Politica
Ambulatório de Saúde Funcional de Sobradinho recebe suspensório para tratamento fisioterapêutico infantil
De acordo com a fisioterapeuta do Ambulatório de Saúde Funcional de Sobradinho, Thaís Gontijo, a iniciativa auxiliou o trabalho dos profissionais. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde DF
Instrumento foi produzido por estudantes universitários e é fundamental para trabalhar a mobilidade e o equilíbrio de crianças
O Ambulatório de Saúde Funcional de Sobradinho recebeu nesta quinta (24) um suspensório produzido por alunos do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac) para tratamento fisioterapêutico pediátrico. O instrumento foi desenvolvido para trabalhar a locomoção e o equilíbrio em crianças que possuem algum desafio para os movimentos.
A pequena Maitê Garcia, 2 anos, foi uma das primeiras crianças a utilizar o novo suspensório. Ela nasceu com a síndrome de Dandy-Walker, condição que causa má formação no cérebro e prejudica o sistema motor. Em acompanhamento fisioterapêutico na unidade desde o nascimento, a evolução foi expressiva após o teste com a ferramenta.
Para Marcia Garcia, cada evolução da filha Maitê é uma grande vitória: “A gente pensava que ela nem ia engatinhar”. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde DF
“Ela andava com apoio, mas quando soltava as mãos para andar sozinha, tinha medo por conta das quedas. Então, testamos o suspensório com a Maitê, porque o instrumento dá maior segurança à criança. Dias depois, a mãe me mandou um vídeo em que a bebê conseguiu andar sozinha em casa, sem se apoiar”, explicou a fisioterapeuta pediátrica, Vanessa Fialho.
Para a mãe de Maitê, Marcia Garcia, 40 anos, cada evolução no sistema motor na filha é uma grande vitória e todo o tratamento teve papel fundamental. “A fisioterapia foi um divisor de águas, porque foi o que a ajudou a se desenvolver. Ajudou a engatinhar, o que a gente pensava que ela nem chegaria a fazer. Ela tinha a mão esquerda fechada, não abria, aí conseguiu abrir, conseguiu se desenvolver”, contou.
A integração com a faculdade foi realizada por outra fisioterapeuta da unidade, Thaís Gontijo. De acordo com a profissional, a iniciativa uniu as necessidades de ambas as instituições e, além disso, auxiliou no trabalho dos próprios profissionais no ambulatório. “Nós já usávamos o guincho com o suspensório para adultos. Então, a ideia surgiu de criar um suspensório para as crianças da comunidade. Tentamos sempre estimular a marcha, o mais multidirecional possível, e o suspensório promove isso”, detalhou a profissional.
Maitê Garcia foi uma das primeiras crianças a usar o suspensório e os resultados foram positivos: em poucos dias, conseguiu dar os primeiros passos sem apoio. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde DF
Trabalho desenvolvido por alunos
O suspensório adaptado para crianças foi totalmente desenvolvido pelo grupo de alunos – Ana Clara Santos, Lilian Alves, Ana Luiza Lima, Vinicius Harrison, Paulo Eduardo Nunes e Carine Fonseca – na Uniceplac, que elaboraram o projeto e encomendaram a produção.
“Os estudantes desenvolveram o dispositivo para ajudar as crianças a andarem. Qual criança não gosta de correr e de andar? Conseguiram um dispositivo que deu funcionalidade e autonomia, ainda promovendo uma alegria sem fim para a família”, explicou a professora da universidade, Diana Pacheco.
Para a integrante do grupo de alunos, Lilian Alves, 30 anos, a sensação é de gratificação pelos resultados, especialmente após os desafios enfrentados: “Foi uma aventura achar uma costureira que conseguisse fazer um material tão específico, mas quando ouvimos hoje o relato de que a criança está funcional e consegue andar, é tudo muito gratificante”.
Confira os serviços de Saúde Funcional oferecidos pela SES-DF: https://www.saude.df.gov.br/gerencia-de-servicos-de-saude-funcional-gessf
Politica
Cientista política analisa uso da pauta feminina nas eleições pela direita
Das 16 mulheres que tomam posse em fevereiro de 2027, sete são do Partido Liberal (PL) de Zucco; esquerda terá somente quatro cadeiras femininas.
Pelo terceiro pleito eleitoral seguido, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) bateu o recorde de ocupação feminina. Foram 16 as mulheres escolhidas pelo povo gaúcho para representá-las na casa do Poder Legislativo, superando as onze eleitas em 2022. Desta vez, no entanto, a representatividade feminina seguiu os rumos da eleição nacional e migrou ainda mais para a direita.
O Partido Liberal (PL) foi o mais beneficiado pelas urnas: reelegeu as suas duas deputadas, Kelly Moraes e Adriana Lara, e elegeu outras cinco candidatas: Adri Cherini, Comandante Nádia, Vanice de Matos, Daiane Mello e Ali Klemt.
Além disso, dentre as quatro candidatas mulheres mais votadas, três são do partido do governador eleito Luciano Zucco. Adri Cherini (PL) foi a deputada estadual mais votada não somente entre as mulheres, mas entre todos os 56 candidatos eleitos. Somente em outros três pleitos a corrida ao Palácio Farroupilha foi protagonizada por uma mulher: em 1966, com Teresinha Chaise (MDB); em 2010, com Silvana Covatti (PP); e em 2014 com Manuela d’Ávila (PCdoB). Já Comandante Nádia (PL) e Kelly Moraes (PL), conquistaram respectivamente os terceiro e quarto lugares entre as mulheres. Luciana Genro (PSOL), terceira colocada geral, foi a segunda mulher mais votada.
Apesar de ter acompanhado o crescimento da extrema direita a nível nacional, o resultado eleitoral no Rio Grande do Sul é ainda mais expressivo em relação às mulheres, aponta Teresa Sacchet, cientista política e professora da UFRGS. Enquanto somente 15,7% dos 121 deputados eleitos pelo PL à Câmara são mulheres, as deputadas estaduais do PL gaúcho somam 58% da bancada do partido. Dos doze concorrentes eleitos pelo partido à ALRS, sete são mulheres.
A dominância deste campo político também é favorecida pela retração do lado oposto. Se na atual legislatura são sete as deputadas estaduais de direita e cinco as de esquerda – Zilá Breitenbach (PSDB) assumiu como suplente após a perda do mandato do deputado Professor Bonatto (PSD), totalizando doze mulheres na ALRS em 2026 – a partir do ano que vem, serão doze de direita e somente quatro de esquerda.
Além de Luciana Genro (PSOL), representarão a esquerda as deputadas estaduais eleitas Natasha (PT), Karen Santos (PSOL) e Sofia Cavedon (PT). As cinco demais candidatas de direita são Delegada Nadine (PSD), Ronize Damassini (PP), Delegada Ana Tarouco (PSD), Nicole Weber Covatti (PP) e Bruna Molz (Podemos).
Sacchet observa que a eleição de deputadas mulheres à Assembleia Legislativa representa por si só um aspecto democratizante, já que o poder legislativo passa a ter uma composição mais próxima àquela verificada socialmente. “Algumas pesquisas demonstram que as políticas mulheres têm uma probabilidade maior de defender os interesses das suas iguais em comparação aos homens”, comenta a cientista política.
Por outro lado, esse fator nem sempre beneficia grupos minoritários da população, indica Sacchet. “A gente vê que tem mulheres que se opõem a algumas agendas que foram conquistadas às custas de muita luta do movimento feminista, de mulheres parlamentares. Quando isso acontece, a voz delas é mais facilmente ouvida, tem mais força. De alguma forma, acabam fazendo um desserviço para a causa”, diz.
Somadas, as candidatas de todos os partidos de esquerda reuniram quase 500 mil votos, o que corresponde a 1/3 de todos os votos em deputadas estaduais mulheres. Enquanto isso, somente as candidatas do PL concentraram praticamente a mesma quantidade, com uma desvantagem em menos de dois mil votos.
O maior contingente de votos em candidatas de direita revela uma cooptação do discurso político feminino para esse polo, indica Sacchet. “A pauta de aumento na representação de mulheres e de outros grupos sociais subalternizados é historicamente da esquerda, de movimento sociais” avalia a cientista política. “O fato de termos mais mulheres pelo PL me leva a pensar que os partidos de direita estão usando essa pauta estrategicamente para se elegerem”, completa.
Apesar do resultado histórico para as mulheres, a votação em candidatas do gênero feminino ainda é desproporcional no Rio Grande do Sul. Dos 6,1 milhões de votos válidos na eleição para deputado estadual pelo RS, cerca de 1,6 milhão foram em candidatas mulheres, o que corresponde a uma parcela de 26%. Considerando que as mulheres representavam 34% das candidaturas à Assembleia Legislativa – 179 das 528 totais –, é possível perceber uma preferência por candidatos homens por parte do eleitorado gaúcho.
FONTE:
sul21.com.br
Por Pedro Stahnke
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