bem-estar. Como deve ser estruturado um cardápio diário para alguém com lipedema, utilizando os itens da nova cesta básica?

Fernanda Maniero. O cardápio alimentar no lipedema deve ser pensado estrategicamente, tendo como princípio sempre a utilização de alimentos in natura ou minimamente processados, que são a base da cesta básica atual. Quanto menos embalagens forem abertas ao longo do dia, melhor será a alimentação. Todas as refeições devem sempre contemplar uma fonte de proteína, seja um ovo, uma carne ou um laticínio.

Para o café da manhã, é fácil realizar preparações e combinações com ovos, como uma panqueca de banana, a crepioca, ovos mexidos com uma porção de frutas e sementes, ovos com algum tubérculo, como mandioca e batata doce, receitas de pães de frigideira que levam ovos, alguma farinha (como de aveia), sementes e fermento.

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As refeições principais, como almoço e jantar, devem ter uma porção generosa de verduras e legumes, proteína e em menores quantidades os cereais e leguminosas (como o arroz e feijão). Nos intervalos entre as refeições, frutas com sementes e oleaginosas são uma ótima opção de vitaminas e fibras. Para as bebidas que acompanham as refeições, chás naturais (preparados por infusão) gelados seriam a opção mais aconselhável, isto porque possuem pouquíssimas calorias e não causam pico glicêmico quando não adoçados com açúcar.

 

IstoÉ Bem-estar. Quais são as dicas para a preparação dos alimentos que são particularmente úteis para pessoas com lipedema?

Sara Alcova. Prefira preparações grelhadas, refogadas, que exigem menores quantidades de gordura. Escolha para estas preparações boas fontes de gordura, como o azeite de oliva extravirgem. Abuse de ervas aromáticas para temperar as preparações, como alecrim, tomilho, cúrcuma, páprica, pimenta do reino, pimenta calabresa, manjericão, orégano, salsinha, coentro, cardamomo, dill e evite temperos prontos e industrializados. Quem dá o sabor aos alimentos são os temperos, mas o sal deve ser utilizado com moderação.

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IstoÉ Bem-estar. Existe alguma evidência de que um cardápio adequado pode reduzir sintomas ou melhorar a qualidade de vida de quem tem lipedema?

Fernanda Maniero. Existe sim. A inibição da inflamação sistêmica utilizando componentes antioxidantes e anti-inflamatórios, e a eliminação de líquidos através de uma alimentação estratégica parece reduzir os sintomas, como a percepção da dor, câimbras musculares e fadigas, e consequentemente, melhora-se a qualidade de vida. Além disso, a dieta também contribui para o controle da obesidade, frequentemente associada ao lipedema.

Atualmente, existem poucos estudos clínicos que evidenciam a nutrição e sua relação com o lipedema. No entanto, os que existem demonstram resultados significativos de redução de peso, sintomas e aumento da qualidade de vida em mulheres com lipedema. Entre esses estudos, foram abordadas as dietas cetogênica, mediterrânea e com carboidrato controlado. Em um geral, todas tinham o objetivo de restringir calorias para o controle e perda de peso, eram ricas em alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, e limitadas de alimentos processados e ultraprocessados.

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2 receitas estratégicas para pessoas com lipedema

Café da manhã ou tarde: panqueca de banana ou maçã

Ingredientes:

  • 1 banana ou 1 maçã
  • 2 claras
  • 1 gema
  • 1 Colher de sopa de farinha de aveia
  • Canela em pó
  • Mel

Modo de Preparo:

  • Amasse a banana com um garfo e em um recipiente adicione a gema, clara, a farinha de aveia e a banana/maçã.
  • Unte a frigideira com papel toalha e um fio de azeite.
  • Misture todos os ingredientes e coloque na frigideira até firmar uma massa completamente assada.
  • Opção de preparo rápido: misture todos os ingredientes, coloque em uma caneca e leve ao micro-ondas por 1 minuto.
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Almoço/Jantar: carne moída com espaguete de abobrinha ao sugo

Para abrir o apetite, inicie com uma opção de salada: mix de folhas (Alface crespa, americana). Utilize temperos como limão ou vinagre, azeite, ervas e evite temperos prontos e industrializados.

Prato principal: carne moída refogada. Opção de substituição: peito de frango desfiado.

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Prato base: espaguete de abobrinha ao sugo.

Sugestão de temperos: azeite extravirgem, sal, orégano, alecrim, salsinha e cebolinha.

Modo de Preparo:

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  • Carne moída: utilize carne bovina magra (patinho, peixinho, coxão mole), em uma panela adicione um fio de azeite, cebola, tomate, chimichurri (sem sódio) e deixe refogar até dourar. Adicione o alho triturado (sempre dê preferência para o alho natural e triture em casa, evite pastas prontas). Acrescente a carne moída e mexa por cerca de 7 minutos até a carne mudar completamente de cor e o líquido secar. Finalize com salsinha e cebolinha.
  • Espaguete de abobrinha: rale ou utilize um cortador Julienne, para deixar a abobrinha em tiras finas e compridas, semelhantes à de um espaguete, desprezando apenas as partes com sementes. Corte em pedaços pequenos a cebola e triture o alho. Em uma frigideira, aqueça o azeite e acrescente a cebola e o alho. Adicione a abobrinha e refogue em fogo baixo. Tempere com sal, orégano e ervas de sua preferência.
  • Molho: Em um liquidificador, bata os tomates (pode ser o tomate pelado ou in natura com casca e sementes), no caso de tomates in natura adicione água aos poucos para facilitar o trabalho do liquidificador (para cada 10 tomates adicione 200ml de água). Em uma panela, aqueça o azeite e adicione o dente de alho e a cebola. Acrescente o tomate batido, o sal e a pimenta-do-reino a gosto. Mexa bem e antes de iniciar a fervura adicione um pedaço de cenoura sem casca, para retirar a acidez do molho. Volte a mexer quando iniciar a fervura.  Deixe ferver por 10 a 15 minutos. Adicione manjericão a gosto, retire a cenoura e sirva com o espaguete de abobrinha.

Sugestão de sobremesa: uma porção de abacaxi com canela.

 

Benefícios dessas receitas para o lipedema

As duas refeições propostas são completas nutricionalmente, fornecem energia com baixo impacto glicêmico, possuem os compostos e substâncias que atuam contra a inflamação e oxidação através dos legumes, verduras, frutas, fibras, temperos e do azeite. Possuem boas fontes proteicas e irão garantir a saciedade além de nutrir, e ajudar no tratamento do lipedema. Para saber mais sobre o que é lipedema e qual a diferença entre esse distúrbio e o linfedema, confira a matéria da Paola Machado.

Também pode conferir tudo sobre o lipedema no podcast da IstoÉ Bem-estar com a doutora Aline Lamaita.

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Colaborações: Fernanda Maniero, nutricionista clínica, doutora em Ciências (USP), com 20 anos de experiência em atendimento nutricional personalizado. É educadora e gestora do curso de nutrição no Centro Universitário Anhanguera de São Paulo. e pesquisadora responsável pela linha “Cuidados Nutricionais e Atenção à Saúde de Mulheres com Lipedema”. Atualmente é parceira de trabalho no projeto Lipedema Zero (protocolo de tratamento clínico e cirúrgico ao lipedema) com o Dr Kabio Kamamoto (Instituto Lipedema Brasil). 

 

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Sara Alcova, nutricionista clínica. Atua em atendimentos nutricionais de crianças e adultos e mulheres com lipedema e é monitora de estágio do Curso de Nutrição Centro Universitário Anhanguera de São Paulo. Também é pesquisadora colaboradora na linha “Cuidados Nutricionais e Atenção à Saúde de Mulheres com Lipedema”.

 

*O conteúdo desta matéria tem caráter informativo e supervisionado por um Profissional da Saúde.

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**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do IstoÉ.

Fonte: IstoÉ
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Trabalhar fora de casa sem gastar muito: como escolher espaços produtivos em Brasília

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Especialista Flávio Hideo, fundador do Grupo 365, orienta sobre como escolher ambientes que ajudem na produtividade

Encontrar um lugar adequado para trabalhar ou estudar fora de casa, sem gastar muito, tem se tornado um desafio para moradores do Distrito Federal. No Brasil, cerca de 6,6 milhões de pessoas ainda trabalham remotamente, segundo o IBGE, o que ajuda a explicar a busca por ambientes que ofereçam mais foco e estrutura fora de casa, como bibliotecas, cafés e espaços compartilhados.

Nesse cenário, a escolha do local passou a ser um fator estratégico para manter o rendimento ao longo do dia. Mais do que o preço, aspectos como conforto, nível de ruído, acesso à internet e localização devem ser levados em consideração na hora de definir o ambiente ideal.

Segundo Flávio Hideo, fundador do Grupo 365, um dos principais erros é priorizar apenas o menor custo. “Nem sempre o lugar mais barato será o mais vantajoso. É importante avaliar o custo-benefício, considerando estrutura, localização e o quanto aquele ambiente contribui para a produtividade”, afirma.

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De acordo com o especialista, ambientes barulhentos ou com estrutura inadequada tendem a comprometer o desempenho. “Locais com muitas distrações ou internet instável dificultam a concentração e podem impactar diretamente a rotina de trabalho ou estudo”, explica.

Hideo destaca que já existem alternativas acessíveis para quem precisa trabalhar fora de casa, como espaços que oferecem estrutura adequada e um ambiente planejado para foco, como o 365. “Hoje é possível encontrar opções que equilibram custo e qualidade, com conforto e condições adequadas para manter a produtividade”, pontua.

Home office ainda é o modelo preferido entre trabalhadores

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Mesmo sendo o modelo preferido por muitos profissionais, o home office nem sempre garante as condições ideais de produtividade. Distrações, falta de estrutura adequada e dificuldades de concentração fazem com que parte dos trabalhadores busque alternativas fora de casa ao longo da rotina.

Além da escolha do espaço, o planejamento da rotina também é essencial para evitar gastos desnecessários. Avaliar a frequência de uso, o tempo de permanência e custos extras, como consumo e deslocamento, pode fazer diferença no orçamento ao final do mês.

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“A análise dos custos de forma mais ampla mostra que o mais barato nem sempre é a melhor escolha. Um ambiente adequado influencia diretamente na produtividade, na organização da rotina e na qualidade das entregas. Por isso, escolher bem o espaço deve ser visto como um investimento no próprio desempenho”, conclui.

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